Capítulo XV

Mikaela Evans⭐

- O Ethan voltou"

Fiquei olhando a tela do celular, relendo a mensagem do Brian.

- Ele tá bem? - digitei.

- Tá inteiro - digitou de volta e ficou off.

- Mania que eles tem de sumir quando querem. - bufei.

O desassossego que eu senti durante sua ausência prenunciava algo perigoso e inesperado. Eu mesma não entendia o porquê de tanta agonia.

Saber se o Capitão estava bem tornou-se mais importante do que o êxito daquela ação contra o Kassian.

Do momento que recebi a mensagem até ver a imagem real me pareceu uma eternidade. Ethan estava de volta. Inteiro, são e salvo.

O monitor que ficava na parede da cozinha mostrava o soldado que retornava da missão parado na frente da porta, prestes a digitar a senha que liberava a entrada.

Eu mordia o lábio de expectativa e meu coração parecia dançar rumba no meu peito. Meus sentimentos eram confusos. Uma mistura de alívio e saudade, como se ele realmente estivesse retornando de uma batalha. E tudo tornou-se ainda mais intenso quando vi a figura imponente na minha frente outra vez.

Quando finalmente abriu a porta lateral e entrou, me encontrou encostada na divisão entre a cozinha e a mesa de jantar.

Não estava totalmente escuro, só não havia acendido as luzes da sala como de costume. As luminárias suspensas sobre a bancada estavam acesas, emitindo sua luz sobre mim. Do outro lado, a tela de led refletia a iluminação do exterior da casa na face do Capitão.

- Mikaela... - ele suspirou, parecendo aliviado por eu estar ali.

Sem reação, fiquei onde estava e meus olhos percorreram seu corpo em busca de possíveis ferimentos. Dessa vez a camiseta caqui deixaria ver manchas de sangue, mas felizmente não havia nada, apenas estava amarrotada. Os cabelos despenteados e o rosto abatido davam sinais do cansaço de quem havia dormido muito pouco nos últimos dias.

- Capitão...

- Só um instante.

Disse ao virar-se na direção da lavanderia, onde deixou os coturnos e o sobretudo que segurava, saindo do meu campo de visão por segundos e voltando em seguida. Tal gesto me deu a impressão de que ele se livraria de toda a roupa que vestia ali mesmo, se não tivesse uma hóspede.

- Tudo bem com você? - perguntei aflita com seu silêncio.

- Tudo bem. E você tá bem?

- Estou... E como foi no Porto?

- Estava tudo lá como o Aziz falou. O navio, os contêineres, mas não consegui evitar o embarque. O federal chegou no Porto e liberou a carga.

Ele resumiu o fracasso da sua empreitada, lutando para esconder o desânimo e controlar a revolta típica de quem não gosta de perder quando se está tão perto de uma conclusão.

- Eu não tinha um mandato e não estava sob ordem oficial. Marco Aurélio se valeu de todas as prerrogativas para me enquadrar.

Meu silêncio expressou a frustração que eu não queria verbalizar para não piorar seu estado de espírito e ele se obrigou a continuar.

- Algo me diz que ele está envolvido, mas não tenho como provar nada. - finalizou, passando os dedos entre os cabelos e massageando o pescoço nervoso.

- O delegado ter estado com o Samir não é uma prova?

- São só indícios. Ele alegou que estava fazendo seu trabalho de investigar, não pude refutar mesmo sabendo que ele é uma raposa traiçoeira.

- Tantas pessoas envolvidas - observei desanimada - parece que estamos lutando contra uma hidra.

- Parece que o Al-Magharabi se blindou muito bem. Ter aliados nos lugares certos dificulta que a verdade seja revelada.

Ele colocou a mão na cintura e trocou o peso do corpo de uma perna para outra, sinalizando sua irritação.

- Tenho que esfriar a cabeça e pensar no que vou fazer. O Santoro não está satisfeito e nossa conversa não foi nada amigável. Não posso deixar toda culpa sobre o Brian, eu estava ciente das consequências quando tomei essa decisão.

- Capitão, se eu pudesse...

- Tá tudo bem, Mikaela.

Minha vontade era abraçá-lo e revelar o quanto fiquei angustiada esperando pelo seu retorno, porém sua postura me manteve afastada.

- Preciso tomar um banho.

Era quase uma desculpa por não estar lindo e cheiroso, como se eu me importasse com detalhes naquele momento.

O alarme do forno tocou e desviou nossa atenção momentaneamente, nos tirando daquela bolha de tensão.

- Depois vem comer algo. Estou fazendo um doce, mas posso fazer um sanduíche ou outra coisa pra você. - mudei de assunto para amenizar a situação.

- Tá. Eu venho...

- Então você me diz... o que quer... comer...

- Eu te falo.

