(🥀) Camponês Arrogante
Sua respiração estava ofegante, seu coração batia incontrolavelmente, assim como seu corpo esquentava, sua pele parecia arder em chamas. O lugar estava quase completamente escuro, tendo como fonte de luz, uma simples lamparina à óleo, colocada no chão, ao lado dos seus pés.
Felix sentia sua mente nublada, não conseguia pensar com clareza ou tentar entender a cena à sua frente. Estava somente entregue ao sentimento. A parede de pedra atrás de si era fria, mas os lábios do homem à sua frente eram quentes, ou simplesmente para Felix parecia, os apertos que sentia em sua cintura por cima do tecido o faziam perder a noção de que o quê estava fazendo poderia colocar sua vida em perigo.
Hwang Hyunjin...
🥀
O loiro acordou como se tivesse tomado um choque, sentando-se na cama rapidamente, seu irmão dormindo na cama ao lado foi despertado do seu sono leve, observando seu irmão mais novo que parecia ter acordado de um pesadelo... Ou talvez um sonho muito bom.
— Bokkie, o que houve? — O Lee perguntou, sonolento e levantando a cabeça vagamente.
— Não é nada, Min, volte a dormir. — Respondeu rapidamente, mas em murmúrios para que ele não despertasse completamente.
Observou seu irmão cair no sono novamente e virou-se para a pequena mesinha próxima da sua cama, onde tinha um pequeno jarro de barro com a flor azulada. Hwang Hyunjin mexia mais consigo do que imaginava, ele parecia irreal demais e Felix não fazia ideia de onde tirou toda aquela ousadia em bater de frente com ele. Queria enganar a si mesmo achando que conseguia ter tantos charmes quanto Hyunjin e que ele não o impressionava, mas sabia que estava errado, Felix já estava esgotando sua sanidade. Ele não podia voltar para aquele Jardim.
Seu emprego e sua vida estavam em jogo.
Aquilo poderia ser praticamente visto como uma afronta à família real! Um simples Guarda Real adentrando uma propriedade nobre privada e se encontrando com a pessoa pela qual o Príncipe era apaixonado? Ele poderia facilmente ser levado à forca, principalmente por ter mais informações sobre o habitante do Jardim.
Ele nunca mais pisaria naquele Jardim novamente, trataria Hyunjin como tratava a somente alguns dias atrás, como uma falsa história espalhada pelo Reino, uma farsa. Continuar com aquela flor era impensável, pois ela seria a prova de que aquilo não era somente um sonho, a flor representava que a história que ele tanto acreditou durante toda a sua adolescência era real.
Ou talvez fosse só uma desculpa esfarrapada que Yongbok encontrava para continuar indo para o jardim. Seu próprio inconsciente o sabotava com desculpas para continuar se encontrando com Hyunjin.
Passou suas mãos em seu rosto e virou-se de costas para a flor, forçando-se a continuar dormindo.
🥀
O Capitão da Guarda Real caminhava no extenso corredor do castelo, chegando ao primeiro andar onde conseguia ver uma enorme porta aberta que dava abertura para os fundos da propriedade do castelo, onde ficava sua residência temporária, onde dormia em épocas em que o trabalho era corrido demais para voltar para casa. Respirou fundo antes de seguir adiante, vendo pelo canto dos seus olhos a silhueta da pessoa que vinha evitando há algum tempo, continuou seguindo retamente até os seus aposentos.
Sabia que o homem o seguia, mesmo que não ousasse dizer uma palavra sequer, como se esperasse que o Seo tivesse as primeiras palavras de algo que provavelmente se transformaria em uma discussão.
Chegou em seus aposentos, a pequena cabana de madeira nos fundos da propriedade, abriu a porta e não conseguiu fechá-la antes de ser alcançado pelo Príncipe Herdeiro. Revirou os olhos enquanto retirava a espada presa à sua cintura e a jogava na cama, convicto em ignorar a presença do mais velho.
— É assim que trata a presença da sua Alteza? — A voz disse atrás de si, deixando a porta ser fechada gradualmente pelo vento, estava triste, tão triste e desesperado quanto o Seo. — Sequer olha o meu rosto.
— Sinto muito, vossa alteza, não percebi a sua presença. — Respondeu ressentido, fazendo o Bang se sentir ainda pior.
Ele já se sentia miserável por si só, passou anos esquecendo suas responsabilidades como Príncipe Herdeiro, se esgueirou aos aposentos do Capitão da Guarda Real e alimentou um romance que nunca poderia sequer ter se iniciado. Agora as consequências da sua irresponsabilidade afloravam com rapidez, seu casamento havia finalmente sido arranjado pelas famílias e aquilo machucava todos os envolvidos, mas Chan não temia por si, mas sim por Seo Changbin.
