O diário da bruxa

Eu havia acabado de chegar em Hogsmead, uma cidadezinha no meio do nada, sem nenhum ponto de referência importante.

Esse é o tipo de cidade em que todos tem a mesma rotina chata, e sabem tudo sobre os podres uns dos outros.

Eu tive que me mudar para cá, graças ao novo emprego da minha mãe, ela é advogada.

Eu realmente não queria me mudar, deixar meus amigos para trás e vir para uma cidade completamente nova, mas eu entendia que era nescessário, e uma chance única para a minha mãe.

Foi nessa cidade onde meus pais cresceram e se conheceram, eles estavam super animados para vir, e tem ótimas lembranças daqui.

Nós morávamos em Londres, ou seja um lugar bem maior que esse, aqui o céu sempre estava nublado, o clima é estranho, um pouco abafado, as ruas estavam quase sempre desertas, e tudo parecia um pouco sombrio.

Sai dos meus pensamentos quando meu pai estacionou o carro de frente para uma casa bonita, azul claro, com um jardim bem cuidado.

Passamos o resto da tarde descarregando o carro, deixei algumas caixas no lugar que vai virar meu quarto, e então decidi que iria dar uma volta para conhecer a cidade. Até porque, eu conhecia todos os cantos de Londres, e estar em uma cidade completamente nova é estranho pra mim.

Desço as escadas, e encontro meus pais conversando com a minha irmãzinha Maya sobre alguma coisa envolvendo o halloween que seria daqui um mês.

- Gente, vou dar uma volta para conhecer a cidade. – Disse indo em direção a porta.

- Harry, espera! – meu pai me faz parar, e olhar para ele. – Não faça nada que eu não faria.

- Oh, claro. – ri negando com a cabeça, e sai

Andei sem rumo pelas ruas desertas dessa cidadezinha pacata, até que vi uma praçinha com algumas pessoas aleatórias, decidi entrar lá, vai que eu conheço alguém novo.

Todas as casas eram muito bem cuidadas, tinha uma única que parecia abandonada, mas não dei muita atenção.

Escuto uma risada estridente, e vejo um garoto de pele pálida, cabelos loiros que pareciam reluzir na luz, ao seu lado tinham dois brutamontes, uma garota de cabelos pretos, e um outro garoto que parecia levemente divertido.

Me perguntei o que seria tão engraçado para o garoto gargalhar daquele jeito, olhei em volta e vi um garotinho, aparentemente da idade da minha irmã, uns dez anos, chorando caído no chão com um joelho ralado.

Andei até o menininho e o ajudei a levantar, e percebi que a risada havia parado.

- O que você pensa que está fazendo? – ouvi uma voz prepotente atrás de mim, o garotinho arregalou os olhos e se encolheu um pouco.

Me virei e dei de cara com o loiro, que me olhava de cima a baixo com o nariz empinado, e uma cara de desgosto.

- Bom, aparentemente estou ajudando o menino a levantar, já ninguém mais parecia ter visto, sabe?

Ele me fitou indignado.

- O que você quer dizer com isso? – perguntou.

- Que você viu o menino no chão chorando, e enquanto isso estava rindo dele.

O olhei com raiva, e ficamos nos encarando por um tempo, a esse altura o garoto já havia saído correndo.

- Ora seu...

- E aí Malfoy, atormentando criancinhas de novo? – um garoto ruivo com o rosto cheio de sardas ri debochado vindo na nossa direção.

- Cale a boca, Weasel – O garoto que aparentemente se chamava Malfoy respondeu.

Que babaca!

- Draco, venha, esse aí não vale a pena – a garota de cabelos pretos chamou.

- É bom você não aparecer na minha frente de novo. – Me lançou um último olhar de ódio e saiu.

Revirei os olhos, qual foi a necessidade disso?

- Não liga pra eles, são uns idiotas mesmo – O ruivo estendeu a mão, chamando a minha atenção para ele - Rony Weasley.

- Eu sou Harry... – apertei sua mão, e sorri meio sem graça – Harry Potter.

- Você é novo aqui?

- Ah, sim. Cheguei hoje cedo...

- Ótima maneira de se chegar numa cidade nova, com o idiota do Malfoy enchendo o saco.

- Ele é sempre assim? – Perguntei meio incrédulo.

- Ah não, ele até que estava de bom humor hoje.

- Então... que sorte a minha não? – dei uma risada sarcástica.

Rony riu e concordou com a cabeça.

- Bom, você só teria que lidar com eles na escola. – deu de ombros.

- Eu vou começar amanhã.

- Ah, eu acho que você vai gostar de Hogwarts. Sabe, tem muitas pessoas legais por lá.

- Como você sabe que eu vou estudar em Hogwarts?

- Bom... porque é a única escola da cidade. A não ser que você vá estudar em casa.

- Ah - passei minha mão pela a nuca meio envergonhado – Eu não fazia ideia, sempre morei em cidade grande.

- Tudo bem, cara. – de repente ele arregalou os olhos como se tivesse esquecido de algo e olhou diretamente para o seu relógio – Merda – passou a mão pelos cabelos – Estou de saída agora. Te vejo amanhã?

- Eu acho que sim.

- Então, eu te vejo amanhã – Ele me dá um sorriso que mostra todos os dentes. Ele faz um sinal de despedida e vai embora.

O tal do Malfoy é um idiota, mas Rony parece ser uma pessoa legal.

...

Fiquei perambulando pelo o parque mais um pouco, e percebo que já está escurecendo, decido voltar para a minha casa. Meus pais vão começar a ficar preocupados.

Adentrando na sala, vi que os móveis já estavam no lugar, me joguei no sofá e suspirei alto só de pensar em tudo que eu ainda precisava organizar.

- Você chegou tarde – diz Maya que já estava sentada no sofá tomando um chocolate quente – O que achou da cidade?

- Eu só fui até o parque e conheci umas pessoas da nossa escola – falei pegando alguns biscoitos que minha irmãzinha estava comendo.

Minha irmã deu de ombros e me ofereceu um pouco de chocolate quente. Continuamos conversando sobre a nova escola. Eu sei como minha irmã foi a mais afetada a se mudar de cidade. Maya foi muito relutante a deixar seus amigos de Londres, mas, com muito esforço eu consegui fazer com que ela desse uma chance. Eu prometi que ajudaria ela a se adaptar mais rápido.

No dia seguinte, eu estava a caminho de hogwarts, estava distraido pensando nos meus amigos de Londres quando cheguei no colégio. Ajudei a Maya encontrar sua sala, aconselhei ela a tentar fazer novas amizades. Depois que eu senti que ela estava mais confiante, me despedi e fui para a minha aula.

Levei um tempinho para encontrar a sala de física, pois Hogwarts era enorme. Mas uma garota de cabelos longos e escuros que se apresentou como Cho Chang, me ajudou bastante. Ela teve muita paciência e mostrou onde ficava a sala.

Entrei, e vi que a professora já estava lá e já havia iniciado a aula, mas quando me viu parou pra me receber.

- Sr. Potter, entre! – ela falou – Sou a prof. McGonagall, gostaria de se apresentar?

A Professora tinha um olhar severo, mas parecia ser muito boa.

- Hum... Claro – me amaldiçoei por ter chegado atrasado – Me chamo Harry Potter, vim de Londres, e tenho dezesseis anos. – Falei sem jeito.

- Nossa, Londres é uma cidade grande, bem diferente daqui, o que está achando? – ela perguntou.

