|Capítulo 1
6 anos depois....
EUA-Califórnia..
Ser médico cirurgião não é nada fácil, ter uma vida que está em suas mãos, significa que você terá que dar o seu melhor, ou ela morre. Já fez 3 meses que eu me formei, meus pais, tios, primos, minha irmã, meu cunhado e Angel minha sobrinha, vieram na minha formatura, nem acredito que meu sonho se realizou, hoje eu me tomei médico cirurgião, após esses três meses, recebi meu certificado de curso em clínica cirúrgica para poder exercer a função de cirurgião geral.
Para executar este trabalho, é necessário que o médico tenha característica fundamental para tal função e espírito de equipe para saber comandar. Quando completei 3 anos estudando medicina, fui indicado por boas notas em um hospital de trauma para começar a prática na emergência, e sinceramente eu não imaginava que iria me sair tão bem.
Além dos plantões tive que realizar, passei por muitas provações, não foi fácil, também eu sabia que não iria ser. Quase não tive tempo para ver meus pais, eles a cada três meses viam me visitar, nos primeiros três meses, eles trouxeram Alexia, matamos a saudade que estava nos torturando, porém, aconteceu uma coisa que fez meu coração se partir em mil pedaços.
Ela terminou comigo, deu um ponto final na nossa relação, foi difícil, doeu muito, chorei muitas noites, mas eu sei que seria difícil esperar uma pessoa, ainda mais alguém que quer seguir a carreira de medicina, o tempo é muito corrido, eu praticamente não tinha tempo para falar com meus pais e com ela direito.
Após meus dois anos de faculdade, ainda mantive contato com Alexia, como amigos, mas ela se afastou, então eu decidi não procura-la, acho que foi melhor assim, por que eu não queria deixa-la me esperando, ela foi tão humilde em me deixar viver meu sonho, acho que eu deveria retribuir isso a ela. Entretanto, confesso que nunca deixei de usar a correntinha que havia dado a ela a seis anos atrás.
Agora, estou caminhando no corredor do hospital Stanford, comecei a praticar aqui desde a época da faculdade, nos primeiros plantões como havia dito, na área de trauma.
Visto meu jaleco e olho para o relógio em meu pulso, vejo que já são 08:00 da manhã, irei ficar até 08:00 do dia seguinte, logo meu colega de trabalho, Caleb irá me substituir.
Mas ao me aproximar do corredor do centro cirúrgico, vejo uma aglomeração e uma pessoa muito machucada na maca, corro até eles já preocupado.
— Doutor, ainda bem que o senhor chegou, melhor se apressar, temos uma vítima de uma facada — diz uma residente segurando o balão de oxigênio.
— Karen, prepare a sala de cirurgia — digo colocando minhas luvas e pegando um pano para pressionar o ferimento.
Assim que fiz isso, o pano sugou muito sangue melando meus dedos, não preocupei com isso só que eu preciso é estancar o sangue.
— Jovem de 26 anos, vítima de uma facada no abdômen, foi encontrada no parque central, pressão 8/6. — diz outra residente medindo a pressão da moça.
— Peter, pressiona aqui no meu lugar — peço a meu auxiliar e ele assenti.
Pego minha lanterna no bolso do jaleco e olho as suas ires dos olhos.
— Pupila dilatada, mandem preparar a sala de raio X, preciso saber como estão os órgãos internos, vamos — digo apressadamente e empurro a maca.
As portas se abrem e finalmente nós adentramos na sala de cirurgia, a minha equipe já deixaram a sala pronta, então mando outro auxiliar aplicar a medicação para manter a frequência cardíaca estável enquanto visto o avental hospitalar, coloco a touca e a máscara.
— Doutor, o sangramento foi controlado — diz o auxiliar.
— Ótimo, bisturi — digo com pressa.
Preciso limpar a região para impedir a infecção, o residente me entrega o bisturi e eu retiro o coágulo, limpo a região da ferida com bastante soro fisiológico.