Desde o início ele avisava as consequências que aquilo poderia causar, avisava que no final poderiam sair machucados de toda aquela situação, e ele estava certo. Mas mesmo estando certo, ele se entregou àquilo, e agora estava amargurado consigo e com o Príncipe.
— Não conversamos desde o baile... Eu queria saber como você est-
— Como eu estou?! Realmente está perguntando isso, Chan? — Virou-se em sua direção com raiva, ao perceber o olhar do mais velho, pareceu acalmar sua ira. — Não me olhe dessa forma.
— "Dessa forma"?
— Com mágoa, isso faz com que eu me sinta errado em evitá-lo... Não queria o ver tão cedo por causa disso.
— Mas eu precisava vê-lo, não aguento isso. Ficar longe de você por causa disso me desola, não quero que tenha ressentimentos ou que fique magoado.
Chan aproveitou aquele momento para se aproximar do mais baixo com cautela, percebendo que ele não tentava mais manter distância de si.
— É impossível que eu não fique magoado, Chan...
— Eu sei... Eu sei.
Changbin sentiu os braços do mais velho o abraçando com calma, o mais baixo sentiu falta daquilo, sentiu falta dos braços fortes e calorosos do Príncipe sobre si e o sentimento reconfortante que ele sempre tentava passar quando fazia aquilo. Chan sabia que o Seo estava segurando suas lágrimas quando ouviu uma leve fungada e logo depois ele escondeu seu rosto na curvatura do seu pescoço, apertando mais o corpo do Bang.
Aquilo seria muito mais difícil e doloroso do que imaginavam.
— E se fugirmos? — Chan propôs, fazendo Changbin rapidamente se afastar do seu corpo e olhá-lo perplexo.
— Não pense nisso, Chan, você é o herdeiro.
— Posso deixar o trono para Jeongin e-
— Jeongin? Você realmente acha que ele está preparado para comandar um Reino? Chan, você sabe do que ele já fez e continua fazendo.
— Eu sei, mas achei que pelo menos você apoiaria.
— Meu trabalho é servir ao Reino. E se eu fugir com você e nos encontrarem, eu posso ser preso.
Changbin estava certo, Chan sabia disso, mas ele queria ouvir algo animador pelo menos do Seo.
Desde que viu Changbin pela primeira vez, sendo nomeado Capitão da Guarda Real pelo próprio Rei, Chan havia se atraído pelo mais novo. Seu rosto redondo, olhos pequenos, lábios pequenos mas um pouco cheinhos, a pele bronzeada e os músculos bem aparentes, tudo parecia chamar a atenção do Bang imediatamente. E esse homem estava ajoelhado em frente à família real, enquanto a espada nas mãos do Rei repousava lentamente em seus ombros, até ser enfim o Capitão da Guarda. Ele era o homem de confiança do Rei, Chan estava sendo audacioso ao pedir que ele fugisse do castelo consigo.
Mas foi mais audacioso ao ter um caso com o homem de confiança do seu pai.
— Você está certo, me desculpe, Changbin, não pedirei algo do tipo a você novamente.
Desta forma, o Príncipe deixou os aposentos do Capitão.
🥀
O dia se passou de forma lenta e agonizante para o loiro, que aguardava a chegada da noite para adentrar o Jardim uma última vez, sentia-se hesitante, como se qualquer passo em falso o levasse a ser preso no calabouço do castelo. Só podia martirizar a si mesmo por ter seguido Hyunjin até o Jardim, poderia simplesmente ter ignorado, mas agora a sua mente não conseguia se livrar daquela figura.
Felix fez o caminho da noite anterior e entrou no Jardim não encontrando Hyunjin no mesmo local de antes, a fonte ainda jorrava água, a porta estava trancada e a flor escura já perdia suas pétalas. Seguiu até a porta, dando batidas leves na madeira, não escutando nenhuma resposta do Hwang.
Abriu a porta destrancada com cuidado, observando ser somente uma cabana pequena e escura de cômodo único. Havia uma cama pequena e bem arrumada em um canto, próxima a ela uma mesa de cabeceira relativamente grande, em uma extremidade tinha roupas limpas e bem dobradas. Uma tela de proteção separava o lugar em que ficava uma banheira de madeira de tamanho mediano e que ainda exalava um forte cheiro de fragrância suave por todo o local. E mais ao longe uma mesa de jantar de quatro lugares com um único prato posto acima dela, com comida intocada.