- Eu cheguei ontem, então não pude ver muita coisa. – ela deu um leve sorriso de compreensão e apontou para a última carteira no fundo, onde eu iria me sentar.

No caminho à minha carteira encontrei aquele menino de cabelos loiros. Malfoy. O olhei fixamente, o mesmo me olhou com uma expressão de desprezo e logo em seguida desviou o olhar. Me sentei na última fileira e dei um leve suspiro. "Ele tinha que ser da minha turma, né?" Pensei.

Meu lugar era a última encostada na parede. Ficava ao lado de Rony, que estava atrás de uma garota com cabelos castanhos e cheios, que me olhava com um sorriso no rosto, que eu retribui levemente.

Rony me deu um aceno com a cabeça, e depois disso a aula se passou normalmente.

No fim da aula, me levantei na intenção de ir para o meu armário, para pegar meus materiais para a próxima matéria, quando a garota de cabelos cacheados se aproximou.

- Olá, sou Hermione Granger – estendeu sua mão – Bem-vindo a Hogwarts, Harry.

- Olá, legal te conhecer Hermione, obrigado – apertei sua mão, e seguimos juntos para os armários.

Hermione disse que poderia me ajudar com as matérias que eu estava atrasado. Eu fiquei bastante agradecido, achei essa atitude muito legal da parte dela. Continuamos conversando sobre outras coisas até quando vi o loiro, e decidi perguntar.

- E qual é a daquele cara? – perguntei apontando discretamente com a cabeça para Malfoy.

- Ah, aquele é Draco Malfoy, um dos mais populares de hogwarts, mas é apenas um garoto mimado que gosta de incomodar os outros. – ela revira os olhos ao pensar nele.

Pega seu material e logo depois ela sai para a sua próxima aula que não era a mesma que a minha.

Começo a guardar minhas coisas no armário quando ele é fechado bruscamente me assustando.

- Olha o que encontramos aqui, Harry Potter, o salvador de criancinhas indefesas – fala com um sorriso sínico nos lábios. – Pensei ter dito para você nunca mais aparecer na minha frente.

- Me poupe Malfoy – dou as costas para ele e vou para a próxima aula, com um sorriso ao ouvir a exclamação de indignação do outro.

- Acordou de mau humor hoje, Potter? – o escutei, mas eu ignorei.

...

Rony e eu estávamos conversando no refeitório quando uma Hermione com um olhar furioso veio na direção do ruivo.

- Ronald Weasley, a professora Sprout acabou de me falar que você não entregou as últimas atividades – ela fechou os olhos, respirou fundo como querendo se acalmar. Quando ela os abriu, continuou – Você sabe que isso pode lhe reprovar, meu bem.

- Desculpa meu amor – Rony olhou para suas próprias mãos, era nítido que estava extremamente envergonhado – É que lançou um jogo novo muito maneiro e eu acabei me distraindo.

Meu bem? Meu amor?

Ele me contou que namora com a Hermione. Porém, nunca imaginei esse tipo de tratamento vindo deles. É fofo.

Hermione continuou dando advertências no seu namorado por sua irresponsabilidade. Mas, depois de vários pedidos de desculpas do Rony, e promessas de que iria melhorar, ela suspirou cansada e se sentou na mesa.

- Rony, eu não vou estar aqui para lhe ajudar todo tempo – o Ron fez um sinal de concordância, e assim a Hermione prosseguiu mais animada – Bom... Como eu já tinha oferecido ajuda ao Harry com as matérias. Eu pensei que seria bom a gente se encontrar para estudar. O que vocês acham?

Eu tive que me segurar para não rir da cara de socorro que o Ron me direcionou.

...

Chegando em casa eu me joguei no sofá e fiquei olhando pro teto. Tenho que admitir, nunca imaginei que meu primeiro dia de aula na nova escola ia ser tão cansativo. Continuo olhando para cima pensando em como foi meu dia. Eu realmente consegui fazer duas amizades hoje? Nunca imaginei que isso aconteceria, até porque eu não sou muito sociável, minha timidez nunca me ajudou muito nesse quesito. Ronald e Hermione são pessoas muito divertidas. Enquanto conversávamos eu me senti tão confortável, parecia que éramos amigos de longa data.

Conheci muitas pessoas hoje, umas bem agradáveis por sinal. Infelizmente, não posso dizer o mesmo de uma certa pessoa.

Eu senti falta dos meus amigos da minha antiga cidade. Saudade das piadas do Dino e Simas que sempre acabam sumindo pra ficaram sozinhos, e daquela menina sonhadora de cabelos platinados. Luna. Aposto que ela falaria pra eu não me sentir triste porque nós podíamos continuar mantendo contato.

Eu sabia que no momento que eu saísse de Londres as coisas não seriam mais as mesmas.

- Harry, o jantar tá pronto!

Tento encontrar alguma coragem para conseguir me levantar. Quando chego na mesa, meus pais e minha irmãzinha já estão sentados em seus lugares.

- Como foi o primeiro dia de vocês na escola? – minha mãe pergunta.

- Mãe, eu amei minha nova escola. Na hora que eu entrei na sala, as pessoas foram conversar comigo, elas são muito legais – diz Maya com um sorriso contagiante.

- Sério Maya? Isso é muito bom. Viu Lily, eu disse que não precisava se preocupar – disse James.

Minha mãe só revirou os olhos.

- E seu dia Harry, como foi? – A ruiva me perguntou.

- Ah bom... Foi legal, eu acho que até já fiz amigos. E tem aquele garoto super irritante...

Fui interrompido quando o celular do meu pai tocou, depois de ele ficar muito animado e falar uma série de "humhuns e ok", desligou o telefone.

- O Remus e o Sirius chamaram a gente para ir na casa deles no fim de semana, eu não os vejo a tanto tempo, estou morrendo de saudades deles – meu pai começou a falar muito rápido e gesticulando com a mão, coisa que ele só fazia quando estava muito nervoso, ou muito animado.

Ele continuou falando, mas eu perdi o foco, comecei a pensar de novo nas pessoas que conheci, todas as pessoas foram super legais, menos o Malfoy e seu grupinho irritante.

Continuamos comendo, até que Maya começa a falar.

- Meus colegas também falaram sobre uma lenda de halloween, mas não deu tempo deles me contarem tudo, acho que tem algo envolvendo uma bruxa...

- Ah sim! Essa é uma lenda antiga aqui da cidade... – Minha mãe falou parecendo nostálgica - mas isso é uma história para outro dia, agora já está tarde, então já para a cama.

...

O resto da semana se passou tranquilamente, eu fiquei mais próximo do Ron e a Hermione e conversei com meus amigos de Londres.

A única parte ruim foi Malfoy que parecia querer encher especificamente o meu saco.

Os alunos já estão começando a decorar a escola com o tema de Halloween. Eu adorava essa época do ano, principalmente quando eu era menor. Me fantasiar, pedir doces. Achava isso super divertido.

Hoje era o fatídico dia em que nós iríamos visitar meu padrinho Sirius e meu tio Remus.

A casa deles era bonita, era amarela claro, bem parecida com a nossa na verdade.

- Cadê minha sobrinha preferida? – Meu padrinho praticamente esmagou minha irmã.

- Vê se não amassa minha afilhada – Remus abraçou Sirius por trás.

- Antigamente, eu era o sobrinho favorito – Cruzei meus braços e fiz um biquinho – esses abraços eram para mim.

Os dois trocaram um olhar maligno.

- Sanduíche de Harry! – os dois gritaram ao mesmo tempo, e me abraçaram um de cada lado.

