04. Paranauê Erótico
A GENTE SÓ ENTENDE CERTAS COISAS SENTINDO NA PELE.
Sonhamos com muitas coisas quando somos jovens. Uma delas é com o primeiro emprego, de preferência fantástico, com uma ótima remuneração, um patrão gente fina e um reconhecimento gradativo. Mas só quem já saiu distribuindo currículo de porta em porta sabe o quanto é difícil encontrar um primeiro emprego razoavelmente bom, quiçá um primeiro emprego fantástico. Um ano atrás eu nunca imaginei que diria isso, mas hoje eu digo sem peso na consciência que prefiro morrer virgem se a primeira relação amorosa for tão traumatizante quanto está sendo a minha experiência com meu primeiro emprego.
Nenhuma sociedade se sustenta sem a classe trabalhadora. Peguei ranço dessa afirmação depois que aceitei a proposta de emprego oferecida pelo proprietário do Caraminholas, o maior e mais sofisticado salão de festas da cidade. Fica a pergunta: Onde eu estava com a cabeça quando pensei que dar vida à fantasia da mascote de um Buffet Infantil seria uma boa ideia?
Sei que nada tenho a ganhar pensando tão negativamente. Pode não ser aquilo que sonhei para mim, mas esse primeiro emprego pode me servir de base para todos os outros que virão depois, sobretudo porque é de baixo que se começa a subir na vida. Não importa se seja com um rolo de pão na mão, uma sacola para empacotar, uma prateleira para arrumar, um tênis para vender, uma fantasia para vestir... O primeiro emprego serve para entender que a realidade não é tão simples e rápida. E que degraus precisam ser escalados para alcançar o topo. Logicamente é desmotivador querer ser uma coisa e se ver em outra, mas ninguém jamais será maior do que sonha sem entender as coisas pequenas.
Eram quatro horas da tarde quando terminamos de espalhar os cartazes do bazar solidário pelos pontos da cidade. Quando Guto me deixou na portaria do Graville meus ombros estavam dolorosamente queimados devido à exposição prolongada ao sol. Cuidadosa que só, tia Carmem preparou suco natural para suprir minha desidratação e aplicou compressas molhadas sobre o meu corpo para ajudar a baixar a temperatura da região lesionada. Seus esforços infelizmente não foram suficientes para suprimir totalmente a ardência da minha pele.
— O que acha de telefonarmos para o Vladmir e informar a ele que você está indisposta para comparecer ao trabalho hoje?
— Sem cogitação, tia. O que será do Caraminholas Buffet Infantil sem a ilustre presença de sua mascote oficial? O Vlad surta se eu fizer isso.
Morangotango. Era esse o nome da personagem que meu patrão criou para encantar as crianças durante as festas de aniversário realizadas no Caraminholas. Meu salário, que já não era muito, não pagava tamanha vergonha de dar vida a essa monstrenga. Sem brincadeira, eu acho que a mulher contratada para costurar a fantasia da mascote devia ser bem cegueta ou odiar crianças, pois não aplicou nada de cores, sorrisinhos e encantos. Morangotango era tão bisonha que parecia ter saído de um filme do Tim Burton.
— Sua pele, pombinha. Você precisa cuidar dessa vermelhidão.
— Eu sei. Mas não posso faltar hoje. Prometi que eu ia.
Era o relacionamento de cumplicidade que me fazia ter forte ligação com meu patrão, fazendo com que eu me agarrasse a esse emprego como se não existissem outras opções melhores no mundo. Antes de conhecê-lo eu nunca imaginei que patrões pudessem ser tão incrivelmente humanos. Vladmir Belinello Junior — Vlad para os mais íntimos — nada tinha a ver com aquele tipo de patrão sisudo, capaz de negar aos pobres funcionários um singelo elogio ou um "até amanhã" no final do expediente. Não, Vlad era diferente. Era aquele tipo de patrão em extinção, do tipo camarada, do tipo parça, do tipo disposto a ouvir um desabafo, a dar um conselho, a ajudar um funcionário no que der e vier em um momento de dificuldade. Claro que não era todas as vezes que ele cumprimentava ou agradecia alguém com beijos e abraços. Contudo, ele nunca deixou de sorrir e terminar uma conversa com um "tamo junto", gíria que se tornou sua marca registrada. Eu não tenho certeza se este é um pensamento correto de se ter, mas se eu pudesse escolher um pai para mim, eu o escolheria sem pensar duas vezes.
