(🥀) Doces Lembranças
Os gestos lentos e suaves do Príncipe deixavam o Guarda Real ansioso, não sabia o motivo para um nobre como Bang Chan precisar conversar com um mero Guarda Real. Mas ainda assim, aguardou o que o Herdeiro queria lhe dizer. O loiro foi levado para os aposentos do Bang, que lhe serviu uma xícara de chá antes de finalmente se sentar na frente do Lee. O Príncipe tomou um pequeno gole do conteúdo de sua xícara e Felix, acanhado, tentou seguir seu exemplo da melhor maneira possível.
— Ontem à noite, eu o vi saindo do jardim.
Perdendo toda a compostura que o Lee tentou criar perante o Bang, o mais novo sentiu a bebida doce subir para o seu nariz e tossiu algumas vezes. O Príncipe não pareceu se abalar, só esperou pacientemente que o outro se recuperasse do susto. Não podia julgá-lo, qualquer um em sua posição agiria daquela maneira, talvez até mesmo pior, outros poderiam ter se jogado aos seus pés, pedindo por piedade.
— Acalme-se, não irei contar isto ao meu irmão — garantiu, ainda recebendo um olhar assustado do mais novo. — Não é da minha pretensão fazer mais uma tragédia rondar aquele jardim, nem mesmo fazer Hyunjin sentir-se culpado por mais uma fatalidade. Mas teve sorte em ter sido eu a vê-lo e não algum outro guarda.
— Obrigado, Alteza, eu não tive tanto cuidado ontem à noite ao partir.
Bang Chan deu um sorriso singelo, deixando a xícara em cima da mesinha pequena e redonda, estavam sentados próximos à janela. Felix se sentiu um pouco mais confortável ao estar na presença do mais velho, algo dentro de si o dizia que ele era uma pessoa bem intencionada.
— Não sei se irá outras vezes ao jardim, ou se já foi muitas vezes antes, só peço para que seja mais cuidadoso, sabe o perigo que isso representa.
— Sim, eu sei, Alteza, terei mais cuidado de agora em diante.
— Posso estar sendo invasivo, se não quiser me responder, entenderei, mas por que visita Hyunjin?
Felix tomou mais um gole da xícara em suas mãos, pensando em como poderia respondê-lo. Bang Chan parecia ser uma pessoa muito paciente, esperou que o Guarda colocasse seus pensamentos em ordem sem pressioná-lo, mesmo que estivesse demorando.
— Hyunjin é uma pessoa solitária, não consigo imaginar toda a dor que ele já sentiu e ainda deve sentir. Algo dentro de mim anseia por poder ajudá-lo, anseia por fazer-lhe companhia. — Suspirou pensativo e continuou. — Quero o conhecer melhor, também quero o ver livre de alguma forma, mesmo que seja quase impossível.
— Poucas pessoas neste castelo se importam com Hyunjin e deseja vê-lo finalmente livre, já tentei ajudá-lo uma vez, mas depois ele nunca mais quis tentar fugir novamente — contou, parecendo culpado. — Ele teme por seus pais, não sabem onde estão e acha que sua fuga fará mal a eles.
— Sabe onde os pais dele estão, Alteza? — Perguntou, esperançoso.
— Não, meu irmão não confia em mim. Ele sabe que desaprovo e repudio o que ele faz com os Hwang.
— Você acredita que um dia Hyunjin e sua família podem ser livres?
— Jeongin é completamente obcecado por Hyunjin, desde a adolescência, não acho que essa obsessão possa sumir por muito tempo. No entanto, às vezes sua obsessão é direcionada a outra pessoa, alguém que ele acredita ter um acesso mais fácil. Hyunjin é fechado para ele, nunca permitiu nenhuma aproximação, mesmo que Jeongin tentasse forçá-lo, então, quando ele se frustra, procura outra pessoa por um pequeno prazo de tempo.