Depois de um tour bem descritivo da casa, guiado por um Sirius bem animado, fomos para a sala, conversamos coisas banais, até começarmos a falar sobre o novo colégio.

- E o que estão achando da cidade? - Remus perguntou.

- Super legal, minha nova amiga Maria Clara, ela veio do Brasil, ela é muito divertida, e me convidou para ir na sua casa para pedirmos doces juntas. – Maya disse animada.

- Ah, eu tô gostando, a escola é muito legal, estou ficando bem próximo do Rony e Hermione, eles são legais, e tem Malfoy, que parece tirar todos os dias para me incomodar, com aqueles olhos cinzas irritantes, e os cabelos loiros que brilham no sol, aquela pele pálida ridícula, eu o odeio – falei com desgosto.

Olhei em volta percebendo que a sala estava muito silenciosa, todos me olhavam parecendo segurar o riso.

- O que foi? – perguntei com uma careta, a essa hora todos estavam rindo, de mim aparentemente.

- Nossa, o ódio tá diferente... – Minha irmã não terminou porque eu dei um peteleco na sua testa, ela soltou um gritinho e se afastou de mim. – Aí! Eu não tenho culpa se você odeia o garoto pálido com cabelos que brilham no sol. - ela fez aspas com os dedos.

- Hum... Então anda se metendo com o filho da Narcisa? – Sirius me lançou um olhar malicioso.

- Narcisa? – perguntei curioso.

- Ela é minha prima, mas, por que ficou curioso para saber sobre a família do Malfoy? – ele sorriu para mim.

- Argh, essa família está voltada contra mim! – falei dramático.

O resto da tarde se passou com o Sirius e meu pai falando sobre como eu odeio Malfoy.

Voltamos para casa tarde, como eu estava cansado dormi assim que deitei na cama.

...

O sinal para a segunda aula que seria educação física tocou, eu não estava com a mínima animação para isso, já havia perdido a hora, não estava com muita paciência.

Estávamos jogando basquete quando ouvi uma voz elevada que eu já conhecia muito bem, me virei para ver o que estava acontecendo.

- Longbottom, você não sabe fazer nada direito? – Malfoy falava para Neville que parecia desconcertado.

- Droga Malfoy, você não pode ficar um segundo sem incomodar ninguém? - perguntei cansado.

- Olha quem chegou, o incrível Harry Potter, agora vai proteger o pobre Neville? E depois, quem será o próximo sortudo que terá o prazer de ser resgatado por você?

Suspirei, quando vou poder ter um pouco de paz perto desse garoto?

- Ah, eu não sou obrigado a te aturar, não hoje. – revirei os olhos e chamei Neville para vir jogar com o Ron e a Mione.

Momentos depois escutei a voz do loiro atrás de mim.

- Está de mal humor Potter, está com saudades dos amiguinhos da outra cidade? – sorriu cinicamente.

Parei no meio do caminho com o punho cerrado e me virei lentamente em sua direção.

- O que foi, eles admitiram que estão mais felizes sem você? Ah, já sei! Você não tinha amigos lá né?

Senti meu sangue ferver, aumentei o aperto nos meus punhos, provavelmente ficariam marcas depois.

...

- Quer dizer que você está com um olho roxo, e você com o nariz sangrando por causa de provocações bobas?

A diretora olhava para mim e Malfoy rigidamente.

Eu segurava um pano com gelo contra o meu nariz que sangrava, pelo menos, Malfoy estava pior.

Depois de um longo discurso de como fomos irresponsáveis, ela ligar para os nossos pais e uma detenção com Malfoy, fomos liberados para voltar para a aula.

...

Eu estava caminhando com Ron e Hermione para a casa dos Weasley.

Hemione estava animada, ela havia feito todo um planejamento para a sessão de estudos durante a semana, para minhas matérias atrasadas.

Estávamos passando na frente de uma pracinha quando vi um cachorrinho preto, meu lado amante de cachorros precisou parar.

- Hey garoto! – o chamei.

Ele veio correndo na minha direção, e pulou em cima de mim lambendo meu rosto todo.

Estava tão concentrado no cachorro em cima de mim que nem percebi o loiro oxigenado ao meu lado.

- Está me perseguindo, Potter? – Malfoy se aproximou e me olhou de cima a baixo.

Ajeitei minha postura e ergui uma sombrancelha olhando em direção ao loiro.

- Aparentemente quem sempre vem atrás de mim é você, então eu não sei do que está reclamando - cruzei meus braços – Agora se me dá licença, eu tenho mais coisa para fazer.

Malfoy arregalou os olhos e seu rosto ficou vermelho.

Ele está corado? Por quê?

- É... – ele pareceu procurar algo para falar e então olhou para o cachorro ao meu lado - arranjou um vira-lata para pegar raiva? Não toque em mim depois de pegar essa criatura ai, vai me passar pulgas.

Malfoy fez um sinal com a mão para o cachorro sair, ele aparentemente não gostou muito disso, porque começou a rosnar para o garoto pálido a minha frente.

O cão avançou em Malfoy e mordeu a barra da sua calça, o mesmo soltou um gritinho estrangulado e saiu correndo.

Atrás de mim Ron e Mione já estavam rindo histéricos.

É, sempre que esse garoto chega perto de mim coisas inusitadas acontecem...

Chegamos na casa do Rony, ele me apresentou os gêmeos, Fred e George, que haviam saído do colégio no ano anterior, e Gina que era um ano mais nova que a gente. Ele contou que tem mais três irmãos, mas estavam todos ou na faculdade, ou trabalhando.

No quarto de Ron começamos a conversar enquanto Hermione pensava em que iríamos estudar primeiro.

- O Malfoy é uma piada – Ron comentou rindo levemente – a vergonha que ele passou...

- Ele parece ter me escolhido para incomodar, só pode, parece que toda vez ele vem me irritar, se ele não fosse tão chato, insuportável eu até podia ser amigo dele...

- O Malfoy? – Rony perguntou – ele é ridículo, com certeza ele pinta o cabelo.

Nós três rimos da sua piada.

- Sim! Não teria como alguém ter um cabelo tão brilhante e sedoso, e loiro... – falei distraido.

Rony e Hermione trocaram um olhar estranho, do tipo que só os dois entendem.

- Hum... Harry, eu acho que o que você sente por Malfoy não é bem ódio – Hermione falou com uma voz um pouco seria e brincalhona ao mesmo tempo.

- O que você quer dizer com isso? – perguntei confuso.

- Nada... – Rony segurava o riso.

As pessoas insistiam que eu tinha algum sentimento além de desgosto por Draco Malfoy, mas não eu não sentia nada mais...

Os dois começaram a rir descontroladamente, e mesmo sem eu entender nada, acabei rindo junto com os dois.

Que tipo de amizades fui fazer?

...

No caminho de volta para casa o mesmo cachorro preto estava deitado na calçada da mesma praçinha.

Ele era mesmo um cachorro de rua, ou ele estava perdido?

- Você ainda está aqui garoto? – fiz carinho atrás da sua orelha.

Pensei um pouco, eu até cheguei a cogitar levar ele para casa. Mas, aposto que minha mãe me mataria se eu fizesse isso.

- Eu até ficaria mais aqui, mas tenho que ir... – fui saindo em direção a rua da minha casa.

Olhei para trás e vi que ele vinha me seguindo, suspirei, e continuei, alguma hora o cachorro teria que desistir.

Cheguei na minha casa e vi que ele ainda estava ali.

- Vai, eu não posso ficar com você.

Ele se sentou no tapete de entrada e inclinou a cabeça para o lado.