Faltava pouco para escurecer lá fora quando tia Carmem terminou de passar hidratante nas minhas costas pela última vez. Arrumei-me em tempo recorde e liguei para Guto vir me buscar. Eu já estava de saída quando uma chamada ascendeu na tela do meu aparelho celular. Era Vlad.
"Oi, Vlad, pode falar."
"Tenho uma ótima notícia pra você."
"Sério? Qual?"
"Advinha?"
"Fala."
"Você acabou de ganhar uma folga surpresa. A festa de aniversário de hoje foi cancelada."
"Tá brincando!"
"Não tô. Acabaram de cancelar."
"Poxa, Vlad. Onde que isso é uma notícia boa?"
"Pra mim não. Mas pra você é."
"Verdade. Eu não estava mesmo muito a fim de trampar hoje. Andei no sol o dia todo. Fiquei com as costas tudo queimada."
"Aproveite para descansar."
"Vou fazer isso. E você também. Faça o mesmo."
"Estou pensando em desfrutar dessa sexta-feira de folga enchendo a cara com os meus parças. Faz tempo que não isso."
"Você não acha que pega mal para um homem como você chapar com os amigos quando se tem uma esposa esperando em casa?"
"Não acho."
"Aff, Vlad. Só você mesmo! Vem cá, o que aconteceu para cancelarem uma festa assim do nada?"
"Coronavirus. Os avós do aniversariante estão internados com suspeita da doença."
"Minha nossa! Isso é... bem trágico."
"Né. Mas enfim... descansa bastante hoje. E cuida dessas costas. Amanhã temos duas festas marcadas, uma de dia e outra à noite. Festa de gente top. Vou precisar da Morangotango em sua melhor forma."
Revirei os olhos.
"Uhull, deixa comigo!"
"Não esquece que um dia vamos transformar nossa adorável macaquita na próxima Peppa Pig da humanidade. Guarde essas doze letrinhas!"
"Opa. Tá guardado. Bom, foi só pra isso que você me ligou?"
"Tem mais uma coisa. Em off, no caso."
"O que?"
"Por acaso você sabe me dizer se a gordelícia vai estar na chopperia da Rua Barão hoje à noite?"
"Gordelícia? Você está falando da Francine?"
"É. De quem mais seria?"
"Vladmir Belinello Junior! Você não tem vergonha? Olha a sua idade! E outra, você é um homem casado!"
"E daí? Tenho uma esposa que é uma mocreia azeda, igual à mãe dela."
"Não fale assim da sua esposa. A dona Amora com certeza tem os motivos dela para pegar tanto no seu pé."
"Ela me odeia, simples assim. E eu a odeio por isso. Nosso casamento virou um pesadelo interminável."
"Tá, mas isso não te dá o direito de correr atrás das novinhas. Principalmente de uma amiga minha."
"Pô, gatinha, o quê custa me responder? A loira vai ou não vai à choperia hoje?"
"Não sei. E se soubesse também não diria. Aliás, pare de arrastar asa para a Fran, tá. Ela tem idade para ser sua filha. Isso é asqueroso. Tchau, vou desligar. Se cuida. Até amanhã."