Ethan passou por mim e foi na direção do corredor que levava aos quartos. Observei que andava um pouco encurvado e a mão na lombar denunciava que devia estar com dor.

Após alguns segundos olhando o espaço vazio, lembrei do Brian e enviei uma mensagem.

- Ele tá aqui.

- Cuida dele. Tenho que fazer umas coisas antes de ir. - respondeu e ficou off novamente.

Minutos depois, Ethan voltou para a sala com o cabelo úmido e arrepiado.

O aroma que exalava da sua pele era do seu perfume característico. Marcante sem ser invasivo. Vestindo uma camiseta branca e uma calça de moletom que deixavam seu físico bem pronunciado, ele ainda não sabia o efeito que aquilo me causava.

Disfarcei meu fascínio fingindo estar concentrada no doce que comia. Eu estava sentada em umas das banquetas e a caneca do bolo estava à minha frente, com a calda de chocolate escorrendo pela borda.

Ele passou pelas minhas costas e ligou a cafeteira, depois abriu a geladeira, olhou para o seu interior e desistiu de pegar qualquer coisa para comer. Serviu-se de um copo d'água e tomou dois comprimidos de um frasco que trouxe do quarto. Observei seus movimentos em silêncio, até que ele finalmente falou.

- O que você tá comendo? - perguntou olhando por cima do meu ombro.

- Bolo de chocolate. Você quer?

- Preciso de um café primeiro.

Ethan se serviu da bebida e encostou na bancada, ficando ao meu lado. Levou a xícara aos lábios e suspirou após tomar o primeiro gole, misturando no ar o cheiro do café com a calda de chocolate quente. Sorriu para mim e eu retribuí o sorriso. O banho ajudou a diminuir a aparência de cansaço e melhorou seu humor.

- Parece bom isso aí.

Sem cerimônia, pegou a colher da minha mão e levou um pedaço do bolo à boca. A forma com que ele saboreou, me fez pensar que era a melhor coisa que havia comido nos últimos dias. Ou era só fome mesmo...

-Tem outro no forno, se quiser...

- Eu quero o seu, é mais gostoso.

Lambeu a colher e a calda escorreu abaixo do lábio. Até então eu odiava que roubassem minha comida, mas para ver aquela cena sexy, eu lhe daria qualquer coisa.

- Sujou aqui. - usei meu polegar para limpar e não desperdiçar o doce.

Tentei me controlar com todas as forças racionais que ainda me restavam. Simplesmente não consegui evitar de imaginar como seria tocar aquele corpo e beijar aqueles lábios com gosto de chocolate

Voltei a saborear meu lanche super calórico para ter com que ocupar minha boca e não falar todas as besteiras que rondavam a minha mente e que me fizeram esboçar um sorriso indecifrável. Achei que aquela brincadeira não teria consequências até ser surpreendida pelo seu corpo junto ao meu e sua respiração próxima do meu pescoço.

- Tá usando meu perfume. - inspirou entre meus cabelos.

- Desculpe... eu entrei no seu quarto... e não resisti - confessei meu pecado.

- Maçã e chocolate é uma combinação deliciosa. Deu até água na boca.

Sua voz no meu ouvido desligou o alarme "não cometa essa loucura" e acionou o modo "apenas faça o que deseja".

Ethan virou a cadeira devagar e colocou suas mãos na bancada atrás de mim. Os braços fortes, como duas colunas asgardianas, me prenderam naquela posição de frente para ele.

Novamente tudo que eu via eram seus olhos, sequestrando minha atenção para as pupilas cinzentas dilatadas que acentuavam sua intenção

- Cap...

- Me chama de Ethan.

- Ethan... - sussurrei.

Ele sorriu vitorioso, como se dizer seu nome fosse a permissão para ultrapassar a barreira invisível que nos mantinha sob controle.

- Eu pensei muito em você. Não via a hora de chegar e te ver.

- Senti sua falta. Fiquei com medo de que acontecesse algo com você.

Ethan aproximou seu rosto e ameaçou me beijar, mas não o fez de imediato. Ficou um tempo me olhando para ter certeza de que eu queria também. Segurei os lados da sua camisa e o puxei para o meio das minhas pernas, deixando seu corpo quase inclinado sobre o meu. Ele reagiu segurando minha nuca e seus polegares acariciavam o minha face, enquanto ele olhava fixamente para os meus lábios.

Meu coração batia frenético e minha respiração descontrolada fazia meu peito oscilar no decote. Seus olhos passearam da minha boca até o meu colo e voltaram para ela.

Arfei sem ar quando nossos lábios se tocaram e sua língua audaciosa invadiu minha boca, percorrendo seu interior num beijo intenso e lascivo.

Eu o puxei mais para mim, querendo sentir toda parte possível do seu corpo colado ao meu. Minha mão resvalou no seu quadril e o senti retesar quando passou perto da cicatriz. Continuei subindo por suas costas, levando junto a camisa que saiu rapidamente pela cabeça, seguida dos braços.

