Capítulo 34: Fique longe de mim
Erick...
No outro dia.
Às 9:00 da manhã.
Quando cheguei Lira já estava lá em pé sobre uma pedra, sendo tocada pela luz do sol que passavam entre as árvores. Nossa! isso destacou ainda mais sua beleza, parecia um anjo.
-Luz de anjo. -Digo em voz alta.
-Como disse? -Ela perguntou desentendida.
-Esses raios de sol que passam pelas árvores... eu costumo dizer que é luz de anjo. -Eu explico.
-Esse lugar é sem explicação, como você o encontrou? -Ela perguntar com o olhar de admiração.
-Descobri por acaso, é meu lugar favorito, venho aqui quando preciso refletir, e... duvidei que você o encontraria dama de ferro.
-Eu tenho minhas artimanhas... e aposto que já trouxe todas as garotas da cidade aqui.
-Na verdade não, você é a única. -Digo.
-Sério?... Quer dizer... vamos ao que interessa.
-Vai, fala logo, afinal de contas é você que está me enrolando... o que é tão urgente dama de ferro?
-Quando foi que nos vimos pela primeira vez? - Lira me faz uma pergunta um tanto sem sentido.
-Quando crianças, na festa dos seus pais, mal se lembrou e já esqueceu? -Respondo.
-Eu digo agora, já adultos.
-Na faculdade quando você estava me olhando enquanto eu estava nos amassos com minha namorada. -Digo.
-Aff, eu não estava te olhando. -Ela afirma.
-Estava sim. -Eu insisto.
-Tá bom estava, assim como todos estavam também, os pombinhos fazem a lataria do carro de motel e espera que ninguém olhe? -Ela me encara contrariada.
-Touché! -Me rendo ao seu golpe certeiro.
-Voltando ao assunto, então por que eu tenho imagem de vídeos que provam que a gente conversou algumas semanas antes naquela mesma lanchonete, e eu não me lembro.
-O que? Como assim? -A questiono sem saber sobre o que ela está falando.
Ela tira seu celular do bolso e me mostra um vídeo.
-Eu não sei o que é isso deve ser montagem, sei-lá. -Insisto.
-Isso são imagem de segurança, não um videozinho tirada da internet Erick.
-Eu já disse que não sei, por que não pergunta pra esse figurão comendo com você? -Digo.
-Porque... esse figurão está morto. -Ela me informa.
- Sorte a dele. -Digo seco e lhe dando a costa para ir embora.
-Depois que ele me agrediu e tentou... me estuprar. - Ela continua e eu me viro de volta para ela com remorso .
-Eu... eu sinto muito, não sabia disso Lira. -Lamento.
-Alguém me salvou aquela noite. -Ela adiciona.
-E Você acha o que? Que eu te salvei das garras daquele vilão e o matei? Isso não ficaria bem no meu currículo de mal. -Brinco ironicamente.
-Não acho, porque aquele homem foi encontrado dilacerado, como se tivesse sido atacado por algum tipo de animal e você não é assim, às vezes grosso, estúpido e barbeiro, mas não um animal. -Ela diz séria e pensativa.
-Bom... talvez eu seja um cara perigoso sim, sendo assim melhor ficar longe de mim minha nobre donzela em perigo. -Digo cheio de deboche lhe fazendo uma reverência e me retirando para ir embora.
-Ei Erick, não vai embora. -Ela pede me puxando pelos braço e eu me viro.
-O que foi? Está com medo? -Falo vendo a reação dela ao me ver.
-Erick... o seus olhos eles estão...
-Estão completamente negros? Esse é meu verdadeiro eu. -Digo apontando o dedo para mim e tirando a camisa para que ela pudesse ver me melhor a criatura que sou. -Eu sou assim aceite isso Lira Symons e Fique longe de mim.
Ela se aproximou de mim e me beijou repentinamente, eu a afastei, será que ela se lembrou de tudo assim como eu, pois ela ficou com o olhar confuso e pensativo depois do beijo roubado.
-Eu nem sou humano Lira, eu sou perigoso, como você mesma disse... um animal.
