Capítulo 20 - Um Breve Adeus
A Rua dos Pecadores era movimentada de um jeito completamente diferente da Rua Mil Alegrias. As pessoas ainda pareciam felizes e animadas, mas também havia certa selvageria no ar. Aquela energia noturna de grupos de amigos bêbados e entregues às próprias vontades. Sem amarras, apenas curtindo o momento com aqueles que lhes são importantes. Espíritos livres procurando seu lugar no mundo, e achando-o em ruas mal iluminadas e becos escuros. As três luas no céu violeta, forneciam mais claridade do que os postes de luz que piscavam ocasionalmente como vaga-lumes na escuridão.
A rua em que estavam era larga, os dois lados enfileirados com estabelecimentos com placas brilhantes parecendo néon. Pessoas com chifres e asas riam, fumavam e bebiam nas calçadas. Uma mistura de jaquetas de couro, jeans desgastado, botas pesadas e olhares sombrios.
A arquitetura ali era quase a mesma do resto da cidade. Prédios que pareciam pertencer a séculos atrás, mas com um toque extra de outro mundo. Diferente da Rua Mil Alegrias, ali todas as construções eram pintadas de preto. Alguns exibiam gárgulas esculpidas no topo, outras pareciam abandonadas se não fossem pelas luzes piscando pelas janelas. Uma música pesada que lembrava muito heavy metal vinha de algum lugar, os berros do vocalista preenchendo a noite. A rua se abriu em uma praça circular, onde no centro havia o que outrora foi um chafariz com um anjo decapitado brandindo uma espada. Mas agora, a fonte estava seca e mal cuidada, em vez de água, havia apenas lodo dentro da bacia de pedra.
-Gostei da estética, mas confesso que esperava mais no quesito entretenimento. - Alec apoiou o pé na borda da fonte para arrumar o cadarço. -Cadê o sangue e o caos?
Obviamente, ele estava brincando, não queria realmente ver violência. Lynx pareceu captar seu humor e deu uma risada.
-Sangue e caos só nas sextas. - ele parecia estar falando sério agora. Sob o olhar inquisidor de Alec, ele explicou: -Jovens soldados do esquadrão que lutam entre si para ver quem é mais forte. Geralmente rola umas apostas.
-Vale tudo?
-Desde que não usem armas.
-Você já participou de alguma luta?
Lynx bufou uma risada.
-Primeiro que não sou jovem, segundo que não teria graça nenhuma lutar contra eles. - ele olhou para Alec de um jeito meio esnobe. -Estariam no chão antes que conseguissem piscar.
-Que convencido. - Alec ergueu as sobrancelhas. -Suas habilidades são tão boas assim?
Lynx nunca se gabava desse jeito, mas Alec não odiou esse lado meio arrogante dele. O anjo caído lhe lançou um olhar e sorriu.
-Logo você vai descobrir o quanto elas são boas.
Alec sabia que ele estava falando da luta, mas suas pernas ficaram bambas mesmo assim.
-Aonde estamos indo exatamente? - ele limpou a garganta discretamente.
-Pode escolher, o lugar que te chamar mais atenção. - Lynx respondeu meio distraído.
Isso tinha acontecido algumas vezes durante o trajeto. Eles estavam conversando tranquilamente e quando Alec percebia, Lynx parecia distante, meio fora do ar. Provavelmente pensando nos problemas com Azazel.
-Você não disse que tinha uma surpresa? - Alec pegou na mão dele, que pareceu surpreso com o toque e voltou ao presente.
-Sim, mas estou guardando para mais tarde. - ele virou o rosto para Alec e deu um sorriso enigmático.
Alec continuou a caminhada olhando em volta com uma certa admiração. Era uma visão meio sombria. Ele era o tipo de pessoa que gostava de ver vídeos assustadores de madrugada, então aquele cenário certamente era um tanto emocionante para ele. Alec começou a se perguntar se talvez ele não fosse um pouco perturbado. Pessoas normais estariam assustadas, saindo correndo e gritando daquele lugar, e não com um sorriso no rosto como se fosse a própria assombração.
Do outro lado da praça, algo chamou a atenção dele. Era o maior prédio a vista. A fachada do lugar era a única que tinha uma cor diferente da infinidade de preto. Se tratava de um prédio todo pintado de vermelho com portas duplas prateadas que estavam escancaradas. Não havia placa anunciando um nome, mas muito barulho vinha lá de dentro, o que parecia ser gritos de animação e discussões. Pessoas jogando, Alec supôs.
No entanto, o que chamou sua atenção mesmo não foi o lugar em si, mas o fato de que ele viu Levi, Cain e Gabriel entrarem lá. Não seria nada digno de curiosidade se não fosse a forma como eles agiram antes de entrar, conversando no beco ao lado do prédio com expressões sérias e tensas. Alec achou um pouco suspeito e queria saber o que eles estavam fazendo exatamente. Principalmente em um lugar como aquele.