Por que tão fofo? Fechei meus olhos e suspirei.

Vendo que ele realmente não iria sair dali, entrei na minha casa fechando a porta.

Assim que entrei na sala escutei arranhões na porta, dei um beijo na bochecha da minha mãe que estava sentada no sofá.

- Que barulho é esse? – Lily me olhou confusa.

- Er... Eu fiz carinho num cachorrinho de rua, e agora ele me seguiu até aqui.

Caminhei até a porta e abri para ela ver o cachorro.

- Ownn que fofoo! Mããe a gente pode ficar com ele? – Maya apareceu do meu lado do nada.

- Vida, a gente pode ficar com ele? – Meu pai também apareceu.

Nós três olhamos com cara de cachorro pidão para ela que nos olhava com as mãos na cintura.

- Aí, tá bom! – Minha mãe jogou os braços para cima. – se bem que você não tá merecendo, né?

- Er – cocei minha nuca – foi Malfoy...

Minha mãe revirou os olhos e Maya deu uma risadinha.

- Draco, de novo? – ela suspirou – o que aconteceu?

James pegou o cachorrinho enquanto eu ia com a minha mãe para a sala explicar o que havia acontecido hoje mais cedo.

Expliquei o que tinha acontecido, minha mãe não ficou nem um pouco feliz, já meu pai começou a cantar desafinado uma música de amor, que Maya fez questão de acompanhar.

- Ai Deus, mereço essa família?

...

O mundo estava acabando, e eu estava trancado numa sala de aula com Malfoy sem nada para fazer.

Eu estava com a cabeça deitada na mesa, meus olhos fechados, apenas escutando o som da chuva e as gotas de água batendo nas janelas pensando na minha desgraça.

Falando em desgraça, sou obrigado a escutar o som irritante do click incessante da caneta de Malfoy.

- Dá para parar? – perguntei irritado.

- Não.

- Droga Malfoy, isso é irritante.

- E eu com isso? Você que enfiou a gente aqui.

- Você que começou a me incomodar.

- Ah, e você que tem essa síndrome de herói sempre querendo salvar todo mundo.

- O que você queria que eu fizesse? Ficasse olhando você brigar com o Neville por absolutamente nada?

- Se você não tivesse me interrompido não estaríamos nessa situação. Mas não, o salvador de nós todos tinha que-

- Chega! Cansei disso. Olha essa discussão, está ridículo.

- Em uma coisa vou ser obrigado a concordar com você, mas olha com quem estou conversando né.

- Eu tô falando sério Malfoy, eu já me cansei dessa rivalidade besta.

- O que você propõe, uma trégua?

- Exatamente, uma trégua, isso já ficou chato.

Acho que nunca vi um olhar tão contrariado. Se eu não o conhecesse o bastante, acharia que teríamos que passar mais uma semana de detenção. Eu nem tinha percebido que estávamos nos olhando fixamente até começar a sentir meu rosto esquentar. Limpei a garganta e decidi tomar uma iniciativa, estendi minha mão na direção do loiro ao meu lado.

Malfoy ainda me olhava, como se estivesse me analisando. Espero que ele aceite a trégua, essa situação já está cansativa. Depois de um tempo o ouvi suspirar.

- Isso é tão bobo. Mas ok, fechado – disse apertando minha mão

Acredito que as coisas possam melhorar.

Ou talvez eu estivesse totalmente enganado. Desde o aperto de mão, não trocamos mais nenhuma palavra. O que até pouco tempo não seria algo a se reclamar, mas agora... Agora é diferente, o silêncio tá me deixando constrangido, é como se toda parte de mim precisasse quebrar esse silêncio. Mas, como? Como eu poderia iniciar uma conversa com uma pessoa que até 20 minutos atrás queria me matar?

- Gosta do halloween? – ele disse, como se tivesse lendo meus pensamentos.

- Acho que é a melhor época do ano, e você? – Malfoy me olhou meio surpreso.

- Tá brincando? Eu amo o halloween – fiquei um pouco surpreso com sua animação. E como ele tivesse percebido, ele limpou a garganta se ajeitou na cadeira e continuou - Todo ano a escola faz uma festa de dia das bruxas. Você vem?

- Eu não sabia que ia ter uma festa até você me falar.

- As vezes eu esqueço que você chegou faz algumas semanas – passou a mão pelo cabelo. De repente, eu senti tentando a passar as mãos nos seus fios loiros. Só pra ter certeza se é realmente macio quanto parece ser.

- Eu também esqueço disso – olhei pra ele – Você pode me contar? Como é a festa.

Malfoy parece realmente gostar muito do dia das bruxas. A sua animação contando como funciona era contagiante. Ele disse que aqui o halloween é levado muito a sério, apesar de ser uma cidade pequena. As pessoas sempre caprichavam nas fantasias, na festa da escola tem até um a seleção da melhor fantasia da noite.

- Eu já ganhei três anos consecutivos – diz ele estufando o peito, isso me fez dá uma risada.

- Sinto muito Malfoy, mas esse ano eu vou roubar o seu título – o olhei em forma de desafio.

- Eu vou amar ver você tentar – ele retribuiu o olhar com uma sorriso cínico, e eu não tinha percebido até aquele momento em como os seus olhos eram tão bonitos.

- Sabe... – disse ele enquanto colocava seu material na mochila – Hogsmead também tem uma lenda antiga do dia das bruxas.

- Acho que já ouvi minha irmã citar alguma coisa sobre. Mas, eu não sei do que se trata.

- Você já viu a casa mal assombrada daqui? – ele diz fazendo sinal de aspas com os dedos.

- Eu acho que vi quando eu cheguei. Não dei muita bola.

- Tanto faz. Depois você vê. Enfim, o negócio é que a lenda diz que lá morou uma bruxa.

- Uma bruxa? – perguntei de forma sarcástica.

- Exatamente – deu uma risada – Tem pessoas que acreditam realmente nisso. Isso é ridículo! É só mais uma daquelas histórias pra dar medo nas crianças.

O resto da detenção passou muito bem. É incrível como nós temos tanta coisa em comum, e assuntos de sobra. As horas pareciam que voavam quando conversarmos. Tanto que ficamos surpresos quando a professora McGonagall entrou na sala e anunciou que já podíamos ir embora.

- Ei, você pode me chamar de Harry – falei para ele quando estávamos a caminho da saída da escola.

- Er, ok – sem olhar para mim, ele continuou – Você pode me chamar de Draco – e andou para o caminho oposto do meu. Eu podia jurar que vi ele corando antes de virar, ri de leve imaginando isso.

...

Uma semana se passou depois da minha detenção com Draco, não havíamos conversado muito depois disso, mas eu sempre me pegava olhando para ele nas aulas, e algumas vezes também o peguei me olhando.

O que eu sinto pelo loiro é estranho, não sei explicar...

Eu estava na frente da casa de Ron esperando o ruivo e Hermione que havia dormido na casa dele para irmos juntos para a escola.

Estava perdido nesses pensamentos confusos sobre Malfoy quando vi Rony estalando os dedos na frente dos meu olhos.

- Planeta para Harry, tá aí cara?

- Hein? Ah oi, nem vi vocês chegando – cocei minha nuca.

- Percebemos – Hermione deu uma risadinha – você tem estado no mundo da lua nessa última semana.

É, eu estava, e nem mesmo eu sabia o porquê disso.

...

Mais tarde no mesmo dia, eu havia acabado de chegar em casa, fiz carinho atrás da orelha de almofadinhas, um nome um pouco estranho para um cachorro, mas quando Sirius sugeriu Maya não sossegou até esse ser o nome.

