Capítulo I
Agosto de 2456, Jamesville
James olha para o teto do quarto em busca de inspiração. Procura atentamente algo no teto que lhe dê uma pequena pista sobre como começar o e-mail que a professora de História pediu à turma para escrever, mas o teto é inútil tal como o próprio trabalho. Quem é que escreve hoje em dia? As palavras servem para serem ditas oralmente e se for preciso falar com alguém faz-se uma chamada e aparece um holograma da pessoa, tal como se estivessem juntos. Escrever! A única coisa que James sabe escrever são códigos. Aí está algo que já faz sentido. O mundo é composto por códigos e endereços, a primeira palavra dos bebés deixou de ser "mãe" ou "pai", para passar a ser "http". É em códigos que James sonha e não em português ou qualquer outra língua das antigas civilizações.
A professora também não facilitou. «Quero que imaginem que podem enviar um e-mail para uma pessoa da vossa idade que viva em 2016, o que é que lhe diriam?». Nem sequer a época agradava a James. Naquela altura, tinham-lhe ensinado, já todos sabiam do impacto que os fatores antropológicos tinham na destruição do planeta. Apesar de terem a perfeita noção de que os recursos se estavam a esgotar e de que o lixo tóxico matava os animais eles continuaram. "Sendo assim, cá estamos nós". Pensou James ironicamente.
"Cara pessoa fictícia do século XXI,
Escrevo este e-mail a pedido da minha professora de História para te contar como é que nós humanos de 2456 vivemos. Pelo que me disseram, o terrorismo, os refugiados e o futuro da América são os problemas que te são quotidianos, todavia estou aqui para relatar que o terrorismo já não existe, tal como a palavra "refugiado" é um termo exclusivo do domínio da História tendo caído em desuso no presente. Aliás, a América já não existe tal como os outros países sobre os quais falas na tua aula de Geografia. Contudo, nem tudo são más notícias, o mundo evoluiu de facto, apenas de uma maneira diferente da qual estás à espera. No meio das alterações climáticas e aumento do nível do mar entre outros, a tecnologia desenvolveu-se e assim a única esperança para a sobrevivência da nossa espécie surgiu. Atualmente vivemos no mundo cibernético, pode parecer um desafio entender mas eu vou esclarecer-te. Pensa no teu telemóvel ou computador, que usas diariamente. Neles é criado quase um espelho do que está fora do ecrã. Todavia, a tecnologia evoluiu a anos-luz e conseguiu-se recriar toda a Humanidade num computador. Assim surgiu a ciber-civilização, com a sua cibercultura e claro, ciber-regras. No teu mundo tudo é formado por átomos e moléculas, no meu, os códigos são a unidade mais ínfima."
James parou por aqui. O e-mail estava a ficar longo e a vontade de escrever passara-lhe. Sendo assim, ele pegou no telemóvel para ver onde se encontravam os amigos. A cada minuto o telemóvel recebia notificações de onde os amigos se encontravam e se alguém deixasse de atualizar o seu perfil durante bastante tempo o mais provável era a polícia começar as buscas por ter desaparecido. James viu que a maioria dos seus amigos se encontrava no café e foi ter com eles. Durante o caminho contemplou a cidade onde vivia. As casas pequenas com telhados e paredes de vidro mudavam constantemente de posição, ao gosto de quem lá morava. A separar o passeio das casas havia um pequeno jardim onde cada família plantava flores e legumes. James gostava especialmente do jardim de Miss Moore, onde a ajudava a plantar petúnias, papoilas e lírios que lhe davam pela cintura. Perdido nos seus pensamentos o rapaz quase que tropeçou num gato que aproveitava a tarde amena deitado no passeio.
"Ãoo! Vê por onde andas." - queixou-se o gato.
James desculpou-se e entrou no café. Sentou-se com os seus amigos e digitou o seu pedido na mesa. Instantaneamente raios de luz apareceram à sua frente tomando a forma de crepes com chocolate. O grupo ria, comia e convivia enquanto falava sobre as coisas do dia-a-dia. Subitamente ouviu-se um estrondo vindo do exterior e as portas trancaram-se. Toda a gente se acumulou nas paredes de vidro para perceber o que se passava lá fora e tentar perceber que mancha era aquela que vinha pelas ruas. Quando se aproximaram o suficiente perceberam que era um exército de soldados com fatos metálicos e pormenores verdes.
- O que está aqui a fazer o exército da região do Norte? - questionou Jenny, uma amiga de James.
Por todo o lado as pessoas corriam desesperadas sem entender o que se passava. Subitamente surgiu uma voz que repetia:
- Não entrem em pânico. Não temos intenções de magoar ninguém. Permaneçam dentro dos edifícios e saiam apenas quando vos for permitido.
Nesse momento os clientes do café perceberam. Estavam a ser invadidos.
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