Capítulo - 01

Ele está bem,
Ela está quebrada
Não quero isso,
Não preciso dele

Billie Eilish - She's Broken


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— Que merda! Com esse trânsito até a gente chegar lá a balada vai estar lotada e a gente vai acabar ficando de fora, anotem o que eu digo. — Willy que está dirigindo o carro bate a mão no volante irritado.

— Meu Deus você tem demência? A gente tem ingressos, não podem deixar a gente de fora. — Suzanna balança os ingressos bem perto do rosto de Willy fazendo ele se irritar e o resto de nós rir.
— Os ingressos não são limitados ao tanto de pessoas que cabem na boate, gênio.

— Okay casal, acho que vocês já podem parar por hoje. — Francine diz abrindo uma garrafa de cerveja e dando um gole o passando pra mim.

— Não somos um casal. — Anna fala já emburrada com as brincadeiras.

— Não? Ah pois eu shippo. — Fran ri provocando Anna, confesso que não podia julgar ela porque eu também shippava.

— Ei Amanda, e o Evan? — Eno pergunta pra mim tentando pegar a cerveja da minha mão, antes tomo mais um pouco do líquido amargo que eu nem gosto muito e entrego a ele.

— Foi de moto pra levar um amigo dele, bem capaz de estar lá dentro curtindo a música.

— Nem tanto, o show só começa daqui uns quinze minutos. — Francine fala e acende um baseado e eu consequentemente arregalo os olhos e ela e Eno apenas riem.

— Ótimo. E provavelmente só chegaremos lá em trinta. — Willy segue frustrado com o caos que estava a estrada.

— Porra Willy você tá muito chato cara, você tá precisando relaxar, abre mais uma cerveja aí. — Eno e Fran estão dividindo o baseado agora. — Vai Amanda dá uma tragada aí! — Ele me oferece o beck mas apenas recuso com a cabeça, só o cheiro forte me deixou tonta.

— Sabe ela se preocupa com a saúde, a gente não. — Fran solta sua gargalhada escandalosa de sempre.
— Quem liga pra isso mano? — Eno faz questão de soltar a fumaça toda na parte de trás do carro onde eu e as meninas estávamos.

— Os Outlaw Strangers acabaram de publicar um novo stories no Instagram, olha. — Anna que até então não havia falado mais nada, o que só aumentava minhas suspeitas de que ela sentia algo pelo Willy, estende o celular pra gente e nos mostra uma foto dos três integrantes da banda fazendo careta com o palco bem evidente ao fundo — Devem ter acabado de chegar.

— O vocalista é com certeza o mais lindo de todos! — Francine diz mandando um beijinho pra foto no celular da Anna.

— É, eu tenho que concordar. — Digo rindo de Francine fazendo um sinal muito infantil se referindo a sexo com o tão gostosão, vocalista dos Outlaw Strangers.

— Hum deixa eu dar uma olhada. — Eno pede pra ver mais uma vez a foto dele e em seguida faz uma careta. — Sou mais eu.

— Esse é um dos únicos casos em que a grama do vizinho não parece mais verde. — comento batendo com o cotovelo no braço de Francine que estava a minha direita.

— Ainda tenho uma quedinha pelo baterista.

— Com certeza sou mais o vocalista com jeito de bad boy, mas até que ele não está nada mau. Agora uma pergunta, o que sobra pro guitarrista coitado?

— Tadinho Fran! — Certamente o baterista era o menos interessante, tinha o cabelo loiro cumprido até os ombros, tinha a barba um pouco mais longa e várias tatuagens, era o mais baixo de todos, corpo não tão malhado e parecia ter mais idade do que os outros, o que não me importava muito já que estava com Evan, meu namorado e as chances de ter chances com um cara famosos é de 15%, se for isso tudo.