Meus pais e Maya ainda não estavam em casa, eu não tinha muito o que fazer enquanto eles não chegavam, então apenas troquei mensagens com os meus amigos de Londres.

Eu estava no meu quarto no andar de cima quando ouvi a porta sendo aberta, e a voz da minha irmã.

- Oi, chegaram tarde – falei descendo as escadas.

- Ah, desculpa esquecemos de avisar, levamos Maya para escolher a fantasia de halloween. – Lily me deu um beijo na bochecha.

Então me lembrei da minha conversa com Malfoy na detenção e decidi perguntar.

- Eu estava falando com um amigo, e ele falou sobre a lenda aqui da cidade, e até hoje eu não sei sobre o que ela fala. Acho que você já comentou sobre ela.

Maya automaticamente pareceu animada e começou a contar a história.

- Ah, sim minha amiga me contou a história inteira. Tipo, antigamente quando eles caçavam bruxas, tinha uma vila bem pequena, onde morava uma mulher, dizem que ela era bem nova e bonita, ela atraia os homens, e as pessoas curiosas, mas todos achavam ela muito estranha, porque a moça nunca saia de casa, e sempre que chegavam muito perto da casa dela sentiam um cheiro estranho, a lenda diz que ela era uma bruxa que mexia com magia negra, e que ela concedia desejos, depois de descobrirem sobre isso ela foi mandada para a fogueira. O tal vilarejo é chamado hoje de Hogsmead, e a casa da bruxa é aquela casa que parece meio abandonada, sabe?

Era uma daquelas histórias passadas de pessoa por pessoa, provavelmente tinham várias versões dela, mas era interessante...

- Ah sim, a casa mal assombrada – Meu pai falou divertido – Sirius, Remus e eu já tentamos várias vezes ir para a casa, mas sempre aconteciam coisas meio estranhas quando chegamos muito perto.

- Ah, eu não acreditava muito nessa lenda, mas até que era divertido ver as pessoas tentando tomar coragem para entrar lá no halloween, é claro que ninguém teve coragem.

E assim o dia acabou.

...

- Mioone – Ron abraçou a namorada – amor da minha vida, passa a resposta da lição de ontem, por favor...

A morena apenas revirou os olhos e bufou.

- E você estava fazendo o que para ter deixado a lição para última hora?

Me sentei na minha carteira atrás de Hermione que colocava seus materiais em cima de sua mesa.

- Eu... Bom eu estava... Sei lá, tem muitas coisas mais interessantes para se fazer.

- Bom, arque com as consequências por não cumprir suas obrigações.

Esse tipo de conversa era algo bem comum entre os dois, provavelmente depois de muita insistência de Rony ela cederia as respostas.

Era incrível como em poucas semanas eu já me sentia em casa estando nessa cidadezinha no meio do nada, eu já conhecia meus novos amigos muito bem, havia conseguido odiar alguém por quem agora eu sentia coisas estranhas, também tinha meu padrinho, e meu tio que agora nem precisava de uma viajem para vê-los, é muito bom estar perto deles.

E mesmo estando em um lugar pequeno, sem muita coisa interessante para fazer, eu já amava aquele lugar. Isso é normal?

Parei de pensar nisso quando professor Binns de história chegou, com a sua habitual cara de desinteresse.

...

Era sábado, dia 21 de outubro, faltavam dez dias o halloween, e eu estava ansioso.

Ron me convidou para almoçar na sua casa. Eu, Ron e seu irmãos estávamos falando sobre as nossas fantasias quando a Sra.Weasley chegou.

- Estão falando sobre suas fantasias para o baile?

- Sim mamãe – Gina respondeu – você sabia que a encarregada de fazer a decoração esse ano é a Hermione? Ela queria fazer o tema com a lenda da cidade, mas não tinha muito para usar como decoração...

- A lenda parece ser bem simples - comentei - minha irmã contou que a bruxa concedia desejos com magia negra...

- Bom tem algo por trás da lenda que pouca gente sabe, todas as pessoas que pediram desejos nunca mais foram vistas depois de encontrar a moça, dizem que até hoje seu diário está guardado, para a primeira pessoa que encontrá-lo libertar a mulher – Molly terminou com uma voz enigmática.

Isso ficou um pouco na minha cabeça, não porque eu tenha me assustado com a história ou algo assim, mas quando Sra.Wasley falou aquilo todos ficaram estranhamente sérios, como se realmente acreditassem nisso, o que era bobagem, porque era só uma lenda boba.

Logo parei de pensar nisso, e voltei para casa já de tarde.

...

Amanhã seria dia das bruxas, eu iria com Maya buscar doces as 17:30, e as 19:00 iria para a festa de halloween, que de acordo com Hermione seria um baile de máscaras.

Era algo interessante, eu já tinha ido em várias festas de halloween quando morava em Londres, mas nunca fui para um baile de máscaras, eu sentia que algo interessante aconteceria.

Eu fitava minha fantasia que estava em cima da minha cama, não precisei pensar muito para escolher o que eu iria usar, era algo que eu gostava muito, então foi fácil.

Fui para a cozinha e encontrei meu pai com Sirius e Remus, eles riam de algo que James falou.

- Harry – Sirius me viu – vai se fantasiar do que?

- Hum... É surpresa – sorri para a cara de indignado do meu padrinho.

Meu tio apenas revirou os olhos e perguntou.

- É um baile de máscaras né?

Concordei com a cabeça.

- Ah, isso tem um toque de mistério, tipo nesses clichês onde ninguém sabe quem é quem.

- Bom, eu vou indo, combinei com uma amiga de ajudar ela com a decoração

Dei um aceno na direção deles e saí.

Minutos depois Mione me ligou falando que eu não preciso ir, e que eles já tinham feito a maior parte das coisas por lá.

Sem querer voltar para casa, fui para a pracinha onde conheci a primeira pessoa daqui.

Lá estava bem vazio, tinham algumas crianças no gira-gira, uma garota que eu já havia visto com Draco lia um livro desgastado com aparência velha embaixo de uma árvore grande, as vezes ela olhava para os lados como se temesse que alguém a observasse.

Me sentei no balanço e fiquei observando as pessoas indo e vindo, quando começou a escurecer decidi que deveria voltar para casa.

Estava andando até o mesmo portãozinho que eu entrei quando alguém se aproximou.

- Eai Potter? – Draco Malfoy começou a andar do meu lado.

Tive uma sensação esquisita. Seria nervosismo?

- Oi Malfoy, vai revelar a sua fantasia?

- É claro que não, vai ter que esperar até amanhã para descobrir, e a sua?

- Digo o mesmo – Sorri para o loiro ao meu lado.

Ele desviou o olhar com um sorriso mínimo. Continuamos em silêncio até que cheguei na minha casa.

- Até mais, Potter.

- Até amanhã, Malfoy.

Ele acenou em despedida e se foi.

...

Finalmente era halloween, sério, parece que as pessoas dessa cidade vivem a base do dia das bruxas, nem parecia a mesma cidadezinha apagada e sem vida.

Tudo estava decorado, as pessoas estavam todas nas ruas, pelo visto eu não era o único que amava esse feriado.

Eu estava sentado na ponta da cama de Maya, observando minha mãe passando uma sombra roxa nos olhos verdes intensos da minha irmã, assim como os meus. Ela havia passado um batom roxo.

