Capítulo 02 - O diabo babaca

Eu só podia ter sonhado aquilo.

Eu estava prestes a trocar de posição quando percebi que não estava sonhando. Roy ainda estava bem ali na minha cama. Olhei em direção da janela que eu havia esquecido aberta na noite anterior. Já era dia. Como eu poderia ter sido tão tolo? Meus pais brevemente acordariam e poderiam me pegar com Roy seminu. E ainda mais, Roy poderia se dar mal se seus pais notassem sua ausência em casa na noite que se passara.

Rapidamente sacudi Roy que parecia relutante em acordar. Ele fazia sons pesados e não conseguia manter-se acordado.

― Roy! ― eu sussurrei.

Foi quando ele abriu o olho e notou que poderia estar numa grande enrascada.

Ele levantou-se rapidamente e olhou em volta. Impressionou-se, pois já era dia. Havíamos dormido juntos, literalmente, naquela noite.

Quando Roy se pôs de pé por completo trajado apenas com uma cueca box preta, não pude deixar de notar o seu corpo severamente sarado e nem podia acreditar que eu havia dormido com Roy Raymond, mas tinha de me concentrar em tirá-lo dali o mais depressa possível.

― Já está de manhã! ― falou Roy contérrito.

― É e você tem que correr antes que seus pais acordem.

― Eu sei.

Roy vestiu suas calças apressadamente, enquanto eu o apressava ainda mais, colocando mais pressão sobre ele. Roy colocou uma de suas botas enquanto procurava a outra que encontrou em baixo da minha cama e calçando-a logo que a encontrou.

"Toc toc"

Eram meus pais na porta. Já haviam acordado. Sorte que deixei a porta trancada na noite passada. Eles batiam e chamam por meu nome. Fiz um gesto para que Roy não fizesse barulho e respondi.

― Filho, já está na hora de ir à escola! ― salientou minha mãe.

― Eu sei, já estou me arrumando! ― respondi.

― Tem alguém aí com você? ― ela perguntou desconfiada enquanto girava a maçaneta da porta do meu quarto.

― Não mãe, é que estou ensaiando para um trabalho que eu vou apresentar hoje, então estou recitando a minha fala em voz alta.

― Por que a porta está trancada?

― Porque eu acabei de sair do banho e já estou me arrumando para ir à escola!

― Tudo bem então, não se atrase.

― Sim mãe! ― repliquei por fim e ela se foi.

Assim que o som ensurdecedor do silêncio pairou no recinto, expirei aliviado, entretanto ainda tinha um problema no meu quarto e precisava me livrar dele para ontem.

Antes que ele saísse, verifiquei a rua à fim de captar algum movimento que pudesse me comprometer, no entanto, estava tudo bem tranquilo, então aduzi-o para fora.

― A gente se vê na escola? ― perguntei antes que ele se fosse de uma vez.

― Pode ser! ― ele respondeu virando-se logo em seguida e partindo.

Observei-o descer a rua até sumir por fim. Ainda não havia caído a ficha de que a noite passada ocorrera realmente. Finalmente o universo estava sorrindo para mim. Mas eu não podia cantar vitória antes do tempo. Corri para me arrumar.

Desci para tomar café da manhã às pressas. Nunca me tinha me arrumado tão rápido e nunca me sentira tão disposto à ir à escola. O que estava acontecendo comigo!

Depois do café, peguei uma carona com meu pai até à escola. Meu pai não era de falar muito, portanto, fomos o caminho inteiro em silêncio, enquanto eu curtia a paisagem linda daquele dia ensolarado maravilhoso.

Isso é que era estar apaixonado, porque de repente em um dia comum, como outro qualquer, eu reparava na beleza de tudo. O mundo passara a ficar mais belo de um simples momento para outro.

Chegando por fim à escola, desci do carro e caminhei até a entrada do colégio.

― Oi ― berrou Lisa entusiasmada tão cedo da manhã.