Estava feliz com a festa, além dos Outlaw Strangers terem as melhores músicas, faltava só mais uma semana para as provas do começo de Junho, e isso iria ajudar a me acalmar bastante, afinal era sábado e eu teria a manhã inteira pra dormir a vontade e descansar da ressaca. Contando também que eu não podia perder de jeito nenhum um show deles aqui na minha própria cidade, era muita sorte.

Mas com certeza o principal de tudo era que eu estava precisando mesmo me aproximar novamente de Evan, a gente quase não se fala, ele não atende minhas ligações e nem responde minhas mensagens. Mas tá tudo bem, eu sei que ele está treinando bastante pra impressionar o treinador que está sempre com um pé atrás sobre o empenho dele nas partidas de futebol americano.

Ainda sim sinto sua falta, não saímos mais, nem nos beijamos, quanto mais transamos. Quero o quanto antes ter um tempo com ele e sentir o cheiro do seu perfume tão familiar, dançar e beber com ele ao som ao vivo de Outlaw Strangers é do que a gente precisava.

Com um pouco de persistência finalmente chegamos ao local da festa, demoramos um pouco mais pra encontrar uma vaga no estacionamento. Quando entramos no lugar o som da música mais recente deles alcançam meus ouvidos e em seguida os gritos das meninas.

— Porque você, querida, me beija e me toca de uma forma a mais do que eu realmente preciso! Sempre mais! — Fran, Anna e eu cantamos o refrão de Always More o mais alto que podemos.

— Vamos lá pra frente!
— Espera eu preciso encontrar o Evan. — Tento impedir a Fran de me arrastar.
— Evan pode esperar, e você acha ele no caminho, agora anda! E eu sei eu sempre tenho razão, não precisa me dizer querida. — Fran sorri enquanto nos esquivamos das pessoas e gritamos a letra da música que vai ficando cada vez mais alta.


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A sensação inebriante que as luzes piscantes no palco junto com a melodia suave da voz deles era sem dúvida a melhor coisa que eu sentia há dias. Dançar de olhos fechados e apenas sentir aquela batida atravessar meu corpo era incrível.

A música não era tão animada mas ainda sim eu e as garotas conseguíamos dançar.

Ver eles de perto — vai, por mais que eu não seja uma amante enlouquecida pela banda — era muito divertido. Não sabia muito sobre os integrantes, nem mesmo arriscava dizer o nome deles porque certamente eu iria confundir e misturar tudo. Eu apenas gostava da letra das músicas, eram realmente boas e me davam paz a cada verso dito.

Me faziam pensar em quem as escrevia, em quem conseguia colocar tão bem sentimentos no papel de tal forma. Certamente não poderia ser o vocalista, eu poderia muito bem estar enganada, mas pelas últimas notícias vazadas dele não me parecia que ele era um romântico amável — até porque as letras apenas me passavam isso sobre o compositor.

Minha mente foi ficando cada vez mais longe da música, eu já estava levemente bêbada, o palco para onde minha atenção estava voltada girava e eu só queria sair um pouco da multidão.

— Fran, acho que dessa vez eu vou de verdade.
— Tem certeza? É a última música.
— Tudo bem, não é uma das minhas preferidas mesmo. — ela assentiu, voltou a dançar então eu apenas saí do aglomerado de pessoas e fui procurar um banheiro pra cumprir com minhas necessidades. Agora apenas bandas ou duplas locais que não faziam tanto sucesso iriam cantar dando continuidade a festa, já ouvi uma ou duas músicas deles mas nada que acumule gritinhos estéricos das garotas.

Enquanto olho pelo local pra ver se encontro qualquer porta que dê indício de um banheiro feminino vejo Evan encostado na parede casualmente conversando com uma garota.

Meu Deus! Eu sou de fato uma grande idiota, acabei ficando o show todo na companhia das garotas e bebendo sem nem mesmo procurar ele. Ótimo, a noite que eu planejei já tinha ido pra merda e a culpa era toda minha.

