O Elixir
No dia seguinte, ao cair da noite, os três chegaram ao portão principal do castelo de Haruno, que ficava no ponto mais elevado de suas terras. Sakura pediu para que Sasuke escondesse suas orelhas com o capuz de seu manto, apenas por precaução. Não sabia qual seria a reação do General e braço direito de seu pai, Minato, ao ver um elfo andando ao lado da princesa e de seu filho. Seria melhor convencê-los da aliança quando já estiverem dentro do castelo e seu pai, curado.
A rosada andou na frente em seu cavalo, gritando para os guardas que ficavam na torre de vigia.
— Sakura Haruno, Princesa de Haruno. Ordeno que abram o portão!
Um tumulto começou dentro dos muros do castelo, afinal, a princesa e o filho do general estavam desaparecidos há alguns dias e nenhum dos soldados reais fora capaz de encontrá-los. Não demorou muito para que os portões fossem abertos e as duas grades de defesa levantadas. Assim que passaram pelo portão em seus cavalos, Minato, Hiro, Hinata e dezenas de cavaleiros os esperavam do lado de dentro.
Sakura desceu do cavalo, e os dois rapazes fizeram o mesmo.
Hiro correu para os braços da irmã, que o recebeu com um sorriso e um afago nos cabelos róseos do garoto. Hinata suspirou aliviada ao ver que Sakura estava bem, e a rosada não se conteve em dar um abraço na morena.
— Alteza. — Minato fez uma breve reverência, chamando sua atenção. — Por onde esteve? Ficamos extremamente preocupados! — Ele olhou para Naruto em seguida. — E você, como pôde sair sem minha permissão?
— Fique tranquilo, General. Naruto só queria me proteger, não é? — Sakura sorriu para o loiro, que ficou sem graça. Naruto sussurrou um "obrigado" à Haruno, ao menos assim não iria ouvir um sermão tão duro de seus pais naquela noite.
— Perdão, pai. Só queria cumprir o meu dever como escudeiro da princesa — Naruto abaixou o rosto, pedindo desculpas.
Minato apenas balançou a cabeça. Iria lidar com o filho mais tarde, porém, estava satisfeito de vê-lo sendo tão responsável em seu encargo. O General então encarou com certa desconfiança o rapaz que ainda tinha o capuz sobre a cabeça.
— E esse sujeito, quem é? — Apontou para o moreno, que permanecia em silêncio.
— Este aqui... — Sakura sorriu ainda mais ao olhar para o Uchiha. — É a salvação para nossos problemas.
— Prazer, me chamo Sasuke Uchiha. — O moreno se apresentou formalmente, ocultando apenas o fato de ser o rei de Elfheim a pedido de Sakura.
— O que quer dizer com isso, Alteza? — Minato ergueu uma sobrancelha, intrigado.
— Ele tem um remédio que vai curar meu pai.
O General arregalou os olhos, surpreso com as palavras dela ao mesmo tempo em que ainda permanecia cético.
— Alteza, nós já tentamos...
— Não! — Ela o cortou. — Ainda não tentamos esse. Eu sei que vai dar certo, confie em mim. Mas, agora, não podemos perder mais nenhum minuto!
Sakura correu até a bolsa de viagem que ainda estava no cavalo e retirou o frasco do elixir mágico. Ela chamou apenas Naruto, Sasuke, Minato, Hinata e Hiro para que a acompanhassem até os aposentos de seu pai. O rei, felizmente, havia resistido até esse momento, embora tivesse ficado mais fraco desde o dia em que a princesa partiu. Sakura não poderia estar mais feliz e ansiosa em ver o pai logo curado.
Seus passos eram apressados e ela segurava o frasco como se a vida de todo seu reino dependesse disso. Ela não queria correr o risco de que o frasco fosse quebrado por acidente, mesmo assim, não conseguiu evitar de andar o mais depressa possível pelos corredores do castelo.
Entrou nos aposentos de seu pai, vendo que ele estava mais pálido que antes. Poderia facilmente ser confundido com um cadáver se não visse seu peito subindo e descendo bem devagar. O resto do pessoal entrou logo atrás, fechando a porta para evitar olhares curiosos. Sakura queria que apenas suas pessoas de confiança estivessem ali naquele momento.
Ela abriu o frasco e derramou todo o líquido na boca entreaberta de seu pai. Sentou-se de joelhos ao lado da cama e ficou esperando. Diferente de Sakura e Sasuke, que tinham total convicção que a doença seria curada, o resto permaneceu tenso, ainda incertos se esse tal remédio funcionaria ou não.