Lisa era sempre assim, sempre entusiasmada, sempre alegre, sempre tão animada para mais um dia de aula, parecia gostar de tudo na vida. Mas quando se encontrava triste de verdade, o universo inteiro parava, pois algo realmente muito severo havia acontecido.

― Oi ― devolvi-lhe o cumprimento.

― Você vai para o grupo de estudos hoje à tarde? ― ela perguntou.

― Ah, bem, eu acho que sim! ― sorri levemente entusiasmado.

― Hum, alguém aí está felizinho! ― ela notou.

― Eu estou normal! ― rebati.

― Eu sou sua amiga Charlie. Eu te conheço. Sei bem quando está normal e quando não está. Mas hoje você está radiante amigo, isso é notório.

― É? ― questionei.

― Sim! ― ela afirmou. ― Algo muito bom deve ter acontecido!

― Nada de mais.

― Nada de mais? Nada de mais não te deixaria com essa expressão de júbilo no rosto meu amigo, vai tentar enganar outra!

Eu apenas sorri. Então entramos para a escola, enquanto Lisa fazia alguns planos de estudo para hoje à tarde.

Minha cabeça parecia a "Hall's Party" num dia de festa em néon. Eu não conseguia não estar agitado. A concentração me falhava a toda hora. Queria focar, mas estava inverossímil. A cada momento minha mente travessa me levava aos momentos de pura intensidade da noite passada. Eu estava integralmente sonhando acordado.

Já havia tocado para a troca de horários e eu ajeitava umas coisas no armário quando vi Roy passar por mim completamente desacompanhado. Eu queria saber o que tinha acontecido, se ele havia se encrencado por causa do que aconteceu, estava disposto a perguntar.

Eu rapidamente fechei meu armário e chamei seu nome. Ele parecia não ter escutado, pois continuou andando. Chamei-o de novo mais alto, então ele parou. Não se virou logo de imediato, enquanto eu me aproximava dele. Quando finalmente ele se virou, eu já estava bem próximo dele, mas não completamente, pois ainda andava para chegar mais perto.

― Roy, você se encrencou por causa ontem? ― perguntei chegando agora perto suficiente dele.

Roy segurou meu casaco e me jogou contra um armário, me encarando fixamente. Todos no corredor fitavam pasmados à cena.

― O que você está fazendo? ― perguntei aflito.

― Olha, não fala mais comigo na escola você me entendeu? ― Roy sussurrou para mim.

Eu o fitei incrédulo. Senti aquelas palavras me penetrarem como uma facada direta pelo meu corpo. Fiquei sem reação por alguns minutos, só conseguia ouvir as palavras ditas por Roy ressoando na minha cabeça, quando finalmente a ficha caiu e todo o meu eu voltou como que numa descarga elétrica. Parecia que agora um desfibrilador havia encontrado meu corpo e me trouxera à tona dos breves segundos ausentes perdido em minha própria consciência.

― Solta ele valentão! ― Lisa vociferou apontando na nossa direção.

Eu olhei para Lisa e depois voltei a encarar Roy. Eu achei meu pulmão e empurrei suas mãos para longe de mim, então sussurrei para Roy:

― Você é mesmo um babaca!

Caminhei para longe dele, indo em direção à Lisa que me abraçou-me e me conduziu para longe dali.

― O que foi isso? ― perguntou Lisa desconexa.

― Nada, só dei de cara com um babaca! ― respondi com um ar decepcionado.

― Aquele cara é um idiota, vê se não esbarra com ele de novo!

― Pode deixar!

Durante todo o resto do dia, me senti envergonhado com tudo o que acontecera. Como eu pude ser tão burro? É óbvio que ele ia me ignorar totalmente na escola. Ele era popular e eu não, ele estava no topo da hierarquia social, é óbvio que aquilo na noite passada não significara nada para ele.

No começo daquele dia eu não conseguia me concentrar porque estava completamente invadido pelo senso da paixão, mas agora não conseguia me concentrar por me sentir um tolo completo.