Pipipipi....
O barulho da frequência cardíaca está acelerando, senti minhas mãos soarem dentro da luva, merda!
— Estamos perdendo-a doutor.
— Iniciando massagem cardíaca — digo tentando controlar meu nervosismo.
Sem pensar afasto os meus auxiliares e começo a fazer massagem, mas logo lembro-me que tem que nos preocupa-mos ainda com a ferida.
— Peter, volta a fazer pressão na ferida, provável pode voltar a hemorragia — digo ainda fazendo os movimentos da massagem com as duas mãos e ele faz o que eu mandei.
Aos poucos, a paciente começa a voltar ao normal e seus batimentos se estabilizam, injeto a digoxina e felizmente em cinco segundos os batimentos ficam na medida correta.
—Doutor Mancini, a sala de raio X está pronta.
— Ótimo.
Peter tira o pano da região do eu volto a limpar a mesma, faço um curativo e encaminho o paciente para a sala de raio X.
— Ela vai um tempo na sala de terapia e reabilitação.
— Vamos estar monitorando ela nas próximas 72 horas.
— Ótimo, bom trabalho.
— Bom trabalho, doutor.
Em seguida, vou até a sala de descarte e tiro meu avental hospitalar, minhas luvas e touca, vou até a pia e lavo minhas mãos tirando o sangue seco dos dedos e entre as unhas. Sigo para sala ao lado e pego o prontuário da mesma paciente, leio tudo atentamente. Meu interno chega na sala e avisa que a paciente já fez o raio X e que está tudo certo com os órgãos internos, agradeci mentalmente por mais uma vida salva. Ele também avisou que os parentes da paciente estão aguardado informações na sala de espera, então eu vou até lá.
— Pacientes de Nina Alencar — digo ao chegar na sala de espera.
— Aqui, como minha filha está doutor? — diz uma senhora muito nervosa se aproximando.
— Ela agora está bem, fique tranquila, a perfuração no abdômen não atingiu os órgãos internos, então só precisamos esperar ela acordar nas próximas 72 horas.
— Graças a Deus, obrigada doutor — diz chorando e me abraçar repentinamente.
— Calma, não se preocupe, ela está em boa mãos.
— Eu sei doutor.. — olha para meu jaleco e ver meu nome — Mancini..
— Que bom, agora vai beber uma água e se acalmar, daqui a duas horas a senhora vai poder visitá-la na CTI — digo segurando suas mãos e ela assente.
Me despedir da mãe da paciente e voltei para sala de prontuários, vou até uma salinha de de lanches e pego um café na máquina de café expresso, quando de repente ouço um pingarreio, olho em direção da porta e vejo minha residente, Milena.
— Você foi um herói hoje — diz com a voz sensual — a paciente está na CTI em recuperação.
Se aproximou e ficou parada em minha frente.
— Obrigada pelo elogio e que bom saber que consegui salvá-la — digo bebendo o café.
— É..o que vai fazer amanhã quando encerrar o plantão?
— Nada, provavelmente apenas descansar — dou mais um gole no café e fico a fitando.
Noto que ela está jogando charme para mim, sorriu de lado e a vejo morder o lábio inferior.
— Posso descansar com você? — pergunta se aproximando e olhando para minha boca.
— Pode — digo a fitando.
Eu e Milena, temos um relacionamento muito bom, somos amigos com benefícios, nos envolvemos a um ano, mesmo que eu diga para mim mesmo que seguir em frente, sinto que Alexia nunca saiu da minha cabeça. Mas pelo menos eu sobrevivi e tenho Milena para me satisfazer e é isso que importa.
— Bom, até mais — diz sorrindo e beija meu queixo se retirando em seguida.
Milena Wilson
(...)
As horas se passam e meu dia foi muito corrido, atendi muitos pacientes, de casos simples a casos graves, agora estou sentado a área de descaso terminando meu café e esperando meu substituto Caleb, quando ele chega ficamos conversando sobre várias coisas, principalmente sobre mulheres, ele sempre tem que contar sobre suas aventuras amorosas me fazendo rir.
