Capítulo 1

Mais um crime havia ocorrido naquela noite.

Quando Scott chegou à cena do crime, vários polícias estavam ao redor do corpo e um perito se preparava para coletar possíveis impressões digitais ou qualquer outra prova que pudesse identificar o autor daquela crueldade.

A mulher jovem com aparentemente trinta anos estava totalmente nua, sua pele branca estava sem arranhões ou qualquer outro tipo de ferimento, com exceção da marca roxa em seu pescoço que indicava que ela havia sido estrangulada. As roupas estavam todas jogadas ao lado do corpo, mas algo de estranho existia naquela cena. Era a segunda vez que encontravam uma mulher assassinada naquela semana e as características do crime eram idênticas. O mais curioso era o fato de não ser encontrada a peça intima na cena do crime. Isso era apenas uma coincidência ou talvez as duas não fossem adeptas do uso de calcinha? Afinal estavam usando saias antes de serem assassinadas.

— Então o que me diz Ted? — perguntou Scott procurando saber se havia alguma pista.

— Ela morreu por sufocamento e provavelmente estava aqui por vontade própria — respondeu Scott.

— Foi estuprada?

— Talvez tenha sido violentada depois de morta, mas isso só saberemos depois de concluída a perícia.

— Já identificaram?

— Sim. — Ela estava com os documentos, vamos comunicar os parentes.

Se realmente houve um estupro o responsável havia tomado o cuidado de usar preservativo, não havia sêmen ou qualquer outro fluído que pudesse ser visto a olho nu. Não era um crime cometido por um amador, quem fez aquilo sabia o que tinha que ser feito para não deixar pistas e consequentemente não ser identificado rapidamente. Mas isso não era problema para Scott, quando um caso caia em suas mãos não havia como escapar.

Depois de colher todas as informações necessárias Scott encerrou seu trabalho naquela noite e em poucos minutos estava em casa. Sempre que um crime como aquele acontecia Scott imaginava que todas as mulheres de Nova York estavam correndo perigo e isso não seria diferente com sua esposa. Por este motivo preferiu morar em um apartamento que ficava no sétimo andar de um condomínio residencial bastante seguro. Mesmo assim sempre que chegava em casa a cena da descoberta de um crime lhe vinha a mente. Abrir a porta do apartamento e ver sua querida esposa sentada no sofá assistindo a TV lhe deixava tão feliz que tudo o que existia de ruim em seus pensamentos era esquecido.

— Oi querido! — Qual foi o crime desta noite? — perguntou Eve lhe beijando levemente.

— Mais uma mulher assassinada, tenho tudo para acreditar que foi o mesmo autor do crime do início da semana.

— Então você acha que é mais um serial killer?

— É muito cedo para dizer, mas um detalhe me chamou a atenção nestas duas cenas de crime.

— E qual foi?

— As duas mulheres estavam totalmente nuas, as roupas jogadas ao lado, mas não foi localizada nenhuma calcinha na cena do crime.

— Existem mulheres que preferem não usar, mas realmente é estranho. Talvez seja apenas coincidência mesmo — respondeu Eve.

— A outra mulher já foi identificada, segundo o depoimento dos familiares chegamos à conclusão de que ela não era uma prostituta. Era apenas uma mulher solteira que saiu em uma noite para se divertir e foi assassinada. Isso descarta a possibilidade de estarmos lidando com um assassino de prostitutas.

— E essa de hoje também já identificaram? — perguntou Eve.

— Sim. — Ela estava com os documentos, mas ainda não sei se ela era ou não prostituta. Amanhã vou conversar novamente com a família da primeira vítima e checar a informação sobre a roupa íntima. Tenho a impressão que isso não é uma simples coincidência.

No dia seguinte Scott bebeu seu café preparado por sua querida esposa e logo em seguida saiu com destino à casa dos pais da primeira vítima que se chamava Jodie. Os pais da moça residiam próximo ao Central Park.