Além disso, ele tinha que admitir que sua alma de fofoqueiro notou certa tensão entre Gabriel e Levi, e queria ver de perto o que estava acontecendo entre eles também.
-Vamos entrar ali? - ele sugeriu a Lynx, inocentemente, como se estivesse curioso apenas pelo lugar e não pela vida dos amigos dele e suas atividades suspeitas.
-Você viu Levi, Cain e Gabriel entrarem lá e ficou curioso para ver o que eles vão fazer? - Lynx olhou para ele com um sorriso sagaz. Alec abriu a boca se sentindo muito previsível.
-Nossa, eles entraram naquele lugar? Nem vi. - Alec arregalou os olhos se fazendo de desentendido.
-Eu sei que você os viu, não se faça de bobo. - Lynx revirou os olhos, mas sorria. -É a maior casa de jogos da cidade. Vamos lá.
-Nossa, você não deixa nada passar, né? - Alec disse, dando um leve empurrão nele com o ombro.
-Quando se trata de você, não.
Alec não respondeu, mas sorriu. Será que ele sabia que Alec prestava atenção nele na mesma intensidade?
Os dois atravessavam a rua até o estabelecimento misterioso. Ainda de mãos dadas. Se era necessário para que Lynx não ficasse pensando coisas ruins, Alec seguraria sua mão a noite toda.
O lado de dentro do lugar estava tomado por pessoas e nuvens de fumaça de cigarro pairando no ar como neblina. O barulho das mesas de sinuca ecoava se misturando ao zumbido de vozes da pequena multidão que ocupava um espaço amplo. O chão era coberto por um carpete vermelho e as paredes de uma madeira escura lisa e polida. A única iluminação vinha das lâmpadas em cima das diversas mesas espalhadas pelo recinto. Olhando melhor, Alec notou que não eram exatamente lâmpadas, pareciam bolas de energia flutuando no ar, como um pequeno sol. Em cada mesa havia uma roda de pessoas observando um jogo diferente. Algumas pessoas pareciam vidradas, como se o centro do mundo estivesse em cima daquelas mesas, vendo a sorte como um milagre e o azar como um inimigo cruel.
Depois de passar os olhos pela multidão, Alec avistou Cain e Gabriel sentados um de cada lado de Levi em uma mesa redonda nos fundos. Eles estavam jogando cartas com outras pessoas desconhecidas, e havia várias pessoas ao redor observando o jogo com animação. Levi sorria, Gabriel franzia o rosto para as cartas e Cain era a definição perfeita de poker face, não denunciando nada em sua expressão.
Os três pintavam uma bela imagem. Não usavam os uniformes. Levi com sua cabeça tatuada e olhos bicolores vestia apenas com uma jaqueta de couro sem camisa por baixo, exibindo um peito forte e bronzeado, o cabelo preto e longo estava jogado sobre o ombro. Cain, cujo cabelo não passava de uma sombra escura rente cabeça, usava uma regata branca, seus braços musculosos eram cheios de tatuagens. Gabriel vestia uma camiseta preta simples, mas Alec ficou surpreso em como ele parecia um pouco diferente do guerreiro arrumadinho que apareceu na reunião mais cedo. Isso era porque seus cabelos, que iam até a metade das costas, estavam soltos e dava a ele um ar meio rebelde. Independente do que vestiam, ficava claro que eles não eram como os outros. A aura de poder era quase visível ao redor deles, como o brilho ao redor de uma arma mortal.
-Então esse é o passatempo dos Capitães do Esquadrão de Ataque? - Lynx puxou de leve sua mão, guiando-o até o balcão de bebidas, onde ele pediu dois drinks para eles.
-Esperava o quê? - Lynx perguntou achando graça.
-Sei lá. Atirar facas com os olhos vendados em maçãs equilibradas na cabeça de alguém?
Lynx riu franzindo o rosto como se Alec fosse idiota.
-Fazemos parte de um Esquadrão, não do circo, Alec. - ele pensou um pouco e riu. -Apesar de que certamente temos um palhaço no time.
-Está falando de Levi.
-Sim. - a implicância dele era a mesma que a de um irmão, Alec achava fofo. -Ele ama ser o centro das atenções, mesmo se estiver sendo ridículo.
-Talvez faça isso para tirar o foco de alguém. - Alec inclinou a cabeça observando-os. -Gabriel e Cain não me parecem muito do tipo de gostam de atenção.
-Nunca tinha pensado assim. - Lynx os observou também como se estivesse vendo sob outra perspectiva. -Eles realmente são mais na deles. Cain poderia facilmente se passar por uma senhora que vive isolada em uma casa com oitenta gatos.
Alec riu.
-Eu não mexeria com essa senhora.
De repente, o grupo de pessoas na mesa dos três subordinados de Luce começou a fazer uma algazarra quando os oponentes deles perderam o jogo. Levi estava triunfante, Cain parecia satisfeito de um jeito bem arrogante e até mesmo Gabriel, tinha um sorrisinho sutil de vitória no rosto.
