Capítulo 7

Acsa achou que estivesse sonhando. A biblioteca era tão grande que ela ficou com medo de se perder lá dentro. As enormes prateleiras que iam até o teto redondo com pinturas angelicais, tinham milhares de livros, cada lombar formando tonalidade diferentes e coloridas. Ela caminhou por entre os corredores de livros, onde alguns tinham escadas e pontes para atravessar de um lado para o outro. Ali deveria ter todos os livros do mundo, ela pensou. Tocou a ponta dos dedos pelas lombadas até chegar no final, os olhos azuis brilhando como se ela estivesse no paraíso. Tão encantada com tudo que se esqueceu que Charles estava logo atrás, falando algo que ela não havia prestado nem um pingo de atenção.

Charles apontava para as prateleiras dizendo onde cada um ficava. Acsa estava com os olhos brilhando, a única coisa que se orgulhava verdadeiramente de Ilya era sua biblioteca particular, mas ela não chegava aos pés da que estava agora. Era perfeita.

— Entendeu, princesa? — Ele chamou atenção dela, fazendo Acsa se virar.

— Perdão?— Fez uma expressão confusa para o comandante.

— Eu disse que os livros banidos da coroa não estão aqui, mas todo resto pode encontrar nestas prateleiras.

Acsa sorriu concordando se virando novamente para a pilha de livros sobre uma mesa longa de madeira próximo a janela.

— Ah, o conde não gosta de Abramov e Duskin então, para evitar problemas, não os leia no corredor.— Charles completou antes de ir na direção da porta.— Irei pedir que Katlin se junte a você e que a leve aos seus aposentos antes do toque de recolher.

Acsa concordou com a cabeça, passando a mão nas prateleiras, ela estava maravilhada e Charles percebeu, mas não quis atrapalhar, então ele saiu sem que ela notasse, a deixando sozinha na biblioteca entre as prateleiras lotadas de milhares de livros. Ela se sentia como se estivesse no paraíso.

Não se considerava religiosa, mas quando leu as obras de Abramov ficou encantada. Seus professores faziam que Acsa estudasse cada uma das obras desde os oito anos de idade e sabia cada parágrafo de co, disso tinha certeza. Ficou encantada com as versões de cada um que encontrou pelas prateleiras. Além dos romances épicos que pareciam opera. As poesias que era proibidas em Ilya e morria de curiosidade de ler e acabou descobrindo entre eles o famoso gênero erótico. Ficou espantada com a liberdade que damas tinham para falar daquele assunto tão abertamente e sentiu as bochechas que ruborizaram em um tom vermelho e se assustou ainda mais quando Kaitlin apareceu no meio do corredor de livros, limpando as mãos no lenço preso no vestido.

— Vejo que encontrou a biblioteca, minha lady.— Katlin deu um sorriso genuíno se sentando ao lado dela.— O comandante pediu que viesse.

— Gosto de sua companhia.— Declarou.

— Fico agradecida, minha lady.

— Espero não estar atrapalhando sua rotina.— Disse fechando o livro entre o dedo indicador que usava para guardar a página.

— De maneira alguma, Alteza.— Katlin negou com a cabeça, os cabelos vermelhos presos em uma tranças desfiada, onde algumas mechas escapavam.— Na realidade sinto que farei grande proveito de sua companhia. O palácio não recebe muitas visitas e a única companhia que tenho é minha esposa, mas como ela está em uma viagem para aprimorar o estudo da medicina, fico boa parte do tempo sozinha na cozinha ou no jardim.

Acsa piscou como se tivesse levado um empurrão. Engoliu seco, ficando boquiaberta, ainda tentando processar o que Katlin havia dito. Mas, ela tinha dito aquela frase de maneira correta? Talvez tivesse entendido errado ou talvez ela não tivesse notado o erro na hora de pronunciar os gêneros, de esposa para esposo.

— Perdoe-me, Lady Katlin — Piscou novamente, quase gaguejando, tentando achar uma maneira melhor de pronunciar aquela frase.— Disse que é casada?

Kaitlin, ainda com seu sorriso inocente no rosto, concordou com a cabeça.

— Sim. — Começou dizendo com uma inclinada na cabeça, como se fosse apoiá-la no próprio ombro.— Bem, Olga não é muito social mas farei questão que a conheça...

— Pedão, Katlin, é casada com uma mulher?

Katlin fez uma expressão confusa, mas não tirou o sorriso do rosto quando concordou.

— Certamente.— Confirmou.

— Isso não é proibido nesta terra?

Só depois que disse, Acsa se deu conta que pareceu grosseira e fechou a boca imediatamente, a cobrindo com a palma da mão. Katlin respirou fundo, mas deu seu sorriso suave, apoiando as mãos sobre o colo, tocando os joelhos.

— Se em seu reino proíbem amar, vejo que está metida em problemas, minha lady.— Katlin disse.

Acsa se levantou quase se ajoelhando aos pés de Katlin, segurando sua mão.

— Por Abramov, me desculpe Lady Katlin! — Apertou a mão da criada junto ao peito. Katlin arregalou os olhos diante da cena absurda.— Não quis parecer uma ignorante, tenho certeza que se explicar e me ensinar tais fatos desta cultura que não conheço falarei menos besteiras como essa, tenho certeza também que...

— Alteza, pelo amor de Deus, levante-se — Katlin disse sussurrando como se estivesse com vergonha, mas parecia que estava segurando uma gargalhada.— Se alguém nos pega aqui desta forma eu serei posta para fora!

Acsa se levantou, quase caido para trás, o pulso doeu quando usou ele para se apoiar na mesa, esquecendo que estava machucado.

— Me desculpe!

— Fique calma, está tudo bem.— Katlin deu uma risada alta.— Você é uma graça alteza, realmente engraçada.

Acsa suspirou em alívio. Não se perdoaria de ter magoado os sentimentos de Katlin pela atitude grosseira, mas aquilo não era o tipo de coisa permitida em Ilya, de maneira alguma. Houve cassação em seu reino certo ano, pessoas como Katlin foram presos e levados para o exílio.

Katlin se levantou parando na frente da princesa, com as mãos para trás, ela caminhou na direção da porta.

— O sol já está se pondo, quando anoitecer volte para o quarto — Katlin disse acenando para ela. — Vou mandar levarem seu jantar para seu quarto, a não ser que prefira comer na mesa com os outros.

— Acharia melhor.— Confirmou.

Katlin saiu da biblioteca em pequeno saltos enquanto assobiava uma melodia, deixando Acsa sozinha no enorme comodo. Ela se sentou novamente no estofado e voltou a ler, com um sorriso idiota no rosto.

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