Então, me afastei para admirar aquele abdômen desenhado pelos exercícios pesados.

- A perfeição existe. - elogiei a obra de arte de carne e músculos.

Safado, ele sorriu orgulhoso e me deixou acariciar todo o conjunto de gomos definidos, chegando até o cós da calça.

Provei sua pele quente e aromática, beijando até o pescoço e maxilar, onde a barba era espessa e macia, mesmo sem fazer por dois dias.

Mordi o seu lábio quando ele apertou o meu seio e o calor da sua mão atravessou o tecido que o cobria, me fazendo desejar que não houvesse barreira.

Eu amei a pegada firme dos seus dedos e todo meu íntimo reagiu ao prazer provocado pela ousadia das suas carícias na minha carne.

Escorreguei para a beirada do assento e rocei na rigidez que mal era contida pela calça que ele vestia. Havia roupa demais entre nós, aprisionando nosso desejo, impedindo o encontro do calor com a umidade. Minha mão rumou para baixo e o acariciei, sentindo sob o tecido que ele pulsava como eu. Ethan gemeu e mordeu meu ombro, deixando sua primeira marca no meu corpo.

Ele tocava meu seio ao mesmo tempo que eu acariciava seu membro e nos perdemos nesse duelo de mãos atrevidas, enquanto nossos lábios eram sugados no mesmo ritmo erótico. Perdi o ar. Arfei. Gemi seu nome ou qualquer outra palavra de incentivo que o fez repetir o gesto de morder, antes de voltar a me beijar com fome, sede, luxúria e tesão.

- Poha, Mikaela... - sua voz rouca era o consentimento para mais ousadias.

Eu sorri quando vi seus olhos fechados e ele entregue ao que eu quisesse fazer. E eu tinha planos... Mas a porta se abriu abruptamente, interrompendo nosso interlúdio luxurioso.

Ouvi o click da porta sendo aberta e em seguida Brian apareceu no corredor. Ele congelou de olhos arregalados antes de se virar, porém não havia como disfarçar a cena.

- Opa, desculpa gente...

- Krlho, Brian. Não sabe bater??

Ethan praguejou com o corpo colado ao meu e rapidamente recolhi minha mão safada.

- Foi mal, Cap...

- Ainda leva um tiro por isso.

- Oi, Brian. - falei constrangida.

Enquanto eles trocavam palavras carinhosas, entreguei a camisa que estava jogada no chão e o Ethan a vestiu, mas nem dava para esconder o tamanho do seu desejo não satisfeito. Atravessei a sala e fui direto para o meu quarto. Precisava de um banho gelado urgente. Meu rosto estava em brasas e meu colo com as marcas digitais do Capitão.

- Aaaahhhh merd@!!!

Me encostei na porta, pensando na loucura que quase fizemos e a delícia que seria se tivéssemos feito. Sim, porque se eu não sou santa, o Ethan é o próprio pecado encarnado, impossível de não cometer.

Ainda sentia o perfume sedutor e viciante tatuado na minha pele. Seu cheiro era como uma aura que me envolvia, fazendo meus hormônios borbulharem sem controle.

Ele sem dúvida gostou ou não teria virado os olhinhos enquanto minha mão apalpava aquele monumento de virilidade e gostosura. Meodeos, lembrar daquela grandeza me fez engolir, não em seco, mas toda saliva que enchia minha boca.

Uma parte da minha mente iniciou um processo de autocensura. Como deixamos acontecer tão rápido? Como se nossas mãos e bocas tivessem autonomia para seguir os desejos que deveríamos controlar. Devíamos? Dois adultos podem fazer o que quiserem, uma parte dizia. Você ainda é casada, com um fdp, mas é. Dizia a outra. O que era indefinido, tornou-se caótico após aquele beijo.

- Mikaela, o que você tá fazendo?!!!

Bati a cabeça na porta, tentando despertar um pouco de juízo, se ainda me restava algum.

Num ato de lucidez ou covardia, fui até o armário onde estavam a valise e as roupas que havia comprado. Arrumei as peças dentro da bolsa, guardei o maço de dinheiro no bolso interno e por último coloquei o boné que o Brian havia me presenteado com cuidado para não amassar. Então, me sentei na cama com a sacola ao lado sentindo a exaustão por não ter dormido quase nada na noite anterior, acentuada pela decisão que estava prestes a tomar.

A luta interna entre razão e emoção durou alguns minutos. Eu sabia que era o melhor a fazer e quanto mais demorasse, pior seria para todos.

Deitei encolhida e reparei as pequenas letras douradas penduradas na bolsa que era uma versão chinesa da icônica Louis Vuitton. Atentar para aquele detalhe só indicava que a minha mente buscava um modo de fugir da realidade e sem querer adormeci.

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