Ela usava um vestido com uma saia curta de tule que ficava longa na parte de trás, com algumas penas pretas nos ombros

Seus cabelos loiros acobreados estavam soltos em cascata com um leve ondulado nas pontas, ela usava uma tiara com os chifres da malévola, ela estava linda.

Eu usava apenas uma calça jeans e uma camiseta, minha fantasia estava numa mochila já que eu iria para a casa do Rony para Hermione fazer a maquiagem.

Quando minha irmã já estava pronta, nos despedimos dos nossos pais e fomos pegar doces.

A cidade estava muito bonita decorada com várias abóboras, e coisas de halloween, Maya estava muito animada, falando sobre os doces que ela queria pegar, quando ela avistou sua amiga Maria Clara.

Elas foram conversando animadamente, quando paramos na primeira casa para pegar doces, minha irmã tocou a campainha, e quem atendeu a porta foi Neville, um amigo do colégio, ele já usava sua fantasia que era de Frankenstein.

- Hey Harry, te vejo mais tarde no baile? – ele perguntou.

- Pode crer! – Tive que ir atrás de Maya que foi indo sem mim.

Depois de passarmos por mais umas cinco casas, minha irmã quase gritou meu nome.

Olhei para os lados pensando que algo poderia ter acontecido, até que ela falou muito alto fazendo várias pessoas olharem para nós.

- Harry, Harry! Aquele é o tal do loiro, Draco Malfoy que você odeia?

Bem a nossa frente Draco que estava roubando doces de crianças olhou para mim com o rosto muito vermelho, não tanto quanto o meu, que parecia estar pegando fogo.

- Droga Maya – cochichei para a minha irmã.

Olhei para Malfoy que desviou o olhar com uma cara estranha.

- Eu... Me desculpa, eu não te odeio. Quer dizer, não nos dávamos bem, mas agora eu nunca lhe odiei... - abaixei minha cabeça, e corei ainda mais.

- A-ah, Claro. Tudo bem... – O loiro falou respirando fundo.

- Desculpa mesmo por isso – Falei uma última vez e arrastei Maya para longe.

Droga, que vergonha, meu deus, eu ia matar minha irmã.

- Hummm, então você não odeia ele hein? – Ela me lançou um sorriso.

- Argh, o que eu fiz para merecer isso? Vem vamos continuar com os doces.

Continuamos pegando doces até às 18:30, quando levei Maya para casa.

...

Quando cheguei na casa de Rony tudo estava uma bagunça, Gina me arrastou para o seu quarto, onde Hermione que estava com um vestido amarelo, e cabelos presos para atrás obrigava Rony a ficar parado para terminar sua maquiagem, ele usava um terno azul, botas e calças pretas, os dois iriam de casal, ela de bela e ele de fera.

Gina estava na frente do espelho concentrada fazendo um delineado gatinho, ela usava uma fantasia de couro igual a da mulher gata, com seus cabelos ruivos soltos usando apenas a tiara de gato.

Quando Hermione terminou a maquiagem do Ron ela me puxou para a cama e começou a passar um pó no meu rosto.

Depois de fazer a parte mais difícil, minha amiga foi terminar de se arrumar enquanto eu fazia o mesmo.

Troquei de roupa e fui ver como eu estava no espelho da irmã de Rony.

Eu usava uma camiseta preta por baixo da jaqueta de couro vermelha, uma calça também vermelha, e a maquiagem de zumbi, eu estava fantasiado de Michael Jackson do clipe Thriller.

Quando todos terminamos de nos arrumar, pegamos nossas máscaras e finalmente fomos para o baile.

Decidi que só iria colocar a máscara quando estivesse chegando no baile.

...

O ginásio de Hogwarts estava incrível, a decoração em tons de preto e roxo, com as luzes alternando de verde e laranja, Hermione tinha feito um ótimo trabalho.

Gina foi para o outro lado do salão onde ela encontrou algumas amigas, Ron foi com Hermione para a pista de dança e eu fui pegar algo para tomar.

Estava pegando ponche, que com certeza não estava batizado, quando um garoto se aproximou puxando assunto.

- Quando eu disse Accio gostoso não imaginei que daria tão certo. – ele se aproximou.

- Hum, parece que tem alguém por dentro do mundo bruxo. – dei uma risada e tomei um gole da bebida – Essa cantada funciona com todos?

- Na verdade, nunca usei essa antes – ele disse – E você é?

- Prazer, Michael Jackson – brinquei.

- Ah, Edward Cullen.

Nós rimos, e então eu me afastei falando que precisava encontrar meus amigos.

Fiquei um tempo observando as pessoas quando uma Gina apareceu na minha frente com um copo que claramente não tinha só ponche, e me puxou para uma dança animada.

Quando a música acabou a ruiva falou que ia no banheiro e sumiu pela multidão de alunos.

Me sentei na arquibancada, e vi um garoto loiro, ele me lembrava Draco, estava vestido de príncipe, muito bonito.

Ele também me olhou, e sorriu, era um sorriso bonito, mesmo visto de longe.

Continuamos flertando com os olhares até que decidimos nós aproximar, até que estávamos dançando juntos.

Quando uma música lenta começou, olhei para os olhos cinzentos do garoto a minha frente, ele era alguns centímetros mais alto, me aproximei um pouco mais e ele colocou suas mãos na minha cintura, entrelacei meus braços na sua nuca.

Dançamos lentamente em sincronia, eu sentia sua respiração no meu rosto, estávamos cada vez mais próximos.

Nos beijamos. Quando o beijo começou a ficar mais intenso fomos interrompidos pela voz estridente de uma garota.

- Draco! – ela estava vestida de Cleópatra.

O loiro olhou para a direção de onde a voz dela veio.

Merda, não pode ser. Merda.

- D- draco? – questionei perplexo.

- Er, bom acho que fui descoberto – ele tirou a máscara sorrindo.

Tirei minha máscara e seu sorriso morreu na hora sendo substituído por uma expressão de choque, e um rosto corado, eu provavelmente estava igual.

- Potter... – ele murmurou - eu, eu...

- Draco! Onde você estava? Estamos atrasados, você vem né?

Ele ficou mais um tempo em choque até que pareceu voltar a realidade.

- Er... Sim Pansy eu vou... – respondeu sem desviar o olhar do meu.

Ela me olhou com diversão.

- Se quiser pode levar o seu... hum, amigo. – Pansy sorriu com deboche.

Ele finalmente a olhou.

- Não acho que ele vá gostar desse tipo de coisa.

- Que tipo de coisa? – perguntei com curiosidade.

- Bom, nós vamos tentar entrar naquela casa mal assombrada que te falei, e passar a noite lá. – Draco falou querendo passar desinteresse.

Eu queria conversar com ele sobre o que aconteceu, então acho que essa é uma boa oportunidade de tentar uma conversa.

- Bom, na verdade eu acho que não tenho nada melhor para fazer.

- Ok, pode chamar seus amigos se quiser. Encontre a gente 21:30 na frente da casa. – A morena saiu arrastando Draco, me deixando sozinho.

...

- Eu não acredito Harry. – Hermione colocou as mãos no rosto.

- Por favor, eu não vou ficar sozinho com eles – eu pedi.

- Se você não queria ir por que aceitou? - Rony perguntou.

Claro que eu nunca contaria o motivo.

- Eu... Eu não sei. Pensei que vocês iriam gostar de fazer outra coisa.

Hermione me lançou um olhar desconfiado. Senti meu rosto esquentar, ela sempre sabe quando eu estou mentindo. Como ela sabe? Isso também é um mistério pra mim.

