Capítulo 3

Rapidamente uma equipe de peritos foi enviada para a casa. No departamento, Scott foi chamado até a sala de Alfred.

— Algum problema, Alfred? Alguma novidade sobre a identidade do corpo encontrado no último sábado?

— Pode ser que sim. Recebemos a informação de que existe uma moça possivelmente desaparecida. A amiga dela entrou em contato com a polícia. Já enviaram peritos para analisar o local, mas quero que vá até lá e converse com a amiga dela.

— Está desaparecida faz quantos dias?

— Ainda não tenho essa informação, mas vá lá e descubra.

Scott imediatamente anotou o endereço e saiu em direção ao local, mas a equipe de perícia chegou ao local primeiro.

— Olá! Meu nome é Ted. Você deve ser Emma?

— Sim! Emma Collins.

— Estou aqui para analisar a casa. Você disse que sua amiga não dá notícias e também não está aqui, mas saiu sem levar a bolsa e o celular, isso mesmo?

— Sim!

— Você mexeu em alguma coisa, mudou algo de lugar.

— Não, mas eu peguei na maçaneta da porta para entrar, ela estava apenas encostada.

— Certo, pode ficar aqui do lado de fora aguardando o detetive, enquanto isso eu e meu colega vamos analisar o local.

Poucos minutos depois, Scott estacionou seu carro atrás do carro da perícia. Ele olhou em direção a casa e viu uma moça do lado de fora, ela parecia bastante apreensiva, certamente que era a comunicante do fato. O detetive foi ao seu encontro.

— Olá, sou detetive Scott, departamento de polícia de New York.

— Sou Mary Allen.

— Imagino que deve ser a moça que pediu a ajuda da polícia, por isso que a equipe de perícia já está aqui.

— Sim, isso mesmo — falou bastante nervosa.

— Quando foi que notou o desaparecimento de sua amiga?

— Ela não apareceu para trabalhar e também não atendia ao celular, então vim aqui para ver o que estava acontecendo. Encontrei a casa com a porta apenas encostada, mas Mary não está aqui. A bolsa com o celular está sobre o sofá.

— Ela mora sozinha?

— Sim, Mary é órfã de mãe e nunca conheceu o pai. Nunca ouvi ela falando que tem algum parente.

— Quando foi a última vez que você a viu?

— Foi na sexta-feira à noite. Ela saiu do trabalho e estava tudo bem, não comentou nada que pudesse indicar que havia algo de errado.

Aquilo poderia ser uma simples coincidência, mas a moça encontrada morta no sábado pela manhã pode ter sido atacada durante a noite anterior, havia uma grande chance de ser Mary e Scott sabia disso.

— Mary saiu sozinha ou acompanhada?

— Sozinha, mas não posso dizer isso com toda a certeza. Ela pode ter encontrado alguém do lado de fora.

— Um namorado, por exemplo?

— Não! Mary não tem namorado, mas ...

— Mas o quê? Emma, neste momento qualquer informação é muito importante para que consigamos descobrir onde está a sua amiga ou o que aconteceu com ela. Se você não falar tudo o que sabe só irá dificultar as coisas.

— Nós duas trabalhamos em uma lanchonete, mas Mary também faz alguns programas. Em algumas noites ela sai da lanchonete acompanhada, mas os caras a esperam do lado de fora. A maioria deles é casado e não quer ser visto saindo com ela da lanchonete.

— Nesse caso teríamos que interrogar todos eles para descobrir alguma coisa. De qualquer maneira, ainda precisamos saber se alguém a levou daqui.

Os dois continuaram conversando mais um tempo e então Ted surgiu na porta.

— Descobriu alguma coisa, Ted?

Encontramos impressões digitais na maçaneta da porta, mas podem ser da moça, ela disse que abriu a porta. De qualquer maneira não acredito que o suspeito tenha entrado aqui sem usar luvas. A porta foi forçada, provavelmente aberta com um cartão de crédito. Não há qualquer sinal de violência, quem entrou aqui deve ter feito isso quando Mary ainda não havia chegado. Quando ela chegou, então foi surpreendida. Nada de valor foi levado da casa, ele queria apenas Mary.

— Não estou entendendo. Você quer dizer que Mary foi sequestrada, é isso? Mas por que alguém faria isso se ela não tem dinheiro algum?

— Acho melhor você explicar logo para ela — falou Ted incumbindo Scott da tarefa mais difícil.

— Tudo indica que a sua amiga foi assassinada.

— Meu Deus! Não pode ser — disse desesperada.

— No sábado pela manhã encontraram o corpo de uma jovem, ela estava totalmente nua, sem qualquer tipo de identificação. Até o momento ainda não conseguimos identificar o corpo. Infelizmente, pode ser a sua amiga — completou Scott.

— Não, Mary não pode estar morta — Emma já estava com lágrimas nos olhos.