Scott tocou a campainha e logo foi atendido.

— Olá! — Desculpe incomodar, mas preciso ter uma conversa com vocês.

— Tudo bem detetive, entre. — O senhor tem novidades sobre quem fez aquela crueldade com nossa filha? — perguntou a senhora ainda bastante abalada com o acontecido.

— Na verdade, ainda não tenho nenhuma pista ou talvez eu possa ter uma pista bastante estranha. Por isso preciso que me respondam a uma pergunta bastante intima sobre sua filha.

— Estamos dispostos a ajudar no que for possível — respondeu o pai da vítima.

— É uma pergunta bastante embaraçosa, mas preciso fazê-la. — Na cena do crime o corpo de sua filha estava totalmente nu e as roupas foram encontradas ao lado do corpo. No entanto, faltava uma peça íntima, a calcinha não foi encontrada no local. — A senhora sabe me dizer se sua filha tinha o hábito de não usar a peça íntima? — perguntou Scott.

— Não! De maneira alguma. Nossa filha nunca saiu de casa sem calcinha e posso garantir que na noite do crime ela saiu de casa usando a peça. Eu mesma vi quando ela estava terminando de se vestir — respondeu a senhora.

— Então isso significa que o criminoso levou a peça íntima da cena do crime. Esta informação será muito útil para a continuidade da investigação.

— Não entendo como isso pode lhe ajudar, mas espero que encontre o culpado o mais rápido possível — disse o pai da moça.

— Muito obrigado pelas informações. Vou deixá-los informados sobre o caso.

Scott entrou no carro e foi verificar no departamento de polícia se existia alguma novidade sobre o caso da noite anterior. Jodie saiu de casa para ir a uma festa na casa de uma amiga. Aproximadamente às vinte e três horas ela deixou a casa da amiga e iria pegar um táxi para retornar para casa, no entanto, isso não aconteceu.

Quando Scott chegou ao departamento...

— Perdeu a hora? — perguntou Alfred o seu superior.

— Não! Estava visitando os pais da Jodie. Precisava de uma informação e não achei conveniente perguntar isso por telefone.

— Isso o que? — Eles já passaram por um interrogatório e disseram tudo o que sabiam.

— Sim Alfred. No entanto, o crime da noite passado tem as mesmas características do assassinato da Jodie. Não encontramos a peça íntima na cena do crime e a mãe dela garantiu que ela a usava quando saiu de casa.

— Então você acha que temos um assassino que mata para levar a calcinha da mulher embora? — perguntou Alfred.

— Não posso afirmar, mas isso é uma pista. — Por falar nisso já temos mais alguma informação sobre a vítima de ontem?

— Sim! O nome dela é Alisha e não era prostituta. A última vez que foi vista estava em um restaurante acompanhada do namorado. Segundo ele os dois discutiram e ela quis ir para casa de taxi.

— Então o namorado é suspeito? — perguntou Scott.

— Vamos verificar as câmeras de segurança existentes no local. A princípio ele diz que continuou no restaurante por aproximadamente uma hora depois que Alisha foi embora e durante este intervalo ela já deveria estar em casa.

— Isso é intrigante. As duas foram pegar um taxi e depois acabaram assassinadas e a calcinha desapareceu. Preciso da informação da família para saber se realmente ela não usava calcinha no dia do crime. Vou aguardar uns dois dias e conversar com os familiares — disse Scott.

— Se estivermos diante de um serial killer talvez até lá já tenhamos mais um caso para investigar — disse Alfred.

— Não vamos deixar essa notícia se espalhar, afinal ainda não sabemos se os crimes foram cometidos pela mesma pessoa. De qualquer forma vou usar o dia para estudar as imagens das câmeras e perguntar se alguém viu se realmente as duas chegaram a entrar em um táxi, ou se foram abordadas antes disso.

— Faça isso. — Quero este caso resolvido o mais rápido possível.

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