Capítulo 6
Quando passo pelo batente da porta da sala nº 1 e todos aqueles bailarinos me olham com curiosidade e desconfiança, a primeira coisa que penso é que aqui não é meu lugar. E basta eu olhar com atenção para cada canto da sala, para as barras móveis, para as paredes, para que essa impressão ganhe força. Parece que esta sala é uma daquelas em que bailarinos fazem aulas durante aqueles festivais em Nova York, onde as garotas ficam sérias e concentradas o tempo todo.
Não consigo ver em nenhuma das barras móveis um lugar pra eu ficar, o que não é surpreendente. A turma está completa. Boas escolas, onde se ensina balé de um jeito profissional, não costumam admitir alunos depois do segundo semestre. Lembrar que eu fui convidada por Letícia Espinoza para estudar aqui é o que me dá confiança pra empinar meu queixo, igual a uma garota de cabelos castanhos, de coque perfeito, que está fazendo detiré. Como não posso ficar parada, começo a andar em busca de um espaço.
As garotas são desconcertantemente lindas e posturadas. Todas usam collants regata pretos, com as costas à mostra, e meias calça cor de rosa e sapatilhas rosa. Enquanto Clara mostrava a escola para meu pai e eu, contou que este é o uniforme obrigatório das bailarinas. As únicas bailarinas que podem usar uniforme livre são as do Balé Avançado.
— Ache um lugar pra você, Sofia. Daqui a pouco começamos — Letícia diz. Não me passa batido que agora a entonação da voz dela está diferente, mais enérgica, sem a mesma amabilidade de quando me chamou para conversar em São José dos Campos.
Enquanto ando, retribuindo com olhares firmes aos olhares atentos dos alunos dela, percebo que eu sou a única bailarina negra daqui. E também percebo que esta escola precisa de mim. Ela precisa de uma bailarina diferenciada, que dê a cara pra bater.
Penso que a garota que perguntou no vestiário se eu faria aula teste me daria espaço na barra pra ficar ao seu lado, mas ela desloca o corpo e põe uma perna apoiada nela pra eu não tocá-la.
As outras garotas fazem o mesmo. Até os bailarinos (são quatro) não mexem um único músculo do rosto quando me aproximo, e quando penso em me virar pra Letícia e dizer que ninguém quer me dar uma droga de lugar, uma moça chama minha atenção com um psiu e faz sinal para eu me aproxime.
— Tem um lugar pra você aqui — ela sorri.
— Obrigada — sorrio ao agradecer.
— Sofia, né? Eu me chamo Pamela.
— Prazer, Pamela. As pessoas me chamam de Bombom.
— Bombom… Que apelido bonito. Aula teste?
— Sim. A Letícia me convidou pra estudar aqui, mas antes vou fazer essa aula pra ver se vale a pena.
— Legal. Pode ter certeza que vai valer, sim. A Letícia é foda.
Ao pontuar a palavra foda, Pamela põe a perna esquerda na barra e desce em demi plié com a direita. Já de cara fico passada com a projeção da parte de baixo de seu corpo, com a abertura de sua pelve, mostrando seu en dehors. Já que meu corpo está frio, o melhor que faço é me aquecer. Começo com quatro elevés alternados e soltando meu peso sobre o arco dos meus pés para obter mais flexibilidade.
Os alunos da Letícia levam o alongamento a sério, chega a ser quase um Toc. A garota que estava fazendo detiré quando entrei agora gira uma pirouette en dehors na barra, abrindo a seguir um espacate frontal no chão e me olhando de esguelha, com um sorrisinho cheio de convencimento como quem diz a mais alongada daqui sou eu. E não duvido disso.
Letícia se posta à frente da parede de espelhos, intercalando um olhar entre nós e a porta. Ela faz um sinal para esta direção com um meneio de cabeça e um esboço de sorriso, fazendo um sinal com a palma da mão para que alguém entre.
Uma mulher alta, de cabelo louro e brincos de argola, entra e cumprimenta Letícia. A pele dela é branca, e de onde estou posso ver que seus traços são duros, europeus. Atrás dela entra um rapaz, também alto, e de repente, sou pega de surpresa.
