Capítulo 40
Os últimos dois meses foram os melhores de toda a minha vida. Eu estava vivendo um sonho ao lado do meu marido e não gostaria de acordar nunca.
O que eu podia dizer a respeito da experiência de ser a Sra. James Bond?
Meu marido era maravilhoso e me fazia a mulher mais feliz do mundo. Ainda estávamos nos adaptando um ao outro, é claro, mas todos os dias ele demonstrava o quanto me amava, mesmo quanto chegava estressado do seu trabalho no escritório. Na verdade, ele apenas reclamava um pouco se eu chegava tarde da casa dos meus pais ou da igreja, onde passava boa parte do meu tempo livre. Fora isso, meu chuchuzinho, como eu costumava chamá-lo, era um amor. Ele elogiava minha comida, me ajudava com as tarefas domésticas e até trazia flores uma vez por semana, era um perfeito cavalheiro. Além disso, nós dois líamos a bíblia juntos quase todos os dias e estávamos presentes em todos os cultos.
Sinceramente, acabei considerando todos os alertas que me fizeram sobre as dificuldades do casamento, um grande exagero. James e eu nunca havíamos nem brigado, estávamos em uma sintonia perfeita e eu pensava que nada atrapalharia o meu "felizes para sempre" com ele até aquele fatídico domingo.
— Ei, Amber, podemos conversar rapidinho? — Eric, sim aquele Eric, perguntou, se aproximando da cozinha onde eu ajudava algumas senhoras a servir o cafezinho pós-culto.
Fiquei incomodada logo de cara. Já fazia muito tempo desde minha última conversa com o filho libertino do pastor. Na realidade, eu sabia que James ficava de cara feia quando me via conversando com outros homens, independentemente de quem fosse, por isso eu me esforçava para ficar sempre cercada de outras mulheres, assim, como a boa esposa que eu era, não despertaria o ciúmes dele.
— Estou ocupada, Eric — declarei, servindo a xícara de café dele ao mesmo tempo em que, tensa, observava o salão em busca do meu marido.
— Aí! Cuidado, Amber! — Eric deu um pulo para trás quando eu, em minha distração, acabei derrubando café quente em sua mão.
— Meu Deus, mil perdões! — pedi alarmada e fui logo pegar alguns guardanapos para ajudá-lo a se secar.
— Está tudo bem. — Ele sorriu e deu um passo para trás. — É melhor eu ficar a uma distância segura de você.
— Sim, sem dúvidas — falei e tanto eu quanto ele sabíamos que não nos referíamos apenas ao café. As queimaduras não seriam nada, se comparadas a James enciumado. — Então, diga logo o que quer. Já estou de partida.
— Bem, desde que a Hanna se casou e mudou de país, estamos com um desfalque grande no grupo de música — ele começou e eu senti um aperto no peito. Só Deus sabia o quanto minha irmã me fazia falta. — Sendo assim, será que você não gostaria de assumir o lugar dela?
Ergui as sobrancelhas. Eu realmente não esperava receber um convite daqueles. A música não era bem minha praia e jamais fui uma boa cantora, tal como Hanna. Ainda assim, entrar no conjunto me pareceu uma boa ideia. Desde que precisei me afastar do campo missionário, eu sentia como se não estivesse fazendo tanto para Deus quanto gostaria.
— Tem certeza? Minha voz não é lá essas coisas — alertei.
— Claro que tenho. E eu gosto do seu timbre de voz. Só precisa de um pouco de técnica. Mas logo estará dando um show por aí. — Ele deu uma piscadela. — Então, topa? Os ensaios são todas às quartas.
— Eu topo, mas antes preciso...
— Anda, Amber. Precisamos ir embora — ouvi a voz de James, me dando um baita susto.
— Oi, meu amor. — Fui rapidamente para o lado dele e o abracei lateralmente. — Já vou, só preciso ajudar...
— Não, sem desculpas. Precisamos ir. — ele falou com um pouco de grosseria e eu ergui as sobrancelhas. — Desculpe, mas você esqueceu que amanhã acordo cedo?
— Tudo bem, então, vamos.
Ainda um pouco ressentida com o tom dele, pedi ao Eric que avisasse às mulheres da cantina que precisei partir. Em seguida dei a ele minha palavra de que estaria no ensaio na quarta e saí com James sem nem ao menos me despedir dos meus pais.
Meu marido estava estranho e isso ficou mais evidente quando entramos no carro e ele começou a dirigir.
Primeiro ficou bufando feito um touro velho, depois começou a reclamar do trânsito e do clima, ficando cada minuto mais chato, sem dizer o que realmente o incomodava.
— Que droga, Amber. Já disse que não é nada — ele respondeu secamente quando perguntei pela milésima vez qual era o motivo do seu péssimo humor.
— É claro que há algo, James. Está estampado no seu rosto que aconteceu alguma coisa e você não quer me contar — choraminguei e segurei o braço dele, não deixando-o sair do carro quando estacionou em frente a garagem de casa. — Por favor.
Ele uniu os lábios e respirou fundo, como se quisesse não perder a calma.
— Você ainda pergunta? Sabe muito bem o que é — ele fez um suspense e quando me viu franzindo o cenho, resolveu esclarecer de uma vez: — Seu pastor me mandou indireta de novo.