Felix lembrou-se de seu irmão com o Príncipe mais novo, o medo se espalhou por seu corpo, não queria que algo como aquilo desse fim a sua família, não queria ser vítima de Jeongin.
— Felix, eu só queria agradecê-lo por fazer companhia à Hyunjin, meu irmão não me permite ir visitá-lo há muito tempo, é muito bom saber que agora ele tem uma pessoa bondosa que vai vê-lo. Por isso, tome muito cuidado sempre que precisar entrar ou sair do jardim, não deixe mais pessoas o ver.
— Tomarei mais cuidado a partir de hoje, Alteza.
— Sempre que precisar de algo, pode conversar comigo a partir de hoje, ficarei feliz em ajudá-lo.
— Se não for incômodo, Alteza, pode me ajudar a encontrar os pais de Hyunjin?
Bang Chan o encarou surpreso, ele parou por alguns instantes, ponderando sobre o pedido do guarda.
— Farei o meu melhor para conseguir. Mas, por enquanto, estou de mãos atadas.
Felix sorriu amigavelmente para o Bang, que devolveu o gesto. Talvez, ele fosse o único dos Bang que fazia o juramento de Felix valer à pena, ele parecia ser uma boa pessoa e o Lee o serviria alegremente.
🥀
Quando a noite chegou, Felix se dirigiu ao restaurante de seus pais, onde iriam jantar todos juntos. Os pais dos dois eram gentis, muito carinhosos e respeitosos, era um casal verdadeiramente apaixonado que se uniam até mesmo em seu trabalho. O senhor Lee não era muito alto, tinha cabelo castanho claro e olhos escuros, ele tinha um corpo parcialmente forte, Minho era muito parecido com ele, apesar de ser um pouco mais alto que o Lee mais velho. A mãe dos dois tinha a mesma altura de Felix, seus cabelos tinham a mesma cor que o de seu filho mais novo, os olhos eram igualmente escuros e seu rosto eram cheios de sardas, que eram visíveis até mesmo em seus ombros, Felix era muito parecido com sua mãe.
Eles não se viam como uma "família perfeita", mas se consideravam muito felizes juntos, se mantinham unidos e trabalhavam duro para que pudessem dar um futuro mais próspero uns aos outros.
— Fazia um longo tempo que não nos reuníamos para jantar. — A mãe dos dois comenta com um sorriso no rosto e dramatizou: — O trabalho tem roubado meus filhos de mim.
— Garanto que tentarei voltar mais vezes — Felix garantiu. — As preparações do último baile me deixaram ocupado, mas acredito que agora terei um pouco mais de tempo livre.
A Lee sorriu para o filho mais novo, deixando um carinho leve nos fios loiros do filho.
— Você parecia um pouco ansioso nos últimos dias. Aconteceu alguma coisa no castelo? — O pai de Felix pergunta, preocupado.
— Não aconteceu nada, era só estresse do trabalho.
Minho olhou de soslaio para Felix, desconfiado. Ele esperava pelo momento que o mais novo finalmente iria contar a ele o motivo de ter agido de forma tão estranha na presença do príncipe mais novo. Seu irmão não era uma pessoa leviana, não odiava ou ficava com medo de alguém sem bons motivos.
— Irei para casa. Hoje chegou um lote novo de tecidos e tive que organizar a loja, estou muito cansado — Minho disse, se levantando após terminar de comer. — Bokkie, vem comigo?
Felix sorriu nervoso, sabia que aquilo era somente para adiantar sua conversa com ele. Deu um suspiro baixo e também se levantou.
— Eu vou com você, também estou exausto. Boa noite.
— Descansem bem, queridos — a mãe de ambos respondeu. — Vamos só terminar de arrumar as coisas aqui e também voltaremos para casa.
Felix e Minho saíram do restaurante juntos. A casa da família Lee era próxima do restaurante, então não demoraram para chegar no local. Ficaram em silêncio por todo o trajeto e, quando entraram no quarto que dividiam, Felix finalmente quebrou aquele silêncio.