Alguns segundos se passaram e o rei não teve nenhuma reação. Sakura, porém, não perdeu a esperança. Ela ouviu um suspiro atrás de si e o ignorou, provavelmente alguém achava que tudo aquilo foi uma perda de tempo. Manteve os olhos fixos em seu pai, esperando por qualquer movimento.
E então, o movimento veio. Sakura percebeu que o pai estava voltando à cor normal e viu quando ele mexeu um dos dedos, voltando a responder aos estímulos.
— Deu certo! Meu pai está melhorando! — ela disse, quase gritando de felicidade ao olhar para os companheiros. Não conseguiu controlar a emoção que sentia no momento e seus olhos começaram a marejar. Sasuke piscou algumas vezes, se perguntando por qual razão estava lacrimejando.
As pessoas se aproximaram um pouco mais a fim de ver se o que a princesa dizia era real, e era. Kizashi estava recuperando aos poucos seu estado de saúde. Seus pulmões não pareciam mais respirar com dificuldade, e não demorou muito para que ele abrisse os olhos e encarasse aquela roda de pessoas que havia ali ao lado de sua cama.
— Por que estão me olhando com essa cara? — disse o rei, sem entender o que estava acontecendo.
— Pai! — As lágrimas rolaram pelo rosto da princesa, que o abraçou com força enquanto ele ainda estava deitado. Hiro foi o próximo, se jogando na cama e agarrando o pescoço do pai.
Hinata levou as mãos à boca, incrédula. Ela sabia o quanto Sakura havia se esforçado para achar um jeito de trazer o pai de volta, e ver que a princesa havia conseguido atingir seu objetivo a deixava sem palavras, mas ao mesmo tempo, feliz de que tudo acabou dando certo. Era um verdadeiro milagre.
Naruto olhou para o moreno, que permanecia a uma certa distância. No fim, aquele maldito elfo havia falado a verdade. Sua mente duvidou durante a viagem inteira que um elixir élfico poderia curar o rei, mas agora que viu com seus próprios olhos Kizashi voltando a si outra vez, por um momento, Naruto quis agradecê-lo pela ajuda.
Mas a vontade de agradecê-lo passou quando Sasuke deu-lhe um sorriso vitorioso e um aceno de cabeça. Não tinha jeito, nunca conseguiria ir com a cara daquele metido.
Minato não tinha palavras para descrever o que acabara de acontecer, a única coisa que ele fez foi sorrir ao ver seu velho amigo acordando novamente.
— Tudo bem, eu também amo vocês. — Kizashi levantou-se devagar, sentando na cama com Sakura e Hiro ao seu lado. — Mas agora podem me dizer o que aconteceu?
O General pigarreou antes de dizer:
— Perdão, Majestade. Sua doença progrediu muito rápido e esteve inconsciente desde então. Por muito tempo.
— E por que os médicos não resolveram? — questionou o rei.
— Tentamos, pai. Tentamos de tudo, mas nada deu certo. Vaguei por Haruno inteira atrás de uma cura, e não tive sucesso, não antes de ir até Elfheim — Sakura respondeu. Agora seria a hora em que revelaria a verdade sobre Sasuke e sua viagem.
Minato e Kizashi quase engasgaram ao mesmo tempo.
— Você foi aonde?! Sakura, que história é essa? Você permitiu isso, Minato? — O rei encarou o General com seriedade, buscando explicações.
— Não! Ele não sabia de nada. Eu saí escondida no meio da noite — Sakura começou a se explicar. — Naruto me encontrou no caminho, então eu não estava sozinha.
O rei agora olhava para a filha, incapaz de imaginar que Sakura faria algo assim. Ela nunca foi uma garota que lhe desse trabalho apesar de sua teimosia, mas ir até Elfheim era um ato de loucura.
— Filha! — Kizashi a repreendeu. — Você poderia ter morrido! Perdeste o juízo?
— Estou ótima, e ainda consegui salvá-lo! Era a única coisa que eu queria, pai. Ver você bem outra vez.
— Não briga com ela, pai! — Hiro fez um bico.
Kizashi suspirou, sabia que quando ela colocava algo na cabeça, não desistiria até conseguir. Não iria adiantar nada discutir quando a parte mais perigosa já havia passado. Ao menos estava aliviado que nada havia acontecido à sua filha mais velha. Sakura lembrava-lhe muito de Mebuki, sua falecida esposa: determinada, corajosa e de bom coração. Sua filha arriscou a vida para salvá-lo, e não podia se sentir mais grato e orgulhoso pelas atitudes nobres da garota. Para o rei, ela seria uma ótima sucessora.