-Os três são os melhores jogadores da cidade. - disse Lynx. -Eles gostam de apostar por diversão, mas onde eles entram, alguém sai falido.
-Se as pessoas sabem que eles são os melhores, porque ainda jogam com eles?
-Ganância? Vício? Arrogância? - Lynx mexeu os ombros. -Um pouco de tudo, talvez. As pessoas nunca estão satisfeitas com o que têm e sempre arriscam por mais, isso não é diferente aqui.
Alec se apoiou no balcão e tomou um gole de sua bebida, era alguma coisa azul e muito doce em um copo alto. Ele semicerrou os olhos para a mesa de Levi. O capitão conversava com todos ao redor, rindo e esbanjando charme. Cain parecia distraído, mas seus olhos pretos estavam na multidão, assim como os de Gabriel, embora ele fosse muito bom em disfarçar.
-Eles não estão apenas jogando cartas, né? - deduziu Alec. Eles pareciam muito à vontade, despreocupados, mas Alec tinha a impressão de que era meio forçado.
Lynx sorriu para ele depois de beber do próprio copo.
-Você notou. - ele olhou na direção dos amigos. -Eles gostam de jogar, mas também usam isso como uma forma sutil de ficar de olho nas coisas, qualquer boato estranho que surja na cidade. Ainda mais do jeito que as coisas estão agora, com a confirmação de um traidor.
-É um bom jeito de misturar diversão e trabalho. - Alec bebeu outro gole.
-Sim. - Lynx ainda olhava na direção da mesa. -Ah, Levi está nos chamando.
Ele olhou para Alec e sorriu.
-Quer jogar um pouco? - perguntou.
-Infelizmente, o único jogo de cartas que eu sei jogar é uno.
-E joga muito bem, até nisso eu perco para você. - ele curvou os lábios daquela forma adorável que Alec não via já fazia um tempo.
-Lynx e Alec! A sensação do momento. - a voz de Levi foi como um trovão preenchendo o ambiente quando eles se aproximaram da mesa. O Capitão olhou para as mãos deles entrelaçadas e sorriu de um jeito debochado.
A multidão ao redor abriu espaço e todos ficaram observando os dois recém chegados com curiosidade. Alec começou a se sentir meio sobrecarregado pelos olhares.
-Acabou a brincadeira, vazem. - disse Cain dispensando todo mundo com um gesto de mão. Houve muitas reclamações e resmungos, mas todos se afastaram rapidamente diante do olhar afiado de Cain.
-Sentem-se, por favor. - Gabriel disse gentilmente, nada ver com sua aparência ligeiramente selvagem aquela noite. -Olá, Alec, não tive tempo de me apresentar aquele dia. Me chamo Gabriel.
-Olá, prazer em conhecê-lo. - Alec se sentiu estranhamente formal ao falar com ele. O jovem tinha uma postura muito séria e olhos límpidos e decididos. Talvez ele não fosse tímido e sim introvertido, as pessoas costumavam confundir muito isso.
Alec e Lynx se acomodaram nas cadeiras de frente para eles. Alec ainda podia sentir os olhares em suas costas.
-Alguma coisa útil? - Lynx perguntou a nenhum deles em particular, sem precisar elaborar a pergunta. -Ou hoje foi apenas diversão mesmo?
-Sempre é divertido. - Levi sorriu.
-Acho mais divertido quando tem algum resultado. - Gabriel resmungou insatisfeito. -Quero dizer, ouvimos algo sobre um tal de Ladrão de Almas, mas isso não parece ter nada a ver com nosso traidor.
-Ladrão de Almas? - Alec franziu a testa.
-Sim, parece que é um demônio que tem roubado almas humanas. - respondeu Levi. -Provavelmente para extrair poder. A maioria das vítimas morrem, obviamente, mas dependendo de como as almas são usadas elas ficam em coma.
-Que coisa horrível. - Alec estremeceu. Coma. Ele se lembrava de ter ouvido algum tempo atrás que muitas pessoas estavam sendo atacadas e ficando em coma. Será que isso tinha algo a ver com esse Ladrão de Almas? Alec não queria nem pensar nisso. Ultimamente parecia que ele estava rodeado de vilões.
-Mas sobre o traidor, tudo que conseguimos hoje foram fofocas sem fundamento. - o tom de Cain era monótono, ele recostou na cadeira, apoiando o tornozelo no joelho. -Nada que já não saibamos. Mesmo que esse Ladrão de Almas possa se tornar um problema futuramente, precisamos eliminar a ameaça interna primeiro.
-Parece que estamos andando em círculos enquanto ele trabalha bem em baixo dos nossos narizes. - Levi irritou-se um pouco.
-Ele? Acham que é um homem? - Alec indagou franzindo a testa diante do brilho das luzes em cima de suas cabeças, elas faziam o ambiente parecer ainda mais quente.
-Modo de falar, pode ser mulher. - Gabriel disse, ele se moveu um pouco para frente, seus cabelos pareciam uma cortina preta ao redor do rosto. Levi fixou o olhar nele por um momento observando o movimento das mechas.
