CAPÍTULO UM

O colégio estava silencioso e não havia muitos alunos nos corredores. Muitos já estavam em suas casas e apenas eu estava por ali, vagando sozinho entre aquelas paredes lotadas de armários escuros de metal. Quando terminei de descer as escadas, ao passar do lado de uma porta, senti uma mão grande agarrar meu braço direito e me puxar para dentro de uma sala vazia e mal iluminada. Fui puxado com tanta força que foi impossível não gemer de dor quando meu corpo se chocou contra a quina da mesa do professor. Olhei para a porta e vi aquele quem havia me agarrado trancar ela e virar-se lentamente na minha direção.

── Elijah, o que você...

── Cala a boca. ── ele ordenou ao chegar próximo do meu corpo.

Suas mãos avançaram em direção a minha cintura e me ergueram para cima da mesa como se eu fosse uma folha de papel. Um pequeno pesinho em comparação ao corpo daquele cara que agora estava ali, me puxando para mais perto dele e sugando meus lábios com voracidade. Aos poucos eu ia ficando sem ar, sem saber como resistir aquele ataque repentino.

── Elijah... nós ainda estamos... ── sussurrei quando tive uma brecha para falar. Ele apertava minhas coxas e enfiava suas mãos entre elas, muito próximas do meu membro.

Elijah levantou o olhar para meu rosto e sorriu, agarrando com suavidade meu queixo, fazendo questão de apertar minha bochechas.

── Eu não estou nem aí se ainda estamos no campus, Hael ── ele me olhou de uma maneira extremamente sedutora enquanto mordia e puxava meu lábio com seus dentes. ── Eu quero te foder aqui mesmo. Nessa sala e em cima dessa mesa. E você vai gostar, porque você ── Elijah aproximou seu rosto do meu ouvido, sussurrando bem baixinho; ── é obcecado por mim a ponto de permitir que eu faça isso.

Foi como se aquelas últimas palavras virassem uma chave dentro da minha mente, e então tudo ficou branco. Eu Levantei da cama num solavanco e olhei em volta.

Aquele lugar ainda era o meu quarto, aquela era minha cama e aquela ainda era minha vida. Nada tinha mudado. Absolutamente nada tinha acontecido.

Todo dia. Todos mês. Toda semana. Praticamente 24 horas por dia de todos os meus dias meu único pensamento era Elijah Scott. A minha rotina consistia em acordar pelas manhãs com meu pau duro por conta de algum sonho erótico que tive com ele. Naqueles sonhos nós costumávamos fazer tudo o que eu sempre desejei, mas que nunca realizei. Essa vontade de estar com ele havia começado desde o dia em que Elijah me salvou, na época da escola.

Depois daquele dia eu nunca mais o vi. Passaram-se algumas semanas até que eu decidi, um dia, procurar por ele. Conversei com alunos, professores e demais funcionários da escola onde na época eu estudava até que descobri seu nome. Elijah. Era um aluno que fora transferido de outro escola devido a problemas de mal comportamento onde ele estudava. Quando me recordei da imagem que vi, compreendi aquela explicação. Mesmo que eu tivesse descoberto algumas coisas sobre Elijah, nunca tive coragem para conversar pessoalmente com ele, e pouco tempo depois eu soube que tinha abandonado os estudos.

Mas agora as coisas eram diferentes.

Eu frequentava a mesma faculdade que Eliaj frequentava. Soube por antigos colegas que ele havia voltado a estudar e que tinha conseguido se formar e ganhar uma bolsa de estudos. Era capitão do time de basquete, e o primeiro e único cara que passou pela minha vida causando um tumulto nela.

Eu me sentia estranhamente atraído por ele. Sempre odiei esportes, mas frequentava a quadra onde Elijah treinava todos os dias só para poder ve-lo. Não suportava estar em locais com muitas pessoas mas sempre dava o meu jeito de marcar presença em festas onde eu sabia que ele estaria. Eu mudava todos os meus planos se aquilo significasse ficar perto dele, mesmo que a uma distância grande. Me arrisquei segui-lo até sua casa algumas vezes e busquei diversas formas de tentar me aproximar, mas nunca sequer tive coragem de lhe dar um oi pessoalmente, cara a cara.

Para as demais pessoas do campus e da cidade, era como se Hael Watterson fosse um fantasma.

Minha aparência física também não me ajudava, ela mais repelia as pessoas do que as atraía. Os cabelos negros, lisos e caídos sobre meu olhar azul acinzentado, as olheiras fundas e a pele muito clara. Esquisito era um bom adjetivo e não reclamaria se usassem ele para se referirem a mim. Meu irmão mesmo já fazia aquele trabalho. Todos esses eram pontos que me faziam ficar nas sombras, e eu temia nunca sair dela algum dia para tomar coragem sobre certas coisas. E isso incluia fazer com que Elijah me notasse, nem que fosse por apenas um segundo.