Nota: "Estava bom demais para ser verdade"

Status: "Foi bom enquanto durou"

Naquele dia o grupo de estudos fora o maior fracasso para mim nada entrava na minha cabeça. Como se já não bastasse eu estar no mundo da lua na hora das aulas, agora me ferraria de vez por não estar absorvendo nada nem no grupo de estudos, onde cada coisa era explicada de modo simples e eficaz, mas era impossível não estar ausente.

Depois do fim da aula do grupo de estudos, caminhei com Lisa, já que morávamos na mesma direção.

― Bem, no início da manhã você estava radiante, mas agora tudo que eu consigo ver é distância. Você está muito distante depois do acontecimento com aquele troglodita lá da escola.

― Como não ficar assim? ― retruquei. ― Eu fui humilhado na frente de toda à escola!

― Não foi bem assim...

― Foi sim! Eu sou um idiota mesmo!

― Ai Charlie agora você está sendo muito dramático!

― Não é drama, você não sabe o tanto da vergonha que eu estou sentindo! ― revelei ― Minha vontade é de nunca mais pisar naquela escola. Minha vontade era de enfiar minha cara no chão.

― Para com isso, já já vão ter esquecido esse incidente!

― Chegamos! ― falei parando bem em frente à casa de Lisa.

― Vê se tira isso da cabeça, tá? Mais tarde a gente se fala por mensagem, fique bem até lá!

Assenti com a cabeça. Lisa me deu um abraço, em seguida um beijo na bochecha, então entrou correndo para dentro de casa, enquanto eu assistia-na fazer a isso.

Depois disso fomos apenas eu e meus pensamentos completamente conturbados até à minha casa. Eu me apaixonei e me magoei em tão pouco tempo que me fora um recorde. Até me impressionei. Talvez eu entrasse para um livro de recordes algum dia.

O chato de ser magoado, não é necessariamente a perda que você sofre de alguém, mas é o uso indevido que a pessoa fez dos nossos sentimentos. Isso é triste e absolutamente irritante. É irritante porque me sinto triste por uma coisa que alguém que não vale nada fez e é triste porque me sinto triste.

Sabe aquele momento quando você está magoado e sua mente começa a imaginar várias formas de vingança possíveis para ferrar a pessoa? Aquele era o meu momento. Eu queria dar um socão na cara de Roy, queria gritar para o mundo que ele me procurara na minha casa, especificamente no meu quarto no meio da noite e me agarrou, queria gritar para o mundo que ele era gay. Uma verdadeira bichona, 100% poc da balada, mas como faria isso sem me expor? Pois é! E outra, como ele era popular, se eu tivesse a sorte que ele confessasse tudo. O que poderia acontecer se eu fizesse isso, era ele negar tudo e seus amigos acreditarem nele, se safando por completo do problema, enquanto eu levaria o título de poc sonhadora, que estava fantasiando contos eróticos com o cara mais gostoso e popular da escola, já que ele era um sonho de consumo para todos.

O resto do meu trajeto idealizei a reação de todos ao ver que eu socara o rosto belo e perfeito de Roy Raymond, aquilo me confortara de alguma maneira, por alguns instantes até ri imaginando como seria jubiloso a expressão de todos ao verem eu dando ao Roy o que ele merecia.

Chegando finalmente à minha casa, no horário habitual do grupo de estudos, tentei tirar um cochilo antes do jantar. Queria limpar a minha mente um pouco. Parar de digladiar minha cabeça com aqueles pensamentos de negatividade. Deveria esquecer quem não me fazia bem.

Essa de tentar seguir em frente e esquecer a pessoa que nos magoou, pode parecer um conselho de merda, meio cliché e ultrapassado, mas concorde comigo que essa é a maior verdade universal já absoluta. Se não for pra dar a volta por cima e jogar o causador de nossos problemas fora, qual seria o conselho certo então?

Quando eu finalmente acordei próximo a hora do jantar, tomei um banho e me arrumei para o de costume, jantar e escutar meus pais intolerantes falar de mais e mais coisas hipócritas e condenar tudo e todos.

