Capítulo XXI
Mikaela Evans⭐
No final da tarde, a tela do monitor da cozinha mostrou a figura do irmão mais novo que chegava carregando compras de mercado nas mãos. Ele fazia caretas para a câmera enquanto eu destravava a fechadura e entrou, empurrando a porta atrás de si com o pé.
- Oi, cunhada! Me ajuda aqui.
- Oi, Foxie!!
- Trouxe umas coisas bem gostosas e outras nutritivas.
Colocamos as sacolas sobre a mesa e retiramos os produtos para serem guardados na geladeira ou no armário. Leite, iogurtes e queijos, além de massas semi prontas para refeições rápidas. Trouxe também legumes e verduras para saladas e algumas frutas.
- Os ovos e os frios são para o café da manhã reforçado do Capitão. Achocolatado e geleias para você.
- Já conhece os meus gostos?!!
- Você é fácil de agradar.
- Com todo esse cuidado, eu vou ficar mal acostumada.
- Aahh se tudo fosse tão fácil assim.
Mesmo tentando disfarçar, o tom da sua voz entregava que algo não estava bem.
- Aconteceu mais alguma coisa hoje?
- O Santoro me enquadrou e a Sarah ainda deu razão a ele.
- Tá chateado com o trabalho ou com a atitude da sua amiga?
- Nem posso culpá-la. Afinal ele é pai dela e meu superior por enquanto.
- Brian!!!
- Eu já disse ao Ethan que devíamos ter a nossa própria agência de segurança e trabalhar para o setor privado. Grandes empresas estão contratando esse tipo de serviço para proteger seu patrimônio intelectual e pessoal.
Ao terminar de guardar as compras, ele sentou-se em uma das cadeiras e continuou seu desabafo.
- As possibilidades com as novas tecnologias são infinitas, mas ficamos limitados quando temos que obedecer as ordens desses burocratas. Ele mesmo já está saturado dessa politicagem.
- Mesmo profissionais independentes devem seguir um código de ética. Não que você não tenha. - me corrigi.
- Sério, Mikah. O que eu fiz foi pra resolver o nosso problema. Não foi um ato de rebeldia ou impensado.
- Eu sei, Foxie. Eu seria a maior beneficiada se tivesse dado resultado, mas não podemos nos enganar. Fizemos algo fora do protocolo. É difícil para quem segue as regras aceitar.
- A gente precisava de resultados. Pelo menos a Sarah deveria entender.
- Já pensou na possibilidade de tá rolando ciúmes da parte dela?
- De quem? De nós dois?
- Ela não tem idéia do que aconteceu entre o Ethan e eu, então é possível se enganar.
- Porque ela sentiria ciúmes, se não quer nada comigo?
- Homens!!! Deixa eu desenhar.
Ele bufou impaciente, cruzando os braços e eu continuei.
- Ela nos viu juntos mais vezes do que eu com o Ethan e você tem esse jeito de me tratar.
- Que jeito??
- Carinhoso. Atencioso. Nós mulheres gostamos de exclusividade.
- Foi o que eu sempre ofereci a ela.
- Você já falou abertamente dos seus sentimentos?
- Ela me corta sempre.
- Já falou ou fica só nas indiretas?
- Tenho medo de levar um não definitivo. - reconheceu, passando a mão nos cabelos desalinhados pelo uso do capacete - Você pode ter razão. Vou tentar levar um papo sério com ela.
- Posso estar muito enganada, mas acho que ela sente mais do que amizade por você também.
Ele suspirou animado e deu um belo sorriso que era marca registrada dos irmãos. Nos abraçamos e ele me beijou fraternalmente.
- Vou nessa cunhadinha. Obrigado.
- Você não acha um pouco prematuro me chamar de cunhada?
- Às vezes não importa o tempo e sim a intensidade dos sentimentos.
Brian se foi, deixando suas palavras reverberando na minha mente.