— Antes de começar a lhe contar, quero pedir que me escute bem, sem me interromper.
— Diga logo de uma vez, Yongbok! — Pediu, sentando-se na cama.
Felix se sentou na cama do mais velho, ficando cara a cara com ele.
— Lembra do motivo pelo qual eu escolhi virar um Guarda Real, não lembra?
— Claro que sim. Foi por causa daquela lenda ridícula que o povo espalha sobre o príncipe.
— E se eu te disser que não é só uma lenda ridícula? — A expressão de Minho mudou drasticamente ao ouvir isso, ficou incrédulo.
— Por favor, Yongbok, não me diga que essa lenda estúpida foi o motivo pelo qual mandou eu me afastar do príncipe.
— Min, ela é real! A lenda realmente é real! — Exclamou, se aproximando do mais velho e segurando uma de suas mãos. — Na noite do baile no castelo, eu entrei no jardim.
— Você é maluco?! Como pôde entrar lá mesmo sabendo que o Rei proíbe?
— Eu sei, eu não pensei bem naquele momento. Mas o importante é que eu o encontrei. Minho, o Amante de Rosas realmente existe, mas nunca foi uma dama. O Amante de Rosas é um homem. Eu o conheci.
— Se você tivesse sido pego... Yongbok, me diga que só entrou lá uma única vez! Me garanta que não continuou se colocando em perigo por causa da sua fascinação por essa história!
Minho segurou a mão do irmão com força, encarando as orbes culpadas do loiro.
— Na verdade... Eu fui ainda ontem ao jardim...
O mais velho soltou uma respiração pesada, os olhos vermelhos de preocupação com seu irmão mais novo.
— Pare de ir ao jardim e esqueça isso antes que seja tarde.
— Min, eu não posso! Hyunjin me contou tudo o que aconteceu. Imagina como deve ter sido para ele passar todos esses anos naquele jardim! Minho, ele também tem uma família... e ele não a vê há mais de dez anos por causa do príncipe. — Minho soltou a mão de Felix e cobriu os próprios olhos. — Ele me avisou para ter cuidado com o príncipe, disse que ele continua prendendo pessoas que chamam sua atenção, por isso me desesperei ao vê-lo com você na loja. Minho, eu estou com medo de que você tenha virado um alvo para ele!
— Eu sempre acreditei que tudo não passasse de farsas, principalmente porque nunca teve nem uma prova sequer... Mas eu acredito em você, não iria mentir sobre algo como isto.
— Para ser sincero, eu também já havia parado de crer nesta história, mas eu o vi com meus próprios olhos.
— Bokkie, por favor, tome cuidado, sim? Não quero que fique em perigo. Saia do seu trabalho no castelo, pode trabalhar comigo na loja ou com os nossos pais no restaurante. Será melhor se todos nós nos mantermos bem longe da família real.
— Minho... na verdade, eu quero ajudar Hyunjin. Acho que tem uma maneira de tirá-lo de lá. O Príncipe Herdeiro pode me ajudar.
🥀
— Após uma noite completamente sombria, meu querido Sol retornou para me trazer alguma felicidade. — Hyunjin comentou ao ver o Lee entrar em seu jardim na noite seguinte.
Felix sorriu ao encontrar o Hwang sentando em frente à mesma mesa na qual havia conversado com Jeongin, iluminado por uma lamparina à óleo posta na superfície da mesa. O mais velho se levantou, se aproximando do loiro com um enorme sorriso no rosto e com suas mãos em sua costa.
— Não consigo sair do jardim, então tenho poucas opções de presente para lhe dar — disse um pouco acanhado, mas ainda assim estendeu uma de suas rosas, de um tom vermelho vinho. — Mas estou lhe oferecendo uma das minhas favoritas.
