Capítulo 4

— Alguma pista que possa nos levar ao assassino? — perguntou Scott pegando os papéis nas mãos.

— Infelizmente não! Confirmamos a informação de que Mary foi levada de casa, talvez surpreendida pelo assassino ao chegar em casa, ele estava do lado de dentro a esperando ou ela foi abordada enquanto estava dormindo. Mary foi estrangulada com a corda de um violino, pequenas marcas nas pontas dos dedos apontam que ela tentou se livrar do objeto na hora da agonia, mas não arranhou seu algoz. Isso tudo aconteceu ainda dentro da casa dela. Depois de matá-la, o assassino abusou do corpo, mas tomou cuidado para não deixar vestígios, ele usou preservativo.

— Depois ele carregou o corpo até o veículo e a levou até o local onde Mary foi encontrada, depois de colocar o corpo no chão, o assassino a despiu completamente. Então a deixou naquela posição em que foi encontrada. Não foi possível encontrar nenhuma digital na cena do crime, mas encontramos um fio de cabelo sobre o corpo, pode ser do assassino. No entanto, não foi possível identificá-lo, o DNA não consta no banco de dados. Na casa encontramos impressões digitais na maçaneta da porta, mas já checamos e conferem com as de Emma. Ela mesma disse que tocou na maçaneta para entrar. O assassino foi muito cuidadoso, como já era de se esperar — concluiu Ted.

— Isso quer dizer que não temos nenhuma pista satisfatória no local do crime?

— Infelizmente não, Scott.

— Eu estive na lanchonete onde Mary trabalhava, conversei com o patrão dela. Ele confirmou a mesma coisa que Emma falou. No local não existem câmeras de segurança, vai ser difícil identificar algum suspeito sem imagens. Vou retornar lá e ver se consigo descobrir o nome completo de alguns homens que estavam lá naquela noite. Quero saber se eles tinham algum tipo de ligação com Mary, ou seja, se costumavam fazer programas com ela. De qualquer maneira acho pouco provável que o assassino retorne ao local, isso se ele realmente esteve por lá.

— Nisso você tem toda a razão. Já desconfia de qual é a motivação para o crime?

— Claro que ainda é cedo para afirmar, mas me parece motivação sexual. Mary fazia programas e foi encontrada nua em uma posição que simulava uma relação sexual. Não acredito que se trate de uma simples coincidência. Vamos ver o que eu descubro logo mais à noite.

Scott chegou em seu apartamento, Eve assistia à TV na sala.

— Chegou mais cedo, querido — falou lhe dando um beijo.

— Sim, mas não é por falta de trabalho. Hoje foi um dia muito cansativo. Vou comer alguma coisa e precisarei sair novamente.

— Alguma coisa relacionada ao caso da moça encontrada morta no último sábado?

— Isso mesmo! Já conseguimos identificá-la, uma amiga deu queixa do desaparecimento depois de não conseguir entrar em contato e nem a encontrar em casa.

— Nossa! Então foi ela quem chegou a cena do crime primeiro?

— Sim! Fomos até lá e então tudo se encaixou, constatamos que a amiga desaparecida era a mesma moça encontrada morta. Bastou que ligássemos alguns pontos, como a última vez em que Mary foi vista, depois foi só ela reconhecer o corpo.

— E já descobriram quem a matou?

— Não, isso ainda é uma incógnita. Descobrimos que Mary fazia alguns programas, com clientes que ela conseguia na própria lanchonete onde trabalhava. Precisamos identificar algum deles, por isso tenho que sair daqui a pouco. Irei na lanchonete novamente e vou tentar encontrar alguém que já saiu com Mary.

— Mas você acredita que o assassino retornaria ao mesmo local, mesmo sabendo que a polícia pode estar à espreita?

— Isso é pouco provável, mas o assassino pode ter estado lá e precisamos descobrir isso de alguma maneira.

Algum tempo depois ...

— Eu poderia levar você junto, mas aquela lanchonete não é um local muito aconchegante, acredito que você não iria gostar do ambiente.

— Tudo bem, querido. Além disso, você está indo lá a trabalho, não quero atrapalhar. Vou assistir a um filme, espero você chegar caso não demore muito.