— Então conte-me, Sakura, como conseguiu esse remédio em Elfheim? — Kizashi agora estava cismado. Desde pequeno, sempre aprendeu que os elfos eram inimigos do reino. O conflito perdurava por gerações e nenhum humano se atrevia a atravessar as fronteiras. Entretanto, sua filha conseguiu um feito inimaginável e ainda voltou ilesa, sem nenhum arranhão.
Sakura ficou de pé, ajeitando seus cabelos bagunçados. Ela inspirou fundo e mordeu o lábio. Estava na hora, iria revelar sobre o acordo que havia feito com o rei elfo. A rosada buscou os olhos de Naruto em um pedido silencioso para que a apoiasse. Não queria que aquilo virasse uma confusão.
E então ela encarou Sasuke, dando um aceno de cabeça sutil que indicava que era a hora. O moreno deu alguns passos à frente, sentindo suas mãos tremerem. Achou aquilo incomum, já que raramente se sentia ansioso. Foi quando viu as mãos trêmulas e os olhos ainda úmidos de Sakura que entendeu que conseguia compartilhar das emoções que ela sentia, tanto físicas quanto emocionais. "Então a parceria chegava até esse nível?", pensou ele, sem saber se aquilo era normal ou não. Sasuke parou ao lado de Sakura e retirou o capuz que cobria suas orelhas pontudas.
Tirando Naruto, que já sabia do segredo, o quarto foi preenchido por suspiros descrentes e expressões estarrecidas. Minato, em uma reação automática, retirou a espada da bainha e correu em direção ao elfo. Sakura mais que depressa se pôs na frente do moreno enquanto Naruto segurava o braço do pai.
— Abaixe essa arma, pai! — Naruto gritou ao ver que Sakura havia se colocado de frente para a lâmina.
— General, por favor, eu posso explicar! Ele não é uma ameaça! — Sakura esbravejou, com os braços abertos para proteger o elfo. Seu movimento foi tão rápido que nem ela sabia dizer porque estava diante uma espada para proteger a vida de Sasuke, uma criatura imortal que provavelmente não via aquilo como uma ameaça e podia se defender por conta própria.
Sasuke olhou para baixo, vendo a cabeleira rosa à sua frente. Ele parecia mais surpreso do que os outros que estavam ali. Sakura era só uma humana e, ainda assim, quis defendê-lo. Segurou a vontade de rir, como ela pode ser tão descuidada? Era ele quem deveria protegê-la, não o contrário! A espada de um mero mortal jamais teria chance de acertá-lo. Apesar disso, uma parte dentro de si estava em êxtase e sem que percebesse, sentiu o coração bater mais rápido. Não era uma situação extremamente grave, mas era a primeira vez que alguém arriscava a própria vida para salvar a sua. Como ele amava aquela mulher!
O Uchiha, num ato rápido, puxou a cintura da mulher e se pôs na frente dela. Vendo a espada de metal, estalou os dedos e, instantaneamente, a lâmina de Minato virou pó em suas mãos. Queria evitar que sua noiva se machucasse com aquela bobeira.
— Eu preferia que não usássemos a violência aqui, principalmente se colocar a vida da princesa em risco. — disse o rei elfo.
O General ajoelhou-se no chão, sem acreditar que sua arma havia se desintegrado por completo. Naruto e os outros também ficaram quietos, imaginando se o homem poderia fazer o mesmo com eles próprios.
— Como eu ia dizendo... — Sakura começou a falar, quebrando o silêncio. — Este é Sasuke Uchiha, rei de Elfheim e... — Engoliu em seco, criando coragem para dizer as próximas palavras. — Meu futuro marido.
Kizashi colocou a mão na cabeça, mal havia acordado e já sentia-se mal novamente. Um mal-estar causado pelas palavras insanas da própria filha. Onde já se viu, se casar com um elfo? Sakura deve ter enlouquecido ou estava sob efeito de algum feitiço, era a única explicação que vinha à sua mente.
Hinata, vendo que a conversa estava ficando séria, pegou Hiro e retirou-se dos aposentos do rei, com a certeza de que iria confrontar a princesa sobre essa história de casamento mais tarde.
— Muito prazer, Majestade. — Sasuke fez uma reverência com elegância. — A princesa Sakura e eu fizemos um acordo que beneficiaria ambos os reinos.
— Espere, que acordo é esse? Quero que me conte desde o ínicio ou acabarei doente de novo. — Kizashi endireitou a postura na cama, perguntando-se sobre o que diabos teria acontecido durante sua ausência.