O Lee pegou a rosa com cuidado, sentindo a fragrância suave da flor. Ele nunca mais conseguiria associar o cheiro daquelas flores à outra pessoa que não fosse Hwang Hyunjin.
— Obrigado, eu aprecio o seu presente. Assim como apreciei o primeiro.
— Desta vez terá mais tempo para ficar comigo ou terá que partir para ficar na vigia noturna?
— Poderei ficar por mais tempo desta vez.
— Ótimo! Estou com o humor muito bom hoje. Jeongin não veio me ver e o meu querido Sol veio me fazer mais uma visita noturna.
Felix olhou em volta, vendo os caminhos que haviam no jardim, todos inexplorados.
— Ainda não conheci o suficiente do jardim, que tal caminharmos para que eu possa conhecê-lo melhor?
— Não tem nada de interessante, são só corredores extensos cheios de rosas, no fim sempre terminam no mesmo lugar, na cabana.
— Não tem problema, podemos usar esse tempo para nos conhecermos melhor.
— Agora é uma ótima ideia. Vou poder conhecer melhor o cavalheiro que faz minhas noites serem mais alegres — concordou, apontando para um dos caminhos a sua frente. — Vamos por aqui.
Hyunjin esperou o loiro andar na sua frente, o seguindo para o corredor abundante de rosas com a lamparina pendurada entre seus longos dedos, iluminando o caminho. O lugar era quase coberto somente de rosas, com arcos cheios de rosas trepadeiras sobrepostas nos muros, durante o dia o lugar deveria ficar maravilhoso, mas, aos olhos de Hyunjin, não importava o quão deslumbrante fosse, aquela ainda era a sua prisão.
— Este jardim é lindo, é uma pena ele ser tão melancólico... — Felix comentou, com um sorriso triste em seus lábios.
— Minha mãe amaria esse lugar se ele não fosse o lugar que me mantém aprisionado.
— Como era a sua vida com seus pais antes de conhecer Jeongin?
Hyunjin ficou quieto por um bom tempo, lembrando do lado doce de seu passado, o lado que aquecia seu coração de carinho e saudades, e não de pura amargura.
— Eu morava em uma floresta ao lado de um pequeno vilarejo, nossa casa era bem isolada do restante do povoado, mas ainda assim tínhamos uma boa relação com todos — começou, com um tom sonhador. — Minha mãe havia nascido e crescido no vilarejo, já meu pai era um médico que viajava pelos vilarejos pequenos do reino. Ele chegou no vilarejo de minha mãe durante uma epidemia e ficou para ajudar o povoado, durante essa epidemia, ele salvou a vida da minha mãe. Alguns anos depois eles se casaram e resolveram continuar morando lá. Minha mãe já trabalhava vendendo flores no vilarejo, meu pai conseguiu emprego em uma taverna e também atendia em domicílio como médico. Meu pai me ensinou a ler, pois, sendo pobre e do interior, eu não teria acesso aos estudos. Foi com ele que minha mãe aprendeu a ler também. Ele ensinou a nós dois o básico que ele conseguiu, mas ainda assim, para nós dois era mágico podermos ter um pouco do que as famílias mais nobres tinham acesso.
— Seus pais pareciam ótimos.
— Eles eram. — Suas orbes pareceram brilhar no escuro. — Minha mãe saía bem cedo para trabalhar durante o dia enquanto meu pai descansava do seu trabalho noturno em casa. Após o almoço, ele sempre cozinhava algo para levar para ela, aproveitando o fato de que era o horário em que eu ia ajudá-la no vilarejo. Ele ia trabalhar na taverna antes do pôr do sol, então quando eu e a minha mãe chegávamos em casa, ele já tinha partido. Tinham certos dias, quando o movimento da taverna estava mais ameno, que meu pai era liberado mais cedo e podíamos jantar todos juntos, e também dias em que podíamos almoçar juntos quando a mamãe voltava mais cedo. E você? Desde que nos conhecemos, só falamos sobre mim, também quero saber mais sobre você.
