Capítulo 1
Quando Mary saiu da lanchonete onde trabalhava todas as noites já passava da meia-noite, raramente ela conseguia ser liberada antes desse horário por seu chefe, Jeffrey. Um sujeito mal-educado, que além de pagar pouco ainda se aproveitava da situação para passar a mão na bunda dela sempre que tinha uma oportunidade. Mary não o denunciava por assédio porque precisava muito daquele emprego, mas também nunca tinha ido para a cama com o chefe, ela sempre negava seus convites e investidas que ocorriam quase todos os dias.
Ela sabia que ainda tinha que chegar em casa e colocar as roupas de molho na lavadora e que precisava acordar cedo no dia seguinte para limpar a casa, arrumar toda a bagunça acumulada durante a semana. Ela estava cansada daquela vida, morar sozinha tinha lá as suas vantagens, como por exemplo, dormir até tarde nos dias de folga, sair e voltar para casa a hora que bem entendesse sem que houvesse alguém para encher o saco. Podia andar nua pela casa, trazer quem quisesse para transar, mas também tinha que arcar com todo o serviço e as despesas sozinha, essa era sem dúvida a pior parte de todas.
A moça não gostava de roupas sujas espalhadas por toda a casa, poderia até dizer que era bastante organizada, fazia comida no almoço e guardava as sobras na geladeira e comia no dia seguinte, se fosse necessário. As vezes comia algum lanche no trabalho e chegava em casa sem fome, tomava um banho e em seguida ia dormir. Essa nem sempre era a sua rotina, muitas vezes ela saía do trabalho acompanhada e só chegava em casa depois de dormir com algum desconhecido em troca de dinheiro. Isso não era o que Mary sonhava para a sua vida aos vinte e dois anos. Queria estar formada na faculdade e com um bom emprego, talvez até mesmo casada e morando em uma bela casa. Apenas sonhos que estavam muito longe de sua realidade.
Mary nunca conheceu seu pai, ela viveu com a mãe até seus quinze anos quando a mãe acabou morrendo de overdose por cocaína. Ela sabia que cedo ou tarde isso acabaria por acontecer. Tudo o que restou para sua vida foi abandonar os estudos e arranjar algum emprego para que pudesse pagar o aluguel e ainda manter a casa, fazer compras no supermercado e evitar que a energia fosse cortada. Não demorou muito para que também começasse a se prostituir seguindo os passos de sua mãe, mas essa não era a sua principal fonte de renda, porém ajudava bastante no orçamento. Diferente da mãe, a moça nunca havia experimentado nenhum tipo de droga, nunca entraria nessa vida miserável.
Mary se dava ao luxo de escolher os caras que a levariam para a cama. A conversa se espalhou rapidamente e todos os clientes da lanchonete em que ela trabalhava sabiam de seus serviços sexuais. Por ser muito bonita não faltavam interessados em levá-la para a cama.
Ela poderia sair com um homem diferente todas as noites, mas preferia evitar isso, muitas vezes negava o pedido apenas por não ter estômago para aguentar um sujeito fedorento, cheirando a cigarro e a bebida barata, gemendo em cima dela. Não precisava se rebaixar a tanto.
Naquela noite, Mary recusou todos os convites que recebeu, não estava com saco para fingir prazer e por isso estava voltando sozinha para casa. A lanchonete ficava a algumas quadras de onde ela morava, não era muito longe, mesmo assim a noite escura e a rua deserta lhe davam medo. Mary preferia não ouvir o noticiário policial, era melhor não ficar sabendo das atrocidades que ocorriam na cidade, ou então não teria coragem de andar sozinha, coisa que era impossível deixar de fazer.
Por sorte ela não encontrou ninguém enquanto caminhava solitária pelas ruas em direção de sua casa. A moça encontrou a chave na bolsa e abriu a porta do apartamento rapidamente e entrou trancando-a em seguida. Seu coração que estava acelerado começou a se acalmar, já não havia mais nenhum perigo com o que se preocupar. Ela acendeu a luz e caminhou tranquilamente deixando a bolsa sobre o sofá. Por um momento Mary pensou ter ouvido algum ruído estranho, mas talvez fosse apenas o gato que estava andando sobre o telhado outra vez. Mary nem teve tempo de se virar quando sentiu algo sendo passado por sobre a sua cabeça e apertando seu pescoço, antes que pudesse gritar já havia uma mão tapando a sua boca.
Desesperadamente ela tentou se libertar, mas era em vão, o que quer que fosse estava muito apertado e começava a sufocá-la, estava ficando sem ar, seu nariz também estava tampado pela enorme mão que cobria a sua boca, sentiu apenas o gosto de borracha ao tentar mordê-lo. Logo tudo começou a escurecer, a agonia da morte se aproximava, seu corpo sem vida caiu nos braços de seu algoz.