Eu conheço aquele cara.
Ele é o babaca que esbarrou em mim na padaria de seu Germano e depois disse que foi sem querer. Merda! Ou o mundo é pequeno ou então existe alguma força da natureza que quer testar minha paciência me colocando junto com aquele idiota.
Mas por quê? Quem é ele e por que está aqui? Será que ele é parente da Letícia? Essa hipótese parece bem plausível, porque o vi pela televisão conversando com ela, na Praça Capivari.
— Acho que já vi aquele cara na minha cidade — falo quase num cochicho para Pamela.
— Com certeza deve ter visto. O Odin é famoso. Ele é modelo e desfila por uma produtora daqui da São Paulo — minha colega informa.
— Ah! Odin… Que nome bem peculiar.
— Ele é muito gato, não é, amiga?
Fico um pouco surpresa com a espontaneidade da minha colega de barra. Me ocorre então que os paulistanos são mais descolados, por isso usam termos mais íntimos com as pessoas, mesmo não as conhecendo bem.
— É filho da Tânia Dressler e também assistente dela. Parece que está fazendo estágio pra um dia ele administrar a Promoarte — a bailarina ao meu lado esclarece.
Putz, eu venho fazer minha aula teste justo no dia que a diretora artística da maior produtora do país vem visitar a escola, e com o filho boyzinho que empurra as pessoas quando entra em estabelecimentos. Só melhora.
Mais um motivo pra eu fazer bonito. Não quero que ninguém aqui pense que sou frouxa e que tenho medo de cara feia.
Os dois conversam em voz baixa com a Letícia, mal dá para ouvir os sons de suas falas. Diferentemente daquele dia, quando o garoto me irritou o tempo todo com seu semblante de deboche, agora ele está sério. Não, mais que sério. Inexpresivo.
— Ele entende alguma coisa de balé? — arrisco.
Pamela faz uma expressão engraçada.
— O Odin fez balé até os doze anos. Parou de dançar pra morar com o pai no Rio de Janeiro e pra ser modelo — a garota põe de repente as mãos na cintura, olha para o teto com três fileiras de lâmpadas fluorescentes em formato de tubos e balança a cabeça. — Garota, você tá por fora de muita coisa, puxa.
Talvez eu esteja mesmo.
Dou outra olhada fugaz para os recém chegados, que se sentam em cadeiras pretas de apoio feito de plástico no canto 2 da sala. Tânia arruma sobre o nariz seus óculos de aro quadrado, tira um caderno de capa vermelha da bolsa de couro que trouxe à tiracolo. Odin cruza a perna esquerda sobre a direita de forma deitada, viril. Seus olhos se direcionam aos meus de um jeito inquiridor, como que dizendo quero ver se você sabe fazer alguma coisa.
E ele vai ver.
— Pessoal, frente à barra, sexta posição — Letícia manda e caminha em direção ao suporte de som.
Suspiro, tento esvaziar minha mente de tudo que possa atrapalhar minha concentração. Meus braços estão descansando em bra bas à espera dos primeiros acordes do som.
Fiz minha primeira aula de balé aos cinco anos de idade. Eu era uma garotinha hiperativa, não conseguia ficar parada e tinha compulsão em dançar em frente à televisão enquanto via bailarinas de programas de entretenimento executando coreografias que eu achava lindas.
Um dia, por acaso, mamãe mudou num canal em que a Ingrid Silva estava dançando num teatro em Nova York. Eu fiquei apaixonada pelo que vi, seu balé gracioso, leve, os espacates que ela abria no ar quando saltava. E o mais incrível de tudo: ela era negra como eu.
Mas o que mudou pra sempre minha vida não foi só o fato de naquele momento eu me sentir representada por uma bailarina preta como eu, e sim, que a dança pulsava dentro de mim. Eu nasci pra dançar, pra ser boa nisso. Nunca fui alta. Além disso, eu tinha bundinha de tanajura, mas era flexível. Tanto que meus pais ficaram boquiabertos quando os chamei na sala pra verem eu abrir espacate.
— Nunca mais faça isso — mamãe me repreendeu. — Pode se machucar.