— Creio que não! Não vou ficar muito tempo por lá, antes da meia noite já estarei em casa — Scott lhe deu um beijo nos lábios e saiu em seguida.

Meia hora depois Scott parava seu Mustang no estacionamento da lanchonete, havia alguns carros parados no local, tudo parecia tranquilo. Mary poderia ter sido abordada do lado de fora da lanchonete, mas essa hipótese já estava descartada. Ela foi atacada dentro da própria casa, provavelmente por alguém que conhecia sua rotina, sabia que ela morava sozinha e que chegava em casa altas horas da noite.

Scott adentrou ao local e foi diretamente até o balcão para conversar com Jeffrey. Havia poucas mesas ocupadas. Emma estava muito abalada e não foi trabalhar naquela noite.

— Boa noite, detetive.

— Como vai? Algum dos homens apareceu por aqui?

— Ainda não, mas é bastante cedo. Se quiser pode aguardar um pouco, pode se sentar à uma mesa e ficar à vontade. A bebida será por conta da casa.

— Não costumo beber em serviço, mas aceito um refrigerante de limão com gelo.

Scott se acomodou e ficou analisando o ambiente, pessoas de várias idades bebiam, fumavam, falavam de sexo, sem se dar conta de que o havia alguém da polícia entre eles. O detetive já estava ficando cansado de esperar, mas então um homem cruzou a porta e foi em direção ao balcão.

— Olá Jeffrey! Que história é esse de que a Mary foi assassinada?

— É verdade, Joe. Ela estava desaparecida, mas apesar de seu corpo ter sido encontrado no sábado pela manhã, só hoje é que ela foi identificada.

— Como é que isso foi acontecer?

— A polícia ainda não sabe, mas quer interrogar algumas das pessoas que estiveram aqui naquela noite, inclusive você. Está vendo aquele homem sentado ali, ele é detetive da polícia, estava esperando para conversar com você.

— Comigo, mas eu não tenho nada a ver com isso.

— Talvez não com a morte, mas sei que já saiu com Mary. Espero que realmente não tenha nada a ver com isso.

Joe caminhou até a mesa onde estava Scott.

— Olá, meu nome é Joe.

— Detetive Scott. Sente-se, precisamos conversar um pouco.

— O senhor não acredita que eu tenha alguma coisa a ver com a morte de Mary, não é mesmo?

— Até o momento não tenho motivos para pensar isso, mas depende muito da nossa conversa. É verdade que esteve aqui na última sexta-feira, quando Mary foi vista com vida pela última vez?

— Sim, isso é verdade. No entanto, quando eu fui embora ela ainda estava trabalhando.

— Depois que saiu daqui o senhor foi para onde?

— Para a minha casa.

— Não passou em lugar nenhum durante o trajeto?

— Não, eu simplesmente peguei meu carro e fui para casa, minha esposa pode confirma a hora que eu cheguei lá.

— Então o senhor é casado, mas imagino que sabia que Mary fazia programas depois que deixava o trabalho. Por acaso alguma vez utilizou dos serviços sexuais dela?

— Essa conversa não vai chegar aos ouvidos da minha esposa?

— Não, a menos que o senhor esteja de fato envolvido com a morte de Mary.

— Sim, realmente eu paguei para transar com ela algumas vezes. O senhor sabe, uma garota bonita que faz loucuras na cama mexe com a cabeça de um homem, ninguém é de ferro.

— Sei, mas nem por isso traí a minha esposa algum dia, e não foi por falta de oportunidade. Mas voltemos ao assunto. Na noite em questão o senhor afirma que não transaram?

— Isso mesmo, eu não tinha dinheiro para pagar.

— Por acaso viu alguém conversando com ela, combinando alguma coisa, um encontro sexual, por exemplo?

— Vi um homem indo até o balcão, ele conversou alguns minutos com ela, mas não posso dizer que estavam combinando algo. Depois ele retornou para a mesa e continuou bebendo, quando fui embora ele ainda estava aqui.

— O senhor saberia me dizer o nome dele?