Levantei um pouco a coberta e notei o volume bem acentuado por baixo das roupas que me cobriam. Saí da cama e caminhei em direção ao meu guarda roupas, abri uma das portas e retirei uma tábua que servia para cobrir o fundo falso que eu havia feito bem ali.

Meu santuário. O altar dele.
Sua foto — que, com muito custo eu havia tirado escondido em um dia que o segui até o cinema — ficava no centro. Nela, Elijah sorria, os cabelos loiros estavam bagunçados e ele usava o moletom do time. Ao lado da foto ficavam dois pequenos vasos com lavandas e outros pertences que eu havia pego do seu armário. Objetos como uma medalha, algumas das pulseiras dele, um frasco do perfume que ele usava e até mesmo uma toalha pequena com o seu cheiro. Qualquer pequena coisa já era muito para eu me sentir um pouco perto dele.

Observei sua foto e deslizei uma das minhas mãos pelo meu rosto, com a outra eu fazia um caminho até o cós da minha calça. Enfiei ela para dentro do meu short e toquei meu pau. O pano da cueca boxer estava úmido na região da cabeça.

Abaixei o short e acariciei ele, em seguida fazendo movimentos que iam para cima e depois para baixo. Aumentei o ritmo enquanto observava o rosto sorridente de Elijah, e comecei a imagina-lo ali. O som da sua voz, o toque quente da sua mão no meu corpo, o prazer que seria ter seu membro entrando e saindo de dentro de mim. Encostei minha testa no meu antebraço e mordi meus lábios para conter meus gemidos.

Era como se aquilo fosse uma espécie de ritual. Um ritual matinal que eu realizava todos os dias, mas quando tuda acabava eu me sentia um idiota pois sabia que nada daquilo aconteceria. Todas aquelas fantasias ocorriam apenas e somente na minha cabeça.

Levantei meu olhar para a foto de Elijah e soltei um último suspiro antes de gozar na minha mão. Minha respiração estava descontrolada e meu peito subia e descia. Encarei o líquido viscoso e antes que pudesse pensar em fazer alguma coisa, ouço alguém mexer no trinco e bater na porta.

Tratei de arrumar a bagunça que tinha feito em mim mesmo, fechei a porta do guarda roupas e fui até a porta. Ao abri-la deparei-me com meu irmão, parado com uma das mãos escorada no batente.

── Tava fazendo o que?

── O que? ── questionei, confuso.

Hans olhou para dentro do meu quarto e analisou cada canto dele, voltando sua atenção para mim de novo depois de não ter encontrado nada.

── Perguntei o que tava fazendo. Você demorou pra abrir a porta.

Batendo uma enquanto pensava no seu colega.

── Nada. Eu estava no banheiro e não te ouvi bater na porta.

Ele passou seu olhar em mim de cima a baixo e suspirou.

── No banheiro e nem se vestiu? E ainda tá todo suado as seis da manhã? ── vi o canto da sua boca se erguer um pouco. ── Se arruma logo, ou vamos chegar atrasados. ── falou, me deixando sozinho.

Fechei a porta e voltei para dentro do quarto.

Tomei um banho rápido e me arrumei. Fiz o meu máximo para secar meus cabelos e vesti uma calça jeans verde escuro e uma blusa preta com uma outra xadrez escura por cima. Calcei meu tênis preto, surrado devido ao tempo e desci. Peguei a mochila que estava no gancho da sala e antes de sair passei na cozinha para pegar alguma coisa para comer no caminho. Nossos pais trabalhavam cedo e não tinham o costume de preparar o café da manhã para todos. Geralmente eles comiam algo no caminho para o trabalho e nós apenas beliscavamos alguma coisa da cozinha.

Meu irmão estava do lado de fora, me esperando dentro do carro. Ele buzinou umas duas vezes, insinuando que eu andasse mais rápido. Desci os lances de escada correndo e dei passos longos até chegar no veículo. Entrei, coloquei o cinto e Hans começou a dirigir.

Ao chegarmos na escola Hans parou com o carro um pouco mais afastado da entrada e de onde os estudantes costumavam ficar parados. Aquilo era nosso combinado; Eu saía do veículo como se fosse uma prostituta, para que assim os demais amigos dele não soubessem que ele tinha um irmão esquisto — como havia me dito certo dia. Apesar da nossa semelhança em alguns traços, poucas eram as pessoas que sabiam que Hans e eu éramos irmãos. Aquela sua atitude não me incomodava, na verdade eu até o agradecia mentalmente pois ele estava me ajudando a evitar todos aqueles seus amigos.

