Capítulo Único
POSITIVO!!
Ela caiu sentada na cama após abrir o envelope amarelo e ver o que estava escrito com letras garrafais.
Susto foi o que ela levou logo de início, mas depois de se recuperar da surpresa que foi aquela notícia, um sorriso brotou em seu lindo e delicado rosto, assim como também as lágrimas de alegria. Há algumas semanas vinha sentido uns enjôos, tonturas e cansaço demasiado. Seu ciclo estava atrasado e ela se pegou achando que fosse isso, mas não tinha certeza já que ela costumava atrasar mesmo. Resolveu fazer o exame mais por desencargo de consciência e agora estava ali, bem diante de seus olhos a confirmação com todas as letras: ela estava grávida.
Seu coração batia rápido de tanta felicidade ao ler e reler aquele papel diversas vezes. Se pegou imaginando como seria essa criança. Um garotinho de cabelos castanhos como os dela e olhos azuis e sorriso tímido de Grissom. Ou talvez, viesse uma linda garotinha com essas mesma características e tão teimosa quanto a mãe. Só de imaginar tudo isso seus olhos brilharam de tal forma que eram capazes de iluminar o mais escuro dos lugares.
Ficou pensando na cara que seu marido faria quando soubesse da novidade. Com certeza, ele levaria um susto como ela, porém depois tinha certeza que adoraria aquela novidade tanto quanto Sara. Sem conseguir conter a ansiedade a mulher ligou para o marido a fim de saber se ele demoraria muito pra vir pra casa. Não contaria nada a respeito da gravidez. Deixaria seu marido chegar em casa pra lhe dar a grande notícia pessoalmente. Aquilo era especial demais pra ser contado por telefone.
****
Grissom estava em sua sala lendo um artigo forense pra passar o tempo, enquanto a reunião com todos os supervisores de turnos marcada por Ecklie não começava. O supervisor lia concentrado quando escutou seu celular tocar, olhou no visor e ao ver que era sua adorável esposa quem ligava pra ele, o homem sorriu atendendo a chamada todo contente.
_Oi querida!
_Oi, meu amor!
Era impressão dele ou ela estava com uma voz bem alegre?
_Está ocupado, Gil?
_Pra você nunca!
Ela sorriu do outro lado da linha e ele gostou daquele som. Não havia pra ele som mais agradável que o da risada de sua amada.
_Aconteceu alguma coisa aí em casa?
_Não. Eu liguei pra saber se ainda vai demorar muito pra vir pra casa.
_ Saudades?
_Também! - Ambos sorriram desta vez. _Mas é que tenho uma novidade pra te contar só que não pode ser por telefone.
_E não pode me adiantar nada a respeito dessa novidade?
_Não.
_Isso é injusto vai me deixar curioso mesmo?
_Vou!... Me diga se vai demorar pra sair daí?
Vendo que ela não diria mais nada acerca da novidade, Grissom resolveu satisfazer a curiosidade da esposa.
_Não sei, querida. A reunião já era pra ter começado, só que Ecklie precisou sair rápido com o Xerife pra resolverem um problema e até agora, eles ainda não voltaram. Eu e os outros supervisores estamos esperando a chegada deles pra saber o que o Conrad quer conosco.
_Hum... Então só me resta esperar não é?
_Sim
Judy, a recepcionista do laboratório bateu na porta da sala de Grissom pra avisá-lo da chegada de Ecklie.
_Querida tenho que desligar. Judy está me avisando que Conrad acabou de chegar.
_Então tá vou tentar te esperar acordada. Beijos!
Sara já ia desligar quando escutou Grissom chamar seu nome.
_Sara!
_Oi, querido.
_Eu te amo!
Do outro lado da linha, ela sorriu com a declaração dele.
_Eu também te amo muito!
_Nunca esqueça ... Eu sempre estarei do seu lado.
Ela estranhou um pouco essas últimas palavras dele.