Felix também acabou por reparar em uma pintura deixada em um canto, parecia ser um pouco antiga e a tinta começava a ficar cada vez mais falha e fraca, mas as três figuras na pintura ainda eram visíveis. Havia um casal no meio de um campo simples, um jovem estava no meio dos dois, sendo abraçado pelo casal. Ele tinha cabelo escuro e curto, lábios cheios e grandes, estava com os olhos fechados por causa do seu longo sorriso, parecia ser alto para a idade que aparentava ter e usava roupas simples de um camponês enquanto segurava uma rosa pequena entre seus dedos, uma rosa parecida com a que estava presa no cabelo da mulher estonteante na pintura.
Felix conseguia afirmar com toda certeza que o jovem na pintura era Hyunjin com a sua família, talvez na casa em que morava antes de parar no Jardim do Castelo.
Tinha roupas simples como as do Lee, ao invés da beleza elegante que tinha hoje, antes sua beleza parecia algo mais puro e ingênuo. A alegria parecia estampada em sua face apesar da simplicidade. Felix sequer conseguia imaginar como deve ter sido passar onze anos preso em um lugar fechado, isolado de interações, completamente sozinho e podendo ter somente a companhia da pessoa que o prendeu naquele local. Deve ter sido longos anos agoniantes e infelizes.
O Lee sentia compaixão pelo Hwang, e vendo aquele quadro, aquele sentimento ficava ainda maior. Ele deveria sentir saudades daquele casal, que provavelmente eram seus pais. Talvez todos os dias ele olhasse aquela pintura velha e desejasse voltar àquela época.
O que ele havia feito de errado para acabar daquela forma? Ele simplesmente estava vivendo sua vida como em todos os outros os dias até que encontrou o Príncipe Jeongin por acaso?
Felix resolveu sair logo daquele lugar, antes que Hyunjin voltasse, Felix não queria ir embora sem pelo menos falar uma última vez com o Hwang. Saiu rapidamente e decidiu procurar pelo Jardim, Hyunjin não teria saído naquela noite, teria?
Seguiu o caminho com as rosas trepadeiras, por estar escuro teve que se guiar tocando na parede ao seu lado, uma vez ou outra tocando em algum espinho que o fazia recuar sua mão rapidamente. Seguindo aquele caminho, começou a ouvir vozes se aproximando, não eram altas, na verdade eram duas vozes conversando em um tom suave.
— E por que não? Já estou aqui há mais de uma década, não pode me conceder esse único desejo? — O Lee reconheceu a voz de Hyunjin, que apesar de suave, carregava um tom magoado. — Então todas aquelas juras em que dizia que realizaria todos os meus desejos não passaram de enganações?
Felix aproximou-se do local, mas evitando ficar na linha de visão de qualquer um dos dois, sabia que quem estava lá era o Príncipe, e a última coisa que ele poderia querer era que o Príncipe soubesse que ele estava no Jardim.
— Claro que nem uma das minhas juras foram falsas, mas você não tem realizado nem um dos meus desejos ultimamente. Está aqui há tanto tempo e ainda me trata com indiferença, recusa qualquer presente que simboliza o meu amor e nunca me deixou reivindicá-lo por completo.
— Me prender aqui já não é o suficiente? Ainda precisa alimentar um sentimento que não passa de uma farsa? Bang Jeongin, um príncipe deve ter mais orgulho e honra, mas você está aqui, se humilhando para um simples camponês. Isso é ridículo.
O Lee não conseguiu evitar sua curiosidade, se inclinou levemente para o lado, vendo através dos vários galhos e espinhos, a silhueta dos dois na pequena mesa redonda, o Príncipe estava em pé, com o corpo curvado na direção do Hwang, a expressão de Jeongin não era visível por estar de costas, mas parecia estressado. Apertava a mão de Hyunjin com força, mão essa que segurava um pequeno recipiente de porcelana redonda que cabia perfeitamente em sua mão.
Os dois se encaravam em um impasse silencioso, até ouvirem um som de algo se quebrando e os estilhaços caíram da mão de Hyunjin, ao mesmo tempo em que um breve lampejo de dor apareceu em sua expressão, um rastro de sangue se formava em sua palma e caía em sua calça.
— Limpe este ferimento e lembre-se que não pode ir embora daqui, nunca mais peça algo parecido. Como você disse, é um simples camponês, mas ter recebido tratamento especial por todos esses anos tem feito você acreditar que pode ser arrogante com um membro da realeza. — Jeongin disse, se afastando, já parecendo estar calmo, enquanto Hyunjin fechava sua mão machucada em um punho. — Retornarei logo para mais uma tarde agradável ao seu lado.
