O cair é do homem
Há dias venho sentindo como se eu estivesse carregando um peso enorme. Insuportável. Não sei o que está acontecendo.
Todas as noites lágrimas rolam pelo meu rosto sem motivo. Sem precisão nenhuma. Apenas rolam. E os meus momentos de alegria tem sido apenas quando estou com as amigas e quando estou com meu celular.
Muitas coisas mudaram.
Não sou mais feliz como antes, apenas sinto momentos de alegria, o que é passageiro.
Antes meu prazer era em ler a Bíblia, em ir a casa de Deus, em orar e em ouvir e entoar louvores. Hoje meu prazer é o celular. Ele é o meu único amigo que está comigo em todos os momentos. Mas infelizmente ele não me impede de sentir vontade de chorar sem razão.
Deitada em minha cama sinto meus olhos ficarem marejados e as lágrimas quererem sair novamente.
-De novo não-- digo fechando os olhos suavemente, mas mesmo assim sinto duas lágrimas teimosas descendo, e as mesmas são quentes como o calor da tarde.
Limpo-as imediatamente e abro os olhos, respirando fundo. Me levanto da cama, saiu do quarto e logo em seguida da casa.
Caminho com passos lentos em direção ao lago que fica praticamente ao lado da minha casa. Coloco apenas meus pés na água do lago, me sento na areia e olho para frente com um olhar distante.
A água está fria, e sua brisa fria abafou um pouco o calor que estava fazendo.
Olho em direção a minha casa que é de dois andares e tem um belo jardim na frente. Dois carros e duas motos do lado direito e uma piscina no quintal. Nada disso me traz felicidade.
Volto a olhar para frente e abaixo minha cabeça para voltar a olhar pro lago.
Por que estou assim?
De repente o som de um toque de alguma música começa a tocar na casa do lado direito, e logo a voz da cantora sai.
-De joelhos estou, mais uma vez
De joelhos, Senhor
Neste Teu santuário de paz
Venho aqui Te pedir, mais uma vez
Me ajuda, Senhor
Me ajuda a vencer todo mal,
Esse mal que me afasta de Ti,
E que me faz passar tantas noites sem dormir
Lembro-me das vezes em que fui dormir tarde porque não conseguia dormir. Porque a culpa e a dor não me deixavam cerrar os olhos.
-Me devolve o sono, Senhor
Me concede a paz, Tua paz
Me concede a paz
Neste momento as lágrimas desceram como jamais haviam descido antes. Eram incontroláveis. Pareciam águas correntes, que correm e correm mas continuam correndo.
-Quantas vezes eu quis ouvir Tua voz
Mas não pude, Senhor
Eu estava ocupada demais
Me lembro das vezes em que deixei de ir a Casa de Deus para sair com as amigas, das vezes em que troquei a Bíblia por séries e filmes, a oração pelas redes sociais.
Logo vem a realidade me dando um soco na cara.
-Eu troquei Deus pelo mundo.-- minha voz saiu baixa e rouca devido ao choro-- Eu troquei o Remédio Válido pelo vencido...
-Quantas vezes lembrei do Teu amor
E chorei, Senhor
Pois nas garras do mal eu senti
Quão distante eu estava de Ti
Quanto eu precisava sentir o Teu calor
Sei que podes curar-me, Senhor
Me concede a paz, Tua paz
Me concede a paz.
Ao ouvir a última parte do hino tiro meus pés da água, abraço eles e apoio minha cabeça sobre os mesmos.
-De-eus...-- começo a falar com dificuldades devido ao choro que, por sua vez, parecia não ter fim-- Eu que-quero...Ti pedir...perdã-ão.-- decido orar mentalmente já que não consigo falar.
"Agora eu entendo o motivo de toda esta tristeza, de todo este peso, de tudo o que está acontecendo. Eu estava enferma, deixei-me ser contaminada pelo mundo. Mas eu Ti peço neste momento: dai-me teu remédio, dai-me o teu perdão. Eu estou aqui como uma enferma buscando uma cura, um tratamento que só Tu podes fazer. Só Tu podes e consegue tratar o meu caso.
Eu sei que isto é consequência dos meus maus hábitos, mas estou arrependida e quero me tratar enquanto há tempo.
Me desculpe por ter Ti trocado, por ter Ti deixado por coisas banais.
Mas assim como Elizeu teve que se humilhar para receber a cura, eu estou aqui para também me humilhar."
Paro um pouco de orar mentalmente. As teimosas das lágrimas insistiam em descer e sua correntezas são iguais a águas correntes. E apesar da velocidade em que saem parece que não tem fim.
"Eu Te peço Médico dos médicos, vem me socorrer"
Termino minha oração devagar, mesmo sendo em pensamento.
Tiro minhas mãos que estavam ao redor de minhas pernas e levanto minha cabeça que antes estava sobre os meus joelhos.
Passo as minhas mãos pelo meu rosto limpando a metade das lágrimas que haviam sido derramadas e me levanto.
E o levantar foi o que realmente me surpreendeu...
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