🏹 Capítulo 3 - Floresta Negra 🐺
Terra alta, floresta negra.
A floresta negra era um território proibido para qualquer ser humano comum, não que fosse proibido por decreto nem nada do tipo, e sim, porque o território causava pavor nos Tuatha Dé Danann, assim, nenhum morador em sã consciência se atrevia a pôr seus pés naquele território.
A floresta em questão era um lugar sombrio e extremamente silencioso, não havia rastro de vida nela, nem mesmo vida animal. O que a tornava uma fonte de histórias sinistras para todo povoado da terra alta.
Apesar de toda história em volta do lugar, ela não deixa de ser fascinante. Com todo silêncio ao seu redor e suas paisagens totalmente assombradas e sinistras. Talvez isso tenha a ver com o clima dela, que
sempre era meio chuvoso, nebuloso e com pouca neve em seu solo.
As árvores eram outra visão a parte, nenhuma dava fruto, e seus galhos em sua maioria pareciam ser sem vida.
As sombras escuras e cinzentas misturadas pelas tonalidades de marrons e verdes da florestas causam uma sensação macabra de isolamento nas noites negras do lugar, por isso, ela foi batizada a centenas de anos atrás como floresta negra, ou noite negra. Ou para muitos simplesmente como aquele território que ninguém deve pisar.
E apesar de vários anos sem nenhum ser vivo em seu território, a floresta negra, por fim, teve uma companhia.
Um lobo, solitário, faminto e ferido caminhava a passos lentos pela imensa e fria floresta, ele não pertencia a terra altas, e tão pouco aquele lugar. Porém, por mais estranho que possa parecer, a floresta e seus mistérios não assombravam aquele lobo em questão.
A cada passo que o lobo dava, ele engolia silenciosamente um uivo de dor. Uma rápida olhadela para suas patas, foi o suficiente para ele se dar conta dos rastros de seu sangue que deixava uma mancha vermelha no solo que estava escorregadio pela neve.
A imagem para quem olhava de fora, até poderia ser exótica. Era como diversos pontos vermelhos em um imenso tapete branco.
Um lobo solitário, uma floresta solitária, ambos tinham muito em comum, todos os evitavam.
Em um certo momento, o corpo do lobo. Apesar de toda sua pelagem, que era sua proteção natural contra o frio, foi sucumbido por tremores e por uma gama de dores insuportáveis.
O lobo não sabia afirmar para si mesmo o que era pior em sua atual circunstâncias: a fome, a dor, ou imenso medo. No caso, esse último, era a verdadeira razão pela qual ele sentia-se extremamente humilhado consigo mesmo naqueles últimos dias.
O medo.
E aquele medo, ao que parecia, estava interferindo em sua saúde e com isso, retardado sua recuperação.
Seu corpo, que era feito para ter uma rápida recuperação, estava falhando de forma miserável naquele instante. E a culpa era totalmente dele. Pensava Brígido com um suspiro.
O ômega de cor prata, deu mais alguns passos com certa dificuldade até uma imensa árvore e se encolheu encostado nela, numa vaga tentativa de expulsar de seu corpo a dor e todo mal que estava sentindo. Para Brígido, pior do que sua dor física, era o gosto amargo do fracasso.
Não existe nada pior do que a certeza de falhar consigo mesmo. No fim das contas, até superamos quando decepcionamos alguém, mas quando a falha é pessoal, ela dói mais, e como um dano irreparável.
Assim ele estava naquele momento, era como se toda vida tivesse sido baseada numa falsa ilusão criada por si mesmo. Em quem poderia culpá-lo? Nasceu ômega numa sociedade em que sua voz não era ouvida, nem mesmo por aqueles que o devia amá-lo e protegê-lo acima de qualquer coisa.
Mas infelizmente a realidade não foi essa. Sua realidade foi nascer filho do chefe da alcateia. Do alfa que acreditava que o único lugar de direito de um ômega era na cama de um alfa.
Assim, Brígido não tinha muita oportunidade para aprender, não por vontade própria, mas sim porque todo o papel que representava sua vida foi destinado a ele desde cedo.
Abaixar a cabeça quando um alfa falasse, cuida da casa, cuida do alfa, cozinha, se o último a comer, nunca, jamais, em nenhuma hipótese questionar o alfa. E por fim, casar e ter diversos filhotes. Esse era o papel da vida de um ômega, isso que Brígido aprendeu durante seus poucos anos de vida.
No começo, ele até tentou ser rebelde e ir contra tudo e todos, mas com o tempo, ele aprendeu por conta própria que toda desobediência leva à consequência. E assim, ele calou-se e aceitou que veio naquele mundo como propriedade de todos, menos de si mesmo, uma vez que seu destino não o pertencia.
Ele dizia pra si mesmo, eles podem roubar minha vida, mas existia algo que eles não conseguiam roubar do ômega: seus sonhos.
