3 - Busca sem resposta
Ken chegou em casa, passou todo o caminho observando o desenho que pegara da garota. Só naquele momento percebeu que não perguntara o nome dela, mas não tinha problema, provavelmente teria outras oportunidades.
— Cheguei — anunciou ao entrar.
Deixou os sapatos no hall e foi até a sala. Da cozinha, pôde sentir o cheiro da comida que o pai fazia.
Se ajoelhou diante da mesa de centro e pôs o desenho sobre ela. Tirou a light novel da mochila e começou a procurar pela página que queria. Quando a encontrou, colocou o livro ao lado do desenho e comparou.
Sim, era a princesa Sindar desenhada ali, não só isso, aquele desenho estava idêntico ao original. Ele não resistiu e sorriu, pensando que a garota ruiva da sala desenhou a personagem ruiva da sua história preferida.
— Ó, que desenho legal. Quer dizer que você finalmente aprendeu?
— Aaaahh! — Ken se assustou e caiu para trás ao ver o pai muito próximo, inclinado sobre o desenho. — Da pra parar com isso?
— Só estava curioso. Então, de quem é esse desenho?
— De... de uma colega de sala — respondeu, olhando para o lado e corando.
— Hhmmmmmm, quer dizer que vai ter uma vida normal esse ano?
— Eu já tenho uma vida normal!
— Você entendeu o que eu quis dizer. — Seu pai se levantou e suspirou.
— Entendi, e a resposta é não. Farei de novo esse ano.
— Ken, eu não acho...
— Não importa, eu sinto que preciso. Só mais uma vez.
— Tudo bem, tudo bem. Mas fale com sua mãe.
O garoto acenou com a cabeça e se levantou. Foi até um pequeno cômodo ao lado da sala, onde se ajoelhou diante de um pequeno altar com a foto da mãe.
Ela tinha um lindo sorriso no rosto, os cabelos negros bagunçados pelo vento. Não era difícil entender por que seu pai se apaixonou.
Ele suspirou, tocou o pequeno sino ao lado da foto e juntou as mãos na frente do rosto.
— Me desculpe, mamãe. Eu farei de novo, eu... eu digo que preciso disso, mas a verdade é que não sei se me lembro de como agir de outra maneira. Me desculpe, mas só mais esse ano, vou tentar fazer as coisas do mesmo jeito.
As lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto e ele as limpou, fungando um pouco.
— A gente sente muita saudade de você.
Ele se levantou e respirou fundo, saiu do cômodo e deu com o pai segurando o desenho, olhando com atenção.
— Da pra largar isso?
— Sabe, essa garota até que leva jeito para desenhar roupas.... E então, acha que consegue namorá-la?
— Eu... o quê?
— Isso ia te fazer bem. Nessa idade, uma namorada ajuda muito.
— Do que... do que você está falando? — Seu pai abriu a boca para responder, com um sorriso largo, mas Ken tampou a boca dele. — Pensando bem, eu não quero saber. Será que podemos comer?
— Está quase pronto, só terminando de cozinhar a carne. Pode fazer seus deveres enquanto isso.
Ken pigarreou e começou a sair de fininho.
— Ken, você anotou os exercícios da escola, não anotou?
— Sabe como é, primeiro dia. Foram só apresentações e avisos, quase não tivemos aula.
Seu pai levantou uma sobrancelha.
— Vou acreditar, mas só hoje.
— Sim, senhor. — Ele prestou uma ligeira continência, assim como aprendera com o Eastar e o pai dele.
— Você precisa dar um tempo desses livros, está ficando viciado neles.
— E quem não ficaria? Só estou esperando sair o anime.
Seu pai revirou os olhos e sorriu, voltando para a cozinha.
Ken pegou o desenho mais uma vez, se aquela garota tivesse muito em comum com ele poderia dificultar seu trabalho. Ele tinha que pensar em como agir, teria que ser cuidadoso.
Seu pai voltou com a comida e eles jantaram. Depois, Ken subiu para o seu quarto, arrumou suas coisas, pregou o desenho ao lado do pôster que tinha de "A crônica de Eastar" e olhou para a mesa, cheia de papeis espalhados. Franziu o cenho e se sentou na cadeira.
Olhou para a foto dele com o pai e a mãe e o pegou. A moldura era robusta e até pesada, toda em prata com pequenas áreas de vidro espelhado. Passou a mão sobre o rosto da mãe e sentiu os olhos arderem.
Tinha que continuar procurando.
Passou horas analisando papeis e notícias sobre o caso da sua mãe, procurando qualquer detalhe que pudesse ter deixado passar das outras vezes.
Ele e seu pai tiveram acesso aos dados da polícia e ele fez questão de gravar tudo. Sabia que tinha algo errado em tudo aquilo, só precisava descobrir como provar.
Ao fim de mais uma tentativa frustrada ele pôs as mãos nos cabelos.
— Tem que estar em algum lugar. Por que eu não consigo achar?
Talvez ele estivesse apenas se enganando, mas sabia que seu pai também não acreditava naquela versão da história.
Ele olhou para o relógio, era quase meia-noite. Era melhor dormir, ainda tinha tempo para continuar procurando.
Ligou a televisão e começou a assistir a sessão de animes da madrugada, era melhor se distrair um pouco ou seu pai começaria a ficar preocupado.
Enquanto assistia, pensava no dia seguinte. O que poderia fazer? Teriam educação física, talvez pudesse focar em outra pessoa.
Sim, era melhor trabalhar com calma.
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Espero que tenham gostado.
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