Sakura contou sobre sua chegada em Elfheim com Naruto, onde foram mantidos presos até serem julgados pelo rei. Contou sobre a conversa que tiveram e o tratado de paz que fez em troca do elixir da cura. Haruno e Elfheim iriam passar de inimigos para aliados, e o melhor jeito de selar essa aliança era por meio do casamento, no qual Sakura aceitou. Também disse sobre como os elfos eram totalmente diferentes do que lia em seus livros. Eles não eram todos ruins e cruéis como a maioria dizia, apenas estavam se defendendo esse tempo todo.
Kizashi não podia crer no que estava ouvindo. Agora entendia o motivo de sua filha voltar sã e salva para casa. Ela havia se entregado em matrimônio para o rei de Elfheim, algo que ele jamais imaginaria que a princesa pudesse fazer. Ela desistiu de sua vida para salvar a dele, e Sakura não poderia mais ser a herdeira do trono de Haruno. Tudo por culpa da maldita doença que o atingiu.
Porém, a confiança que o rei tinha nos elfos ainda era pouca.
— Sakura, pelos deuses! Não posso deixá-la se casar com um elfo. Como espera que eu durma a noite sabendo que estará em um reino desconhecido com criaturas diferentes? — Ele olhou para Sasuke, analisando o rosto do moreno. — Como posso acreditar que ele não fará nada de mal a você?
Antes que Sakura respondesse, Sasuke interviu.
— Com todo o respeito, Majestade. Não tenho intenções de fazer mal algum a sua filha. Sakura será minha rainha e irá ser tratada com respeito. Além disso... — Ele abriu o manto e desabotoou alguns botões de sua camisa, revelando a marca que ligava Sakura a ele. — Nosso compromisso já foi reconhecido. Irei protegê-la com minha própria vida de agora em diante, se for necessário.
A rosada sentiu um calor em suas bochechas ao ouvir as palavras de Sasuke.
— Isso é verdade, filha? — Kizashi encarou-a em seguida, que apenas assentiu em resposta. Ela abaixou a gola de sua blusa, revelando parte da marca idêntica a que Sasuke havia mostrado. Minato e seu filho, após se recuperarem do choque que a magia élfica lhe causaram, assistiam a tudo ao lado do rei. Naruto não tinha conhecimento sobre a marca, e ficou ligeiramente chateado ao descobrir que Sakura não havia comentado sobre isso com ele. Entretanto, aquela conversa estava sendo discutida apenas entre os três, não cabia a ele se intrometer.
O rei de Haruno negou com a cabeça, ainda sem acreditar. Começou a culpar a si mesmo por aquilo. Se nunca tivesse ficado doente, sua filha não teria precisado fazer um acordo tão absurdo quanto aquele. Mas ele sabia, em partes, o que aquela marca significava quando ouviu um sacerdote mencionar sobre anos atrás. A partir de agora, Sakura pertenceria a outro lugar.
Sakura notou a expressão do pai.
— Pai, não fique assim. Fui eu quem procurou o rei elfo, fui eu quem quis fazer um acordo com ele em troca da cura. O que sabíamos sobre eles não era totalmente verdade. Se fosse, eu não estaria aqui nesse momento — disse ela, em tom firme. Queria convencê-lo que tudo aquilo foi escolha dela. De que não se importava em se casar com o Uchiha se isso fosse necessário. — Não me arrependo, faria tudo de novo. Nada me deixa mais feliz do que vê-lo bem e saudável. Nosso reino e meu irmão ainda precisam de você.
— Mas e as negociações de seu noivado, Sakura? — Kizashi perguntou. Lembrava-se que, antes de adoecer, havia começado as negociações com o Imperador de Akasuna, no qual Sakura acabou não gostando muito da ideia. Sempre dizia a ele que queria se casar por amor, mas na época, Kizashi queria aproveitar que Akasuna estava crescendo e que Sasori havia se interessado pela filha.
— Nós cancelaremos. Diremos ao Imperador que me casarei com outro — Sakura respondeu com um singelo dar de ombros. De qualquer maneira, nunca havia gostado muito do Imperador Sasori desde a primeira vez que o viu.
Kizashi não tinha como recusar. Fazer uma aliança com Elfheim era bem mais vantajoso para Haruno. Elfos usavam magia, e essa magia poderia proteger seu povo em caso de alguma ameaça. Algo que humanos nunca poderiam fazer.
— Então, vai desistir de se casar por amor por causa de um velho como eu? Logo você, que vivia dizendo que não iria se casar tão cedo... — Ele riu, lembrando-se de quando a filha ficou quase duas semanas sem falar com ele após saber das negociações com Akasuna. Com seus olhos afiados, foi capaz de reparar como Sasuke olhava para ela. Conseguia reconhecer um homem honesto e apaixonado. Mas tinha que saber se sua filha sentia o mesmo. No fundo, Kizashi sentia-se mal em vê-la se casar por obrigação, mesmo que fosse para o bem do reino ou simplesmente para salvá-lo.