Eu não gostava nada quando ele se referia ao reverendo Sérgio como se ele fosse apenas "meu pastor", afinal éramos da mesma igreja.
— Ah, James...
— Não, nem comece. — Ele ergueu a mão. — Vai me dizer que não percebeu quando ele contou no sermão que conheceu um homem do mundo do crime que foi preso e se converteu? Claramente se referia a mim! Eu não gosto disso, Amber.
— Amor, o pastor Sérgio fez missões nas comunidades durante a vida toda. Você não é o único que veio desse mundo e...
— Está defendendo ele por qual motivo, posso saber? — Ele cruzou os braços. — Deve ser por conta daquele filho dele que não sai de cima de você, não é? — Mordeu o lábio inferior com força.— Ah, se eu ganhasse um real por cada vez que pensei em acertá-lo.
— James! — exclamei indignada. — Acabamos de sair da igreja e você quer partir pra cima de um irmão em Cristo? Eric não fez nada além de me convidar para o conjunto de música.
— Isso depois de elogiar sua voz, não é? Aposto que ele é maluco para ouvi-la cantando ao pé do ouvido dele! — esbravejou. — Saiba que eu te proíbo de ir ao ensaio.
— Pare com isso, James! Você não está sendo racional! — aumentei o tom de voz, sentindo-me farta daquele circo armado por ele. — Há muitas moças no grupo, não será apenas Eric e eu...
— Não quero saber! Você não vai! — Ele segurou minha mão. — Entenda de uma vez: Você é minha!
— E você é um idiota! — exclamei e, magoada com aquela postura dele, puxei meu braço, abri a porta e saí do carro, entrando em casa já aos prantos.
Aquela havia sido nossa primeira briga séria e eu me achei uma idiota por não saber lidar bem com minhas emoções. Eu estava sentindo muita raiva de James e ao invés de encará-lo, como uma boa esposa o faria, resolvi me trancar no quarto e chorar, sem ao menos saber porque.
Fiquei ali por algum tempo, remoendo as atitudes dele e as minhas também.
Será que eu deveria ter ficado quieta?
Não fui muito sábia quando o ofendi, mas ele também não foi um príncipe encantado quando jogou todo o seu ciúme pra cima de mim, sem que eu nunca tivesse lhe dado motivos. Eu deveria ouvi-lo falando um monte de besteiras, sem dizer absolutamente nada?
Que raiva!
Passado alguns minutos, James veio me procurar. Eu ouvi as batidas insistentes dele, mas o ignorei completamente.
— Abra, amor, por favor — ele pediu com a voz mais suave do mundo.
— Deixe-me em paz, James. Você me magoou — respondi, encostando a cabeça ao travesseiro no qual eu estava abraçada.
Eu o ouvi expirar com pesar.
— Por favor, linda, vamos conversar — insistiu. — Sei que exagerei. — Ele fez uma pausa. — Você sabe como eu sou. Só de pensar em algum outro cara colocando os olhos em você, eu saio de mim.
— Isso é errado, James — contrapus. — Nunca te dei razões para desconfiar de mim.
— Eu sei — concordou e durante alguns segundos manteve-se em silêncio. — Não suporto a ideia de te perder, Amber. Você foi a melhor coisa que me aconteceu nessa vida e tenho medo que a tomem de mim. Por isso, quero protegê-la a todo custo.
Ao ouvir aquilo senti meu coração derretendo no peito. Ele se importava muito comigo, eu sabia disso.
Decidida a resolver as pendências entre nós, eu parei de graça e fui abrir a porta para ele.
— Eu já sou sua, James — declarei, analisando o semblante triste dele. — Não vai me perder...
Antes que eu fechasse minha boca, ele tomou todo o espaço entre nós e me abraçou com força.
— Não queria ter lhe feito chorar, meu amor — ele sussurrou ao meu ouvido. — Eu te amo tanto, você não faz ideia.
— Está tudo bem, James. Já passou. — Sorri para ele, sentindo orgulho da minha habilidade de perdoar e deixar para lá. — Odeio brigar com você.
— Então, não brigue. — Ele me olhou e me beijou com paixão. — Podemos gastar nosso tempo com algo muito mais divertido.
— Ora essa, James! Você não perde uma oportunidade mesmo. — Dei risada.
— O quê? Como assim? Eu estava apenas pensando de vermos um filme de comédia — ele fez de desentendido e tentou se afastar, mas eu não deixei e retribuí o beijo dele. — Ainda bem que você entendeu o recado.
***
Fui dormir feliz aquela noite, sabendo que as coisas foram muito bem resolvidas entre meu amado e eu.
Eu sabia que quando Deus era o centro da vida de um casal nada podia facilmente abalá-los. Comigo e com James não foi diferente. Ambos tínhamos o objetivo de fazer um ao outro feliz, buscando a harmonia para o nosso casamento. Éramos bons amigos e amantes e também sinceros um com o outro. Bem, ao menos era isso o que eu pensava, sem imaginar que tudo estava prestes a mudar.
C.H.S
Não, não morremos, nem desistimos. E sim, a novela mexicana continua.
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