-Eu acho que seja homem. - Levi desviou o olhar, pegou uma carta na mesa e começou a brincar com ela na mão.
-E isso importa? Um traidor é um traidor independente do gênero. - Cain falou, mas não parecia tão indiferente quanto tentava demonstrar. A ideia de um traidor o enervava mais do que ele deixava transparecer.
-E vocês dois? O que vocês fazem aqui? - Gabriel perguntou a Alec e Lynx, seu tom era casual, apenas curiosidade.
-Lynx está me mostrando a cidade. - Alec respondeu com um tom meio empolgado, meio descontraído. -Me trouxe para conhecer a Rua dos Pecadores, mas achei bem de boa. Não vi tantos pecadores assim.
-É porque você tem que saber aonde procurar. - o sorriso de Levi era diabólico.
-Disso você entende muito bem, né? - zombou Cain.
-Tantos lugares legais e você traz ele logo aqui, Lynx. - Gabriel riu, ele tinha uma covinha em uma das bochechas. O movimento da mão de Levi ficou mais inquieto, ele estava quase amassando a carta. Sua outra mão estava em baixo da mesa.
-Acho aqui muito legal. - Lynx falou meio na defensiva. -Além disso, trouxe ele aqui para mostrar um lugar específico. Não que seja da conta de vocês.
-Nossa, estou muito curioso para saber seus planos românticos. - Cain era puro sarcasmo.
-Eu meio que estou curioso. - Levi deu de ombros.
Lynx encarou ele com uma expressão que era algo entre tédio e irritação.
-Recomendo a galeria perto da praça na Rua Mil Alegrias, tem muita coisa legal para ver lá. - sugeriu Gabriel ignorando completamente Levi e Cain, seu sorriso era amigável.
-Nem todo mundo gosta de ficar meia hora olhando para um monte de rabiscos que nem você. - disse Levi, seu tom era de brincadeira, mas havia algo mais ali.
-É arte. - rebateu Gabriel com a voz dura, sem olhar para ele. -Você não sabe apreciar porque prefere ficar enfiado em bordéis.
-Não fique bravo, já disse que você pode ir comigo quando quiser, Gabs. - o tom de Levi era cheio de zombaria. Ele parecia estar deliberadamente provocando o outro.
Gabriel se virou para ele com os olhos afiados como adagas.
-Não me chame assim. - apesar do olhar mortal, sua voz era neutra.
-Tá bom, Gabriel.
-Não me chame assim também.
-Ué, é seu nome. Como você quer que eu te chame então? De...? - Levi se inclinou e sussurrou algo no ouvido dele.
-Já volto. - Gabriel disse de repente dando um pulo. Ele bateu o joelho na mesa e seu rosto ficou vermelho como um tomate. Ele se afastou como se fosse o diabo fugindo da cruz. Cortando a multidão, o jovem de cabelos compridos foi em direção aos banheiros.
-Já volto também. - Levi levantou bruscamente e seguiu ele.
Cain revirou os olhos.
-O que foi isso? - Lynx perguntou completamente alheio ao que Alec já tinha percebido. -Eles brigaram?
-Ah sim, aposto que eles vão brigar muito agora no banheiro. - Alec riu baixinho.
-Acorda Lynx, - Cain parecia estar querendo rir também. - eles estavam flertando na nossa cara.
-Aaah. - a expressão no rosto de Lynx era como se tivessem contado a ele um segredo muito impressionante.
-Eu não chamaria isso de flerte, mas é óbvio que tem algo rolando. - Alec estava entretido com o drama de pessoas que ele mal conhecia.
-Aparentemente, eu estava errado, não tem a ver com amor não correspondido e sim dois babacas que não sabem se comunicar. - Cain bufou e ajeitou a perna. -Não me perguntem como descobri, inclusive.
-Falta de comunicação é um dos maiores males do mundo. - disse Alec com divertimento.
Cain fez uma expressão de concordância.
-Vou indo nessa, esse lugar já deu pra mim, não suporto barulho por muito tempo. - Cain se levantou e pegou a jaqueta que estava pendurada no encosto da cadeira. -Até mais. Se virem aqueles dois de novo, digam pra não irem atrás de mim.
-Tchau, Cain. - Alec se despediu com uma risada enquanto Lynx apenas acenou com a mão para o amigo.
-Quer ir também? - perguntou a Alec depois de um tempo.
-Se me lembro bem, alguém me prometeu uma surpresa. - ele se levantou e estendeu a mão para Lynx, que sorriu e o guiou para fora.
Nas ruas, o anjo liderou o caminho, levando Alec por vários labirintos de ruas que ele certamente se perderia se estivesse sozinho. Em nenhum momento suas mãos se soltaram. Alec se sentia meio eletrizado, e toda vez que olhava para Lynx seu coração errava uma batida, o estômago tremia. Já tinha saído com outros caras, estado em outros relacionamentos, mas com Lynx tudo parecia diferente. Alec imaginava o porquê.