Passei pela rodinha de alunos, evitando contato visual com qualquer ser humano que estivesse em volta ou passando por mim e me dirigi até a sala de aula. Ao chegar lá notei que poucos estavam ali dentro. Andei até meu lugar onde costumava sentar e ali fiquei.

Não demorou para que Elijah surgisse na porta. Me sentia bem só por ve-lo e ver que ele sempre estava tão feliz e rodeado de amigos. Ele conversava com dois garotos e uma garota. Os dois se despediram primeiro mas a garota permaneceu por mais alguns segundos. Ela fez um sinal com o indicador para que ele se abaixasse um pouco e Elijah sorriu quando ela sussurrou algo em seu ouvido. Ele fez um sinal positivo com a cabeça e se depediu dela com um beijo em sua bochecha.

Não conseguia esconder o quanto aquele tipo de cena me incomodava. Todas as garotas da escola tinham o luxo de poder dar em cima dele e propor convites ousados de ir atrás da quadra com uma delas, e aquilo me irritava. Eu jamais poderia estar no lugar de uma delas. Eu jamais poderia propor um daqueles encontros para ele e mesmo que eu o fizesse, tinha certeza que Elijah jamais aceitaria.

Elijah entrou para dentro da sala no momento em que o sinal tocou. Ele se sentou em sua mesa, do outro lado, perto dos amigos e aos poucos os demais alunos iam entrando também e ocupando os espaços vazios. Em seguida, o professor chegou; Um homem alto e forte, barba cheia com alguns pelos grisalhos e cabelos também grisalhos em alguns pontos. Ele colocou sua bolsa sobre a mesa, abriu ela e retirou dali de dentro o material para dar início a sua aula.

Eu só queria que aquela parte daquele dia acabasse logo.

* * *

Ao final dos primeiros tempos, os alunos começaram a recolher suas coisas para a saída. Era sempre um alívio para todos ali quando começava a se aproximar do horário. Uma pausa era sempre bom.

── Por favor, antes de saírem eu tenho algo para comunicar ── o senhor à frente falou um pouco mais alto, fazendo com que olhassemos para frente. Ele retirou algumas folhas de dentro da bolsa e virou-se para nós. ── Corrigi os testes que vocês fizeram na semana passada. Conforme eu for entregando vocês podem sair.

Um por um ele foi chamando os nomes e os estudantes iam saindo. Estava começando a ficar aflito pois geralmente eu era uma dos primeiros a sair quando ele fazia aquele tipo de entrega, mas dessa vez eu temia não ter me saído tão bem. Embora minha mente focasse 90% da sua atenção em Elijah à alguns passos de distância de mim, eu ainda usava os 10% que me sobravam para focar nos estudos, e me saía muito bem com a pouca porcentagem.

Praticamente todos já haviam saído. A sala agora só era ocupada por eu, uma outra garota de cabelo escuro curto e Elijah. Meu coração estava a ponto de pular do meu peito pela minha boca.

── Mais estudos da próxima vez, mocinha. ── ele comentou ao entregar o testo para a garota. Ela olhou para a nota e saiu, um pouco decepcionada mas não surpresa.

Sr. Hope olhou para mim e depois para Elijah.

── Elijah Scott. ── chamou.

Ele levantou da mesa e andou em direção ao professor. Ao pegar o papel das mãos dele, seu rosto endureceu.

── Eu sugiro que você melhore suas notas se quiser continuar no time. Seu rendimento dentro de sala tem sido péssimo.

Elijah coçou a nuca.

── Sr. Hope, eu juro que tenho tentado melhorar essa questão, mas é que algumas matérias tem sido realmente um desafio.

Hope sorriu.

── É por isso que eu tive uma ideia. Hael ── levantei minha cabeça ao ouvi-lo me chamar. ── Venha até aqui, por favor.

Joguei a alça da minha mochila em um dos meus ombros e fui até eles. Parei ao lado de Elijah e consegui sentir seu olhar queimando minha nuca.

── Hael, como você é um dos melhores alunos da turma, eu me dei o trabalho de selecionar você para ajudar Elijah a manter a vaga que ele tanto gosta no time. ── explicou.

Eu o ouvia falar mas era como se minha mente tivesse se desligado. Ele estava me pedindo para ajudar Elijah com os estudos. Eu e ele, sozinhos, por provavelmente alguns bons minutos. Aquilo só podia ser um sonho.

── Ei, nanico, diz que você vai me ajudar, vai. ── Elijah falou com um tom de súplica na voz.

── Elijah Scott! ── Hope o chamou, repreendendo-o. ── Tenha mais respeito com seu colega de clase.

── Ah, me desculpe. É que ele ficou mudo.

── Tudo bem. ── os dois se calaram e me olharam. Levantei a cabeça e sorri para eles. ── Eu posso ajudar ele. Com todo o prazer.

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