- Bom, tudo bem. Vamos com você, mas você vai ter que nos contar tudo que aconteceu. – ela sorriu maliciosa me fazendo corar

Claro que ela tinha visto.

- O que aconteceu? – Ron perguntou perdido.

- Você não viu o Harry beijando Malfoy?

- O QUE? – ele me olhou com os olhos arregalados – Como eu não vi isso? Mione, por que não me disse? – ela respondeu que ele não estava presente na hora que aconteceu. O mesmo suspirou e deu de ombros – Se bem que eu já esperava que esse beijo acontecesse.

Meu Deus! Como assim esperava que esse beijo acontecesse? Quando nem eu cogitava essa situação. Estava completamente perdido.

Não querendo continuar com essa conversa, até porque, nem eu sabia o que tava acontecendo.

- É, bom... A Gina vai querer vir? – mudei de assunto.

Rony fez uma careta e apontou para um canto, olhando para lá vi a ruiva e o tal Edward se beijando.

Revirei os olhos. Espero que ele não tenha tentando aquela cantada de novo.

- Bom, então somos só nós. – sorri para eles.

- Olha, eu espero que não tenham aranhas – Ron estremeceu, e se levantou quando anunciaram a escolha de melhor fantasia do ano.

Malfoy ganhou, todos aplaudiram e ele apresentava o seu sorriso de canto. Nunca duvidei de que ganharia, ele estava incrível.
...

- Aí, por que eu fui aceitar vir junto? – Neville que parecia ter surgido do nada suspirou – essa ideia é horrível.

- Estou me perguntando a mesma coisa. - Blaize que era um amigo de Malfoy falou.

Nós sete estávamos parados na frente da porta de madeira da casa, tão velha que parece que ao primeiro toque, vai desabar.

- Bom, já estamos aqui, não? – Pansy empurrou a porta, e entrou animada.

Quando todos já estávamos lá dentro a porta fechou num baque, fazendo a gente se assustar, mas era só um gato que empurrou a porta enquanto passava.

Estava um breu, andei pelo cômodo procurando por um interruptor ou talvez uma vela, ou algo que pudesse ajudar a iluminar aquele lugar.

Vendo que não tinha nada liguei a lanterna do meu celular, e todos fizeram o mesmo, analisei o cômodo, na verdade não era tão assustador, os móveis eram todos muito antigos, as tábuas no chão rangiam, e algumas vezes escutávamos uns estalos estranhos.

- Esse lugar é horrível – Draco falou, e logo depois espirrou.

A poeira em cima dos móveis estava grossa, sem contar as teias de aranha e o pó que parecia ter se misturado com o ar.

- É, realmente horrível, mas temos que fazer alguma coisa para passar o tempo, não? – Pansy era a única que parecia animada ali. Parecia até um pouco ansiosa.

Ela puxou um lençol que estava no sofá da sala, uma nuvem de poeira subiu, fazendo todo mundo tossir e espirrar.

- Droga Pansy! – Blaise tossiu – porque fez isso?

- Eu queria me sentar no sofá – a garota coçou o nariz e olho pro estado que se encontrava o sofá – É, melhor não.

Nos separamos para olhar a casa melhor. Eu estava olhando o quarto principal, a luz da lanterna fazia sombras com formatos estranhos, tinha uma cama de casal com cortinas pretas comidas por traças em volta dela, um armário antigo, e uma mesinha com uns potes de vidro estranhos.

Me virei rapidamente quando ouvi a madeira rangendo, era Malfoy.

- Ah, você quase me matou do coração – suspirei.

- Assustado, Potter? – Draco entrou olhando para os lados.

Revirei os olhos com um sorriso.

- Esse lugar é sinistro – comentei.

- Realmente... Deve ser o quarto da bruxa.

Continuamos olhando as coisas estranhas do quarto, tinham potes de vidro com animais mortos dentro.

O loiro abriu o armário antigo, e deu um gritinho quando um rato saiu correndo lá de dentro.

Comecei a rir da sua cara, até ele dar um tapa no meu ombro.

- Aí! Pra que isso? – comecei a massagear o meu ombro drasticamente.

- Não lhe conheci tão dramático. – disse, finalmente me encarando.

E droga, ele estava perigosamente perto, então tossi passando as mãos pelo meu cabelo.

- Er... Draco – eu podia sentir meu rosto esquentar – Acho que precisamos conversar.

- É, precisamos...

Perigosamente perto.

Ele deu mais um passo em minha direção, já podia sentir a sua respiração tocando minha bochecha, seu olhar se direcionou aos meus lábios. Eu nem percebi quando minha língua se direcionou aos meus lábios os umedecendo, como em automático. Quase podia sentir o sabor dos lábios de Draco quando fomos interrompidos. Hermione apareceu na porta do quarto.

- Gente, encontrei uma coisa, venham.

- Já vamos – falamos juntos apressadamente.

Ela concordou com a cabeça e saiu me dando um olhar de quem queria se desculpar.

Estávamos corados e ofegantes. Dei um passo pra trás.

- Bom, conversamos depois. – ele se limitou a fazer um aceno de cabeça concordando.

Saímos juntos do quarto.

Quando cheguei na sala Pansy que estava com uma garrafa vazia na mão, tinha uma expressão estranha no rosto.

Hermione segurava um livro velho de couro, Ron Blaise e Neville conversavam. Todos eles estavam sentados em um semi círculo, com espaço para mais duas pessoas.

Eu e Draco nos sentamos nos lugares vagos.

- Gente, eu encontrei esse caderno, e ele tem várias coisas estranhas...

Ron pegou o livro da mão da namorada e olhou dentro dele.

- Parecem... Receitas? Mas são estranhas, tipo que receita vai penas de corvo? – ele falou em dúvida.

- Será que isso era da bruxa? – Neville parecia receoso.

- Será que são as magias das trevas? – Blaize disse enigmático, e todos começamos a rir.

- Ah, isso é só uma lenda Longbottom. – Pansy disse desinteressada – já sei, podemos jogar verdade ou desafio.

Todos concordamos.

- Vamos começar pelo mais tímido, Neville gira primeiro.

Com um pouco de receio o garoto girou a garrafa que parou em Rony.

- Hum, verdade ou desafio?

Ron pareceu pensar um pouco e falou.

- Verdade.

- E verdade que você queria fazer o teste para o time de futebol, mas acabou desistindo?

- Er, sim...

Pensei em falar alguma coisa para encoraja-lo a entrar no time, mas decidi que depois conversaria com ele.

A próxima pessoa a girar foi Blaize, já que a ordem era Neville, Blaize, Pansy, Hermione, Ron, eu e Draco.

A garrafa parou em mim, escolhi desafio.

- Bom... – ele deu um sorriso maldoso – te desafio a beijar o Draco.

Claro que esse seria o desafio.

Pansy e Hermione deram risinhos e cochichavam algo uma pra outra.

- Bom, não vai ser difícil considerando que vocês já fizeram isso hoje. – Pansy falou

Ergui uma sombrancelha e sorri para eles, bom já que insistiam.

Olhei Draco nos olhos, coloquei minha mão nos seus cabelos, eram macios e sedosos, e então beijei sua bochecha.

O loiro abaixou a cabeça corado, tão fofo...

- Ah, isso não vale! – Blaize exclamou.

- Você pediu um beijo, não disse aonde – dei de ombros sorrindo de lado.

Draco deu uma risadinha, nossos ombros se tocavam.

Pansy girou a garrafa que caiu em Hermione.

- E aí Granger – ela tinha uma expressão meio ansiosa no rosto. – Verdade ou desafio?

- Desafio.