O caminho não foi longo. Antes do que Alec esperava eles pararam diante de um prédio circular, tão alto que doía o pescoço tentar enxergar o topo. Na verdade, se tratava de uma torre de pedra escura, cheia de janelas arqueadas. Não havia muitas pessoas naquela região, era um pouco mais remota e o prédio parecia estar vazio.
Lynx levou Alec para a entrada. No térreo havia uma estátua enorme de Luce. Ela estava com as asas abertas e brandia uma espada como se estivesse pronta para a batalha. Seu rosto de pedra estava esculpido em uma expressão de fúria determinada. Nas paredes, iluminadas por tochas com uma luz forte azul, haviam muitos nomes. Alec ergueu a cabeça, o teto sumia nas sombras, mas ele notou uma escada curvada no canto que levava ao além.
-Essa é a Torre das Almas Perdidas. - a voz de Lynx ecoou pelas paredes. -Foi construída depois da guerra, em homenagem às pessoas que morreram, e a Luce que quase se sacrificou para salvar quem restou.
Eram tantos nomes, pensou Alec. E Luce, tão pequena e de aparência frágil, era na verdade uma guerreira capaz de lutar em guerras e salvar pessoas. Alec não queria ver outra guerra, mas ficou meio curioso para saber como Luce e os outros eram em ação.
-É frio aqui. - disse Alec se arrependendo brevemente da escolha de roupa, ele cobriu a barriga com os braços.
Era verdade. Lá fora o clima estava morno, agradável, mas dentro da torre era gélido.
-Dizem que é porque as almas dos mortos estão aqui.
Alec olhou ao redor como se esperasse ver tais almas surgindo do nada. Mas ele não sentia medo. Sentia uma espécie de compaixão, empatia, e também admiração por Luce.
-Vamos subir, a melhor parte é a vista lá em cima. - Lynx disse.
Enquanto subia, Alec olhava para a forma das costas de Lynx e começou a pensar em como ele era lutando, também pensou em suas asas e no fato de que Alec raramente via elas.
-Suas asas não doem? - ele perguntou lembrando-se do que Rebeca contou.
-Minhas asas? - Lynx olhou por cima do ombro parecendo confuso com a pergunta.
-Por ficar muito tempo sem alongar elas. - Alec explicou. -Você raramente voa ou liberta elas.
-Ah. - o anjo voltou a olhar para frente, subindo os degraus que faziam um barulho úmido sob as botas deles. -Doem um pouco as vezes, mas tenho alta tolerância a dor então estou acostumado.
Alec não sabia o que responder. Só conseguia pensar que a forma que ele desenvolveu essa tolerância a dor não devia ter sido nada agradável.
Conforme eles subiam a estreita escada em espiral, Alec conseguia ver a cidade de vários ângulos através das janelas nas paredes. Quanto mais subia, menores os prédios ficavam, e o labirinto de ruas lá embaixo ficavam mais visíveis.
-Como você conheceu Luce?
-Depois que fui banido, fiquei um tempo no mundo mortal, fugindo. - Lynx parou diante de uma das janelas. Seu rosto iluminado pelo brilho lunar parecia ainda mais inumano. Como a estátua de um deus antigo. -Foi Igor quem me achou na verdade, e me trouxe para cá, direto para Luce. Eu fiquei com medo a princípio, toda vez que vou para um lugar diferente, com pessoas diferentes... Não acaba bem.
-Mas aqui não foi como esses lugares. - Alec tentou passar positividade através de suas palavras. -Você conheceu ótimas pessoas, que realmente gostam de você. Eu vejo o quanto essa cidade te deixa feliz.
-É verdade. - Lynx sorriu, mas não era como os sorrisos genuínos que ele sempre dava. Desde que a verdade sobre Azazel veio à tona, ele tinha vestido uma máscara, mas Alec conseguia ver através dela.
-Vamos continuar subindo? - ele disse gentilmente, tirando Lynx dos pensamentos tortuosos que ele parecia estar tendo.
Eles subiram mais alguns degraus, então passaram por uma entrada em arco que se abria em um pátio circular espaçoso. O parapeito de pedra ia até a cintura, e o teto sustentado por pilastras era curvado. Do lado de fora, a Torre das Almas Perdidas era como uma espada colossal brotando do chão. Alec se perguntou como não tinha visto uma estrutura tão grande antes.
Ele se aproximou do parapeito e se apoiou na pedra fria. A vista era de tirar o fôlego. Ele conseguia ver a cidade inteira, iluminada por pontos coloridos de magia, todo o emaranhado de prédios e ruas lá embaixo que a essa altura pareciam miniaturas. As três luas estavam visíveis no céu púrpura estrelado. Uma das luas era maior e as outras duas menores ficavam de cada lado dela, como guardiões. No horizonte, as fronteiras das cidades emitiam um brilho iridescente, como as bordas de sonho. Os tons de verde, azul e roxo se misturavam ao céu formando uma imagem estonteante.