Andei até lá me sentindo uma idiota, mas pro outro lado muito feliz, ver novamente o corpo que tanto me fazia estremecer ao seu toque me deixava alegre. Ando bem devagar esperando fazer uma surpresa pra ele. MeMe aproximo dele pela suas costas e dou um beijo em sua bochecha, a garota me olha incrédula e em seguida, pro Evan.

— Oi meu amor, fiquei com saudade. — olho pra ele que  fecha os olhos, a garota sai sem dizer nenhuma palavra. — Quem era ela? — não pude deixar de perguntar, Evan passa a mão no rosto irritado e se afastando um pouco de mim. Por que ele estava agindo assim? — O que foi? Você está bem? — me aproximo mas ele recua.

— Eu estava Amanda um pouco antes de você chegar. — fala com uma expressão completamente irritada, minha alegria em vê-lo foi se dissipando e formando um grande nó em minha mente.

— Por que você está agindo assim comigo? — Me sinto frágil e desprotegida, minha mente não sabia ao certo o que processar, só conseguia entender que não era coisa boa. Tentei mais uma vez me aproximar e ele me impediu me segurando firme pelos ombros e me olhando nos olhos um pouco relutante.

Eu nunca tinha visto ele dessa forma, e isso despertou um lado inseguro e com medo do que poderia vir. — Eu já devia ter falado isso à você faz um tempo, eu ia mandar uma mensagem mas devo ter esquecido.

— Do que você tá falando? — Falo mais baixo do que devia ter saído.

— Eu não quero mais namorar com você, a gente tem que terminar.

O som da música no fundo se tornou apenas um ruído abafado no fundo e minha cabeça doeu fazendo minhas pernas fraquejar.

— Por que, o que aconteceu pra você estar me dizendo isso Evan? — A ficha ainda não tinha caído, parecia que eu estava sonhando, ou melhor, tendo um pesadelo.

— Não tá mais dando certo, essa distância...

— Não, espera, distância? Que distância? Você sabe que é só me ligar e eu chego lá em instantes. Na hora que você quiser, se vai inventar desculpas por favor!

— Tudo bem, prometemos ser sinceros não é? Eu não quero ficar preso a você, tô cansado de poder tocar e beijar só você, me enganei mas essa vida não é pra mim.

Rio com escárnio. — E você vê isso depois de quatro anos Evan? Você não pode acabar com tudo assim! Eu lutei por isso aqui Evan!

— Lamento, mas não depende só de você. — ele sussurra cansado de mim e simplesmente sai andando, me deixando sozinha, com várias pessoas desocupadas que ouviram nossa conversa fazendo um enorme burburinho envolta de mim.

Então tudo gira novamente, me sinto tonta e encosto na parede antes que eu caia ali. Então tudo que eu consigo ver fica embaçado, eram as lágrimas chegando. Eu apenas tentava as evitar, mas não iria aguentar por muito tempo, a garganta queimava de tanto tentar segurar o choro; e então as lágrimas transbordam.

Eu tentava me fingir forte, relutei o quanto pude, só até ver a Anna e a Fran vindo até mim com o semblante preocupado. Andei até elas de dedos cruzados para não tropeçar com o salto e abracei Anna envergonhada, querendo que seu corpo fosse meu travesseiro.

— Ele acabou com tudo Anna. — Me permiti chorar ali no ombro dela e confiei que elas não iriam me julgar. — Acabou com todos os quatro anos que eu tenho lutado por nós.

— Eu vou matar esse desgraçado! Onde tá o Evan?! — Francine grita uivando de ódio, eu aperto o corpo de Anna pedindo pra ela impedir e como sempre ele entende e me abraça de volta.

— Ela não precisa disso agora, vamos levar ela pra casa, a gente compra sorvete e chocolate no caminho e você dorme com a gente hoje. — Queria agradecer a forma que ela cuida bem de mim e foi tão madura nesse momento, mas eu só conseguia chorar, chorar muito.

