Capítulo 10

Lindsay Philips

A gente paga funcionários pra ser pontuais e o que o motorista faz?

Se atrasa!

— Lindsay, você não tem o número do motorista? — Sebastian pergunta olhando para o corredor que dá em outros dois corredores da escola.

Bom, duas horas depois do término do turno matutino, os alunos do turno vespertino já chegaram e os únicos aqui de intrusos somos nós.

Será que o meu ódio pode aumentar!?

— Lindsay Philips, a suicida dramática — escuto uma voz bem conhecida debochar.

Sim, meu ódio pode aumentar.

Karina Lopes. Minha rival desde o pré-escolar.

— E você, a ruiva dos cabelos de macarronada! — rio alto.

Um velha historinha do pré que eu adoraria contar... outra hora.

— Quem é ela Lindsay? — Sebastian me olha sem entender.

— Ninguém importante. — olho pra Karina com desdém.

Ela se aproxima.

—  Ninguém sabe que a adorável perfeita Lindsay tentou se matar na semana passada né? — arquea uma sobrancelha vitoriosa.

— Como... Como você soube? — meu coração erra uma batida.

Todos iriam me julgar e todos iriam rir de mim. As pessoas da escola sabem bem como fazer a vida de alguém um inferno.

— Eu moro na estrada indo para aquele meio, gosto de ir todo dia até aquela ponte velha fazer meu pequeno hobby, eu estava indo, quando o carro da sua família, que conheço bem, passou rápido e acabou nem me vendo, andei até um certo ponto e me escondi, foi quando eu vi o seu motorista saindo do Rio com você nos braços e então entendi tudo. — Explica com seu veneno escorrendo pelos lábios.

Se eu matar ela, será que eu seria inocentada por ter sido legítima defesa?

— Ninguém seria tão idiota de acreditar em uma inútil como você! — tento me manter firme.

— Pagaria pra ver? Eu tenho as minhas provas Lindsay. — sorri, mas o fecha quando dona Katy aparece.

— Karina, já pra sala da diretora, por favor! — ordena docilmente.

Karina bufa e vai em direção a diretoria.

— Dona Katy, obrigada! — sorrio para a mesma.

— Lindsay e aquela garota se matariam se a senhora não tivesse aparecido! — Sebastian diz com um sorriso de quem gosta de brigas.

— Nada de que tenha que gostar, meu filho. Elas já foram grandes amigas, um único motivo bobo as transformou em rivais. — diz séria a Sebastian - Mas não vim falar de passado, vim avisar que o motorista de vocês acabou de chegar. - abre o seu sorriso.

Aleluia!

— Tchau, Dona Katy! — corro com raiva pra fora da escola.

Quando entro no carro, vou pra abrir a minha boca pra xingar Taylor, mas o mesmo me interrompe.

— Escutarei a sua bronca, mas espere as crianças saírem por favor! — pede num tom exaustivo.

Cruzo os meus braços contrariada e fico em meu canto quieta.

Posso ser tudo, mas sei compreender o tempo dos meus funcionários.

Depois que aquela vagabunda interesseira me contou sobre o resultado da nojeira dela com Kenny, resolvi me afastar desses funcionários. São todos uns interesseiros, que esperam o momento certo para se aproximar e roubar o que é de outras pessoas. Estou cansada de tanta incompetência.

...

— Pronto patroa, pode me xingar. — se senta e me olha com seus olhos azuis tão intensos.

Desvio os meus olhos.

Eu odeio a forma que Tay... Esse motorista me olha, é como se ele lesse cada pedacinho dos meus pensamentos e dos meus sentimentos.

— Por que se atrasou tanto? — pergunto calma.

O momento de raiva já passou faz tempo.

— Vou resumi. Depois que levei vocês a escola, fui para o parquinho, uma mulher perdeu a filha, fui ajudar procurar, a achei dentro de um túnel interditado, levamos ela para o hospital, o médico demorou nos atender, tivemos que mentir que eu era o pai pra ela ser atendida rápido e poder fazer exames para ver se ela estava bem, tive que ficar lá, depois tive que conversar com uma ex por motivos pessoais, foi o mais rápido e vim buscar vocês.

Uau!

— Motivos válidos. Como a menininha está? — me sento em um puff ao lado do mesmo.

— ãh... — me olha surpreso — ela ficou bem. Só a mãe que é um pouco desligada.

— Isso não é surpresa pra mim — murmuro lembrando dos meus pais.

— Já que estamos numa conversa tão compreensiva, posso te perguntar algo?

Não pode dar confiança que já quer ser amigo.

Que saco!

— Fala! — digo seca.

— Por que se afastou tanto de nós funcionários?

Odeio perguntas.

— Porque vocês são interesseiros, incompetentes e inúteis. Alexandra é a prova disso, só não a coloquei pra fora dessa casa, porquê ela está grávida e isso seria muito cruel da minha parte. — explico e me levanto.

— Você é engraçada — rir secamente.

— E por qual motivo eu seria? — arqueio uma sobrancelha.

— Você julga todas as pessoas do mundo por causa do erro de uma. Eu me pergunto se isso é apenas proteção ou ignorância mesmo! — se levanta com raiva.

— Você não tem direito de me dizer isso, você é pago pra apenas fazer e não pensar sobre seus patrões! — me viro pronta pra sair.

— Esse é o seu pior problema, Lindsay. A verdade dói e você não quer que seja dita. Pra conseguirmos algo na vida, temos que conversar pra chegarmos em uma conclusão. Você foge das conversas, você ignora as opiniões, sendo elas construtivas ou não. Você foge de tudo aquilo que pode te levar pra frente e isso ninguém pode te obrigar.

Meus olhos enchem de lágrimas, me viro de volta e ando até Taylor.

— Você não pode dizer muito sobre mim, pelo que você disse certo dia, você foge também dos seus problemas. Você é só o motorista, pare de tentar ser um super-herói ou sei lá! — aponto meu dedo em sua cara.

— E de novo você se mostra uma pessoa mimada e filhinha de papai. Cresce garota, a vida não é só isso que você pensa e sim muito além. Se não mostrar humildade, você será apenas uma pessoa mais fútil do que seus pais, se amor é o que te falta, tenta ser menos arrogante e conquiste. Desse jeito que você está, só vai afastar as pessoas e isso inclui seus irmãos! — diz com as mãos na cabeça com impaciência.

...

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