-São as barreiras da cidade. - disse Lynx parando ao lado de Alec, seguindo seu olhar. -Geralmente são invisíveis, mas daqui dá para ver um pouco da aura de poder que emite delas.
-Parece uma aurora boreal. É muito lindo aqui. - apoiado no parapeito, ele fechou os olhos e inclinou a cabeça para cima inspirando o ar puro da noite. -Tão pacífico. Acho que quando eu voltar pro mundo mortal vou sentir um pouco de falta.
Lynx não respondeu nada. O silêncio dele fez Alec abrir os olhos e olhar para o lado. O anjo estava apoiado também, olhando para ele com aqueles olhos de gato cheios de emoções nadando da superfície. Automaticamente, ele deu um passo para perto de Lynx.
-Está tudo bem? Quer conversar?
-Se você descobrisse que viveu uma mentira durante séculos, que tudo que você acreditava era uma ilusão. O que você faria? - diferente de seus olhos, a voz dele não tinha um pingo de emoção.
Ele não se mexeu nem tirou os olhos de Alec o tempo todo enquanto falava.
-Não sei se tem algo que possa ser feito. - Alec respondeu honestamente. Queria poder confortar ele, mas não queria fazer isso com palavras que não fossem verdade. -Eu pensaria no que faria dali em diante, em vez de ficar remoendo algo que não posso mudar. Sei que não é fácil ser tão racional assim, mas eu tentaria.
-E se você descobrisse que foi algo feito a você por alguém?
Obviamente, ele falava de Azazel e de sua situação. Alec sentiu aquela raiva quente florescendo em seu peito queimar de novo.
-Obrigaria essa pessoa me contar porque fez isso. - respondeu. -Não que tenha algum motivo aceitável para se mexer com a vida de alguém desse jeito. Não é justo o que ele fez com você.
Lynx fechou os olhos e respirou fundo, virando para frente. Seus olhos se fixaram no céu.
-Quando eu era humano, era uma espécie de assassino de aluguel... - ele começou. Alec ficou imóvel, com medo de que uma respiração fora do lugar fizesse Lynx desistir de falar o que estava prestes a dizer. -Eu tinha dez anos quando estava vagando pelas ruas então um homem me chamou, perguntando se eu queria comida e falando muitas coisas que na época não entendi de primeira. Claro que eu só ouvi a parte da comida, então fui com ele. Acontece que ele era o líder de uma guilda de assassinos, ele treinava os melhores do reino. Quando percebi onde tinha me metido, tentei fugir várias vezes, mas toda vez ele me achava e o castigo era pior. Eu ficava trancado dias a fio sem água e comida, ou então era pendurado ao ar livre durante dias, exposto ao sol e a chuva. Ele me batia muito também, se não fosse eu ter virado um anjo, acho que teria muitas cicatrizes ainda. Uma vez ele queimou meu rosto com um atiçador de lareira. Ele usava tortura para aumentar nossa resistência. Por isso sou tolerante a dor.
As mãos de Alec estavam arranhando a pedra, um nó enorme tinha se alojado em sua garganta. Lynx não estava ciente de sua reação e continuou:
-Finalmente desisti de resistir quando ele me obrigou a cometer o primeiro assassinato. - ele travou o maxilar, como se custasse deixar as palavras saíram. -Era outro garoto da guilda. Os que ele considerava fracos, eram executados pelos considerados fortes... Ele era meu amigo, vi a luz se apagar de seus olhos enquanto ele morria nos meus braços. Depois disso, eu não sentia mais nada e matava para sentir alguma coisa, mesmo que fosse ódio e nojo de mim mesmo. Depois de um tempo, eu percebi que até gostava. Até mesmo um monstro é capaz de ter limites, não matávamos mulheres e crianças. Eu era contratado para matar homens ricos, lordes, outros criminosos, que disputavam poder entre si. Não que isso de alguma forma diminua o peso do que fiz. - ele fez uma pausa. -Quando me tornei um anjo da morte, achei que era um castigo irônico e merecido, mas agora já não sei mais. E se Azazel sabia meu passado e fez isso de propósito? Me obrigou a continuar nessa vida? Ele não me tornou um monstro, mas me abrigou a continuar sendo um.
A angústia. Aquela angústia e todo aquele auto desprezo. O ódio de si mesmo. Alec não suportava vê-lo assim. Nada disso tinha sido culpa ele. Lynx era apenas uma criança que fora forçada não só a viver em um inferno, mas a se tornar um demônio também.
Alec pegou o rosto dele entre as mãos, prendendo seu olhar sob o dele.
-Você nunca vai poder mudar o passado. - ele disse, Lynx se contraiu um pouco com as palavras. -Mas isso não significa que não possa mudar você. Aliás, já mudou. Você não precisa mais matar ninguém, não precisa viver à mercê de ninguém. Quem faz o seu futuro agora é você. E as pessoas ao seu redor sempre vão te apoiar. Eu vou.
Lynx ergueu a mão e acariciou a bochecha de Alec, seus olhos estavam muito brilhantes.