— Não sei o que dizer sobre mim, não tem nada de especial...
— Qualquer coisa que você me disser será especial.
Felix respirou fundo, agradecendo pela iluminação do lugar ser escassa pois assim o Hwang não conseguia perceber como havia conseguido o afetar com aquela frase.
— Bom, cresci em uma família simples. Meus pais têm um restaurante juntos, que eles abriram pouco tempo depois do nascimento do meu irmão mais velho. Meu irmão se chama Minho, ele é um pouco sério às vezes, mas é muito carinhoso e protetor comigo, ele também tem uma loja de tecidos na cidade que tem ficado bastante popular nos últimos dias.
— Está vendo? Foi especial, agora sei que você tem um irmão — disse, apressando seus passos para ficar mais próximo do guarda. — Por que quis se tornar um guarda?
Felix sorriu sem jeito, arrumando seu cabelo como um gesto nervoso.
— Digamos que eu era um jovem um pouco obcecado com o castelo...
— Como assim?
— Desde que eu era bem novo, ouvia as suas histórias pela cidade e eu fiquei um pouco fascinado... Virei um guarda para saber se realmente era real.
— Isto me deixa verdadeiramente lisonjeado. — Hyunjin riu baixo. — Pelo menos conseguiu o que queria, não é? Estou bem aqui, ao seu lado.
— Ainda me pergunto se esse não é só um sonho muito longo. Às vezes é difícil acreditar que realmente venho vê-lo todas as noites — disse para si mesmo, mas ainda assim o outro conseguiu ouvir. — Tem algo que eu gostaria de perguntar também. Contou-me que já me viu durante uma noite e que eu quase o atrapalhei, quando isto aconteceu?
— Foi há bastante tempo, acho que era sua primeira noite trabalhando na vigia dos muros do jardim, pois eu nunca tinha o visto lá antes — contou com um tom de divertimento. — Quando saí, você estava fora da posição normal dos guardas, parecia que estava analisando a muralha bem perto do lugar pelo qual eu saía. Se eu não tivesse o percebido antes de sair completamente, você teria me conhecido há alguns anos atrás. Mas talvez teria sido melhor se tivesse me conhecido mais cedo, não acha?
— Eu acho que ficaria muito chocado se visse alguém saindo do muro no meio da madrugada, provavelmente eu gritaria e chamaria os outros — respondeu rapidamente, fazendo o Hwang rir.
— De fato, acho que qualquer um ficaria. Olhe só, chegamos à cabana.
O Lee olhou para a vista à sua frente, iluminada pelas chamas bruxuleantes da lamparina. De fato, eles haviam chegado ao local em que ficava a cabana de Hyunjin e a fonte de água ao qual o encontrou no segundo dia de visita ao jardim. O Hwang continuou a andar, pelo caminho que os levaria de volta para o ponto em que estavam anteriormente.
— Esse jardim é como um ciclo infinito, todos os caminhos que tomar irão levá-lo ao mesmo lugar. — Hyunjin explicou. — Acha isso interessante ou deprimente?
— Os dois. Se esse lugar fosse aberto somente para um passeio, esse tipo de estrutura seria impressionante, mas ele foi feito assim para manter uma única pessoa, então é terrível.
— Mas agora já não é mais tão terrível. Agora eu tenho algo que posso me gabar.
— E o que é? — Felix questionou, curioso.
Ao terminar sua pergunta, os dois chegaram ao mesmo local de antes. Hyunjin pousou a lamparina em sua mão no chão e virou-se para encarar os olhos do guarda.
— Agora, enquanto todos se despedem do seu astro do dia, eu aguardo a chegada do meu próprio astro, que visita meu jardim e enche o ser que antes era consumido pelo manto da noite. Eu tenho isso, que é algo que os outros não têm.