— Vou chamar Willy pra levar a gente, ele não vai se importar.
— Eu não quero sorvete, nem chocolate, só quero tomar um banho, deitar e chorar.
— Você vai se sentir melhor depois, eu garanto.
Deixei de lutar antes mesmo de começar. Eu não queria comer, não queria ficar, nem queria acreditar nessa nova realidade que batia na minha cara e jogava muitos baldes de água fria em mim.

Eu sentia meu coração doer, era um grande complexo de amargura e raiva, dor. Eu nunca me imaginei longe do Evan, e ter que lidar com isso assim do nada, me fazia querer morrer.

Eu não conseguia pensar em nada muito bem, a massa de pessoas do local e o som muito alto me deixava confusa.

— A Francine tá demorando tanto, acho que vou atrás dela, você vai ficar bem?

— Sim eu vou. — limpo o rosto das lágrimas — Vou no banheiro lavar o rosto, e volto pra cá. — falo com a voz toda embargada e os olhos inchados.

— Tudo bem, os banheiros ficam lá encima no segundo andar. — avisa e sai em seguida.

Evito que as pessoas vejam meu rosto, meu nariz deve estar vermelho e toda a maquiagem me fazendo uma palhaça quase a mais do que o Evan me fez parecer. Tento limpar o rímel borrado que sinto em baixo dos olhos, mas presumo que deve estar ficando cada vez pior. Consigo alcançar as escadas, o corredor está vazio mais há algumas pessoas andando por ele.

Um desespero enorme fazia parte de mim, eu não queria me ver sem ele. A sensação de viver toda esse mentira por todo esse tempo me fazia ter vontade de nunca ter o conhecido. Onde eu tinha errado? Onde tínhamos nos perdido?

Quando noto já estou no fundo do corredor e o banheiro já devia ter passado. Volto um pouco pra trás e entro na porta mais próxima travando assim que a abro, aquilo não era um banheiro. Tinha algumas luzes coloridos mas o local ainda era escuro.

— Hãn... Está tudo bem? — Só quando ouço uma voz noto que alguém estava no quarto, sentando em uma cadeira na parte direita do quarto virado para uma mesa e algumas folhas encima dela, e não era qualquer alguém.

— Ai meu Deus, você é o guitarrista.

Ele ri, sua voz era suave e gentil. — É, eu sou. Prazer, Sam.

— É claro, Sam é seu nome. — Ri desconfortável, da próxima vez vou pesquisar tudo da vida de uma pessoa antes de ir ao seu show pra evitar tal constrangimento. Nunca se sabe, bem, ao menos eu não sabia.

— E você é...?

— Desculpe-me, sou Amanda, um prazer igualmente. Aqui com certeza não é o banheiro.

— Fica mais pra lá, na porta esquerda, a segunda, aqui é quase um camarim, mas não diga pra ninguém. — Ele lança uma piscadela, se levanta e vem mais pra perto de mim onde consigo vê-lo melhor.

Seus cabelos estavam um pouco mais arrumados do que no palco e o suor da sua testa não estava mais presente.

— É, eu vou indo.

— Você estava chorando?

— Não! Quer dizer, eu estava, mas vou ficar bem.

— Não quer ficar um pouco? — Ele me olhou sugestivo, não parecia estar pensando em sexo, na verdade soou bem dócil. — A gente pode fazer companhia um para o outro, e conversar um pouco se você quiser.

— Bem, eu não vejo problemas, mas não posso ficar muito, eu já vou pra casa...

Entro no quarto — eu estava triste e tudo mais mas não deixaria uma oportunidade dessa passar — e fecho a porta.

— Sempre ouço dizerem que é a essas horas que a festa realmente começa. — Ele aperta minha mão num cumprimento e sorri, seu sorriso era grande fazendo duas lindas covinhas aparecerem e mesmo no escuro posso ver em seus olhos uma cor de mel única. — Senta aí, vou acender mais luzes. — Andamos pro meio da sala e ele puxa uma cadeira pra mim e depois acende outras luzes, o local fica mais aconchegante e menos sensual, confesso.