Ler um bom livro foi à forma que eu decidi desfrutar daquela folga surpresa. Durante umas duas horas eu fiquei confinada no meu quarto, lendo, enquanto tia Carmem preparava nosso jantar na cozinha. Meu quarto seguia as características do restante dos ambientes do apartamento. Era um aposento composto por um amontoado de velharias herdada da minha falecida avó. O único elemento diferente eram as borboletas florescentes espalhadas por toda a parede, que se transformavam em fadinhas durante a noite, mas só para quem tivesse olhos para isso. Os eletroeletrônicos seguiam os mesmos padrões dos móveis, o que aumentava a sensação de congelamento temporal. Nada de mp3 player, streaming ou funções smart... Meu aparelho de som, pasmem, era um toca discos com estrutura feita de madeira.
E era nesse cacareco de vinte quilos que eu colocava para tocar os covers que meu namorado fazia de suas bandas favoritas, gravações caseiras feitas em fitas-k7. Guto me mostrou uma vez sua coleção completa. Chutando alto, devia ter umas duzentas fitas, perfeitamente numeradas e intituladas com o nome de cada canção. Era recorrente eu trazer algumas para o apartamento, pois me agradava ouvir a voz dele. Além de manter meu espírito incrivelmente calmo, me fazia imaginar as coisas mais esplendidas e maravilhosas.
Quando cansei de ler, pus uma fita para tocar um pouco. Era o meu cover favorito de todos. Eu Quero Sempre Mais, da Banda Ira.
Eu estava na maior vibe ouvindo e cantando junto quando o rosto rechonchudo de Fran acendeu na tela do meu aparelho celular.
"Oi, Fran. Qual é a boa?"
"Vick do céu! Você está muito ocupada para falar comigo?"
"Nem um pouco. Tô em casa. Vlad me deu uma folguinha."
Ouvi um bufar pesado no outro lado da linha.
"Fran, cê tá bem? Aconteceu alguma coisa?"
"Abaixa que é tiro, amiga."
"Como?"
"Acabei de receber um áudio do Carlito e tipo... Oh, my God! Como posso começar? Bom, você conhece aquele ditado pimenta nos olhos dos outros é refresco?"
"Pode crer que eu conheço esse ditado."
"Então, sinto em dizer, mas tem um bocado de gente tomando um gole desse refresco nesse exato momento."
"Do que você está falando?"
"Espero que você esteja sentada, porque você vai ter um troço quando eu revelar quem é a pimenta da vez."
"Tem como você parar com isso? Você está me assustando, de verdade."
"Tudo bem. Sabe aquele app, Banheira de Segredos?"
"Você está se referindo ao aplicativo de flagrantes amadores que fez a cabeça do Carlito?"
"Exatamente!"
"Tá, eu sei o que se trata. E daí?"
"E daí que se eu fosse você acessaria ele agora. Acabaram de publicar um negócio lá que é do seu interesse."
"Eu não curto essas coisas, Fran. Você sabe!"
"Eu sei. Mas é um flagrante que você precisa assistir."
"Sério? Quem foi a vítima da vez?"
"Não posso explicar simplesmente como e quem são os envolvidos. Pois certamente você não acreditaria em mim. Desculpa por isso, Vick, mas eu prefiro que você veja com seus próprios olhos."
"Ah, não, Fran..."
"Eu volto a te ligar mais tarde."
"Fran..."
"Tchau, tchau."
Não vou mentir. Fiquei curiosa para descobrir o que de tão bombástico havia sido postado no tal Banheira de Segredos. Mas eu não tinha baixado o aplicativo ainda, portanto precisei fazer o download primeiro e isso demoraria uma eternidade se dependesse da velocidade da minha internet.
Enquanto o download carregava lentamente, fui invadida por uma recordação nada boa que ocorreu durante um carnaval que passou. Fran e eu frequentava a pastoral da juventude para jovens católicos naquela época. Foi lá onde conhecemos Miguela Baroni, uma garota da mesma idade que a gente, de pele albina e cabelos claros como algodão. Era astuta essa menina. O que faltava nela de pigmento sobrava de veneno neurotóxico. Na frente dos adultos se passava por defensora dos valores éticos e morais, mas por trás pintava e bordava mais que todo mundo. No entanto, a farra durou pouco para ela, pois sua reputação foi terrivelmente arruinada depois de ser flagrada e exposta na internet por um aplicativo de flagrantes.