Mais um dia altamente decepcionante e cansativo concluído com sucesso. Me atirei na cama. A única parte do meu dia que realmente funcionava, era quando eu falava com Lisa. Naquele dia ele me ligou, então conversamos por horas escutando a voz um do outro.

Jovens normais conversariam pelo Skype, mas eu não curtia essas coisas, preferia falar por ligação ou mensagens. Sou um pouco estranho sim em alguns aspectos, mas acho que se ver a cara de uma pessoa demais, posso acabar enjoando da cara dela. Isso não faz sentido nenhum, mas é a minha desculpa para ninguém me ver feio e desarrumado.

Depois de tudo, estava preparado para dormir muito. Queria deixar aquela realidade para trás o mais depressa possível.

Tudo já estava encaminhado para uma noite de sono. Eu já estava limpo em minha cama e de pijama, meus pais já haviam me dado boa noite e já se retiraram para dormir, meu abajur já estava apagado. Meus pés já estavam cobertos e protegidos do demônio em baixo da cama e é enfim tudo estava nos conformes.

Naquela noite eu trancara bem a janela. Não era como se eu não trancasse, porque eu a trancava todas às noites, mas naquela fui me certificar de que estava bem trancada para que nada e nem ninguém em plena à meia noite fosse tentar abrir a minha janela.

Ali, virado de costas para a luz do luar que atravessava os vidros da janela e invadia minusciosamente o meu quarto. De repente escuto um batido vindo da janela. Não me virei. Ao invés disso, continuei encolhido por entre meu cobertor, fingindo que estava dormindo.

Eu não sabia ao certo se era ele realmente, mas uma batida vinda da janela com um ruído de toc toc perfeito, não poderia me deixar muitas dúvidas. Era uma pessoa sem dúvidas que batia em minha janela, e essa pessoa só poderia ser o Roy, afinal quem mais sairia por aí batendo nas janelas dos quartos alheios?

O diabo estava na janela.

Eu estava disposto a deixá-lo bater até cansar-se e ir embora, mas ele era insistente. Já fazia minutos que estava ali batendo na janela. As batidas aumentaram de intensidade, foi aí que eu percebi que ele não iria embora, ele estava tentando me acordar e era melhor eu abrir logo aquela janela ou ele ia acabar era acordando meus pais.

No minuto em que me levantei, ele parou. Ficou limpando o vidro por causa das manchas efetuadas pela sua respiração próximas ao vidro. Eu caminhei furioso e destranquei a janela, abrindo-a.

― O que você quer? ― perguntei em um sussurro rude.

― Olha me desculpa pelo que aconteceu na escola, é que eu entrei em pânico!

― Pânico? ― sussurrei fero ― Não me faça esquecer que meus pais estão dormindo e gritar mandando você ir à merda!

― Você tem todos os motivos do mundo para estar bravo comigo, eu sei, mas vamos conversar na paz por favor!

― Bravo? Eu estou furioso Roy! Você atingiu o limite da imbecilidade que um ser humano podia atingir e única paz que você teria é a que está escrita no meu bastão de beisebol!

― Calma Charlie! Podemos conversar sem ameaças?

― Não estou te ameaçando, estou te dando uma prévia do que vai acontecer dependendo de mim!

― Me escuta por favor! ― Roy implorou.

Por mais que eu estivesse furioso com ele, mas ele ainda mexia muito comigo. Eu no meu íntimo queria escutar o que ele tinha para dizer.

Eu não falei nada, mas fiz um gesto com a cabeça consentindo.

― Olha, eu fiz mal em agir daquele jeito...

― Péssimo! ― lancei um comentário sarcástico, interrompendo-o.

Roy me fitou respirando fundo. Podia ver que aquelas palavras o atingiram em cheio, pois notei em seu olhar o desapontamento.

― Olha, eu fui um completo idiota, mas é que quando você me chamou no corredor daquela escola, eu entrei em pânico, sabe?

― Não, não sei!

― Você não torna as coisas fáceis, sabia?

― Se quer algo fácil, sugiro que tente a morte!

― Para com isso, Charlie! ― falou Roy aparentemente aborrecido.

