Capítulo - 02
De repente eu sou um viciado,
E você é tudo que eu preciso
Apenas um toque e você
saberá que eu nunca
mais serei a mesma
Camila Cabello - Never Be The Same
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Fran contava sobre a nova garota que ela estava saindo mas minha mente estava longe o bastante do assunto para me lembrar ao menos do nome da felizarda. Ela estava em pé na nossa frente gesticulando e com a animação que ela contava parecia que a Netflix tinha acabado de disponibilizar a segunda temporada de Sex Education.
Sempre ficávamos na praça que era uma rua abaixo da Faculdade, esperando dar a hora de entrar, enquanto isso falávamos de futilidades, na verdade essa foi a forma que a Francine encontrou de ter tempo suficiente para fofocar sobre, bem, tudo. Já que eu e a Anna dividíamos o mesmo apartamento não tínhamos muitos assuntos pra trocar. Francine era bem ocupada com as aulas de teatro dela.
Era quarta-feira, provavelmente não iria bem nas provas e pela primeira vez não me importei tanto.
Há umas duas semanas eu com certeza estaria planejando um milhão de coisas pra fazer com meu ex-namorado amanhã, 11 de Junho. Engraçado como as coisas mudam do nada, hoje a única coisa que eu queria era encontrá-lo novamente, o que me parece impossível, porque o álcool em excesso não deixou eu pegar seu número, o que me deixa cada segundo mais frustrada.
Como fui deixar aquele homem escapar?
Um terço de mim bem sabia que ele não pensava em mim como eu nele, mas o restante sonhava nele sussurrando meu nome. Não sabia se era a carência extrema que eu me encontrava mas só a lembranças de todos seus toques me fazia sentir no céu e seus beijos consequentemente me marcaram.
Me sentia uma garotinha em 2010 sonhando com Justin Bieber e mesmo que fosse impossível, não se negava a ir dormir alguns minutos mais cedo apenas para fantasiar um casamento com o ídolo. MasMas pensando bem, eu era sim uma garotinha tola, mas estamos em 2019, o nome dele é Sam e eu tenho vinte e três anos.
Sabia que tinha que acordar pra realidade, retomar minha vida por que eu não iria o encontrar pedindo um café no CoffeMania ali perto da faculdade, mas essa vida de trouxa com mentalidade de onze anos estava tão boa.
Lembro de quando dançamos abraçados ao som abafado da balada e um sorriso bem idiota brota dos meus lábios enquanto encaro o movimento da rua.
— Preciso lembrar de mandar uma mensagem pros Outlaw Strangers devolveram a Amanda. — Francine diz acompanhando Anna nos risos, eu mesma sorrio com o comentário.
— Desculpe, do que vocês falavam?
— Ah não vêm com essa! Quem imaginava que a pessoa mais desinteressante do mundo, porém famosa, iria deixar minha amiga babando desse jeito? Não sei se fico mais impactada com isso ou com a notícia de que Anna e Willy transaram depois da festa. — Anna cruza os braços emburrada olhando diretamente pra Fran, afinal ela queria que o assunto morresse — Com certeza fico mais impactada com o casal não assumido e que quando estão entre quatro paredes não se odeiam.
— Eu já disse que estava bêbada. — Anna pega o celular, é sempre a única escapatória que ela encontra.
Francine volta a falar continuamente e com muitas poucas pausas sobre a garota, olho no meu relógio e ainda faltava quinze minutos para as aulas começarem. Afinal por que eu sempre venho pra aula trinta minutos mais cedo? Ah, claro, a droga do busão não se adapta aos meus horários.
— Estou pensando seriamente em tentar falar com o Sam pelo Instagram ou algo assim. — Interrompo o assunto das meninas que me encaram quietas.
— E você acha que ele vai lembrar pelo menos do seu nome?
— O que rolou naquele quarto não foi só mais um caso, Fran. — digo um pouco chateada com o comentário e arrependida por ter compartilhado esse pensamento, agora bobo, com ambas, mas sei que ela não faz por mau. — Vocês não viram a forma que ele me tocava, e eu garanto que podia ser mais sentimento do que só desejo.
— Ai Amanda, são homens entende?
— Eu tô dizendo, de verdade. Eu senti, mesmo que não concretamente, mas algo muito parecido com amor à primeira vista. — me sinto desconfortável, não era acostumada a expressar meus sentimentos assim com as pessoas, ainda mais quando não eram levadas a sério até porque todos sabiam que assim como Anastasia Steele eu era uma romântica incurável.
— Eu lhe garanto que pra ele foi apenas uma noite. Não sei como você ainda pode confiar no amor, ele é mentiroso.
— O amor não mente Francine, se nunca experimentou dele não é problema meu mas julgar assim é meio equivocado.
— Oh, não? Se fosse realmente assim com quem você deveria passar o dias dos namorados amanhã?
Isso me fez calar a boca, e me magoou, eu mesma tinha me magoado. Sinceridade sempre foi com a Francine e isso não significava que estávamos brigadas ou algo do tipo, a convivência com ela era de verdade, só para os fortes, eu tinha com ela umas das amizades mais sinceras que já construí.
Diria que fiquei triste com a realidade. Estava claro que eu e Sam jamais cruzaríamos os mesmos caminhos novamente, eu só estava em um momento de carência. Se havia alguma esperança ali ela tinha se afogado, mas foi bom, é melhor mesmo eu seguir com o real que me cerca. Uma coisa eu sempre seria grata a Sam, por ter ocupado uma semana que seria coberta por choros descontrolados por conta de um idiota...
— Ah meu Deus não olhem para a esquerda, de verdade, vão se arrepender por cumprir com seus instintos. — como Anna não pude evitar de, logicamente, olhar para a esquerda.
E porra, mais uma vez Francine estava tremendamente certa.