Foi um escândalo. Não teve quem não se espantou com o vídeo dela, filmada na calada da noite com três soldados do Tiro de Guerra, fazendo todo tipo de safadeza que não se é permitida fazer no interior da guarita do quartel. O vídeo revelador que envolveu até a polícia ficou conhecido como "Suruba dos Periquitos" e viralizou numa velocidade impressionante. Evidentemente o incidente gerou discussões sérias, sobretudo porque Miguela era menor idade ainda e um dos soldados envolvidos estava noivo da melhor amiga dela. Pois é, além de fingida, Miguela também era uma ladra de macho de quinta categoria, daquelas capazes de furar o olho da própria amiga. Não sei com detalhes como esse embaraço terminou, mas dizem os boatos que a conservadora família Baroni sumiu no mundo quando não suportou mais tanta exposição na internet. Desde então o paradeiro de Miguela tornou-se um grande ponto de interrogação. Não que isso seja algo ruim. Pois dela ninguém sente a mínima falta.
Tia Carmem surgiu na porta do meu quarto quando faltavam vinte segundos para concluir o download do app.
— O que você está fazendo, Maria Victória?
Se eu contasse a ela a verdade provavelmente levaria uma baita bronca, pois baixar aquele tipo de conteúdo no celular era uma verdadeira decepção, pois quebrava todas as regras para não se tornar um tesouro de porcaria.
— Estou vendo as ofertas de livros da Amazon, tia.
— Você não me ouviu te chamando para jantar?
— Não ouvi. Desculpa.
— Sei. Esquece um pouco esse celular e venha logo. Não fiquei uma hora preparando tapiocas deliciosas para serem degustadas frias.
— Tá bom. Tô indo já!
Permaneci sozinha no quarto por mais alguns instantes. Apareceu na tela do aparelho celular que o download estava concluído. Quando toquei a ponta do dedo sobre o ícone do aplicativo a tela apagou-se numa negritude completa.
Então pluguei o cabo do carregador no aparelho e deixei ali carregando sobre a penteadeira.
— Brincadeira, viu! Isso lá é hora da bateria acabar?
Em seguida fui para a cozinha e me sentei à mesa. Como de costume, primeiro agradeci ao Pai pela refeição e então comecei a me servir.
— Quem estava falando com você no celular, Maria Victória?
As mãos de tia Carmem estavam trêmulas segurando os talheres. Já fazia tempo que ela vinha tendo esses tiques. Mas era muito injusto julgá-la por isso, pois seus distúrbios eram resultados de muitos anos de solidão, remédios e terapia psiquiátrica.
— O Guto — respondi.
Ela arqueou uma sobrancelha em demonstração de dúvida.
— O Guto?
— Sim.
Eu não podia mencionar o nome de Fran simplesmente porque a implicância de tia Carmem com meus amigos era quase doentia.
— Pombinha, mastigue devagar. Respeite a função dos dentes.
Ajudei tia Carmem a lavar a louça quando terminamos de jantar. Nessa hora, notei que atrás dos óculos dela se escondiam duas órbitas vazias.
— É impressão minha ou a senhora está um pouco dopada além da conta?
— Doutor Asthur aumentou a dose dos meus psicotrópicos.
— De novo?
— Estou vivendo o que os médicos chamam de processo de adaptação.
— Aff. Esse homem ainda vai te deixar totalmente pancada das ideias.
— Não fale assim, pombinha. Dr. Asthur é uma ótima pessoa. E um excelente profissional.
— Não acho. É sério, a senhora devia trocar de psiquiatra urgentemente. Procurar alguém mais renomado. Ninguém nessa cidade leva o Dr. Asthur mais a sério. Ele é totalmente maluco.