Seus sonhos era tudo o que restava para o lobo: sonhar. Era o resultado de seus devaneios que o faziam se sentir um fracasso naquele momento. Uma vez, que durante toda sua vida, ele teve o sonho secreto de fugir.
Quantas e quantas vezes ele dormia com essa vontade, recriando diversos cenários desse acontecimento, em sua maioria, ele se imaginava correndo da sua alcateia de encontro a uma vida feliz e solitária na montanha.
Uma pena a realidade ser um pouco diferente, pensou Brígido no meio de um uivo de dor. Sua fuga não foi como em seus sonhos, ela se deu através de uma tragédia.
Na noite em que ele recusou seu alfa diante de todas as alcateias. A recusa gerou a ira do seu pai, que não tardou a levar o filho para dentro da casa e surrar o mesmo até à exaustão. A pior parte veio no dia seguinte.
Quando Wisconsin entregou o filho como uma mercadoria qualquer nas mãos de Koda, seu prometido. Brígido estava todo roxo devido aos hematomas causados pela surra, e mesmo assim, ele jamais poderia esquecer os olhos do pai ao entregá-lo como se ele não passasse de um objeto sem valor, com frieza, sem emoção.
— Ele é seu! Faça com o mesmo o que quiser. — Essa foi a última palavra que ouviu de seu pai.
Koda puxou seu braço machucado com brutalidade, agradeceu Wisconsin e saiu levado Brígido consigo. O ômega nem mesmo conseguiu olhar para o seu lar uma última vez, e não tinha nem motivo para isso, não existia laços de amor ali, ninguém o amava o suficiente para lutar por ele, então sua única opção era seguir seu destino.
A viagem até a alcateia de Koda foi feita no mais absoluto silêncio, uma vez que o ômega não tinha vontade nenhuma de expressar sua reação.
Koda era um alfa extremamente lindo e egocêntrico, sua pelagem negra e seu porte poderoso causavam pavor no ômega. Brígido não fazia ideia do que esperava naquela nova vida. Mas ele descobriu rapidamente, assim que cruzou a alcateia de Koda.
O alfa não fez nenhuma questão de esconder o quanto também estava ofendido pela recusa de Brígido em casar-se com ele. Sendo assim, não demorou a castigar o mesmo e a impor sua força diante do ômega.
Brígido sofreu por três dias naquele inferno, a gota d'água veio no seu casamento. Koda fez uma festa digna do futuro líder da alcateia, todos estavam presentes, no ritual que se seguiu o casamento, nada foi perguntado a Brígido, ele estava ali somente para acatar ordens.
Mas na noite de núpcias foi diferente.
Enquanto Koda carregava um sorriso perverso em seu rosto, Brígido só sabia sentir medo. Durante a cerimônia, Koda o arrastou diante de todos para o leitor nupcial.
O ômega não era inocente, ele sabia o que ia vi a seguir, já tinha ouvido vários relatos de outros ômegas na mesma situação, a pior parte, é que Brígido, percebia que com o tempo, aqueles ômegas passava aceita aquele tipo de tratamento bruto e amar seus parceiros violentos.
Foi naquele momento que uma força que Brígido não sabia da onde vinha se apossou dele. Fazendo com que ele prometesse para si mesmo que não ia ser usado por aquele alfa.
E assim que Koda o jogou na cama, Brígido não deu nem tempo para ele agir e lutou, se transformou em lobo e entrou em briga corporal com o companheiro que também não demorou a transformasse.
O ômega não tinha muitas chances, uma vez que o alfa, que agora era seu marido, estava babando de raiva e ficava suas presas por todo corpo lupino de Brígido.
O ômega em determinado momento já estava cansado e muito machucado, sua patas direita era prova disso, pois estava sagrado devido ao ataque , mesmo assim, Brígido não desistiu. Ele fechou os olhos e ficou paralisado.
Ao notar a posição de derrota de seu ômega, Koda pensou que havia ganhado a batalha, com um sorriso perverso, prometeu para si mesmo que Brígido ia pagar por ofendê-lo novamente. Assim ele voltou a sua forma humana, e aquele foi o pior erro de Koda.
Pois na forma animal, Brígido não teria nenhuma chance com Koda, mas o alfa em sua forma humana dava uma certa vantagem ao lobo ômega, mesmo que fosse uma vantagem pequena, era somente daquela pequena fagulha de esperança que Brígido precisava.
E o ômega usou sua única chance com precisão, Koda nem mesmo teve a chance de avaliar seu erro, pois assim que ele virou humano, Brígido que estava paralisado, abriu seus olhos lupino rapidamente e sem nenhum aviso, pulou em cima de Koda e ficou suas presa no pescoço do mesmo.