Quando ele se senta e me olha nos olhos seu sorriso dá uma apagada, qualquer um conseguia ver que eu não estava bem, era estranho estar solteira, estranho sentir atração pelo Sam, e estranho estar sozinha com outro cara que não fosse o Evan.

Ele se inclina sobre suas pernas e me olha profundamente como se lesse meus olhos, congelei e deixei que ele me olhasse, me trazia certa calmaria, eu sabia que ele poderia ser um estuprador ou poderia estar procurando o pulmão de alguma jovem saudável pra vender, não pude evitar, meu coração falava alto agora.

Então ele levou suas mãos até meu rosto, e limpou as novas lágrimas que passaram despercebidas por mim, estava envergonhada, abaixei o olhar imediatamente e comecei a me sentir desconfortável. — Você quer conversar?


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— ...entende? A gente passou por tudo isso com a família dele e do nada ele acaba com tudo. Eu só não entendo o que eu fiz de errado. Eu só quero dormir e acordar numa realidade em que eu ainda tenha ele. — enxugo minhas lágrimas. Sam ouvia tudo tão atentamente, ele deixou eu me expressar, e fez perguntas, me ajudando a descobrir o que eu estava sentindo de verdade.

— Amanda, a culpa não foi sua. — concluiu depois de muito tempo apenas ouvindo.

— Eu não tenho certeza.

— Eu tenho, foi ele quem deixou a chama apagar, ele negligenciou dar atenção a fogueira que estava pedindo por madeira. — deixo o celular de lado e olho em seu rosto, estava mandando uma mensagem para Suzanna que estava desesperada me procurando — Agora me diz uma coisa, com que intenção você veio pra esse show?

— Hum, acho que beber, dançar e beijar muito. — Manuseio o celular na mão um pouco longe do assunto, ele tinha razão, eu fiz tudo que poderia pra esse relacionamento durar, eu não tenho culpa.

— Então não vou deixar você sair daqui enquanto não fizermos tudo isso.

— E um pouco mais se me permite. — ele ri e mordo a língua depois de ter prestado atenção no que eu tinha dito. Ele se levanta e pega uma garrafa de champanhe na pequena geladeira que estava ali e me levanto indo na direção das taças encima de uma mesa ali perto, ele vem até mim deixando a  garrafa encima da mesa.

Seu olhar caramelado me prendeu me queimando por dentro que só me dei conta de que ele tinha me enlaçado pela cintura quando já estava com meus braços ao redor do seu pescoço, sentido com as pontas dos meus dedos o comprimento de seus cabelos. Meu corpo ficou tão extasiado que não sabia com reagir, num momento ele me fazia sentir arrepios de desejos e no outro eu estava sorrindo com o coração aquecido pensando em como ele se parecia muito com o amor da minha vida.

Nossos olhos sempre escorregavam para os lábios um do outro mostrando a ansiedade que cada um tinha pra avançar e alcançar o primeiro beijo da noite, tomei uma atitude e devagar encostei minha boca delicadamente na sua. A maciez da sua boca me fez sentir nas nuvens e quando sua língua encostou na minha, minhas pernas vacilaram com o tamanho do tesão que aquilo criou entre minhas pernas.

Foi como uma explosão, me senti estranhamente gostosa com a forma que seus dedos apertava minha cintura. Aquilo tinha sido melhor do que qualquer coisa que eu esperava. Não estava ali pra superar Evan, estava ali porque a ocasião se fez e eu quis, quero estar com Sam essa noite.

Sua boca deixa a minha e ele leva a mesma até minha orelha dando no caminho um beijo sexy e molhado no meu pescoço, me arrepiei completamente quando sua respiração quente bateu no meu lóbulo. — Agora repete comigo, Amanda: Eu não preciso dele.

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