— Poderia me descrever a aparência dela, ou você tem alguma foto que possa me mostrar?

— Mary tem pele clara, magra, olhos castanhos e cabelos escuros na altura dos ombros. Mas eu também tenho uma foto dela aqui no meu celular.

— Ótimo! Deixe-me ver.

Scott olhou para a foto e mesmo ela estando com uma aparência um pouco diferente, mesmo assim ele não teve dúvidas que se tratava da mesma pessoa encontrada morta no sábado anterior.

— Você disse que Mary não tem parentes. Na condição de amiga, você gostaria de nos acompanhar até o necrotério para fazer o reconhecimento do corpo?

— Vocês não estão falando sério, estão?

— Infelizmente sim. Se quiser podemos ir agora, meu colega ficará aqui terminando de colher evidências — falou Ted retirando as luvas.

Emma acompanhou os dois, mas não conseguia acreditar que a amiga poderia estar morta. Tudo não devia passar de um simples engano. Mas se não era isso, o que havia acontecido com Mary?

Depois que eles chegaram ao setor de perícias, Ted entrou em uma sala e logo em seguida retornou.

— Podemos entrar agora, se quiser?

— Tem um monte de gente morta aí dentro?

— Algumas, mas garanto que você não verá ninguém além da moça que estamos tentando identificar — falou Ted a tranquilizando.

Scott preferiu aguardar do lado de fora, afinal ele já tinha visto o corpo no local do crime, já tinha certeza de que se tratava de Mary Allen.

Ted entrou na sala e Emma o acompanhou receosa, de fato havia mais corpos, mas todos deviam estar guardados nas enormes gavetas metálicas. Sobre uma maca havia um corpo coberto por um lençol branco. Ted parou ao lado dele e olhou para Emma. O coração dela bateu acelerado. Não sabia qual seria a sua reação se visse a amiga morta em cima daquela mesa.

— Está preparada? Vou puxar o lençol devagar, só irei mostrar o restante se você achar necessário.

— Tudo bem!

Ted começou a puxar o lençol com cuidado e os cabelos ficaram expostos, pareciam comuns, mas muito parecidos com os de Mary. Mais um pouco e a testa apareceu e em seguida todo o rosto e a região do pescoço ficou exposta. Havia uma marca roxa que circundava o pescoço de um lado a outro. Emma deu um grito ao reconhecer a amiga e saiu correndo da sala, desesperada e aos prantos.

Scott que estava de prontidão a amparou.

— Mary está morta. Quem fez uma coisa horrível dessas com ela? — falou soluçando enquanto Scott tentava consolá-la.

— Não se preocupe, vamos pegar o culpado, eu prometo.

Depois de algum tempo, finalmente Emma conseguir se acalmar e ela foi deixada em casa. Não estava em condições de trabalhar naquela noite. Agora Scott já tinha a identidade da vítima. Só precisava descobrir o que de fato aconteceu e quem era o culpado por tudo aquilo. Sua primeira tarefa seria investigar a lanchonete onde ela trabalhava, o assassino poderia ser um dos clientes que frequentavam o local.

Scott deixou Emma em sua casa e imediatamente ligou para Alfred.

— Alfred! Já conseguimos identificar a moça encontrada morta no último sábado. É a amiga de Emma que estava desaparecida. A perícia encontrou evidências de que a porta da casa dela foi arrombada e ao que tudo indica ela foi levada de lá. A moça se chamava Mary Collins. Emma nos acompanhou até o setor de perícias e fez o reconhecimento do corpo. Ela contou que ela e a amiga trabalham em uma lanchonete durante à noite. Também disse que Mary fazia alguns programas depois que saía da lanchonete. Geralmente com os próprios clientes.

— Interessante! Então ela pode ter sido assassinada por algum desses "clientes".

— Sim, Alfred! É por isso que estou indo até a lanchonete agora para interrogar o dono. Precisamos descobrir com quem ela saiu na última noite em que foi vista com vida. Talvez precisemos de um mandado, mas vou ver o que consigo por enquanto. Ted também disse que os resultados da perícia no corpo saem ainda hoje.

— Certo, faça isso, caso precise de um mandado me avise que providenciarei o mais breve possível.

Scott seguiu até o endereço informado por Emma. A lanchonete não ficava muito distante da casa de Mary, mas o local onde o corpo foi encontrado ficava a quilômetros dali. Por que o assassino teria se dado ao trabalho de ir tão longe? Isso fazia algum sentido ou era apenas um detalhe sem importância? Talvez porque ele buscava um local isolado, onde não tivesse nenhuma chance de ser visto enquanto deixava o corpo cuidadosamente do jeito que ele queria.

O detetive caminhou até a porta e viu uma placa dizendo que estava fechado, mas através do vidro ele pôde ver que havia alguém lá dentro. Scott forçou a fechadura e viu que a porta não estava trancada, não pensou duas vezes antes de entrar.