Koda, com os dentes afiados de seu ômega em sua mandíbula humana não conseguia expressar som, e Brígido era uma fera selvagem, era como se todos seus anos de humilhação estivesse sendo descontados naquele momento.
Koda não conseguia nem lutar, até que a inconsciência começou a tomar conta de si, seu último pensamento antes de apagar era que Brígido o surpreendia de forma impossível, e que de alguma maneira, ele jamais desistiria daquele Ômega.
Assim que Brígido notou que Koda estava desmaiado e com o pescoço sangrando muito, ele afastou-se um pouco para observar o que havia feito. O pescoço do alfa estava com a carne exposta, e Brígido não sabia dizer se ele iria resistir aquele ferimento, uma vez que estava em sua forma humana.
Seu corpo lupino estava tremendo pela adrenalina do momento, aquela era sua grande chance, seu caminho estava livre, e nada o impedia de seguir seu próprio destino agora. Saiu correndo dali sem olhar para trás, tudo o que ele tinha pela frente era uma promessa interna de um futuro incerto.
Entretanto, mais uma vez ele foi ingênuo, pois assim que notaram sua fuga e seu crime cometido contra seu companheiro. Brígido passou a ser caçado por toda Ossory. Não havia nenhum lugar onde ele pudesse se esconder, não havia nenhum lar para si, o cansaço, a fuga e seus ferimentos só parecia piorar com o passar do tempo. Foi quando ele se deu conta que ali não era mais seu lugar.
Ele tinha que lutar por si mesmo, pois não havia ninguém que o fizesse por ele, foi pensando nisso, que a única solução que ele encontrou, foi fugir para terras altas. O território dos humanos, ali, nenhum lobo atreveria o procurar, até porque, eles iriam da a morte do ômega como certa, uma vez que todos os relatos afirmam que nenhum lobo cruzou aquela fronteira para voltar vivo.
Em sua mente, ele arquitetou um plano perfeito: chega nos lar dos humanos, fica escondido até sua recuperação e depois se transforma em sua forma humana.
Assim, nenhum deles saberia que Brígido era um lobo. Em sua mente, aquele era um plano perfeito. Viver entre os humanos como um deles. Livre.
Mas não foi bem isso que aconteceu…
O ômega mal teve tempo de cruzar as terras humanas, pois assim que colocou suas patas nela, um som estridente anunciou sua chegada, e se ele achava que sua fuga em Ossory havia terminado, iria descobriu naquele instante que ela estava apenas começando no território humano.
Levou dois dias de fuga até ele encontrar aquela floresta. Não demorou a perceber que os homens que o caçavam com fervor ficaram paralisado ao ver o lobo se embrenhar na mata.
Brígido pensou o que havia ali que tanto apavorava os humanos que o estavam caçando? O lugar não tinha nenhuma ameaça, a floresta só era extremamente silenciosa e sem vida. Mas Brígido se sentiu em casa, porque de certo modo, estava como aquela floresta, fria e sem vida.
Por isso ele sentia-se humilhado, pois não teve forças para cuidar de si mesmo, todos sempre estiveram certo, seu lugar era abaixar a cabeça e aceita tudo, se ele tivesse feito isso, quem sabe, agora estivesse com seu companheiro, ele já havia suportado tantas crueldade da sua família, porque ele não poderia ter suportado de Koda também?
O fato era, que de um jeito ou de outro, ele iria morrer, sendo nas mãos de seu pai, de Koda, dos humanos e até mesmo agora sozinho. Porque de fato ele nunca teve uma chance. Seu destino foi sempre aquele, a morte. Por isso o sabor da derrota era grande em sua boca. Não tinha nada pior que saber que o único propósito de sua vida era ser humilhado.
Ali, encolhido naquela árvore, ele sentiu quando uma flecha de prata cortou o silêncio da floresta e caiu do lado dele. Ao que parecia, ele não estava mais sozinho, e de certa forma, morrer já não lhe causava mais medo, e sim, um certo alívio.
Com esse pensamento em mente, ele encarou seu caçador que entrava no seu campo de visão. Enquanto o humano diante de si preparar a flecha mortal que tiraria sua vida, Brígido cerrou seus olhos, votou a sua forma humana para facilitar sua morte e aceitou de bom grado seu destino.
Olá meus bruxisticas, ainda tem alguém aí? Tirei um ano sabático, mas senti muita saudades de vocês, sempre que possível dava notícias no grupo de WhatsApp, passei para avisar que voltei, que estou bem, e pedir desculpas pelo meu sumiço. Precisava de um tempo afastada de tudo. Mas agora estou de volta e com muitas novidades.
Sim, irei continuar essa obra e do deserto. Por outro lado, também devo avisar que irei tirar o inverno e outono da plataforma em maio, ambas estão em revisão para a Amazon. Então quem curte elas aproveitem pois tem um mês delas ainda aqui.
Um grande abraço dessa bruxinha e bom demais estar de volta.
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