Capítulo 4🍁

Passei a noite inteira pensando no meu irmão, eu nem conseguia pregar os olhos, o barco tracou logo na hora que eu estava prestes a dormir. As pessoas começavam a pegar suas coisas e a saírem do barco. Peguei minha mala e subi atrás das pessoas mais adultas. Quando desci do barco eu não via ninguém, ninguém que parecia ser minha família, até escutar a voz de uma mulher, quando me virei vi alguém morena dos olhos verdes olhando pra mim com um semblante sério
- Olá, sou a mulher do seu pai, vamos pra casa- sorri pra ela quando ouvi aquilo, mas ela parecia não ter gostado da minha presença, só ignorei e segui ela. O caminho todo foi em silêncio, só podia ouvir os passos dos cavalos, a mulher nem colocava os olhos em mim, eu que pensava que tudo iria correr bem, mas eu já estava com uma rival logo no primeiro dia, ou então ela estava no seu mau dia.
Havia várias casas da cor verde com plantas ao redor, até que chegamos na frente de uma, um pouco diferente. A mulher abriu a porta e entramos, a casa não era tão grande e nem havia coisas tão luxuosas, a não ser um bom sofá. Nunca tinha sentado em um sofá, coloquei minha mala no chão
- eu vou te mostrar o quarto onde será seu e vais o dividir com sua irmã- minha madrasta falou sem colocar os olhos em mim, segui ela e entramos num corredor e ao lado o quarto.

- é lindo! Onde está minha irmã?- perguntei olhando as bonecas de pano que haviam na estante de madeira
- ela já está chegando junto do seu pai- ela respondeu seca

- qual é o seu nome?- perguntei sorrindo de lado
- Marta, qualquer coisa é só me chamar que vou preparar o almoço- minha madrasta respondeu e saiu do quarto, arrumei minha mala em um canto e sentei no colchão esperando o restante da casa. Depois de alguns minutos alguém bateu na porta e minha madrasta foi quem abriu a porta, era meu pai e minha irmã, sai do quarto e corri para abraçar meu pai, mas ele parecia não preocupar com minha presença que nem retribuiu o abraço
- como foi a viagem?- ele perguntou me afastando dele
- foi bom, para além que tive que deixar meu irmão- respondi séria, minha irmã olhava pra mim com repulsa, ela era o típico das meninas da minha escola, as ricas que vestiam e comiam do bom e do melhor
- Oi Mollie, eu estava ansiosa pra te ver- digo sorrindo pra ela, forçou um sorriso e olhou pra madrasta

- eu também estava- ela respondeu, mas não me convenci que ela sentia o mesmo. Quando o almoço estava pronto, todos se reuniram na mesa, eu me sentia feliz por estar com as pessoas que eu amava mas eles pareciam não gostar da minha presença, tudo foi em silêncio, meu pai nem me perguntava nada sobre minha vida. Quando acabamos de almoçar, fui para o quarto arrumar alguma coisa pra fazer, peguei as bonecas da minha irmã e comecei a lhes observar até que fui surpreendida
- o que fazes aqui no meu quarto? Tire as patas das minhas bonecas- ela falou com raiva, e eu não entendi aquela "brabeza" comigo, ela tinha tantas bonecas que nem me deixava tocar em nem um fio de cabelo delas.
- desculpe, é que me empolguei...nunca tive uma boneca na minha vida- digo um pouco triste
- e daí? O problema é seu se sua mãe era uma miserável- ela falou e aquilo me magoou, como ela podia ser tão cruel com as palavras?

- ela era nossa mãe, batalhadora pra criar eu e meu irmão...não fala desse jeito- digo já com as lágrimas nos olhos, ela saiu do quarto sem dizer mais nada. Fiquei sozinha chorando escondida e baixo, eu sabia quem nem um deles gostavam de mim e que meu pai só foi obrigado a me receber por causa da justiça. Eu era um fardo na vida das pessoas, minha mãe foi embora pra sempre, meu irmão já não estava comigo todos os dias, eu estava sozinha naquele novo mundo. Quando anoiteceu, minha madrasta me arrumou um canto no quarto e estendeu alguns lençóis no chão para que eu possa dormir.
- amanhã será seu primeiro dia de aulas aqui em Santo Antão,dorme bem!- ela me cobriu e saiu do quarto, minha irmã dormia na sua cama aconchegante e quentinha, enquanto eu sentia aquele frio terrível vindo do chão, mesmo com dois cobertores, eu sentia frio.
- boa noite filhas!- meu pai exclamou, eu nem respondi, virei as costas e cobri meu rosto, ele nem se importou, apenas apagou a lamparina e fechou a porta.

Na manhã seguinte acordei com o cantar do galo da vizinhança, minha irmã ainda estava dormindo, arrumei os cobertores e sai do quarto para tomar um banho. Depois disso, fui tomar o café da manhã, não estava ninguém na mesa, apenas um bilhete, meu pai tinha ido trabalhar e minha madrasta fazer compras.
Depois de alguns minutos, minha irmã entrou na cozinha com uma roupa bem chique e elegante, seus cabelos estavam caídos sobre o ombro, ela olhou pra mim e sentou na mesa

- onde está a Marta?- perguntou servindo seu café

- ela foi às compras- respondi sorrindo

- aff, porque sorris tanto? A vida não tem nada de especial pra andares o dia inteiro com esse sorriso- Mollie falou com um semblante infeliz e desprezível
- eu sempre andei sorrindo, não vejo motivo pra ficar o dia inteiro chateado e de cara fechada- digo

- estás feliz porque agora vais usufruir do dinheiro do nosso pai- ela falou cuspindo aquelas palavras soberbas

- não, eu nem me importo com dinheiro, eu sempre tive o meu jeito...se a vida te dá um motivo para sorrires deves agradecer- digo sorrindo, ela chiou e revirou os olhos pra mim saindo da mesa.
Depois daquela conversa, pegamos nossos cadernos e saímos de casa, no caminho várias pessoas olhavam pra mim, uns com desprezo, outros curiosos e outros felizes.
Eu e minha irmã, eramos tão diferentes, que eu chamava mais atenção que ela, tudo por causa das minhas roupas sem nem um luxo e brilho.

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