Felix não soube o que responder de imediato, observou o mais velho aproximar-se de si, sentindo a palma macia do Hwang envolver seu rosto, enquanto sua outra mão afastava os fios que caíram em sua testa com cuidado para que não atrapalhasse a visão que ele tinha dos olhos do Lee.
— Quero poder tocar esse astro sem me ferir no processo, quero poder me aproximar para sentir seu calor sem ter medo de me queimar. Lee Felix Yongbok, você me deixaria ter só mais essa alegria hoje?
O Lee respirou fundo, encarando os olhos agora brilhantes do mais velho.
— Eu não ousaria queimá-lo por vontade própria. Eu não quero ser o Sol que o machuca ao se aproximar, nem quero ser qualquer tipo de astro, que está longe demais para que possa ser alcançado. Não quero ser inalcançável para você. Quero que possa chegar a mim com facilidade, sem precisar de mais dor ou sacrifícios. Toque-me e busque mais de sua alegria.
Hyunjin deu mais um passo à frente, juntando os dois corpos e segurando o pequeno corpo em seus braços. Felix, ansioso, levou uma de suas mãos ao pescoço do Hwang e pousou a outra em seu peito, sentindo os batimentos descompassados do mais velho. Saber que o outro se encontrava tão ansioso quanto ele o trouxe um pouco de contentamento, como se estivessem enfrentando o mesmo tipo de tempestade interna.
— Confiarei em você e buscarei o que me foi entregue, mas desejo com todo o meu coração que eu não acabe machucado mais uma vez.
O Lee sentiu o hálito em seu rosto cada vez mais perto e, vendo o Hwang fechar seus olhos ao finalmente juntar seus lábios, o guarda fez o mesmo, se entregando ao corpo maior. Sentiu o peso sobre si ficar maior, o obrigando a usar a parede fria atrás de si como apoio, não se importando em estar amassando algumas das rosas daquele local. Em resposta à tentativa de Hyunjin de tomar o controle do ósculo e tomar mais passagem, Felix apertou seu punho sob o peito do mais velho, amassando o tecido macio de suas roupas enquanto suas línguas competiam pelo controle.
Sua respiração estava ofegante, seu coração batia incontrolavelmente, assim como seu corpo esquentava, sua pele parecia arder em chamas. O lugar estava quase completamente escuro, tendo como fonte de luz, uma simples lamparina à óleo, colocada no chão, ao lado dos seus pés.
Felix sentia sua mente nublada, não conseguia pensar com clareza ou tentar entender a cena à sua frente. Estava somente entregue ao sentimento de estar nos braços do Hwang. A parede de pedra atrás de si era fria, mas os lábios do homem à sua frente eram quentes, ou simplesmente para Felix parecia. Os apertos que sentia em sua cintura por cima do tecido o faziam perder a noção de que o quê estava fazendo poderia colocar sua vida em perigo.
Hwang Hyunjin...
Ele era incrível, assim como sempre imaginou.
Era impossível não se doar completamente aos braços do Hwang, braços aparentemente fortes, que prendiam seu corpo sem brechas para sair, e Felix não desejava escapar de qualquer maneira. Ele assumia o controle sem hesitação, fazendo o Lee ter que acompanhar seu ritmo naquele momento.
Isso incentivou Felix.
Ele precisava tirar Hyunjin daquele lugar. Ele precisava deixá-lo livre.
Ele queria continuar a trazer cada vez mais alegria à vida do Hwang, mesmo que essa decisão fosse extremamente perigosa.
Ele queria continuar em seus braços, como naquele momento.
(🥀)
Mais um capítulo aeeeeeeh
Estou atualmente escrevendo o último capítulo dessa história no off, inclusive, estou no meio já! Então posso dizer com convicção que essa fic tem um total de 10 capítulos + prólogo/epílogo.
O que vocês estão achando da história? E qual é as expectativas de vocês para o futuro dela?
E esse beijo dos Hyunlix? Escrevi isso com o coração na boca, eu estava convicta de que precisava ser um beijo fodástico 😓
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top