Talvez já fosse mesmo a hora de parar com o meu bombardeio de ironia cáustica.

― Olha, eu vim aqui porque realmente quero consertar as coisas com você! ― denotou Roy.

Não pude responder àquilo. Simplesmente engoli a minha língua. Eu não sabia o que dizer, como agir naquele momento. Na verdade eu não sabia mais nem o que eu queria.

― Charlie, eu não menti quando disse que você poderia ser tudo o que eu preciso. Você é a única pessoa que me entende realmente. Eu só sei que com você eu posso ser eu de verdade. Quando eu tô com você eu não me sinto julgado. Eu finalmente me sinto parte de algo que só posso pertencer quando estou com você.

Eu engoli em seco. Queria chorar, pois sou muito emotivo, mas não podia abandonar a minha personagem fria e sarcástica.

― Eu sei que você se sente assim também! ― acrescentou ele.

Aquela fora a cajadada final. Eu não poderia mais rejeitá-lo depois daquele discurso todo que ele fizera. Mas meu coração trancou naquele instante. Não era por vingança ou orgulho, mas aquela relação não poderia ir longe demais, nós pertencimamos a mundos completamente opostos. Nesse caso, a regra dos opostos se atraem não seria eficaz nem se lutassemos para funcionar.

― Roy ― iniciei ―, você é o sonho de qualquer gay! Queria realmente ser o gay promíscuo que te recebe toda noite e fica satisfeito com uma chuva de pirocada, mas eu não sou assim. Eu sou do tipo romântico que sonha com o amor cliché da adolescência. Eu e você pertencemos a classes muito divergentes na cadeia social escolástica, isso aqui não vai funcionar. Eu prefiro que as coisas permaneçam como estão agora. Talvez se dê melhor num encontro pela Internet, naqueles sites de encontros, você mente a sua idade e come umas bundinhas grátis.

― Não se trata só de foder umas bundinhas depiladas, Charlie, você não entende?

― Olha Roy esse é o meu veredito. Onde você acha que essa relação iria chegar? Porque eu não nos vejo saindo disso. Não dá pra ser assim. Além do mais isso um dia vai acabar mesmo...

Roy permaneceu em silêncio absoluto. Ele não me encarava. Doía tanto ver o seu rosto desolado olhando para os seus próprios pés, mas tinha de ser assim, não via um futuro para nós e eu não queria continuar aquilo nem mais pelo sexo, pois me auto conhecendo, eu sabia que iria me apegar mais à ele é quando isso acontecesse, aí moraria o meu perigo mortal particular. Eu tinha de deixá-lo ir para cessar um futuro sofrimento.

― Me escuta Roy, nossa relação começou muito errada, como acha que isso poderia terminar a não ser em lágrimas e corações partidos?

Cada palavra proferida por minha boca ia de encontro com que o meu corpo gritava. Cada atomo em mim queria o corpo de Roy Raymond por entre o meu, mas era melhor assim.

― Isso é o melhor para nós dois! ― falei por fim. ― Vá para casa é o melhor que faz! Durma em casa esta noite! Boa noite!

Com isso, voltei a fechar a janela. Consegui ver os passos embaraçados de Roy pela rua. Ficara ali um clima tenso terrível.

Ao olhar para a cama naquela noite me alimentou um vazio imperscrutável. Não é como se eu estivesse mal acostumado ou sentindo falta de alguém em minha cama, porque não é, afinal, Roy dormiu apenas uma noite comigo, não era como se eu quisesse que ele estivesse ali todas às noites, claro que não...

Bem, talvez fosse exatamente isso. Mas era melhor não sonhar acordado, porquanto lugar de sonhos era nos sonhos. Era mais sensato que eu me acostumasse com a realidade colossal de agora. A realidade na qual sempre estive.

Eu caminhei pesadamente rumo à minha cama. Algo naquela noite estava diferente. Nem sei mais se conseguiria dormir. Olhei para o teto e em nada pensei. Vaguei pela completa escuridão junto ao desconhecido e simplesmente deixei de existir.

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