Uma vez que você abre seu primeiro espacate, não quer mais parar. Eu me sentia envaidecida quando me esticava na creche e na escola infantil. Foi tia Júlia quem sugeriu à mamãe me pôr numa escola de balé. Ela resistiu no começo, porque balé era e é um estudo caro, mas eu implorei e ela cedeu.
Dona Fernanda viu em mim talento para ser uma grande bailarina desde minha primeira aula. Ela não dava bolsa integral pra ninguém, mas pra mim deu, porque sempre mostrei trabalho. Sempre fiz a diferença, sempre fui obcecada por ser perfeita e os professores de balé valorizam muito bailarinas que querem crescer.
Pois bem. Tânia Dressler e Odin Dressler terão uma amostra de quem sou.
Começamos com um aquecimento. No estúdio de dona Fernanda, gosto já de começar fazendo plié. Mas meu corpo está frio, e preciso me espreguiçar um pouco para evitar uma lesão. Consigo acompanhar os exercícios graças a olhares fugazes que dou para as bailarinas que estão numa barra à frente da que serve de apoio para Pamela e eu. Duas garotas e um garoto se exercitam nela além de nós duas, e pelo que vejo, são sérios.
Faço um cambré com o braço direito, em seguida com o esquerdo, descendo em grand plié, e no final, ficamos na ponta dos pés com os braços na altura do umbigo, sem segurarmos nas barras. Os garotos, que não usam sapatilhas de ponta, ficam com os pés na meia ponta, mas a dor nas panturrilhas é a mesma para ambos os sexos.
Não ouso mover nenhum músculo do rosto. Digo a mim mesma enquanto Letícia conta até oito que não vou desmontar, que vou manter meu bumbum pra baixo, meu umbigo colado na minha espinha e meus ombros, baixos.
Tem um fio invisível amarrado no teu coque te puxando para cima, parece que escuto dona Fernanda me dizendo numa das minhas primeiras aulas de pontas.
Consigo me manter firme, apesar das dores nas panturrilhas.
O próximo exercício, o grand plié com e souplesse, tem algumas diferenças com as sequências que dona Fernanda passa. Escuto termos e comandos que nunca ouvi antes, como raccoursi e flic flac.
Letícia se aproxima de mim e ergue meu braço de segunda posição.
— Seu braço deve ficar mais levantado, assim — ela fala.
A garota de cabelo louro-escuro mostra concentração e controle ao demonstrar como se faz um developé. Suspiro aborrecida ao ser corrigida de novo, mas tento não deixar minha frustração por errar tirar minha concentração. Não tenho obrigação de dar show. Os alunos da Letícia estudam juntos há um tempão, claro que eles conhecem as sequências. Só tenho que me atentar aos fundamentos básicos: en dehors, verticalidade, pé bem esticado.
Percebo, quando Letícia para a aula a fim de admoestar um dos rapazes quanto ao seu atraso nos entrechats quatres, que Odin continua de braços cruzados olhando para todos nós. Só lembro que ele existe apenas porque não tem como não notá-lo indefinidamente. Não fico intimidada por ele estar me vendo dançando, e quando fico perto dele durante os tour piqués, finjo que é só uma figura decorativa.
A tal Tânia é mais difícil de ignorar. Espero que seja só uma impressão errada minha, mas ela parece examinar cada uma das bailarinas como se fosse uma fazendeira num leilão em busca da melhor ponta de gado. Consigo captar nas meninas esse sentimento de apreensão, de esmero em fazer bem feito, porque ela é, em primeira instância, a empoderada.
Nos perfilamos em duplas para a continuidade dos exercícios de centro. Meu collant está molhado de suor, nem o ar condicionado faz eu me sentir fresca, e eu penso que devia ter trazido um collant regata de Campos do Jordão. A bailarina altiva faz par comigo. Executamos sequências de grand assemblés avançando em direção à parede de espelhos, com pas de bourrés, dois passos e um piqué arabesque. Depois saímos sorrindo por um dos cantos.