O assassino a colocou sobre o sofá e certificou-se de que realmente estava morta, sentindo seu pulso e ouvindo seu coração, então guardou seu instrumento de trabalho novamente no bolso do casaco. Ele então puxou a saia um pouco para cima até que a calcinha branca dela ficasse aparente, deslizou a peça até retirá-la completamente e em seguida levou até o rosto aspirando seu cheiro, aquilo o deixou ainda mais excitado do que já estava. Rapidamente retirou um preservativo do bolso e abusou do corpo com desejo, Mary que ainda estava com os olhos abertos parecia olhar incrédula para a cena cruel que seu corpo era submetido. Ele por sua vez sentia-se como um ser superior, principalmente por ser o último homem a possuir e sentir prazer com aquele corpo.
Depois de saciado, o assassino juntou todas as suas coisas, inclusive o preservativo que guardou no bolso e deixou a casa. Caminhou até o local onde havia deixado seu carro escondido, tomou muito cuidado para que não fosse visto e então parou próximo da casa de Mary. Sorrateiramente ele retornou para dentro da casa e pegou o corpo nos braços e levou até o carro colocando-a deitada no banco traseiro. Rapidamente deu partida e saiu do local. Ele dirigiu por muito tempo até que finalmente encontrasse um local seguro para deixar o corpo parando o carro em seguida. Mais uma vez só depois de ter absoluta certeza de que não estava sendo observado. Ele então pegou o corpo e colocou sobre a grama orvalhada, despindo-a totalmente, depois afastou ligeiramente as pernas dobrando levemente os joelhos, como se Mary estivesse pronta para o sexo. O assassino tomou bastante cuidado ao arrumar o corpo, queria que fosse encontrado naquela posição, nua e sem nenhuma identificação.
Ele olhou uma última vez para o corpo, tendo como testemunha apenas as estrelas que iluminavam a noite escura. O assassino deixou o corpo e retornou para casa, colocou as roupas da vítima sobre o sofá, na manhã seguinte se livraria delas, mas agora precisava descansar, pois tinha que trabalhar logo pela manhã.
Quando os primeiros raios de claridade transpassaram a cortina de seu quarto, ele tratou logo de levantar e depois de ir ao banheiro pegou as roupas de Mary para jogá-las fora. Colocou tudo dentro de sacos plásticos para que pudesse descartar em qualquer lixeira pela cidade, o pacote estava bem fechado, dificilmente alguém as encontraria. Então ele notou que faltava a calcinha, não estava junto das outras peças, recordou-se então que a havia colocado em um dos bolsos do casaco. Após encontrá-la ele pegou a peça e cheirou novamente, decidiu por não a descartar, guardaria como lembrança.
Demorou até o dia amanhecer para que o corpo fosse encontrado, o local era bastante isolado, escolhido propositalmente pelo assassino. Rapidamente a polícia foi avisada, mas não havia mais nada o que pudesse ser feito, a pobre moça estava morta havia muitas horas.
Detetive Scott havia acabado de chegar ao departamento e estava em sua sala quando seu telefone tocou, era Alfred, seu chefe lhe pedindo que ele fosse verificar o ocorrido. Scott anotou o endereço e se dirigiu ao local que ficava a aproximadamente quarenta minutos dali. Havia outros carros de polícia e também a equipe da perícia que já realizava o seu trabalho. Scott desceu de seu carro e caminhou cruzando o cordão de isolamento depois de mostrar o seu distintivo.
Scott ficou apenas observando a cena, o corpo totalmente nu em uma posição estranha, os olhos da vítima ainda abertos demostrando horror, nenhuma peça de roupa ao lado do corpo, nada que pudesse identificar a vítima. Era como se a vítima estivesse fazendo sexo e tivesse ficado estagnada naquela posição. Não havia nenhum ferimento aparente, além de marcas profundas em seu pescoço, provavelmente feitas por algum tipo de fio de nylon ou cordas de um instrumento musical. Não havia sangue em sua região íntima, nem sémem que pudesse ser visto a olho nu. O fato de o corpo estar completamente nu poderia ter algum significado para o assassino, ou talvez ele apenas queria dificultar a ação da polícia com a identificação.
— Scott, acho que temos alguém querendo exibir o seu trabalho — falou Ted, o chefe da equipe de perícia assim que o viu.
— Sim, parece que o assassino estava querendo demonstrar alguma coisa ao deixar o corpo nesta posição. Como foi que a encontraram?
