Capítulo 5

Enquanto era escoltada pelo enorme corredor que não parecia ter fim, observava pelas janelas enfileiradas em uma sequência, o sol lá fora do dia brilhante sem nem uma nuvem sequer. O jardim era verde e tinha diversas flores que Acsa jamais vira na vida, a não ser pelos livros de fauna e flora que estudou durante sua vida. Mas aquilo estava longe de ser uma figura em um papel. Era real, ela podia sentir o perfume dela ali dentro, completando o ar em seus pulmões. Enquanto havia dois guardas na frente e dois atrás. Ao seu lado, mas sempre dois passos à sua frente estava o comandante, com os braços para trás e o queixo erguido.

Depois de algum tempo seguindo pelo corredor e subir alguns lances de degraus, pararam em uma porta de ferro dourado e vidro. O s guardas deram abertura e Charles abriu a porta ficando de lado para que Acsa entrasse. Pelo receio de entrar em outro ambiente que não conhecia, demorou um tempo até que entrasse finalmente. O cômodo era grande como tudo naquele lugar assustador, e ela teve o oposto de claustrofobia. Algumas camas e macas, as paredes brancas e como azulejos brilhantes. Cortinas formando cercados envolta das camas e quando chegaram no final, uma mesa de metal na frente de uma janela bem iluminada, deixando o quarto tão claro que chegava a ser irritante para os olhos. O doutor, este chamado Guts, tinha por volta de sessenta anos. A pele albina com algumas pintas marrons como manchas pelo rosto enrugado pelos anos. O cabelo totalmente branco, assim como sua sobrancelha, essa quase inexistente e seus cílios Ele usava um jaleco e os óculos estavam presos no bolso na frente do peito. Abriu um longo sorriso para Charles e para Acsa como se a muito tempo alguém não entrasse ali.

— Comandante, a que devo a honra? Está sentindo as dores novamente...— Acsa viu Charles negar com a cabeça e lançar um olhar para ela, como se indicasse o real motivo de estar ali, fazendo o doutor se calar por um momento, saindo por detrás da mesa para se juntar a eles.— Ora, o que temos aqui...

— Está e princesa Acsa Mallman, de Ilya — Ele disse e o doutor fez uma reverência desajeitada, quando Acsa fez um sinal negação com a cabeça.— Ela está com o pulso machucado, pode vê o que é?

O doutor se aproximou de Acsa, que parecia assustada com o movimento repentino dele, então ergueu os olhos negros para a jovem, como um sinal de paz no rosto.

— Me permite, alteza? — Pediu e Acsa fez que sim com o queixo. Ele apertou em alguns pontos do ângulo roxo no punho e quando tocou em um ponto específico, Acsa quase gritou com a pontada de dor que lhe fez calafrios, fechando os olhos.— uma fratura no escafóide.

— É grave? — O comandante perguntou com os braços cruzados sobre o peito forte. Ela viu a expressão curiosa, as sobrancelhas castanho claro juntas, sobre os olhos castanhos estreitos.

O doutor pareceu sorrir se afastando para ir até a prateleira atrás da mesa. Ele buscou por algo que Acsa não soube o que era, até que se virou com um rolo de ataduras e pequenas varetas de madeira polidas. Acsa olhou para ele com a expressão preocupada, quando ele chamou por ela, para que se aproximasse da mesa e se sentasse.

— Bem, não é grave mas ela vai sentir muita dor. Não fraturou completamente, sei disso pois ela estaria deitada no chão de dor se estivesse realmente fraturado.—Ele pegou o braço de Acsa com cuidado posicionando as madeiras e enrolando o tecido firme em volta do pulso.—Vou te passar alguns medicamentos mas o melhor de todos será o descanso. Pelo menos uma semana sem nem um esforço até que já esteja bom.

— Obrigado, Doutor. — Charles agradeceu apertando a mão do médico, após tirar a luva de couro apenas para fazer esse ato. O doutor pareceu sem graça e tímido, quando se levantou para seguir os dois até a porta.

— Se precisar de algo, alteza, pode voltar — Ele disse quando Acsa passou pela porta.— Se a dor persistir também.

— Obrigado.— Ela sussurrou quando voltou a andar pelo interminável corredor.

Charles caminhava na frente, sempre dois passos à frente. As mãos para trás das costas e os passos precisos. Acsa olhava o palácio envolta, se perguntando se seu pai estava morto, ou se devia acreditar nas palavras do conde. Ela nem notou que Charles ainda falava, quando acordou do transe, encarando as costas do comandante, Acsa revirou os olhos, suspirando.Ele estava mostrando tudo para ela, como se fosse um guia pelo museu. Não podia negar que estava encantada.

— Um conjunto de 25 mil metros quadrados, O Grande Palácio de Niepa abriga não só a administração presidencial, mas também inúmeras salas de recepção que são testemunho da história do país...— Ele começou enquanto seguiam pelos lugares enormes.

"Os apartamentos privados dos últimos governantes, como do antigo Conde Minerlau, se situam no piso térreo, atrás das janelas com vista para o lago.— Ele apontava para os cômodos.— A escadaria de honra conduz a cinco salões solenes, denominados conforme as cinco ordens honoríficas Tesliana.—Eles seguiram pelas escadas, enquanto Acsa olhava tudo com os olhos brilhantes. Era tudo majestoso.— O Salão Sagrado dá acesso à antiga sala do trono, O conde não a usa mais e está fechada a alguns anos."

— ...E aqui é a casa de festas, próximo à sala de jantar...—Charles disse quando já havia passado quase quarenta minutos que eles estavam caminhando pelos corredores, salões e escadas e não parecia nem perto de acabar.

— Você sabe que eu não dou a mínima para o que está dizendo, não sabe?— Acsa perguntou fazendo o comandante para e se virar para olhá-la.

Ele parecia sério por um momento quando deu um suspiro aliviado, soltando as mãos e penteando os cabelos com elas.

— Ah, jura? Graças a Deus.— Ele olhou pelo corredor buscando por alguém, quando achou um dos serventes. Chamou o rapaz com um aceno, o rapaz quase correu na direção deles.— Ótimo. Rapaz!— Ele chamou por um dos guardas que estava plantado na frente de uma porta, se aproximou fazendo uma continência para Charles, levando os dois dedos até a lateral da testa, fazendo um movimento reto.— pode acompanhar sua majestade até seus aposentos?

— Claro, senhor comandante.—O homem concordou parando ao lado de Acsa.

Antes de sair, Charles se virou apenas para olhá-la.

— Pode ir aonde quiser, desde que não tente sair do palácio.— Charles disse.

— Dê asas a uma ave e peça para que não saia de sua gaiola.— Acsa respondeu sussurrando.

Ele não pareceu ouvir o que ela havia dito e antes que Acsa percebesse ele se afastou, saindo pelo corredor.

— Espere!— Acsa se virou confusa.— A onde vai?

Ele não respondeu e em segundos, já havia sumido pelo corredor.

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