005 | eu simplesmente amo você

─── não é como se uma nota alta fosse mudar quem ele é, afinal de contas. Mas isso é o que o Jungwon do passado pensaria, Jihoon ─ o mais velho completou logo em seguida, notando o exato momento em que as sobrancelhas dele formaram um vinco no meio de sua testa, em completa confusão ─── eu sempre fui orgulhoso demais para aceitar meus próprios sentimentos e, por isso, também não conseguia compreender a pessoa única que Jay é e eu me arrependo profundamente de todas as coisas que já disse sobre ele, porque agora tenho plena certeza de que eu estava errado ─ concluiu, juntando os livros que estavam dispostos sobre a mesa de madeira polida e guardando-os em sua mochila desgastada ─── por isso peço que não volte a se referir ao Jong-seong dessa maneira. É desrespeitoso e bastante infantil de sua parte.

O Yang estava pronto para se retirar, ansiando o momento em que encontraria com o ruivo que havia tomado seus pensamentos durante os últimos dias e, então, poderia perguntar a ele como havia se saído na avaliação, já que sabia que os resultados sairiam naquele dia e podia imaginar o quão nervoso ele estava, já que havia trocado mensagens com o mesmo até a madrugada mas, antes que pudesse sair dali, sentiu a mão de Jihoon envolver seu pulso delicadamente, chamando sua atenção.

Jungwon olhou-o por cima do ombro, arqueando a sobrancelha como que em uma autorização silenciosa para que o Lee prosseguisse.

─── você gosta dele? ─ seu tom era hesitante e o mais velho notou o leve tremor que tomava conta dos dedos finos de Jihoon, que ainda lhe tocavam levemente.

Naquele momento, flashes das últimas semanas se passaram pela mente de Jungwon. O sorriso doce de Jay e o som de sua risada, que trazia um formigamento gostoso e bem-vindo ao coração do mais novo. Os olhos brilhantes e sempre tão transparentes, que lhe encaravam com ternura e sinceridade. O jeito espontâneo e até meio atrapalhado que faziam do Park a pessoa mais adorável que Jungwon já havia tido o prazer de conhecer. Os cabelos vermelhos que movimentavam-se conforme o vento e eram como uma bela moldura para o rosto angelical do garoto.

Todos os momentos que compartilharam, desde muito antes de Jay lhe implorar por ajuda há duas semanas atrás, como as pequenas provocações, as cantadas sem graça de Park, suas discussões sem sentido... Tudo parecia certo. Sempre pareceu e, apenas naquele momento, Jungwon percebeu que simplesmente não conseguia imaginar sua vida sem sua dose diária de tudo o que Jay estivesse disposto a lhe proporcionar.

─── sim ─ confirmou sem pestanejar, deixando um pequeno sorriso repuxar o canto de seus lábios ─── eu gosto muito.

[...]

─── Jake ─ Jungwon chamou pelo australiano, que estava sentado sob a sombra de uma grande árvore localizada no pátio principal da escola, aproveitando o intervalo para concluir sua lição de história. O garoto, mesmo que a contra gosto, ergueu seu olhar na direção da voz que o chamava, segurando um revirar de olhos ao perceber de quem se tratava ─── olha, eu sei que você não gosta de mim e eu também não te julgo por isso ─ o mais velho iniciou após um longo suspiro, sentindo-se desconfortável diante do olhar afiado do australiano ─── mas eu tenho motivos para acreditar que toda essa situação com o Jay não passou de um mal entendido e eu realmente quero resolver isso.

─── me dê um bom motivo para acreditar em você ─ Jake foi curto e grosso em sua resposta, arqueando a sobrancelha no exato momento em que fechou seu caderno, deixando-o de lado sobre a grama verdinha.

