O ESPELHO
Alfredo corre desesperadamente pela floresta. As suas pernas são chicoteadas pelos cipós com espinhos e o sangue espirra dos ferimentos.
Ele está nu e luta desesperadamente pela sua vida. O homem de 1,78 de altura e pesando 90 quilos, chega no final da sua jornada quando para no cume do penhasco.
Se não parasse, a queda seria fatal.
O vento mexe nas copas das arvores e os galhos se roçam como pernas que se aninham no frio buscando carinho, e mesmo assim, o silêncio é total.
Sentindo-se vigiado, Alfredo olha para as pedras pontudas e maciças logo abaixo dele, e se desencoraja a prosseguir com a vontade de jogar-se no vazio. Ele grita contra a escuridão, e GRITA!
Uma faca, jogada de dentro da escuridão das matas, cai nos pés de Alfredo como resposta para sua pergunta.
Ele engole seco, reconhecendo objeto cortante que reluz ao brilho do luar. Olhando nervoso para as árvores, procura em vão aquela quem poderia ter jogada a arma do crime.
Naquele exato momento algo estranho acontece: O som de um assobio quebra o nefasto silêncio. Alfredo abaixa-se rapidamente e pega a faca, esbravejando:
—Vamos! Apareça! — Ele rasga a noite com a faca! Gritando para que a pessoa saia da escuridão provocada pelas matas.
Nada acontece.
Seus olhos nervosos vasculham tudo que consegue ver e quando pensa em dar um passo para frente... tentar fugir novamente... mais uma coisa é jogada de dentro das matas, caindo aos seus pés:
— Um espelho? Que porra é essa? —Ao pegar o pequeno espelho de moldura rosa, que quase não cabe na sua mão, há um papel colado atrás escrito MATE O ASSASSINO!19X.
Como se uma chave invisível desligasse o controle das suas vontades, Alfredo disfere o primeiro golpe abaixo da própria clavícula e puxa sua carne para fora, deixando-a exposta. A segunda facada vai na maçã do rosto. Depois, ele puxa sua língua e corta-a para então começar a mastiga-la.
São mais 14 ações de mutilações até ele cair sobre seus joelhos e sem pena ou dó de si mesmo, dominado por um comando mental inquebrável, Alfredo arranca seus testículos e pênis jogando-os precipício à fora.
A velha bruxa de pele e cabelos vermelhos, com seu corpo nu pintado com letras de sangue, sai da escuridão e caminha até o homem que está empoçado no próprio sangue.
Com facilidade, a bruxa abaixa-se pegando o espelho que fora da filha assassinada.
Antônia, antes de ser bruxa era uma mãe de luto. A mulher apagando as palavras de comando escritas com o sangue de Melinda, sua filha, empurra o corpo do assassino precipício a baixo, podendo enfim lamentar a morte da sua única filha.
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