— Está fechado! O senhor não sabe ler? — perguntou um homem de meia idade que estava organizando bebidas atrás do balcão.

— Bom dia! Sei muito bem o que está escrito na porta, mas estava aberta e o que vim fazer aqui é muito importante.

O homem franziu o cenho, não estava gostando muito daquela invasão, mas então percebeu que poderia ser algo relacionado a Mary, sua funcionária que não dava notícias a três dias.

— Sou detetive Scott, departamento de polícia de New York — falou mostrando o distintivo.

— Jeffrey. Algum problema, detetive?

— Infelizmente sim! O senhor tem uma funcionária que se chama Mary Collins?

— Sim, mas não sei onde ela está, a última vez que a vi foi na noite de sexta para sábado quando ele veio trabalhar, depois disso ela não deu mais notícias.

— Já conheço a história parcialmente, mas isso mostra que Emma está falando a verdade.

— Emma! O que ela tem a ver com isso?

— Emma estava preocupada com a falta de notícias da amiga, então ela foi até a casa de Mary. Chegando lá ela encontrou a porta da frente destrancada e nenhum sinal de Mary. Emma comunicou a polícia e ao que tudo indica Mary foi levada de lá por alguém.

— Mary foi sequestrada? — perguntou assustado.

— Infelizmente é muito pior do que isso. Encontramos um corpo sem identificação ainda no sábado pela manhã. Emma reconheceu a amiga, Mary foi assassinada.

— Nossa! Como é que isso foi acontecer? Mary era uma funcionária exemplar. Quem teria motivos para cometer uma barbaridade dessas? — falou chocado com a notícia.

— É justamente isso que a polícia quer descobrir. Também é por isso que estou aqui. Emma contou à polícia que Mary saía com alguns caras em troca de dinheiro, se prostituía.

Jeffrey franziu o cenho, se sua lanchonete fosse considerada um ponto de prostituição, ele poderia ter sérios problemas com a polícia.

— Não posso afirmar isso, o que minha funcionária fazia da porta para fora não é da minha conta.

— Certo, mas os clientes dela eram em sua maioria clientes da lanchonete. Ao menos foi isso o que Emma contou.

— Pode ser, mas não tenho nada a ver com isso.

— A última vez que Mary foi vista com vida aconteceu quando ela deixou sua lanchonete. O senhor saberia me dizer se Mary deixou o local acompanhada?

— Eu vi quando ela saiu por aquela porta, tenho certeza de que estava desacompanhada, mas não sei se alguém a esperava do lado de fora.

Scott olhou ao redor do local procurando por câmeras, mas não encontrou nada.

— Existe alguma câmera de segurança interna ou externa?

— Não, nenhuma. Nunca tive problemas com roubo ou vandalismo, acho que seria um desperdício de dinheiro.

— Imagino que o senhor deve conhecer alguns de seus clientes. Consegue se lembrar do nome de algum deles que estavam aqui na noite da última sexta-feira?

— Sim, conheço vários clientes pelo nome, mas não lembro ao certo quantos estiveram aqui naquela noite.

— Nenhum nome?

— Acredito que pelo menos dois nomes posso dizer com certeza, Joe e Billy estiveram aqui naquela noite. Eu conversei com eles pessoalmente, mas não acredito que seriam capazes de fazer algum mal à Mary.

— Acredite, geralmente estes tipos de crimes são cometidos por alguém que está acima de qualquer suspeita, muitas vezes eles conseguem enganar muita gente antes de serem presos. Não é à toa que conseguem ficar impunes por algum tempo até finalmente colocarmos as mãos neles. Não estou dizendo que algum deles foi o culpado pelo crime, mas precisamos começar a investigar de algum ponto e Mary provavelmente foi morta logo depois que saiu daqui. Preciso que me informe o endereço dos dois.

— Isso não será possível, não faço a mínima ideia de onde eles moram.

— Podemos descobrir isso, mas preciso saber o sobrenome deles — continuou Scott.

— Também não tenho essa informação, só sei que se chamam Joe e Billy, mais nada.

Scott ficou desapontado, nunca era fácil, por que agora deveria ser — pensou ele coçando o queixo.

— Há uma possibilidade de encontrá-los, eles costumam vir aqui quase todas as noites. Basta que o senhor venha até aqui hoje à noite, ou se eles aparecerem por aqui eu pergunto o nome deles, isso já ajudaria, não é mesmo?

— Sim, com certeza. Em todo caso, vou fazer o possível para estar aqui nesta noite.

Não tendo mais nada para fazer ali, o detetive retornou para o departamento. Jeffrey não parecia o culpado pelo crime, mas até o momento todos eram suspeitos, a menos que o resultado da perícia apontasse para alguém. Ainda durante a tarde, Scott recebeu o relatório da em suas mãos. Ted foi pessoalmente entregá-lo.


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