Deixando um carinho leve no queixo do Hwang, Jeongin então saiu, indo embora do Jardim pelo único portão do local, que permanecia fechado e só se abria com a ordem dele. Felix não teve coragem de se aproximar, continuou observando a silhueta de Hyunjin, sendo atrapalhado por algumas rosas e caules, mas ainda conseguia vê-lo. Se assustou com o estrondo repentino da mesa sendo derrubada no chão, fazendo todas as peças de porcelana se quebrarem, Hyunjin já estava em pé, segurando sua mão machucada enquanto respirava pesadamente pela raiva.
Ele parecia conter um misto de emoções, raiva, tristeza, desespero, tudo extremamente visível agora que estava, ou achava estar, sozinho. Sua mão provavelmente estava doendo muito, mas continuava fechada em um punho forte. Essa era uma visão do Hwang que Felix ainda não havia visto. Era diferente da versão cheia de si, encantadora e elegante que havia visto nos últimos dias, e diferente daquela versão pura e ingênua na pintura. Era uma versão desesperada, sem esperanças, desiludida.
Felix estava certo em achar que Hyunjin sentia extremas saudades dos seus pais e da sua antiga casa, não tinha um único dia em que ele não imaginava como estaria no momento se ainda estivesse ao lado deles. No fundo ele ainda tinha esperanças de voltar, mas essas esperanças eram esmagadas sem piedade por Jeongin sempre. Ele não podia simplesmente ir embora, sabia que isso pioraria as coisas, mas se fosse pela vontade do Príncipe, Hyunjin viveria o resto da sua vida naquele local e morreria lá.
O Lee já não sabia se deveria se aproximar, o melhor seria ir embora, o Hwang não gostaria de ser visto naquela forma, que parecia tão frágil e instável. Mas ao mesmo tempo parecia errado e insensível deixá-lo daquela maneira, sentia que não poderia descansar normalmente se fizesse aquilo. Por isso, respirou fundo antes de adentrar aquele local, tendo sua presença percebida rapidamente pelo mais velho, que inicialmente parecia um pouco chocado, mas forçou-se a abandonar sua instabilidade de antes e voltar a sua forma já conhecida pelo loiro.
— Está aqui há quanto tempo?
— Não muito, mas o suficiente para entender a situação. — com isso a expressão do Hwang apagou-se novamente. — Como você está?
— Bem, obrigado pela preocupação, jovem cavalheiro. — sorriu de forma convincente, mas para Felix que havia observado tudo aquilo, sabia que estava longe de ser um sorriso real. — Infelizmente estou cansado e preciso descansar por hoje, por isso não poderei recebê-lo tão bem aqui.
Se curvou levemente, com as mãos escondidas em sua costa, tentando passar por Felix calmamente para voltar à sua cabana, mas foi parado pelas mãos pequenas do loiro que seguraram exatamente a mão machucada do Hwang. O moreno acabou por soltar um gemido de dor e puxou sua mão rapidamente.
— Eu imaginava que você entendia a etiqueta básica e não me seguraria dessa forma sem a minha permissão.
— É estranho dizer isso após você mesmo quebrar essa "etiqueta básica" nos últimos dias. — Felix murmurou para si mesmo, percebendo que provavelmente aquela era a primeira vez em que não recebia investidas de Hyunjin assim que chegava ao Jardim. — Deixe-me lhe ajudar com isso.
— E o que fez você ser tão generoso comigo hoje?
Felix segurou a pequena bolsa de couro presa à sua calça, onde a rosa azulada estava guardada. Havia ido ali pela última vez para então esquecer toda aquela história, mas ele poderia adiar aquilo só mais um pouco, não podia?
Ele não tinha um coração forjado com ferro, entendia a situação em que o Hwang se encontrava naquele lugar, sabia que não conseguiria entender os sentimentos dele de solidão estando em um Jardim enorme e isolado. E se fizesse aquilo em um momento em que só piorava esse sentimento de Hyunjin? Talvez Felix fosse a única visita que o moreno tinha, com exceção do Príncipe, que o Lee percebeu não ser uma visita tão agradável.
Sim, ele poderia adiar sua ida permanente do Jardim só mais um pouco.
— Estou agradecendo por ter me confiado a rosa, já que não me deixa simplesmente devolvê-la — deu um sorriso mínimo para o Hwang, soltando aquela bolsa.