-A melhor coisa que me aconteceu foi ter te encontrado. - sua voz saiu levemente instável.
Alec sorriu e se inclinou em direção ao toque da mão dele como um gato procurando carinho. Apesar de tudo, ele não conseguia se expressar em palavras, não conseguia dizer o que queria dizer e isso o frustrava muito. Lynx estava ali, aberto e exposto, sem esconder nada do que estava sentindo, mas Alec ainda não conseguia proferir uma palavra sequer.
-Tem mais uma coisa que eu queria saber... - ele disse em vez disso.
-Sim?
-Como você morreu?
A mão de Lynx caiu ao lado do corpo, e ele se afastou um pouco. O coração de Alec batia muito rápido e ele sentia que tinha feito a pergunta errada.
-Morri no lugar da pessoa que eu amava. - a voz dele era quase um sussurro. Se não fosse o silêncio mortal no topo da torre, Alec não teria ouvido.
-É um jeito bonito de morrer. - Alec engoliu o nó na garganta junto com a curiosidade. Lynx não parecia pronto para elaborar isso, e ele não pressionou. Ele lutou contra o sentimento amargo e ridículo de sentir ciúmes de um fantasma do passado. Mas para Lynx ter morrido por essa pessoa, significa que a amava muito.
-Antes dessa pessoa nunca achei que fosse capaz de amar alguém. - Lynx continuou. Alec não queria ouvir, mas não era como se pudesse mandar ele calar a boca. -Mas ela me mostrou que eu era, e ainda sou.
Ao dizer a última parte ele se reaproximou, pegou o rosto de Alec entre as mãos e olhou em seus olhos como se fosse capaz de enxergar neles tudo que Alec não conseguia falar.
-Alec, eu...
-Lynx, não...
-Você não me deixar falar não vai mudar o fato de que eu te amo.
Ele disse. Ele falou as tão temíveis palavras. Alec queria se jogar da torre, mas, ao mesmo tempo, não queria sair dali nunca mais. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, mas era como se as palavras lutassem para chegar a superfície só para morrerem em sua língua.
-Eu sei que você acha que é pouco tempo, - ele falou, interpretando errado a hesitação de Alec. - mas eu te amaria mesmo se tivesse te conhecido ontem. Mesmo se tivesse te conhecido cinco minutos atrás.
Alec desistiu de tentar falar. Ele não conseguia pôr em palavras, então se expressou como podia. Com o corpo. Ele agarrou Lynx e o beijou. Como se o mundo fosse acabar, beijou ele como se fosse seu último dia na terra. E Lynx, é claro, retribuiu na mesma intensidade. Para quem tinha ficado setecentos anos sem beijar, ele era muito bom nisso. Alec de sentia tonto e não era por causa do álcool. As mãos de Lynx imediatamente foram de encontro a pele nua de sua cintura, deslizando para cima com os polegares acariciando suas costelas. Alec estremeceu e o puxou para mais perto, com as mãos no pescoço dele, os dedos entrelaçados nos cabelos e alisando a pele macia da nuca. Ele empurrou Alec contra o parapeito, pressionando o corpo contra o dele, a respiração tão ofegante quanto a de Alec. Lynx se afastou um pouco para olhá-lo, acariciando seu rosto com as costas da mão. Os olhos dele realmente eram de gatos, ele nunca havia visto olhos que parecessem brilhar no escuro, mas não de um jeito bizarro. Eram como pontos quentes de luz dourada afastando a escuridão. Lynx segurou seu queixo e o beijou novamente. Alec percorreu as mãos pelos braços, costas e o peito de Lynx como quisera fazer desde que o viu com aquela blusa maldita. Os músculos eram firmes sob suas mãos, e ele só conseguia imaginar como seria tocar nele sem aquela peça chata de roupa no caminho.
-Vamos pra casa. - Alec murmurou contra a boca dele.
-Agora. - Lynx segurou sua mão puxando-o em direção as escadas, mas Alec permaneceu parado.
-Voando é mais rápido.
-Você não gosta de voar.
-Eu não tô nem um pouco preocupado com isso agora. - Alec deu um sorriso malicioso.
Sem dizer nada, Lynx fez um movimento rápido, e quando Alec percebeu suas pernas já não estavam mais no chão. Eles dispararam para o ar, voando sob o céu noturno da Cidade dos Mestiços.
Apesar de ter dito inúmeras vezes que voar deixava ele enjoado, Lynx era muito bom nisso. Fazia instintivamente. Tanto que diversas vezes tinha parado completamente de prestar atenção no caminho para beijar Alec. E ele confiava o suficiente no anjo para não temer que ele fosse bater em algo. Ser beijado em plenos ares era uma coisa que ele única achou que experimentaria, mas a sensação era muito excitante. A náusea e o medo de altura que ele costumava sentir, não estavam presentes dessa vez, havia apenas euforia e liberdade. Como ele nunca tinha percebido o quanto voar era bom?
