capitulo oito


Eram 5:12 da madrugada. Zaya não tinha conseguido dormir um segundo sequer. Sua mente continuava voltando ao encontro com Brandon e quanto mais ela tentava não pensar nisso, mais pensava.

Também estava com fome. Depois de toda aquela coisa ela havia subido sem sua janta e seu estômago estava vazio desde o dia anterior.

Não havia outra escolha. Ela teria que ir a cozinha novamente.

Emilia chegaria somente as 6 horas, então ainda teria uns minutos antes de ter que dar satisfação por estar acordada tão tarde. O plano estava pronto.

A casa já não estava tão escura -graças a Deus- então Zaya estava bem mais corajosa.

Chegou a sala. Quando pisou no último degrau viu uma silhueta sentada no sofá. Imediatamente soube quem era. Assim como imediatamente deu meia volta e começou a subir novamente.

__ vai me evitar para sempre? __ disse ele.

Sim. Isso era exatamente o que pretendia.

Afinal, era nisso que ficou pensando depois de tê-lo visto: fingiria que ele não existia.

Não seria nada tão errado. Brandon havia feito isso com ela por todos esses anos de qualquer forma.

__ Zay.. meu pai me...

Zaya não aguentou. Se virou de frente para ele e com a maior quantidade de frieza que pode reunir ela disse:

__ não me chame assim. Nunca. Nunca mais.

Brandon estava com as mãos tremendo. Zaya ignorou.

Ela já não queria fingir que ele não existia. Mal se importava com o que ele achasse dela. Estava com fome e iria comer, com ele ali ou não.

Entrou na cozinha, e ele a seguiu.

__ humm... Meu pai me disse sobre.. o acidente.

A mão dela, prestes a abrir a geladeira, parou no ar.

Não.

Ela não iria pensar sobre isso. Não iria.

O problema é: já estava pensando.

Sua visão começou a ficar embaçada. Ela respirou fundo várias vezes. Sua mão caiu e voltou a ficar ao seu lado, parada.

Já estava pensando.

Seu pai e todas as vezes que ele disse: "vai ficar tudo bem minha princesa". O abraço de sua mãe. O jeito que ela penteava seus cabelos. O sorriso de Anna, as pequenas mãozinhas de Clare.

Seu corpo começou a tremer.

Ela não iria desabar na frente dele. Não iria. Tentou com todas as suas forças retomar o controle do corpo, e quando conseguiu, descobriu que seus olhos estavam fechados.

Respirou fundo sete vezes.

Não pense. Não pense.

Abriu os olhos.

__ você é a última pessoa no mundo com quem eu conversaria sobre isso. __ disse ela, sem olha-lo.

O silêncio que se seguiu durou apenas alguns segundos. Zaya queria que ele fosse embora. Que ele sumisse de perto dela. Que voltasse para Deus sabe onde estava todo esse tempo.

__ o que houve com você Zaya? Fico fora alguns anos e você se torna praticamente outra pessoa. Não sei como agir contigo.

Ela sorriu friamente.

__ então não aja.

...

Brandon estava bravo. Okay, ela havia perdido a família e ele podia imaginar o quanto isso era horrendo, mas ele não tinha culpa de nada disso. Não era justo da parte dela descontar nele algo do qual ele não tinha relação alguma.

__ eu não tenho culpa do que aconteceu. Sinto muito que tudo isso tenha acontecido com você, realmente sinto muito, mas não vou aceitar que me trate assim sendo qu...

Zaya deixou um tapoer sobre o balcão com força e se virou para ele. Seus olhos brilhavam e ela nunca pareceu tão selvagem quanto naquele momento.

__ eu já disse que não tenho nada para falar com você. Pense o que quiser, boa noite.

Ela se virou para ir embora. Não, de novo não. Brandon não iria deixar o assunto terminar assim tão fácil. Segurou o braço dela. Zaya se soltou quase que imediatamente, como se ser tocada por ele fizesse ela estar contaminada por um vírus desconhecido.

Isso doeu.

__ que porra há de errado com você? Que droga Brandon!

__ por que você está com tanto ódio de mim? Achei que fossemos amigos.

A risada que ela deu foi sínica.

__ ah sério? Você realmente achou isso?

Brandon estava confuso. É claro que eles eram amigos, pelo amor de Deus. Ele abriu a boca pra responder mas ela continuou:

__ e você só se lembra disso agora?

__ quando eu deveria me lembrar?

__ talvez quando você estivesse viajando pra puta que pariu seu otário! Você era meu melhor amigo! Meu único amigo! Eu achei que tudo ficaria normal entre a gente com o tempo mas você nunca fez questão nem mesmo de me ligar! Agora você acha que eu tenho que te tratar como um amigo? Eu nem ao menos te conheço!

Brandon novamente se preparou para rebater mas Zaya novamente não deixou.

__ você fui o culpado de tudo! Você foi o culpado por eu ter frequentado o psicólogo desde os 10 anos, por não ter tido amigos, por eu ter desenvolvido uma porra de síndrome de abandono! Eu não me importo com os seus motivos. Você nunca achou que eu merecia uma explicação? Eu era uma CRIANÇA!

__ eu também era uma criança!

__ você foi embora! Você me deixou e VOCÊ nunca fez questão de continuar sendo meu amigo! Tantas noites em que eu fiquei acordada até tarde esperando você responder minhas mensagens! Tantos momentos em que eu queria ter alguém pra conversar e você simplesmente desapareceu!

__ não foi minha culpa! Eu tinha 10 anos!

Eles estavam exaltados. O rosto de Zaya estava nadando em lágrimas e ela estava começando a ficar rouca por gritar tanto assim.

Misteriosamente ninguém tinha aparecido para servir de plateia para os dois apesar do fato de que Dave já havia acordado e Emília com certeza também já estava por ali perto.

Tudo estava uma bagunça.

__ eu te mandei mensagens. Todos os dias, por 8 anos. Parei quando completei 17. Não tinha mais sentido, você nunca nem as via.

Zaya e Brandon sempre conversavam pelo Friendster quando estavam distantes. Era uma coisa só deles. Ambos pegavam os computadores de seus pais e ficavam trocando mensagens, desde o momento em que aprenderam a escrever.

O coração de Brandon se apertou. Ele deu um passo a frente, queria toca-la de alguma forma. Como poderia ter sido previsto, Zaya deu dois para trás.

__ sinto muito por isso. Eu não fazia ideia. Eu não tinha um computador para entrar e minha mãe não deixava que eu mexesse nas coisas dela....sinto muito mesmo Zaya... Se eu soubesse disso ..

__ não. __ disse ela. __ nada seria diferente.

__ mas... Nós ainda podemos ser amigos, eu... Eu ainda posso ser seu príncipe..

Ela arregalou os olhos. Exatamente igual como fazia quando criança. Brandon não achou que ela fosse lembrar mas... Sim, ela se lembrava.

Isso fez um pequeno raio de esperança brotar em seu peito. Talvez tudo não estivesse tão condenado igual imaginei. 

Mas sim. Tudo estava condenado.

Isso ficou claro quando Zaya descongelou e pela segunda vez nas últimas 24 horas o deixou sozinho na enorme cozinha.

__ isso nunca vai acontecer. __ ela disse baixinho.

E ele ouviu.






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