Me despeço dele e sigo para a saída do hospital mas de repente ouço alguém me chamando.
— Miguel — diz o meu chefe, médico geral.
—Sim, doutor Antony — digo e aperto sua mão.
— Me acompanha até minha sala por favor?
— Sim, claro..
Sigo com ele até sua sala, ele me da passagem e eu entro me sentando na cadeira.
— Então, estava verificando aqui nas fichas de todos da minha equipe, e vejo que você tem trabalhado muito.
— Verdade, confesso que eu tenho andado muito focado nos últimos tempos.
— E dispensado duas férias..
— É...
— Miguel, sabe que não pode deixar de tirar férias, não sabe?
— Sei, desculpe doutor.
— Te entendo, no início da minha carreira eu era igualzinho ao você, por isso que te escolhi como meu cirurgião braço direito.
— E sempre fui muito grato por isso.
— Eu sei, mas o fato é que você vai ter que tirar os dois meses de férias, ou vou ser prejudicado.
— Entendi, tudo bem.
— Boas férias — diz antes que eu passe da porta me fazendo olhá-lo.
Sorri para ele em resposta e me retirei, bom, se o chefe está mandando eu tirar férias quem sou eu para discordar. Ele me obrigou a fazer isso por que eu recusei as férias do ano retrasado e do ano passado. Justamente por que sei que meus pais vão querer que eu volte para o Brasil, e eu estou evitando fazer isso por que sei exatamente o risco que corro encontrar com a pessoa que ainda faz meu coração bater mais forte.
Sigo para o estacionamento do hospital e entro no meu carro, não vi nem sinal de Milena, então eu dei partida e segui para meu apartamento.
Em minutos, chego em casa e vejo que minha empregada Jô deixou toda casa organizada, confesso que sou um pouquinho bagunceiro.
Sigo para o banheiro e tomo um banho quente e relaxante, vou até o closet e pego uma calça moletom e opto ficar sem camisa, saiu do quarto e vejo meu notebook tocando, vou até ele e o pego de cima da bancada da cozinha, faço meu caminho até o sofá e me sento, abro o mesmo e vejo que é uma chamada dos meus pais pelo Skype.
— Oi minhas joias — digo sorrindo ao atender a ligação.
— Oi meu bebê
— Fala filhão, como foi seu dia hoje?
— Cansativo, ontem passei o dia inteiro no plantão, sair agora de manhã.
— Entendi, está cansado hein.
— Um pouco.
— Já se alimentou?
— Já mãe fica tranquila.
— Ora Natália, até parece que o menino é um bebezinho — diz meu pai revirando os olhos e minha mãe da um tapa em seu ombro me fazendo rir.
— Vocês são uma comédia, tenho uma notícia, queria dizer a vocês que estou de férias.
— Não acredito, até quem fim filho — diz meu pai eufórico.
— Filho, vem ficar com a gente... — pedi minha mãe fazendo uma carinha fofa.
— Mãe... — tento falar mas meu pai aproxima o rosto da câmera..
— Está deixando seus pais de lado garoto? — diz fazendo drama. Aí Deus!
— Não é bem assim pai.. — tento falar mas ele me corta..
— Então, amanhã quero você chegando no Brasil.. — diz autoritário.
— Mais pai... — tento falar novamente mas sem sucesso.
— Até breve filho — diz meu pai e mamãe solta beijo.
Encerro a chama incrédulo com atitude dos meus pais, eles não me deixaram nem explicar, pior que contestar meus pais é a mesma coisa que procurar agulha no palheiro, difícil!
Então não tenho saída a não ser fazer as malas, Brasil aí vou eu..
............
Oi amores, o que acharam desse capítulo? Miguel é um médico quase perfeito, essas férias promete hein..❤️😘
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top