— Apenas vamos sair daqui e fingir que não vimos. — pedi levantando e pegando minha bolsa já caminhando para a faculdade.
— Não Amanda! Por favor espere! — virei e me obriguei a encarar aquela figura mais uma vez. Evan, com um buquê realmente maravilhoso de flores na mão, rabo entre as pernas e olhos marejados de arrependimento, a primeira coisa que eu pensei foi que alguém poderia de verdade tacar fogo nele. — Olha, me desculpa, talvez eu tenha bebido demais...
— Ah por favor Evan! Volte pra sua casa, dê o buquê para a primeira idosa que ver na rua, tira essa roupa e vá dormir. Vai valer mais a pena do que vir me pedir desculpas.
— Estou te pedindo...
— Dane-se Evan! Eu não estou interessada, eu fiz muito mais por você! Coisas que valem muito mais do que esse maldito buquê!
— Pega essa merda logo Amanda! — me surpreendendo mais uma vez ele empurra o buquê no meu peito tentando me obrigar a pegar. — você não tem mais ninguém, é eu ou ficar sozinha então para com esse drama de merda.
Ainda surpresa eu o olhei nos olhos. — Sou mais eu. — me virando passo a andar em direção a faculdade, engulo seco, confesso que foi um completo baque ver ele falando daquela forma comigo, mais uma vez. Só paro para respirar quando estou na frente da portaria da faculdade.
Respiro o mais fundo que posso, Anna e Fran vêm andando rápido em minha direção. — Ele ainda vai ter que ouvir umas boas minhas!
— Esquece isso. — pedi tentando controlar meu coração, mas como se não fossem motivos de surtos suficientes eu o vejo.
E o mais engraçado é que não estou mais surpresa por ter encontrado ele de novo, mas sim porque ele está justamente no balcão do CoffeMania em frente à minha faculdade. Minhas pernas vacilam fortemente, eu sou uma filha da puta muito sortuda, na moral, só pode ser o destino. O sinal da faculdade alarma.
— Vem vamos entrar logo, boa sorte para vocês e espero que me desejem o mesmo. — Fran puxa meu braço como de costume para entrarmos.
— Esperem, eu vou na cafeteria. — aviso ainda com o olhar fixo em seus cabelos loiros e lisos caindo pelo ombro, e quando vira um pouco o rosto meu sorriso só se alarga. Eu ainda não acreditava que era ele mesmo, me sinto meio anestesiada como se tivesse bebidos shots de tequila a uns dez minutos atrás, prefiro não dizer nada a elas, certamente iriam querer ir comigo e seria catastrófico.
— O quê? Agora?
— Juro que não me atraso, é questão de vida ou morte.
— Só você Amanda, vá logo, afinal o que você tanto quer lá?
Sorrio antes de atravessar a rua e gritar pra ela ouvir. — Preciso comprar um café.
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Um milhão de coisas passa pela minha cabeça antes de passar pela porta de vidro daquela cafeteria, e mais da metade era sobre desistir disso.
A verdade era que eu estava morrendo de medo dele não me reconhecer, mas eu me sentiria menos mau do que pensar pelo resto da minha vida que eu tive a chance de recuperar aquele homem e não o fiz por medo. Meus pés travaram vezes o suficiente para que quando eu entrasse no local eu só visse ele saindo pela outra porta.
Ando o mais rápido que eu posso para alcança-lo, mas ele estava sempre uma esquina de distância de mim, o que era um inferno perder ele cada vez que eu virava a rua.
— Você é uma completa maluca, Amanda. — digo em voz alta tentando destruir o nervosismo, o suor frio descia pelas minhas costas e meu cabelo estava começando a grudar no pescoço, eu sempre fico suada assim quando estou muito nervosa, ainda mais quando estou quase correndo.
Quando viro a esquina mais uma vez, o vejo entregando a bandeja com os copos de isopor para o motorista — que mesmo com os óculos escuros enormes notei ser o vocalista da banda. Ele estava longe o suficiente para entrar no carro e partir sem me notar, então em um ato não pensado eu corro pra alcança-lo. — Se você estiver mentindo pra mim mais uma vez eu juro que desisto da sua existência, amor.
Ele puxa a porta pronto pra entrar. — Sam! Espera!
Meu coração batia como se fosse parar a qualquer momento, faltava fôlego mas só parei quando estava a cinco passos de distância do carro. Ele me encara com o cenho franzido, mas depois sua expressão se suaviza o que faz meu subconsciente gritar um grande "sim".
Ele estava ali, a alguns passos de distância me encarando, e eu tive vontade de sorrir, e dane-se eu fiz isso.
Olho pra janela do carro a minha direita e o vocalista me encara dos pés a cabeça. — Então é essa a garota que o Sam vem implorando para andarmos pela cidade numa tentativa não tão frustrante de encontrá-la? — ele sorri mascando um chiclete. Instantaneamente olho para o Sam que ainda tinha seus olhos no meu, com uma expressão neutra, e isso me deixa um tanto insegura. — Aposto que você quer conversar com ele não é? — O vocalista se pronuncia novamente, levo minha atenção a ele e concordo com a cabeça. — Ótimo entra no carro, deixo vocês no hotel, não se preocupe, vai ter privacidade. — me lança uma piscadela.
Vacilo comigo mesma por um momento, e se ele não quisesse que eu entrasse naquele carro? Quando o olho novamente ele segura a porta pra mim com um sorriso sem-graça. Não dava pra ter vindo até aqui e cagar na cara do destino, juntando os últimos vestígios de segurança que restava em mim entrei no carro.
Seja o que Afrodite quiser, e eu espero que nunca tenha falado mau dela, caso me recorde de alguma situação eu me jogo da janela agora mesmo, melhor não arriscar tanto.
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