_Grissom aconteceu alguma coisa?
_Não, por quê?
_Por que me disse isso?
_Senti vontade, querida. Além do mais, queria te lembrar disso que lhe prometi no dia do nosso casamento. Agora preciso desligar estão me chamando. Beijo até mais tarde.
_Até!
Assim que desligou o telefone, Sara sentiu um aperto no peito inexplicável. Em seguida, um vento frio arrepiou sua pele. Olhou pra janela e ela estava fechada.
De onde então veio aquele vento?
Ela então se pegou pensando naquelas últimas palavras dele: Nunca esqueça... Eu sempre estarei do seu lado!, Isto lhe incomodou e lhe deu uma sensação esquisita. Balançou a cabeça e resolveu não pensar naquilo estava feliz demais e não deixaria sensação estranha alguma estragar sua felicidade.
Foi em direção ao banheiro pra tomar um banho relaxante, assim que acabou enxugou-se, depois vestiu sua camisola e deitou-se na cama pra ver TV enquanto Grissom não chegava. As horas passaram e Sara acabou adormecendo.
****
Sara despertou ao som insistente do toque de seu celular. Olhou para o lado esquerdo da cama e não viu Grissom. Estranhou! Encarando o relógio sobre a mesinha viu que já eram quase uma da manhã e àquele horário já era para seu marido estar há tempos em casa.
Onde será que ele estava?
Deixou pra descobrir isso depois e foi atender o celular, que seguia tocando alto.
_Alô! - Sentou-se na cama e ligou o abajur.
_Alô!... Me desculpe está ligando a essa hora, mas eu falo com Sara Sidle? - Uma mulher de voz suave e delicada quis saber.
_Sim, por quê?
_Senhora Sidle encontramos seu número nos pertences de Gilbert Grissom. Poderia me dizer o que é dele?
_Sou esposa dele. O que houve com o Grissom? - Ela já ficou preocupada e assustada.
_Seu marido sofreu um grave acidente de carro há algumas horas e deu entrada aqui no Desert Palms. A senhora precisa vir pra cá, porque o médico quer falar sobre o estado de saúde do Senhor Grissom com alguém da família dele.
Sara estava em choque com que o ouviu. Como a perita ficou muda e não proferiu qualquer palavra a mulher que lhe deu a notícia do acidente, a pessoa do outro lado da linha perguntou:
_Ainda está na linha, senhora Sidle ?
_Sim... Eu... Já estou indo até aí. - Ela respondeu ainda aérea com a notícia recebida.
Em menos de vinte minutos, Sara chegou ao estacionamento daquele hospital com o coração desesperado, as mãos frias feito pedras de gelo e as pernas bambas. Enquanto se encaminhava para dentro do hospital rezava silenciosamente pra que nada de muito grave tenha acontecido com seu amado esposo.
Quando chegou a recepção, sua amiga Catherine já estava lá. Assim que desligou a ligação do hospital, Sara ligou pra outra mulher contando o que houve e pediu pra que ela lhe encontrasse lá no hospital. Como Cath morava bem perto do local, então chegou primeiro que Sara.
_ Cath! - Ela foi em direção à amiga abraçando-a. Estava tão assustada com aquilo.
_Sara!
_Me diz que ele está bem, Catherine, por favor! - Ela pediu desfazendo o abraço delas.
_ Eu não sei. Ninguém quis me dar qualquer informação. Já pedi a recepcionista pra que chamasse o médico pra nos dar notícias do Gil.
Instantes depois o médico chegou pra falar com elas.
_Olá, sou o Doutor Richard. - Ele estendeu a mão cumprimentando primeiro Sara e depois Cath.
_Como está meu marido doutor? - Sara apressou-se em questionar.
Se era uma coisa a qual detestava em sua profissão era essa parte em que tinha que dar péssimas e desagradáveis notícias a parentes de algum paciente seu. Richard respirou fundo e de forma lenta ele começou a falar.