Aplaudimos Letícia com gratidão após a aula, e cada um dos bailarinos sai após se cumprimentarem entre si. Apenas Pamela me saúda com um abraço, saindo com sua toalha no ombro e tomando água em sua garrafa metálica. Me sinto agora como se estivesse num tiroteio, sem saber pra que lado ir e com quem. É de estar numa escola diferente e não ter amigos.
Me abaixo pra juntar minhas polainas e vejo Letícia diante de mim quando me viro. Agora ela sorri.
— O que achou da aula? — há expectativa em seus olhos.
— Muito legal. Gostei — respondo com sinceridade.
— Na Letícia Ballet trabalhamos à exaustão todos os fundamentos. Nos últimos anos fiz cursos de aperfeiçoamento com professores de escolas russas e comecei a implementar o Método Vaganova em sua essência mais pura e cristalina. Não existe um único movimento, seja de um dedo mindinho, que não esteja sincronizado com todo o conjunto físico. Mas acredito que você percebeu isso durante a aula, não é?
Aceno afirmando, respondendo em seguida:
— Têm muitos passos diferentes, que nunca vi bailarina da minha idade executando. Eu me perdi algumas vezes — digo essa última parte um pouco frustrada.
— Não fica assim, você foi muito bem. Observei coisas a contento. O mais importante você tem: amor pela dança. Eu consigo ver a dança fluindo em você, é natural. Além disso, você não tem medo, é flexível, forte e leve, e isso vai te levar longe.
Pela primeira vez desde que entrei aqui um sorriso se desenha em meu rosto. Então, olho por sobre o ombro de Letícia e vejo Tânia e o filho se levantando. Eles vêm em minha direção.
— Como você se chama? — a mulher pergunta.
— Sofia — respondo com voz firme.
— Sofia — Tânia pensa enquanto sorri. — Tem nome de princesa bailarina. É sua primeira aula aqui, certo? — sinalizo com a cabeça que sim. — Letícia — ela toca no ombro da professora — dê um jeito dessa menina estudar aqui. Dê uma bolsa integral para ela, ensine ela a dançar com técnica, que eu a banco. A Promoarte terá prazer em ajudá-la a se tornar a maior bailarina que este país viu.
— Só depende dela — a dona do estúdio responde.
— Ela não vai deixar escapar pelos dedos esta chance — Tânia retruca fixando em mim seus olhos azuis e intimidadores. — Não é, meu anjo?
Não sei o que responder. Minha boca fica semiaberta, me sinto uma perfeita imbecil. Estou incrédula. Não acredito que causei uma impressão tão boa nessa mulher, apesar de achar que não fiz uma aula tão boa.
— Eu já vou indo — Tânia me segura pelos ombros. — Espero que você aceite se desafiar e fique aqui em São Paulo, Sofia. O mundo não tem lugar para fracos. E, pelo que vi na aula, você não é uma pessoa fraca. Pelo contrário: você é atrevida, corajosa e ousada. Faça essas qualidades valerem a pena.
Sem mais nada a dizer, a mulher loura anda em direção à porta e sai. O filho dela se adianta, parando a pouco mais de dez centímetros de mim. Seus lábios delineiam um meio sorriso, provocador, irônico, mas sustento seu olhar no meu.
— E quem diria que uma garota tão brava era uma bailarina? — tenho vontade de dar um soco na boca dele. — Que bom te ver de novo, Sofia.
— Queria poder dizer o mesmo de você — as palavras saem da minha boca com mais marra do que eu queria.
— Bom, vamos nos ver com mais frequência, caso você fique em São Paulo. Espero que possamos nos dar bem.
Sorrio com ironia.
— Só depende de você. Seja legal comigo, e vou ser contigo.
Odin meneia a cabeça em concordância e sai sem despedir de Letícia.
Quando ficamos só nós duas, ela me olha com uma sombra de desaprovação, mas nada diz sobre minha breve conversa com Odin. Dois minutos depois, meu pai e eu somos conduzidas por Letícia à sua sala.
Ela não faz rodeios. É direta, incisiva, e se dirige ao meu pai como se minha opinião não contasse mais. Diz a ele que eu tenho potencial, que sou bonita, que tenho um excelente físico e que quer que eu estude aqui.