─── fazem três dias que o Jay não aparece aqui, nem mesmo para treinar ─ o Yang comentou, desviando o olhar brevemente. Mesmo que ainda fosse estranho para si, importava-se com o mais velho mais do que estava disposto a admitir e não queria deixar que a relação que construíram durante as últimas semanas acabasse por causa de um desentendimento bobo ─── eu só queria poder dizer a ele que eu sinto muito por todas as vezes em que eu agi como uma pessoa desprezível. Queria que ele soubesse que eu me arrependo de cada palavra e que eu nunca realmente o odiei. Como eu poderia odiar alguém como ele? É simplesmente impossível ─ Jungwon, mesmo que sem querer, deixou um pequeno sorriso bobo escapar ao recordar-se do som da risada de Jay.

Jake, que ouvia com atenção a cada palavra proferida pelo Yang, sentiu a incontestável sinceridade presente no olhar do mais velho e, após uma longa reflexão, deu-se por vencido.

─── eu posso te dar o endereço do Jay ─ murmurou, colocando-se de pé em um movimento ágil ─── mas espero não me arrepender disso mais tarde, Yang.

─── eu garanto que você não irá, Jake! ─ Jungwon sorriu abertamente, deixando um brilho genuíno de felicidade tomar conta de seus olhos negros.

[...]


Com sua destra, Jungwon segurava uma tulipa branca, enquanto, com a canhota, tocava a campainha pertencente a casa de Jay ao mesmo tempo em que batia seu pé contra o concreto da calçada, evidenciando seu nervosismo crescente.

Enquanto observava a fachada bonita da residência, que era tão elegante quanto o coreano havia tantas vezes imaginado, Jungwon sentia suas mãos suarem e seu coração palpitar, chegando a cogitar a possibilidade de sair correndo antes que o ruivo aparecesse. Bem, isso não aconteceu já que, segundos depois, a porta foi aberta por um Jay confuso e surpreso, mas tão bonito quanto o habitual, trajando uma adorável camisa azul bebê.

─── Jungwon? ─ seu tom era questionador e seus passos hesitantes ao que ele se aproximava do pequeno portão, abrindo-o apenas o suficiente para que pudesse ficar frente a frente com o mais novo.

─── oi...─ respondeu em um murmúrio ─── sabe, eu 'tava pensando — Jungwon deixou um riso repleto de nervosismo escapar, desviando brevemente seu olhar ─── é a primeira vez que eu venho a sua casa e, em todas as vezes em que me imaginei bem aqui, parado em frente ao seu portão, nunca pensei que seria para lhe pedir perdão ─ comentou com sinceridade, voltando seu olhar para o rosto bonito do Park, que permanecia em silêncio, lhe observando com cautela ─── eu não vou tomar muito do seu tempo, Jay. Só queria mesmo te entregar isso ─ em um movimento repleto de timidez, Jungwon estendeu a flor até o alcance de Jay que, embora desconfiado, aceitou ─── uma vez eu li em algum lugar que tulipas brancas podem representar o perdão. Eu também me lembro de ter te ouvido dizer que eram suas flores favoritas.

─── e eu me lembro de te ouvir dizer que nada poderia comprar você... ─ o mais velho ditou, não mais alto que um sussurro, acariciando com a ponta dos dedos as pétalas delicadas ─── então por que você acha que pode comprar meu perdão dessa maneira?

Jungwon ficou em silêncio durante alguns segundos, encarando Jay com espanto. Seus lábios abriam e fechavam diversas vezes, mas nenhuma resposta boa o suficiente parecia lhe vir a mente. Percebendo isso, Jay prosseguiu.

─── não acho que você tenha consciência do quanto me doeu te ouvir falando daquela forma ─ o ruivo precisou piscar seus olhos algumas vezes para afastar as lágrimas que ameaçavam se formar por ali ─── embora eu já soubesse que você nunca foi meu maior fã, ouvir você concordar com tudo o que Jihoon falou naquela manhã me machucou profundamente, Jungwon. Eu já passei por cima do meu orgulho diversas vezes apenas para tentar me aproximar de ti e tudo o que eu recebi em troca foram palavras duras e o seu desprezo constante. Acha que isso é justo? ─ questionou, forçando-se a engolir o nó que se formava em sua garganta. Chorar diante dos olhos afiados de Yang Jungwon apenas faria com que sua humilhação fosse ainda maior.