— Aquele senhor ali estava passando pelo local e viu o corpo e avisou a polícia. Acredito que ele não tem nada a ver com o crime, mas acho importante que converse com ele.
Scott foi até o homem que acompanhava a ação da perícia à distância.
— Olá! Sou detive Scott, departamento de polícia de New York.
— Como vai? Sou John Stevens.
— Gostaria de fazer algumas perguntas ao senhor.
— Tudo bem!
— Diga como foi que encontrou o corpo?
— Eu estava indo visitar meus parentes que moram perto daqui. Quando olhei para o lado e vi aquele corpo, quase bati o carro com tamanho susto. Eu parei e corri rapidamente até onde ela estava, acreditando que ainda estava com vida. Vi que estava imóvel e provavelmente morta, então liguei para a polícia.
— O senhor viu alguma movimentação estranha, algum suspeito por aqui perto?
— Não, nenhuma.
— Espero que não tenha tocado no corpo?
— Não, eu quase fiz isso, mas então me lembrei das séries policiais que andei assistindo ultimamente.
— Muito bem! De qualquer maneira preciso de todos os seus dados, seu endereço, inclusive. Se encontrarmos qualquer digital no corpo precisaremos confrontar com a sua.
— Tudo bem, mas tenho certeza de que não encontrarão nada.
Scott não sabia se aquilo era uma suposição ou uma afirmação. Ele estava se referindo apenas as suas impressões digitais ou queria dizer que não encontrariam a de ninguém no corpo?
O detetive retornou para perto do cadáver.
— Já pode me adiantar alguma coisa, algo que eu não tenho percebido ainda?
— Acho que você já viu tudo, não há qualquer ferimento além do pescoço. Tudo indica que foi utilizada a corda de um instrumento musical para estrangular a vítima. O corpo não foi arrastado, mas sim colocado cuidadosamente no local em que foi encontrado. As marcas de pneus sobre a grama indicam que o carro parou bem próximo aqui, ele apenas abriu a porta do carro e retirou o corpo. Ela já estava morta quando foi trazida para cá. Pelos sinais ao redor do corpo, ela foi despida no local. Não existe sémen, mas isso ainda não quer dizer que não tenha sido violentada sexualmente.
— Não encontramos digitais, nem qualquer outra evidência que possa ser utilizada para encontrar o culpado, ainda vamos realizar o serviço completo, mas acho que o resultado não será muito diferente de tudo o que já sabemos.
— Uma vítima sem qualquer identificação, acho que não teremos muita facilidade para descobrir a sua identidade — falou Scott olhando novamente para o corpo que estava com o aspecto sombrio, ainda de olhos abertos em sua direção. Uma moça muito bonita com a vida interrompida brutalmente por algum assassino inescrupuloso.
— Isso, vasculhamos os arredores e nada foi encontrado, nada de roupas ou documentos. Provavelmente o assassino levou tudo o que ela usava no momento.
— Teremos que aguardar até que alguém relate o desaparecimento à polícia, ou que ela possa ser identificada através das próprias impressões digitais.
— Isso mesmo, Scott. Vamos começar a examinar o corpo o mais rápido possível, se eu tiver alguma novidade lhe aviso.
Ted terminou o trabalho e em seguida o corpo foi embalado e colocado no carro da perícia. Alguns curiosos que acompanhavam o trabalho à distância também foram embora. O assassino poderia estar entre eles, admirando o seu trabalho. Scott ainda não tinha nenhum suspeito, não sabia o nome da vítima, nem se ela tinha namorado ou algum companheiro. Não sabia onde ela trabalhava, em que local estava na noite anterior. Se foi abordada ao sair do trabalho, ou atacada em casa enquanto dormia serenamente.
Tudo o que existia era um corpo nu, assim como as investigações que ainda não tinham qualquer rumo.
Scott entrou em seu carro e retornou para o departamento. Alfred, seu chefe, queria saber o que o detetive pensava a respeito daquele crime.
— Já conseguiram identificar a vítima? Fiquei sabendo que ela estava totalmente nua.
— Sim, é verdade, mas não há como identificá-la até o momento. Por acaso surgiu uma queixa de alguma garota desaparecida? Morena clara, olhos castanhos, aproximadamente um e sessenta de altura, magra de cabelos escuros.
— Absolutamente nada, chequei os últimos comunicados e não há nada parecido. Você acredita que se trata de algum crime isolado ou é apenas o início de outra série de crimes?
— A julgar pelo jeito que o corpo foi encontrado, creio que isso irá se repetir. Espero que consigamos identificar a vítima o mais rápido possível, isso poderá nos levar até o culpado antes que ele ataque novamente.
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