Enquanto meu pai faz perguntas, olho para alguns quadros pregados na parede. Me aproximo e vejo uma garota de cabelos castanhos, sorriso doce, dançando com um rapaz negro. Ela aparece em diferentes poses clássicas, caracterizada como Esmeralda, Paquita, Carmem ou Odette.
É a Letícia. Ou melhor, era, quando adolescente.
Ela não mudou nada em quinze, dezesseis anos. Foi uma pena ter se machucado e abandonado os palcos, mas ela usou o duro golpe que sofreu como combustível pra se reerguer.
Essa mulher é uma vencedora e eu quero aprender com ela.
— Bombom?
Me viro instintamente ao ser chamada por Letícia.
— Oi? — falo.
— E então? Você quer estudar na Letícia Ballet? — ela insiste.
Olho para a expressão séria do meu pai.
— Eu quero — decido.
Letícia cruza os braços sobre sua mesa e encara meu pai com desafio.
— Ela se decidiu, seu Marcelo. E então?
— Professora Letícia, eu agradeço pela oportunidade. De verdade. Mas entenda meu lado. Nós não temos parentes em São Paulo. Onde a Bombom vai morar?
Tão empolgada que fiquei com a possibilidade de estudar numa escola melhor que não pensei na questão da moradia. Não tenho onde ficar em São Paulo. Nem amigos.
Droga!
Letícia, por sua vez, apoiou suas costas na cadeira, sorriu e respondeu:
— Se o problema é apenas o teto, o estúdio tem um quarto, onde uma das minhas alunas dorme. É a Jordana, uma moça de dezenove anos, muito responsável e séria. Vocês devem tê-la visto quando chegaram, é uma garota ruiva, e também primeira bailarina do estúdio. Vocês vão se dar muito bem, Bombom. Além disso, o estúdio tem cozinha, com geladeira, fogão. Pra você, será uma ótima experiência conviver com alguém com a bagagem dela.
Meu pai e eu cruzamos um olhar, ainda há uma sombra de desconfiança no dele.
— Enfim, é isso — Letícia expele ar pela boca. — Uma bolsa de estudo integral, com possibilidade de dançar em festivais importantes inclusive com premiação em dinheiro, e moradia inclusa. Não há mais o que pensar, seu Marcelo. O balé exige dinamismo e arrojo pra ser uma prima donna. A minha escola tem o que a Bombom precisa para ir longe, e ela já se decidiu. Mas o senhor é o pai, e a palavra final é sua. E então? Podemos assinar a matrícula dela?
Meu pai coça a cabeça, solta um meu Deus, fecha os olhos. Imploro com o olhar pra que ele entenda que é importante pra mim, que eu quero mais que tudo ficar.
— A senhora entende que isso tudo é muito brusco pra todos nós? — ele começa a contra argumentar.
— Perfeitamente — Letícia retruca.
— E que além da Bombom ter que vir pra cá, ficar longe de nós, também tem a escola…
— Não vejo problema de ela se matricular num colégio daqui. Eu conheço várias escolas públicas muito boas e posso indicar uma para o senhor matricular sua filha. É começo do segundo semestre. E então?
Meu pai coça a cabeça de novo, agora intercala comigo um olhar aflito. Eu sei o quanto é difícil pra ele dizer sim agora. Naquele dia ele conseguiu, porque talvez tenha achado que eu desistiria após fazer a aula teste, mas ele se enganou. Eu não vou voltar atrás. Mesmo que meu coração doa pelas pessoas que eu terei que deixar em Campos do Jordão, é o meu sonho que está em jogo, e não abro mão dele.
Quando toco a mão dele e seus olhos se fixam nos meus, e ele tem um vislumbre do que estou sentindo por dentro, seus lábios ficam trêmulos por um instante.
Então, responde de forma solene:
— Se ela quer, não tenho mais o que fazer senão apoiá-la.
Dando um grito, abraço meu pai e sou derrotada pela única coisa que pode me derrubar: a emoção. Enquanto ele assina minha matrícula, ofereço a ele um sorriso feliz e me permito derramar algumas lágrimas.
Capítulo de 3,4k de palavras
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