Mesmo consciente de que não poderia continuar naquela situação indefinidamente, eu esperava uma definição da ACIS para seguir adiante. Minhas opções eram o programa de testemunhas, onde teria que revelar muito mais do que havia dito até agora. Ou sair do radar do Kassian por meus próprios meios, o que significava deixar Ethan para trás.
Eu não poderia viver eternamente protegida pelo Capitão, pois foi justamente para não ser prisioneira em uma gaiola de ouro que eu fugi do árabe.
Ao chegar naquela noite, Ethan mal retirou os sapatos e deixou o casaco de lado e já me suspendeu em seus braços, enquanto eu beijava sua face e boca.
- Quero ser recebido assim todos os dias.
- Senti saudades. - confessei.
- Saber que você estava aqui me deixou ansioso e excitado o dia inteiro. - segredou no meu ouvido.
- Pra mim o dia foi interminável.
- Mas a noite começou maravilhosamente bem.
Fomos para o quarto dele, mais precisamente para o banheiro. Fiquei ao seu lado, encostada na bancada, enquanto ele abria os botões para tirar a camisa e lavava as mãos.
- Como foi o seu dia, de verdade?
- Eu fiquei responsável pela orientação de uma nova turma de agentes. Além do treinamento, tem toda a parte burocrática. Felizmente a Sarah agiliza muita coisa nessa parte. Mesmo assim as entrevistas ocuparam muito do meu tempo.
- O Brian passou aqui para repor a despensa. Não parecia muito feliz.
- Ele foi alocado na transcrição de áudios de investigação. Passou o dia naquela sala congelante e silenciosa.
- Isso foi algum tipo de castigo?
- Foi o modo que o Santoro achou para nos manter longe de confusão essa semana. Ele e o Secretário compareceram na primeira sessão da Corregedoria hoje.
- Então começou?
- A leitura dos relatórios pelos magistrados deve ser na presença do representante da ACIS que é a acusada.
Ethan parecia não querer entrar nos detalhes técnicos do processo, porém eu preferia saber as possibilidades de sucesso ou fracasso.
- É um processo demorado?
- Depende. Se eles não ficarem convencidos com os relatórios, tanto da ACIS quanto da Federal, posso ser convocado.
- O que acha que vai acontecer?
- Se o relato do MA corroborar com o meu, tudo pode ser resolvido em duas ou três seções.
- Do contrário?
- Do contrário, o Kassian pode se livrar da acusação de tráfico. Mas ainda temos a tentativa de homicídio contra você e contra mim. Essa prova está no processo, através de laudo e fotos minhas.
Virei-me para a bancada e passei a reorganizar a arrumação dos frascos de perfume e loção pós barba numa ordem aleatória, somente para ocupar minhas mãos e esconder meu nervosismo.
- Então é provável que ele seja liberto?
- É possível. Existem prazos a serem cumpridos e os defensores dele já entraram com o pedido de soltura.
- E eu? Sem meus documentos não posso nem alugar um carro ou comprar uma passagem...
- O Kassian vai ser convidado a se retirar do país. Então você decide, agora não.
- Ethan, eu preciso tomar uma decisão...
Silenciei quando ele deixou a toalha que secava as mãos de lado e sua expressão ficou séria, mas a voz tinha a mesma entonação de quando me pediu para respirar com calma naquela casa. O tom que lhe dá a certeza de que você está segura. Então, envolveu meu corpo num abraço apertado, onde medo e dúvidas não poderiam me alcançar.
- Fica aqui, onde eu posso te proteger.
Ele me colocou sobre a bancada e calou qualquer argumento que eu pudesse verbalizar. Beijou de leve meus olhos e boca, descendo pelo meu queixo para alcançar o vão do meu pescoço e inspirou por ali, fazendo minha pele arrepiar até a nuca.
- Você tá tão cheirosa. Deixa eu tomar um banho.
- E eu faço o que? - falei enquanto alisava seu peito e descia pelo seu abdômen para provocá-lo.