Lynx voou com ele direto para a sacada do quarto que Alec dormia, entrando no cômodo sem tropeçar e cair dessa vez. Apesar do olhar excitado em seu rosto, ele o colocou na cama com tanto cuidado e carinho que Alec sentiu como se o coração fosse explodir. Lynx começou a recuar e um reflexo de insegurança surgiu em seus olhos, mas Alec o puxou de volta com força, fazendo o anjo se desequilibrar e cair em cima dele. Lynx riu e dessa vez não ficou claro quem beijou quem, no instante seguinte suas bocas estavam uma na outra, as línguas entrelaçadas.
-Alec... - Lynx se afastou um pouco depois de um tempo. Ao ouvir seu tom de voz, Alec recuou um pouco para olhar ele.
-O que foi? - perguntou sem fôlego. -Você... não quer?
-Eu quero! - o desespero dele fez Alec rir.
-Então qual o problema?
-Nada, é só que... - a expressão dele era meio sofrida, uma mistura de tensão e desejo. Sua respiração estava meio elevada, e suas pupilas tão dilatadas que o amarelo de seus olhos eram apenas um anel dourado ao redor da escuridão.
-Tá nervoso? - Alec afastou os cabelos pálidos dele do rosto.
Lynx fez que sim com a cabeça levemente. Alec reprimiu uma risada.
-Cadê toda sua confiança? Não disse que ia me mostrar como suas habilidades eram boas?
-Eu estava falando da luta, mas já devia saber que você pensou outra coisa. - ele sorriu e deu um selinho em Alec. -Você é muito safado.
-Olha quem fala. - Alec sorriu de volta entrelaçando as mãos na nuca dele.
Lynx ficou um pouco sério.
-É fácil ser confiante quando a gente acha que algo não vai realmente acontecer, mas quando você imagina demais uma coisa e ela finalmente acontece...
-Quem é que está pensando demais agora? Nessas horas a gente não pensa, só faz.
Alec empurrou de leve ele para o lado, invertendo suas posições, então o beijou de novo. As mãos de Lynx apertaram sua cintura descendo pelos quadris até as coxas e depois fazendo o caminho de volta para a cintura estreita de Alec, ele parecia gostar muito de ficar com as mãos lá. A fricção de seus corpos estava fazendo Alec ver estrelas através das pálpebras, mas ele achava que as roupas estavam atrapalhando muito. Ele puxou a blusa de Lynx para cima, expondo seu abdômen tatuado e perfeito. Observou a expressão do anjo, a forma como ele estremecia enquanto Alec deslizava as pontas dos dedos em sua pele até beirada da calça. Quando estava prestes a descer um pouco mais a mão, Lynx mordeu o lábio e agarrou seu pulso puxando Alec para cima dele.
Lynx parou de pensar e apenas deixou os próprios instintos agirem. Ele inverteu suas posições de novo, e pressionou Alec na cama. Seus beijos se tornaram mais urgentes e suas mãos mais ousadas. Enquanto ele deixava uma trilha de beijos que iam de seu queixo até o pescoço, algo ocorreu a Alec.
-Você preparou tão bem sua casa pra me receber, mas aposto que não se preparou pra isso.
-Ah, na verdade... - ele se afastou um pouco e olhou meio apreensivo para Alec. Então abriu a gaveta da mesa de cabeceira com o rosto totalmente vermelho. Alec riu alto vendo várias embalagens de camisinha e lubrificante.
-Se você não esperava que isso ia acontecer, porque tem isso aqui? - Alec semicerrou os olhos. Lynx deu de ombros sem graça.
-Como é que vocês dizem... A esperança é a última que morre? - ele disse em tom de dúvida.
-Depois eu que sou safado.
Eles se olharam por um tempo e o tom de piada morreu, quando ele puxou Alec de volta para si.
-Vem cá.
Parecendo ter se livrado de todo nervosismo, ele beijou Alec, lento e sensual. Suas mãos explorando lugares que não tinham explorado ainda, deixando Alec quase desesperado.
Contudo, era como se o universo estivesse conspirando contra eles. Lynx interrompeu as carícias de repente, sentando-se bruscamente na cama, Alec instantaneamente soube que havia algo errado.
-Lynx?!
O anjo segurava a cabeça entre as mãos como se estivesse impedindo que ela se partisse ao mesmo. De repente ele soltou um grito e abriu os olhos, suas íris, outrora amareladas, agora estavam da cor de sangue. Seu rosto estava marcado por veias vermelhas como fogo se espalhando por teias de aranha.
Alec se desesperou.
-Lynx o que está havendo? - Alec se arrastou de joelhos em cima da cama até ele, pegando seu rosto entre as mãos. Ele estava tão quente que queimou suas palmas, mas Alec não se importou, o pânico era maior do que qualquer coisa. Lynx olhou dentro dos olhos dele, aquele olhos em chamas começaram a se fechar lentamente.
-Alexander. - seu nome foi a última coisa que ele disse antes de fechar completamente as pálpebras e tombar para frente, seu corpo flácido caindo contra Alec que o segurou completamente em choque.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top