— Nem se eu quisesse trocar eu poderia fazer isso. Você sabe. Dr. Asthur é o único psiquiatra que atende pelo nosso convênio médico. Mas agora chega de falar disso. Quero te contar uma coisa que pode ser de seu interesse.
— O que?
— Hoje abriu uma vaga na caravana do Papa Domingos. Ou seja, se você quiser ir conhecer o nosso novo papa ainda dá tempo de você ir.
— Alguém desistiu de ir?
— Sim. Eli, o secretário da cultura. Desistiu de ir por motivo de doença.
— Coronavirus?
— Não se sabe. Ele está hospitalizado com síndrome de Guillain-Barré.
— Não sei o que é, mas me pareceu grave.
— Bastante. É uma doença autoimune, como a vitiligo, só que muito mais grave. Estamos todos rezando por ele. Bom, eu estava pensando aqui comigo. Seria uma benção se você ocupasse essa vaga na caravana. O que acha?
— Eu?
— Sim.
— Acompanhar a senhora em uma excursão religiosa para pessoas da terceira idade?
— Poxa, pombinha, não fale assim. Vai ser tão divertido. Mandamos até confeccionar camisetas personalizadas su-per-des-co-la-das. E você só vai ganhar uma se topar ir com a gente.
— Sinto muito, mas não vai rolar.
— Maria Victória...
— Não. Sem chances. E nem pense em me obrigar. Já fiz dezoito anos. Agora posso decidir o que quero ou não fazer.
— Por favor, pense com carinho...
— Já pensei e me recuso completamente.
Tia Carmem, embora contrariada, se deu por vencida.
— Tudo bem. Mas espero que não esteja recusando para ficar vadiando durante a minha ausência junto àquele seu amigo extraordinariamente gay e sua amiga inacreditavelmente pervertida.
— Eu já sou bem crescidinha, tia. Já passou da hora de sair da gaiola um pouco para ver o que a vida oferece. E outra, são meus amigos. É normal que eu queira estar junto deles sempre.
— Não, senhorita! Você está careca de saber que não aprovo de forma alguma a amizade entre vocês.
— A senhora permitiu.
— Permiti, mas não aprovo.
— Ah, é? Nossa, que pena. Porque uma amizade pura e verdadeira é um tesouro de virtudes na vida de qualquer pessoa.
— As más companhias corrompem os bons costumes, Maria Victória. Primeiro Coríntios, capítulo quinze, versículo trinta e três.
— Por Deus, o que a senhora tem contra eles?
— Uma voz no meu coração diz que aquelas raízes encardidas ainda arrastarão você para o mau caminho.
— Mau caminho é uma expressão subjetiva. O que é sinônimo de mau caminho para senhora talvez não seja para mim.
— Pare de relativizar as coisas que eu falo para você, Maria Victória.
— Não estou relativizando nada. Eu só não entendo essa implicância com os meus amigos. A senhora mesma diz que todos nós somos filhos de Deus. Acredito que os extraordinariamente gays e as inacreditavelmente pervertidas fazem parte do pacote. Estou certa ou errada?
O semblante dela permaneceu duro.
— Você está certa. Mas fique você ciente de que está desperdiçando uma experiência única. A visita do nosso primeiro Papa afrodescendente ao Brasil será um grande acontecimento, uma bênção sem medida. Agora vá desfrutar da sua noite de folga. Eu termino a louça.
De volta ao quarto, apanhei o celular sobre a penteadeira e cliquei na postagem mais recente do Banheira de Segredos. Meus ossos se arrepiaram todos quando abriu na tela um vídeo com o curioso título:
Paranauê Erótico.
Um grito de horror escapuliu da minha garganta segundos depois do play. Um grito que tinha a forma de um nome. O nome de alguém que antes eu defendia com unhas e dentes e que agora eu descobria que tinha muito, muito a esconder.
❋❋❋
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top