-Mas me salvou e isso te torna um pouquinho humano. -Isso confirma minha dúvida.
-Talvez... mas Tais não tem mais nada de humano nela, se ela nos ver pertos, ela vai fazer com você, o mesmo que fiz com o cara que tentou de violentar, ela vai fazer com você, com seu irmão e... Com minha mãe. -Aviso colocando a camisa de volta e nesse momento eu voltei à aparência humana.
-Ela é igual a você? -Lira pergunta.
-Bem pior, e não sei se vou conseguir te proteger dela, não sei nem se vou conseguir te proteger de mim mesmo. -Confesso a minha insegurança.
Lira ficou em silêncio me olhando sem reação, sem saber o que dizer e eu me retirei de lá a deixando para trás.
Lira...
No outro dia.
Às 9:00 da manhã...
Cheguei um poucos minutinhos mais cedo, o lugar era uma pequena floresta, Mayra me deixou pois tinha que fazer compras pra mãe dela.
-Tem certeza que vai ficar bem amiga. Ela me encara preoculpada.
-Sim tenho, quer dizer... se eu não aparecer em 24 horas chama logo o exército.-Eu brinco.
-Ha, ha, ha, engraçadinha. -Ela aquela a sobrancelha.
-Pode ir, eu vou ficar bem, ele é um grosso, idiota, barbeiro e também irritante, mas não é nem um psicopata não. -Digo num tom sarcástico.
-Ta bom, tchauzinho Li.
-Tchau May. -Me despeço com um aceno.
Andei alguns metros a frente quando encontrei o tal local, e tipo, uau que lugar é esse, as árvores grandes faziam uma sombra que cobria o lugar, raios solares invadiam as sombras através de espaços entre as folhagens, as palavras incrível, fantástico, talvez mágico ou até mesmo celestial não eram suficientes para denominar o que meus olhos viam, sim eu parecia uma criança ali, o que posso fazer se me identifico tanto com coisas assim?
Subi numa pedra e fechei minha pálpebras e deixei o vento tocar meu rosto, abrindo meu braços,o que eu estou achando? Que vou voar? uma voz me faz acordar para a realidade, Erick havia chegado me falando coisas tão bonitas, até que voltamos estaca zero de novo, dama de ferro, dama de ferro... ferro é o que eu queria tacar na cabeça dele nesse momento.
Finalmente fui direto ao assunto, mostrei para ele o vídeo com as imagens da câmera de segurança que Mayra tinha baixado no meu celular para mim, ele parecia estar confuso com aquilo tanto quanto eu, ele está tropeçando em seus próprios argumentos, parecia estar com raiva, cheio de ironia e sarcasmo misturados com ódio, um tipo de ódio de mim por talvez por eu querer saber de tudo ou um tipo de ódio dele mesmo que ele parece lutar contra todas as suas forças para não sentir.
Eu não queria que ele fosse embora desse jeito, com esse sentimento nem de mim e muito menos dele mesmo.
O chamei puxando o seu braço o fazendo se virar em minha direção.
Quando eu o vi, aqueles olhos que eu conhecia em um tom âmbar, tão claro cheios de luz, deram lugar para olhos completamente negros inundado por uma profunda escuridão. isso deveria ter me feito sentir medo, e me afastar, mas ao contrário, isso me atraiu como um imã, e imã atrai ferro ,mas é claro a dama de ferro sendo atraída para o abismo. Eu não me importava, eu o beijei, foi por curtíssimos segundos, ele parecia querer me retribuir, eu sentia, mas ele me afastou, "eu nem sou humano' ele me disse, mas ele me salvou naquela noite daquele cretino do doutor Carlos silveiras sim quando eu o beijei eu me lembrei de tudo desde da parte que ele se sentou à mesa da lanchonete comigo me perguntando coisas estranhas até a parte que ele atacou o motoqueiro armado e se aproximou de mim, sei que ele na verdade só quer me proteger esse tempo todo da namorada possessiva e letal dele, sei que ele acha que precisa me proteger dele mesmo, mas não precisa, eu já enfrentei tantas coisas até agora que acho que me transformei numa armadura própria ou como ele mesmo diz numa dama de ferro, mas ele foi embora e me deixou ali sem reação. Eu deveria ir embora também, mas sabe quando acontece algo tão intenso e você só quer um lugar calmo e solitário para refletir sobre o que tem que fazer? Eu coloquei na minha playlist de centenas de músicas, conectei o fone e me deitei numa pedra enorme e acabei pegando no sono , quando um toque no meu celular vibra sem parar.