— Está bem, não irei recusar a ajuda de um cavalheiro tão generoso e belo — disse com um sorriso provocador para o loiro, que sorriu de volta, desviando seu olhar.
— Vamos, vou ajudá-lo com esse corte. Você tem alguma coisa aqui que possa ser usada para limpar?
— Tenho, venha comigo.
Hyunjin levou Felix de volta para a sua cabana, a qual o loiro havia estado há alguns poucos minutos. Preferiu não contar isso ao mais velho e o seguiu em silêncio. O Hwang abriu a porta de sua cabana e a adentrou, dando espaço para que o Lee fizesse o mesmo.
— É aqui que eu moro há onze anos, seja bem-vindo. — Hyunjin disse, fechando a porta da cabana. — Jeongin traz algumas coisas para mim quando me visita, ou então pede para alguém trazer todas as semanas. Semana passada trouxeram algumas ervas medicinais que podem ajudar.
Felix sentou-se em uma das cadeiras próximas à mesa, involuntariamente seu olhar voltou para o quadro de antes, era estranho ver como mesmo parecendo tão parecido, aquele Hyunjin da pintura era diferente, fosse por causa do amadurecimento, ou então pelas experiências nada agradáveis que deve ter passado. O Hwang colocou uma pequena caixa de madeira na frente do Lee, o fazendo voltar sua atenção para o mais alto.
— O que tem de tão interessante ali? — Perguntou, acenando com a cabeça na direção do quadro. — É só uma pintura.
Apesar dessa afirmação, Felix conseguiu perceber que, para ele, não era "só uma pintura", tinha um valor emocional muito maior por trás. Provavelmente, era a única ligação que ele tinha com o seu eu do passado.
— Aquela era a sua casa, não pode mais voltar para lá?
— Acha que Jeongin deixaria? — Perguntou, sarcástico e sentou-se na frente do Lee.
— E fugir? Por que não tenta mais fugir?
— Porque assim eu seria egoísta com meus pais e os colocaria em perigo. — Suspirou. — Felix, acredite quando digo que tentei ir embora, tentei várias vezes, mas desisti. A única coisa que posso fazer é nutrir a esperança de que algum dia Jeongin me deixe ir embora, me deixe voltar para a casa que ele transformou em uma inferno.
Hyunjin empurrou a caixa de madeira na direção de Felix novamente. Ainda não conformado, o Lee primeiro tirou os pequenos pedaços de porcelana na palma do Hwang e abriu a caixa, separando o que ele poderia usar. Não havia muitas coisas, mas o guarda conseguiu fazer uma mistura simples com as ervas na caixa, deixando um um aspecto pastoso e espalhou ao redor do corte na palma de Hyunjin. Mesmo que tentasse disfarçar, o mais velho sentia a dor misturando-se com a ardência incômoda no corte, mesmo que Felix tentasse ao máximo não lhe causar dor.
Quando terminou, usou um pano limpo para enfaixar a palma do Hwang, apertando levemente o local. Hyunjin não conseguiria mexer bem sua mão direita por um tempo, até o corte cicatrizar. Após terminar, Felix encostou sua costa na cadeira, voltando a observar o rosto do Hwang com curiosidade.
— Espero que eu não esteja sendo invasivo, mas como você parou aqui? Como Jeongin o conheceu?
Hyunjin encarou o rosto do mais novo com uma expressão indecifrável, fazendo Felix se sentir incomodado, iria mudar de assunto rapidamente antes que o Hwang acabasse por se estressar, mas foi surpreendido.
Apesar de ser algo pessoal, Hyunjin há muito tempo não tinha alguém para conversar ou desabafar, sentia que a presença do Lee era algo bom para si, assim conseguia sentir-se menos solitário em meio àquele jardim enorme.
— Irei pegar algo para bebermos e então contarei, pode ser?
(🥀)
Essa arte belíssima do Hyunjin aqui em O Amante de Rosas foi feita por Jugiiiri_san ♡
Finalmente voltei do meu hiatus, amaram? Eu adorei hehehehe
Estava com muita saudades de ver comentários novos de vocês, de escrever, é sempre uma sensação muito boa para mim.
Partiu att semanal de O Amante de Rosas? Todo domingo teremos att dessa querida aqui! Ele é meio curtinha, vai ter mais ou menos dez capítulos e eu já estou perto de finalizar nos meus rascunhos!
Lembrando também que o foco dessa fanfic vai ser o desenvolvimento do Hyunjin e do casal! E todos os capítulos vão ser meio grandes (mais de 3k de palavras).
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