- Fica aqui quietinha e me espera. Vou ser rápido.
- Sim, senhor. - concordei sorrindo.
Ethan se afastou para tirar a calça e a boxer, em seguida entrou no box. Abriu a ducha e começou lavando os cabelos com a agilidade prometida.
Obediente, eu observava a espuma que descia por suas costas, quase invejando a água que o acariciava. Ele pegou no nicho da parede o sabonete líquido e passou pelo corpo lentamente, enquanto me olhava através do blindex.
- Tá me provocando?
- Só dando uma idéia.
- Passar vontade pra quê?
Desci da bancada e de frente para o vidro que nos separava, tirei toda a roupa que vestia. Ele abriu a porta e me puxou para dentro.
Abraçados sob a água morna, nos beijamos lentamente e o contato da nossa pele arrepiada entregava o quanto estavamos excitados.
Ethan já se preparava para me pegar no colo quando me afastei e olhei para baixo. Inclinei meu corpo até o chão e pelo caminho, beijava seu peito e abdômen. Surpreendido por minha atitude, ele ficou parado me olhando de cima.
- Eu quero.
- Mikaela...
Ethan sussurrou meu nome de modo quase suplicante para que eu fizesse exatamente o que desejava. Acatando meu pedido, colocou as mãos apoiadas na parede as minhas costas, se oferecendo para mim.
Ajoelhada aos seus pés eu parecia submissa, porém era ele quem estava fazendo a minha vontade.
As gotas d'água que escorriam pelo seu corpo se misturavam com o néctar espesso que já vertia da coroa rubra. Abri a boca e o suguei tão rápido e intenso que ele gemeu alto.
- Aaah... poha... que gostoso.
Entreguei minha boca para o seu prazer. Ele deslizava entre meus lábios e tocava minha face, sentindo que o grandão ocupava todo interior. Sua respiração era audível e profunda, tentando se controlar e prolongar ao máximo aquela sensação erótica de entrega e domínio.
O membro pulsou e cresceu, antes de liberar o líquido morno que inundou minha boca e escapou por meus lábios. Seu corpo estremeceu em êxtase e ele emitiu um som rouco de alívio e satisfação.
Instantes depois, Ethan me ergueu e acariciou com o polegar meus lábios avermelhados e dormentes, em seguida os beijou.
- Gulosa. Safada. Me deixa louco.
- E você é um tesão de homem que me tira do sério.
Ele abriu o chuveiro novamente e lavou delicadamente meu pescoço e colo, deixando a espuma levar as marcas do nosso prazer. Depois lavou a si próprio, sem tirar os olhos de mim.
- Eu te quero cada vez mais.
- Estou prontíssima pra você.
Ethan facilmente me levantou, segurando forte minhas coxas, me abrindo para recebê-lo. Estava incrivelmente duro outra vez e me preencheu totalmente. Eu gemia entregue aos seus movimentos cada vez mais intensos e ritmados. Com os braços em volta do seu pescoço, eu tentava ir mais para ele e trazê-lo mais para dentro de mim. Sentia o prazer se espalhando pelo meu corpo e depois se concentrando em um único ponto, me fazendo explodir em êxtase, sussurrando o seu nome.
- Eu nunca tive uma mulher tão gostosa quanto você.
Suas palavras soaram como música para meus ouvidos. Estávamos abraçados, deixando a água morna levar nosso cansaço. Levantei meu rosto que estava apoiado no seu peito e olhei dentro dos seus olhos azuis, que estavam quase se fechando pelo esforço que tínhamos feito.
- Eu também, nunca conheci um homem tão insansiável como você.
Ele riu orgulhoso.
- Vamos para cama.
Ethan queria mais e eu também. Meu desejo estava aflorado e eu precisava senti-lo mais algumas vezes naquela noite. Quando saímos do banheiro, nosso interlúdio continuou por mais algumas horas.
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