_Senhora...
_ Sara só me chame de Sara. - Ela o corrigiu, interrompendo-o.
_Ok... Sara!... Quando seu marido chegou aqui estava desacordado e com um grande corte na testa. Estancamos o ferimento e depois o levamos pra verificar se ele não havia sofrido algum dano interno. Os resultados mostraram que ele estava com uma grave hemorragia na cabeça. Como não podíamos perder tempo, então o levamos imediatamente pra fazer uma cirurgia de emergência na tentativa de estancar a hemorragia e assim salvar sua vida. Só que... Enquanto estávamos na cirurgia, ele teve uma parada cardíaca e perdeu os sentidos. - Cath e Sara começaram a chorar. _Eu e minha equipe fizemos tudo o que podíamos pra trazê-lo de volta, mas infelizmente não foi possível. Seu marido veio a óbito. Sinto muito, Sara!
_Não!!
Aquela palavra dita em tom alto e desesperado foi abafada pela mão que Sara levou a boca no mesmo instante em que o médico acabou de falar.
Aquilo só podia ser um pesadelo horrendo que estava acontecendo com ela. Se tivessem pego uma arma e atirado direto em seu coração não teriam feito tanto estrago quanto as últimas palavras proferidas pelo médico. Sem conseguir dizer mais nada Sara sentiu suas pernas perderem a força, sua vista ficou escura e ela acabou desmaiando. Se não fosse o médico a amparando, ela teria caído no chão.
****
Aos poucos ela foi abrindo os olhos. Percebeu que estava em um quarto com sua amiga Catherine ao seu lado segurando firme em sua mão. Os olhos vermelhos de Cath e a lembrança horrível daquelas palavras do doutor Richard que vieram a sua cabeça lembrando-a do que tinha acontecido, lhe trouxeram aquela cruel realidade de que seu amor não estava mais vivo.
_Como se sente?
_Eu quero vê-lo, Catherine. - Sara sentou-se na cama, ignorando por completo a pergunta feita pela amiga acerca de seu estado de saúde.
_Depois Sara.
_Não, eu quero agora!... Ele não podia ter feito isso comigo, Cath!
Desesperada, Sara começou a chorar feito uma criança desamparada. Catherine estava tão desolada quanto sua amiga, mas tentava se manter firme pra dar apóio a Sara naquele momento tão doloroso.
_Sara se acalma você não pode ficar nervosa desse jeito.
Através de uns exames que a equipe médica tinha feito na morena enquanto ela estava desmaiada. Cath acabou descobrindo sobre a gravidez da amiga e naquele momento ficou preocupada que aquele estado nervoso dela não fizesse bem ao bebê.
_Eu acabei de perder meu marido e você me pedi pra ficar calma? - Sara retrucou rispidamente.
A loira ficou sem saber o que dizer.
_Ele se foi e me deixou sozinha aqui... Meu Deus por quê?... Logo agora que descubro que estou grávida e que íamos ser uma família completa, acontece isso. Eu não tive nem chance de dizer pra ele sobre o bebê. O que vai ser de mim, Cath? Como vou criar essa criança sozinha? - Ela dizia aos prantos.
_Você não está sozinha, Sara. Têm a nós seus amigos. Todos estamos do seu lado e vamos te ajudar com essa criança no que for preciso.
_Ele tinha que ter lutado pra viver e não me deixado aqui. - Ela murmurou de cabeça baixa.
_Ele com certeza deve ter lutado, mas não deu. Entretanto, antes de partir, Gil te deixou um presente lindo, Sara. Um filho! Você vai ter sempre uma parte do Gil com você.
_Preferia mil vezes ter o Grissom vivo aqui comigo do que ter uma criança com parte do DNA dele.
_Não diga isso. É do seu filho que está falando.
Sara deu um suspiro longo, estava sufocada. Queria fugir dali, ir pra onde pudesse esquecer que tudo aquilo estivesse acontecendo.