— Não, é alguém que eu nunca tinha visto por aqui antes, mas é normal ver clientes novos por aqui. Principalmente interessados pelos serviços de Mary. A conversa se espalhou rápido, ela tinha muitos clientes.

— O senhor poderia me descrever a aparência deste homem?

— Algo em torno de um e setenta de altura, pele e cabelos claros, aproximadamente quarenta anos. Se eu visse ele novamente o reconheceria, mas não faço a mínima ideia de quem seja.

— Isso não ajuda muita coisa, mas o fato de não retornar aqui pode indicar que ele é suspeito. Vou pedir que me avise se o sujeito aparecer aqui novamente. Outra coisa. Muitos homens saiam com Mary para encontros sexuais. Em que local os encontros aconteciam?

— Ela me levava até a casa dela, mas Mary mesmo me contou que alguns a levavam a lugares mais sofisticados.

— O senhor tem mais algum nome que eu poderia interrogar, alguém que suspeita que possa ter cometido o crime?

— Não, eu sei de vários caras que dormiram com Mary, mas não acho que algum deles seja o culpado.

— Ótimo! Quero o nome de todos eles, vou conversar com cada um deles, mesmo que eu precise retornar aqui outras vezes.

Scott ficou lá até as onze da noite, nesse período conversou com mais dois caras que afirmaram terem levado Mary para a cama. O detetive poderia estar enganado, mas nenhum daqueles homens pareciam ter qualquer tipo de envolvimento com a morte de Mary. Primeiro porque não pareciam dissimulados em suas palavras e em segundo porque retornaram ao local em que a vítima trabalhava. O verdadeiro assassino seria muito tolo para cometer um erro desses, ele foi muito cuidadoso com a cena do crime, não seria ingênuo a esse ponto.

Mary era uma prostituta e ainda por cima morava sozinha, o tipo de vítima fácil para qualquer assassino. Prostitutas são assassinadas com frequência, um crime bastante comum, mas esse crime em especial não era o que Scott poderia chamar de comum. Por que o assassino deixou o corpo longe do local onde Mary morava? Por que despiu completamente o corpo e o deixou naquela posição? O assassino queria dizer alguma coisa com aquilo. No entanto, Scott ainda estava muito longe de descobrir o que aquilo significava.

O detetive deixou a lanchonete e seguiu pelas ruas de New York. Perto dali ele passou por uma rua onde havia algumas prostitutas à espera de clientes. Bastava parar o carro e deixar que uma delas entrasse, depois ela nunca mais seria vista com vida. Ser assassino de prostitutas era um trabalho relativamente fácil. Ninguém anota a placa de um carro em que entrou uma prostituta. Não é como um sequestro onde a moça é agarrada e jogada dentro de um veículo. Os clientes querem privacidade, em grande parte são homens casados ou comprometidos que procuram seus serviços.

Não foi assim que aconteceu com Mary, mas o assassino também não teve muita dificuldade para cometer o crime. As investigações até aquele momento não tinham evoluído como Scott gostaria. Nenhuma evidência satisfatória tinha sido encontrada nas duas cenas do crime, nenhum homem poderia ser considerado suspeito até o presente momento. Três dias se passaram desde o ocorrido. Scott queria colocar as mãos no culpado o mais breve possível, pois já não acreditava que aquele era um crime qualquer, isolado, fatalmente uma nova vítima poderia ser encontrada em breve. Cada dia que passava tornava essa possibilidade mais real e a única maneira de evitar isso era prendendo o assassino rapidamente. Lógico que Scott poderia estar enganado, mas seu sexto sentido dizia totalmente o contrário.

Quando ele chegou no apartamento e olhou no relógio, já marcava meia-noite, afinal tinha demorado um pouco mais do que o prometido. Eve já estava deitada, dormia serenamente. Scott tomou um banho e se deitou ao lado dela, dando-lhe um beijo no rosto. Como era bom ter a mulher que tanto amava ao seu lado, seu coração ficava apertado toda vez que recordava do passado recente. Eve poderia estar morta, assim como várias mulheres foram mortas inocentemente nos crimes por ele investigados. Scott tinha como princípio crucial não deixar que isso se repetisse, ou ao menos que o criminoso fosse preso antes de fazer um grande número de vítimas.

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