-Não acredito nisso eu apaguei mesmo. -digo assustada vendo que já estava escuro. Me atentei no celular que ainda vibrava, alguém me ligava era Mayra.
Ligação on
Eu: Olá May!
Mayra: Olá May?onde você está sabe quantas mensagens e ligações eu gastei com você e sem receber nenhuma resposta
Eu: Desculpe eu apaguei.
Mayra: como assim apagou? Desde às 9 da manhã até agora? são sete da noite dona Lira nem a bela adormecida dormiu tanto.
Eu:-Eu sei,nunca dormi tanto assim na minha vida e nem estava cansada.
Uma voz masculina no fundo: Deixa eu falar com minha irmã.
Eu: Puts...
Lorenzo: Poxa Li, sabe como estou preocupado,onde você está?
Eu: Estou na Ruínas Willow, onde a May me deixou, ela sabe onde fica.
Lorenzo: Ok, estamos indo aí pra te buscar.
Eu: ok.
Ligação off
Ainda bem que não está tão escuro, porque era lua cheia e isso ajuda a clarear o ambiente, mesmo assim usei a lanterna do meu celular pra ajudar a iluminar o caminho e decidi ir até próximo da estrada para ficar fácil de meu irmão e minha amiga me encontrarem, comecei então a caminhar, de repente ouço um som de galho se quebrando "calma Lira Symons é só algum animal andando por perto, afinal aqui é uma mata", mais barulhos surgiam e pareciam mais próximo, quando vi um vulto passar de uma árvore para outra.
-Olá tem alguém aí? -Pergunto. -Erick se for você apareça. -Acrescento.
Mas não poderia ser ele, ele não faria isso comigo.
-Eu já vou avisando que estou armada.- iludi mais a mim mesma do que quem está à espreita por ali.
Com a lanterna do celular apontada para as árvores vi que era alguém, percebi pela forma de uma pessoa e estava se aproximando corri o mais rápido possível e.. " pernas pra que te quero", eu estava correndo tão rápido que tudo que passava por mim eram imagens turvas, quando cheguei na estrada dei cara com faróis altos de um carro que freia bruscamente chegando a centímetros de me acertar em cheio. Alguém desce do carro enquanto eu suspiro aliviada e tento tomar fôlego ao mesmo tempo.
-Lira, está louca, por um fio eu não te atropelo, você está bem? Por que estava correndo desse jeito. -Meu irmão perguntou vindo até mim.
-Tinha alguém lá e começou a me seguir . -Digo com dificuldade por causa da correria.
Entramos no carro dele e Mayra passou pro banco de traz.
-Amiga você ficou aqui desde da 9 da manhã mesmo?
-Sim eu só ia ficar um pouco pra pensar na vida e acabei apagando.
-Espero que tenha dado pra pensar em toda sua sua vida.
-Na verdade não, eu acabei durmindo. -Mayra não aguento e soltou uma risada e eu também acabei rindo.
-Isso não tem graça porra. -Lorenzo diz bravo.
-Que exagero, eu estou bem não estou? - Rebato.
-É está, porque chegamos a tempo, senão sei lá o que podia ter te acontecido. -Irmão diz ríspido. -Você chegou ver que estava te seguindo? -Ele continua.
-Estava escuro e foi tudo tão rápido que não consegui ver quem era.
Lorenzo passou primeiro na casa de Mayra para deixá la e depois nos direcionamos para nossa casa, cada um foi para seu quarto emburrados, sem dizermos se quer uma palavra.
(Quem será que está perseguindo a nossa Querida Lira Symons...)
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