─── oh, eu devia ter imaginado ─ Jungwon riu mais uma vez, embora não houvesse graça alguma naquela situação mas, ao contrário do que Jay imaginava, ele não ria de sua mágoa ou de seu desabafo frustrado. Jungwon riu porque pensava em si mesmo com o ser mais estúpido que já pisou na face da terra ─── eu não acredito que eu apanhei por causa disso... ─ acabou por divagar em voz alta, chamando a atenção do Park.

─── apanhou?

─── olha, isso realmente não importa agora ─ o Yang esfregou suas têmporas com mais força do que o necessário, realmente estressado ─── eu imagino que você não tenha escutado a conversa toda, hyung, porque, se o tivesse feito, não estaríamos tendo essa conversa agora ─ Jungwon estava tão desesperado para resolver aquele mal entendido que acabou nem percebendo a forma como chamou Jay. O mais velho, no entanto, não pôde evitar o sobressalto de seu coração estupidamente apaixonado ─── eu sei que você tem motivos suficientes para desconfiar de tudo o que eu disser, afinal, eu já fui muito filho da puta contigo ─ murmurou, criando coragem para voltar a encarar as órbes escuras que encontravam-se fixas em si ─── mas caramba, Jay, eu gosto de você pra caralho e, embora eu não seja tão bom em demonstrar meus sentimentos, acho que 'tá na hora de você saber.

O ruivo ouvia atentamente a cada palavra, ao mesmo tempo em que seus dedos brincavam com o caule da flor cheirosa que segurava, precisando de bastante força de vontade para conter um pequeno sorriso quase satisfeito que ameaçava escapar pelo canto de seus lábios rosados.

─── tá na hora de você saber o quanto eu amo o seu sorriso sacana sempre que faz alguma piada idiota. Tá na hora de você saber o quanto eu amo a cor do seu cabelo, o som da sua risada, o cheiro do seu perfume, o jeito como você morde o canto dos lábios quando está nervoso... eu só... eu simplesmente amo você ─ o moreno ditou em um fôlego só, apertando o inconscientemente a barra de sua camiseta, em uma falha tentativa de aliviar sua agitação ─── me desculpe por não poder voltar atrás, Jay. Me desculpe por ter te machucado tantas vezes. Mas peço que me permita ser egoísta apenas uma vez mais ─ e, em um ímpeto de coragem, Jungwon deu um passo a frente, tomando a liberdade de segurar a canhota do Park, acariciando as costas de sua mão com o polegar ─── e te pedir uma segunda chance, Park Jay. E eu juro que, dessa vez, eu irei ser bom para você.

Jay realmente não esperava por nada daquilo, mas jamais ousaria reclamar. Não quando os olhos de Jungwon não lhe deixavam mentir, transparecendo toda a verdade daquela declaração. Diante disso, Jay não hesitou em inclinar-se levemente de súbito na direção do mais novo, unindo seus lábios em plena felicidade, esquecendo-se por um instante sobre o motivo de estar chateado.

Apesar de toda a euforia presente em ambas as partes, o beijo era lento e calmo, enquanto os garotos aproveitavam para provar um do outro pela primeira vez. A mão de Jay, que ainda segurava firmemente a flor delicada, tocou a cintura de Jungwon com leveza, puxando-o para mais perto, enquanto as mãos deste deixavam uma breve carícia nas bochechas coradas do mais velho a medida que os narizes roçavam um no outro de forma singela.

Não demorou muito para que se afastassem em busca de fôlego, e Jay aproveitou o momento de distração do menor para sussurrar contra seus lábios macios: 

─── isso quer dizer que eu vou, finalmente, poder te pagar um jantar?

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top