— B-bem, não precisa se preocupar com isso. — Sakura enrubesceu, sentindo-se envergonhada com o que estava prestes a dizer. Porém, Tinha que dar um jeito de aliviar as preocupações de seu pai e convencê-lo de alguma maneira. Ela agarrou o braço de Sasuke e o puxou para perto antes de declarar: — Eu... estou apaixonada por ele.
Os olhos de todos só faltavam sair para fora, tamanha foi a surpresa. Nem mesmo Sasuke acreditava no que tinha acabado de ouvir. Sakura sempre dizia que não iria aceitá-lo facilmente e agora estava assumindo que estava apaixonada? Era fingimento, só podia ser. Iria fazer questão de perguntar sobre isso a ela quando estiverem a sós.
Dessa vez, Naruto não conseguiu ficar quieto.
— Sakura?! Não pode estar falando sério. — Passou as mãos pelo cabelo loiro, atormentado com a ideia de vê-la apaixonada por outro.
— Estou sim — disse Sakura, torcendo para que não se perdesse em meio às palavras. Tinha completa noção da loucura que acabara de dizer, mas era sua única opção. Estranhamente, uma parte dela não se sentia tão desconfortável assim.
Kizashi soltou uma risada alta, aliviando o clima do ambiente.
— Ora, pois devia ter dito antes! Se é isso que quer e está realmente apaixonada pelo rapaz, não tenho objeções contra o casamento. Afinal, o acordo precisa ser selado, certo, Majestade? — O rei de Haruno sorriu para Sasuke, que concordou logo em seguida.
Sasuke, pela primeira vez, curvou-se para um rei humano em um claro sinal de respeito.
— Muito obrigado, Kizashi, soberano de Haruno. Cuidarei bem de sua filha e providenciarei para que o acordo entre em vigor assim que nos casarmos.
— Sim, entendo. Vamos conversar mais um pouco depois, quem sabe podemos incluir alguns acordos comerciais? — O bom humor de Kizashi havia retornado. Já que sua filha tinha tanta convicção nele e em seu povo, decidiu então dar uma chance ao elfo. Talvez um tratado de paz com Elfheim não tenha sido de todo uma má ideia. Haruno poderia, enfim, prosperar ainda mais com a ajuda de um forte aliado.
Sakura soltou o ar, aliviada. Seu pai voltou a ser como era antes e as pessoas estavam felizes pelo retorno do rei. Felizmente, tudo ocorreu como havia planejado.
Kizashi continuou:
— Bom, já que temos um noivado e a cura da minha doença, precisamos comemorar! Naruto, traga até mim o organizador de eventos, vamos fazer uma festa amanhã mesmo!
— Sim, Majestade. — Naruto o reverenciou e saiu do quarto de cara fechada, mal olhando para Sakura quando passou por ela.
— Minato, por favor, leve-os até os aposentos da princesa e garanta que nosso convidado seja bem recebido no castelo.
Sakura uniu as sobrancelhas, confusa. Por que Sasuke iria até seu quarto?
— Não estou entendendo, ele não vai ficar no quarto de hóspedes? — perguntou ao pai.
— Vocês não estão noivos? Presumo que o casamento logo acontecerá, certo? — Ambos concordaram. — Pois devem compartilhar o quarto a partir de agora.
— O que?! — Sakura exclamou, espantada. Sentiu as pernas fracas e um frio na barriga. Imaginou que um dia iria ter que passar a dormir com o elfo todas as noites, mas não imaginou que esse dia chegaria tão rápido. Sasuke, por outro lado, não podia estar mais satisfeito. Vê-la nervosa em estar a sós com ele o deixava louco. Não via a hora de provocá-la cada vez mais.
— Você é uma noiva real agora, Sakura. Seu dever é ficar com o futuro marido e aprender tudo o que precisa para se adaptar em Elfheim.
Sakura gelou, estarrecida.
— Mas... mas... — balbuciou a Haruno, sem saber ao certo o que dizer. Estava desesperada, não queria dormir na mesma cama que o elfo, ao menos não antes do casamento!
Kizashi dispensou os dois enquanto ignorava as súplicas da filha em deixar o moreno em outro quarto. Minato levou Sakura para fora dos aposentos do rei, sendo seguidos por Sasuke, que segurava um riso diante daquela cena.
Começar a noite daquele jeito definitivamente não estava nos planos da garota.
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Nos vemos no próximo, amores 💖💖
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