_Eu não sei se vou conseguir viver sem o Grissom do meu lado. - A perita confessou e olhou desolada para Catherine
_Vai ser difícil, mas você tem que conseguir Sara por esse bebê. - A loira pôs uma mão sobre a barriga ainda lisa da amiga. _Essa criança vai precisar de você.
_Eu quero ver o meu marido! - Sara disse firme e enxugando suas lágrimas.
****
Assim que adentrou o quarto onde o corpo de seu marido se encontrava e o viu inerte e sem vida naquela maca, a realidade lhe bateu em cheio e Sara quis morrer ali mesmo.
Por mais duro que fosse comprovou que era verdade. Seu marido estava morto e daqui pra frente ela não teria mais aqueles belos olhos azuis lhe fitando ao desperta de cada manhã; nem veria aquele sorriso de garoto tímido que só ele tinha; também não escutaria mais sua voz rouca lhe dizendo lindas palavras de amor ao pé do ouvido enquanto se amavam com paixão; e nem teria mais as noites de amor onde ambos se entregavam de corpo e alma um ao outro. Tudo isso agora não passariam de doces lembranças pra mulher.
Lentamente Sara chegou perto da maca onde ele estava e olhando fixo para aquele rosto que tanto amava começou a falar.
_Você disse que sempre estaria do meu lado, só que agora não está mais. Por que Grissom? Por que isso tinha que acontecer conosco?
Respostas!
Sara queria respostas, só que quem lhe daria. Como fazer uma pessoa entender que seu amor, aquele que era sua razão de viver, partiu e teria que aprender a lidar com isso? Que a partir de agora seria só ela sem ele, sem sua metade? Como explicar isso? Se é que se pode.
O coração de Sara era Grissom e agora ela teria que aprender a viver sem o seu, pois seu amado não estava mais ali consigo, agora só existiam as lembranças dele.
Sara sentou-se perto dele e se pôs a acariciar seu rosto frio.
_Queria tanto que abrisse os olhos, olhasse pra mim e me mostrasse que isso não está acontecendo, que você está vivo e que tudo isso não passa de um sonho ruim. - Ela faz uma pausa pra respirar, depois continuou. _Minha vida não vai ser mais a mesma sem você, Gil!... Eu... Não sei o que fazer, estou perdida. Agora que nossa felicidade seria completa com a vinda desse bebê, você partiu e me deixou aqui... - Ela começa a chorar copiosamente.
Da porta e com lágrimas escorrendo por sua face, Catherine assistia Sara chorar tanto que chegava a balançar os ombros. Pedia aos céus pra que sua amiga tivesse forças pra se recuperar desse baque, e então poder cuidar dessa criança que viria.
A loira sabia que não seria fácil pra ninguém que tinha convívio direto com Grissom viver sem o supervisor por perto. Aquela era uma perda irreparável. Só que teriam que ser fortes pra ajudar Sara a superar essa perda. Foi com dor no coração e lágrimas nos olhos que Cath viu Sara pedir quase com desespero que Grissom voltasse pra ela.
_Gil... Amor... Não faz isso comigo! - Ela se agarrou ao corpo dele. _Eu preciso de você. Não vou suportar a sua ausência. - Levantando a cabeça de seu peito, Sara acariciou o rosto do marido pral depois beijar delicadamente seus lábios gélidos. _Volta pra mim querido!... Não me deixa sozinha aqui, por favor!... Eu te amo tanto, Gil!... Volta pra mim, meu amor!... Volta! - Ela pedia com lágrimas nos olhos.
Mas já era tarde demais! Grissom não tinha mais como voltar. A vida de Sara que era um lindo sonho ao lado de seu grande amor acabou, aquele era o fim.
Era tudo tão perfeito quando eu estava com você
A chuva, o sol, o vento, o mar e a natureza abençoar
Mas de repente o sonho acabou...
***
FIM !
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