Capítulo 35

Taylor Matthew

Observo Lindsay beber um gole da cerveja e fazer careta. Não sou a favor dela beber, mas hoje é o dia dela e não vou ser o amigo dos sermões e blá blá blá.

— Gostou? — Pergunto cruzando os meus braços.

Ela bebe outro gole e faz careta novamete.

— Não. Mas é o meu dia e quero ter lembranças de todo jeito. — Responde animada e me estica a latinha — bebe também?

Nego sério.

— Não. — Digo e ela faz bico. — Sou fraco para essas coisas e alguém tem que ficar sóbrio para voltar pra casa.

Lindsay fecha a cara de brincadeira.

— Não seja chato, a gente para quando ver que está demais! — Pede com um bico, juntando as mãos em frente ao rosto.

Suspiro. Sei que vou me arrepender depois.

— Ok. — Pego a latinha e bebo um gole.

Lindsay pega outra para ela na piscina de plástico. Ficamos conversando e bebendo. Quando sinto que estou começando a ficar tonto, paro de beber.

— Lindy, está bom de beber, né? — Tento tomar a cerveja e ela esconde detrás das costas.

— Não! Eu ainda estiu bem! — Diz um pouco embolado e rir alto.

Seguro o riso.

— Ok. Então me abraça? — Peço e ela me abraça. Em um impulso tomo a cerveja e jogo no lixo.

Ela me olha com os olhos semicerrados e me puxa de repente até a pista de dança. No momento está tocando "Jorge e Mateus - Aquela pessoa".

— Eu não estou bêbada. — Diz me olhando nos olhos. Estou com as mãos na cintura dela e ela no meu pescoço.

Franzo o meu cenho.

— Vou fingir que sim, amanhã você me conta quando amanhecer com ressaca. — Rimos e continuo. — Está gostando da sua formatura?

Alguns alunos se jogam na piscina, rimos e voltamos a nos olhar.

— Eu estou. Obrigado por ter vindo. Você tem sido uma ótima companhia. — Diz sem parar de me olhar.

Olho para os seus lábios e seus olhos. Não posso pensar em a beijar, somos amigos e... Ah, Lindsay.

Por que logo agora essa vontade de beijar ela?

— Por nada. Eu jamais deixaria de vim com você. — Digo sincero.

Lindsay nega.

— Não estou dizendo só daqui, estou dizendo desde que você veio trabalhar em minha casa. Você tem sido uma pessoa muito especial para mim e devo minha vida à você. — Beija a minha bochecha demoradamente.

Suspiro.

— Lindy, você não me deve nada. Eu te fiz muito mal sem nem mesmo ter culpa. — Seguro seu rosto.

— Eu já te perdoei. Não vamos mais conversar sobre isso. Quantas horas são? — Pergunta estranhamente.

Olho em meu relógio de pulso.

— Quase quatro. Por quê? — Pergunto de volta.

Ela rir.

— Vamos ver as estrelas? Conheço um morro que dá para ver todo o céu. — Chama sorridente.

Olho para o céu e sorrio com tantas estrelas. Volto a olhar Lindsay.

— Ok. Mais só um pouquinho. Você não está em condições boas, tenho que ser um bom amigo. — Entrelaço os nossos braços.

Lindsay bufa.

— Eu não estou bêbada, que saco! — Faz bico fazendo birra.

Nego e vamos para fora da escola. A ajudo colocar o cinto, dou partida e sigo as instruções dela. Alguns minutos depois chegamos na vista mais linda que já vi. Dá pra ver toda a cidade. Descemos do carro e deitamos no capô dele olhando para o céu. Estamos em silêncio apenas sentindo a brisa e com os nossos pensamentos a mil.

— Sabe, depois que você e Gau entrou na minha vida, tenho sido uma pessoa mais confiante. — Desabafa.

Eu sorrio fraco.

— E depois que te conheci eu consegui ter coragem para resolver os meus problemas. — A olho.

Lindsay se senta chorando. Me sento também preocupado. Apagamos o farol do carro antes e está tudo escuro. Perigoso, mas qualquer coisa saímos em um pulo daqui.

— O que houve? — Olho através da escuridão para ela.

Ela para de chorar.

— Nada. É que é confuso eu ter mudado assim. Tão rápido. — Me olha.

Seus olhos brilham na escuridão.

— As vezes é bom mudar. — Aconselho e sinto ela se aproximar.

As suas mãos tocam o meu rosto.

— Eu sei. Por isso é tão confuso e por isso preciso que você continue me ajudando e sendo meu amigo. — Diz em um sussurro.

Minha respiração acelera um pouco. Seus lábios tocam os meus. fecho os meus olhos. Iniciamos um beijo calmo e carinhoso. Uma mistura de sensações dançam em meu corpo, meus pensamentos começam a rodar como furacão em minha cabeça.

Paramos o beijo por falta de ar.

Meu Deus! Isso foi muito bom.

Porém Lindsay está alterada e não se lembrará disso amanhã. Ela tenta me beijar novamente, mas seguro o seu rosto. Eu quero isso e muito agora, mas não sou nenhum aproveitador.

— Não podemos. Somos amigos e você está um pouco alterada. — Digo pra ela. Porém é mais para mim mesmo.

Escuto o seu suspiro.

— Tudo bem. Então, vamos deitar e continuar a ver as estrelas. — Me abraça e deitamos novamente.

Ficamos em silêncio por um tempo, meus olhos começam a pesar. Sinal de que temos de ir embora.

— Lindsay, está tarde demais, passamos da hora, vamos para a sua... — Paro quando escuto sua respiração calma.

Ela está dormindo. Deito novamente pensando em como levá-la sem acordar ela. Sem que eu consiga controlar os meus olhos se fecham.

...

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