- Hum... Leia uma página do livro em voz alta.

Era um desafio bobo, Pansy tirou o caderno das mãos de Rony, o folheou um pouco como quem não quer nada, e o entregou aberto para Hermione.

- Mas é sério viu, tem que ler alto. – Pansy comentou.

Mione começou a ler, era uma língua estranha, mas ela continuou, quando a página acabou ficamos em silêncio por alguns segundos.

- Magia negra, claro – Ron riu relaxando.

Até que Hermione ficou pálida, as luzes das lanternas começaram a piscar, e apagaram, pensei ter visto vultos, tudo aconteceu muito rápido.

As luzes acenderam de novo, e Hermione estava caída no chão desmaiada, percebi que estava de mãos dadas com Draco, e não fiz questão de soltar.

Nós levantamos rapidamente, Rony estava ajoelhado ao lado dela, falando algo baixinho.

A garota começou a se mexer parecendo acordar, o ruivo a abraçou, mas ainda tinha algo estranho, quando Hermione abriu os olhos, que antes eram castanhos, agora estavam azuis intensos.

- Tem alguma coisa errada... – falei – os olhos dela.

Todos olharam para o rosto da morena. Pansy sorriu triunfante.

- Essa não é mais Hermione – ela parecia feliz – deu certo.

- O que você quer dizer Pansy? – Draco a fitava incrédulo – O que deu certo?

Ele apertou minha mão.

- Ah... – "Hermione" sorriu calmamente chamando nossa atenção – então foi você que me trouxe de volta? – ela falou para Pansy.

- Pansy... Que merda está acontecendo? - Blaise quase gritava.

Ninguém pareceu o escutar.

- Bom, como você me libertou, vou conceder o seu desejo... – a bruxa tinha um sorriso horrível, que nunca seria visto no rosto de Hermione. – mas você fica me devendo um favor

- Mas...

- Bom, quer ou não o desejo?

- Quero. Eu aceito. – ela estava tremendo.

A bruxa tinha um sorriso enorme no rosto, era assustador.

- O que desejar...

- Eu... Eu quero ser uma modelo famosa conhecida mundialmente.

A bruxa subiu para onde eu e Draco descobrimos ser o seu quarto, e voltou com um frasquinho com um líquido cristalino.

- Beba isso, os efeitos devem ser imediatos.

Pansy bebeu todo o líquido parecendo animada, segundos depois seu celular começou a apitar loucamente.

- Uau – ela sussurrou maravilhada – estou com o dobro de seguidores no instagram...

- Mais alguém, que tenha um desejo, no fundo da sua alma, quer algo? – ela sorriu como se quisesse muito que alguém aceitasse.

Ninguém falou nada.

- Pansy... – falei horrorizado – o que você... O que você fez?

- Hermione – Ron falou – o que aconteceu com ela?

Percebi que eu estava bem ao lado do caderno, aproveitei que todos estavam distraídos com Pansy e a Bruxa, soltei a mão de Draco e o peguei lentamente, o escondi no meu casaco, no mesmo momento em que a "Hermione" começou a falar.

- Ah, que falta de educação a minha não me apresentar, sou Mérope Gaunt. Séculos atrás eu era uma bruxa, concedia desejos aos que me pediam, – ela olhou para Pansy - mas antes os fazia jurar que ficariam me devendo um favor, e bom, eu sempre precisava da mesma coisa, as suas almas...

Pansy arregalou os olhos, e deu dois passos para trás.

- Eu... Não...

- Ah querida... Me desculpe, mas eu preciso fazer isso. – ela faz menção de se aproximar, mas todos nos colocamos na sua frente, sua expressão vacilou por um momento, mas logo ela voltou a sorrir – Um acordo foi feito, vocês não podem impedir.

Não nos movemos, Mérope revirou os olhos, e num estalar de dedos ela nos fez voar para longe.

- Por favor, não – Pansy ia para trás a cada vez que ela se aproximava.

- Fizemos um pacto, e ele não pode ser desfeito.

- Eu, eu te ajudei a voltar, você pode me poupar...

- Me perdoe, mas infelizmente não é assim que funciona.

Pansy continuou indo para trás, até encostar na parede.

- Bom, veja o lado bom querida, você é famosa, e o mundo inteiro vai se lembrar de você como a linda modelo que morreu muito jovem - ela passou um dedo pelo rosto de Pansy, e deu um beijo na sua testa. A garota apertou o peito com uma mão, e caiu inconsciente no chão.

- Pansy! – Draco gritou, ele tinha lágrimas nos olhos, ele tentou ir na direção da amiga, mas eu o segurei, ele se jogou em cima de mim me abraçando.

Meu coração estava em disparada, tudo parecia embaçado, tentei entender o que estava acontecendo, a bruxa olhava para o corpo já sem vida da garota, satisfeita, Draco soluçava no meu ombro, Rony e Neville estavam atônitos, e Blaize respirava rapidamente.

Precisávamos sair dali o mais rápido possível.

- Finalmente estou de volta depois de tantos anos, mas tem um probleminha – ela se voltou para nós – Vocês sabem demais. – e com um estalar de dedos todas as janelas se fecharam e aparentemente as portas se trancaram.

Fomos para trás, estávamos ficando sem espaço, precisávamos fugir.

- Se separem! – gritei, e corri com Rony para o segundo andar da casa.

Nós entramos dentro de um armário cheio de poções estranhas.

- O que vamos fazer? Não podemos sair sem Hermione! – o ruivo exclamou.

Tirei o caderno do casaco e falei.

- Tem que ter alguma coisa aqui – procurei pela página que Pansy tinha aberto para Hermione ler.

As anotações falavam sobre o que precisava ser feito, e os feitiços para reverter aquilo, eu estava lendo tudo pela segunda vez quando ouvimos um grito.

Saímos do armário correndo, e encontramos Draco, Blaize e Neville encurralados no fim do corredor, a bruxa caminhava lentamente até eles.

Rony derrubou Mérope, eu agarrei o braço de Neville que estava mais perto, e desci correndo com ele escada a baixo, revirei a casa toda em busca das coisas nescessárias para trazer Hermione.

- Neville, precisamos das cinzas da bruxa, você tem alguma ideia de onde isso está?

- A lenda fala sobre ela ter sido enterrada embaixo de um salgueiro, aqui nesse terreno...

Pensei um pouco, como iríamos sair da casa, talvez tivesse alguma passagem...

Comecei a tatear as paredes em busca de qualquer coisa, encontrei uma portinha que dava num porão, entrei com Neville lá dentro, era um lugar grande, com várias poções, e frascos vazios, com um grande caldeirão no centro do cômodo.

Em um canto escuro tinha um túnel de terra que parecia dar lá para fora.

- Nev, vai lá procurar as cinzas, eu preciso encontrar a poção.

Ele saiu correndo para o túnel enquanto eu olhava frasco por frasco.

Até que o vi, um potinho transparente com um líquido azul turquesa, o peguei rapidamente, e esperei ansioso por Neville.

Minutos depois ele chegou ofegante com uma urna embaixo do braço.

- Aqui...

Abri a urna, e despejei metade das cinzas no frasco, mechi algumas vezes, isso teria que funcionar.

Subi as escadas correndo com Neville no meu encalço.

Quando chegamos no segundo andar, vimos uma cena horrível, Mérope tinha Rony contra a parede, enquanto Draco e Blaize estavam caídos no chão.

- Não! – gritei, chamando sua atenção. – Neville, pega sal – falei mais baixo.

Percebi que Draco estava se levantando, então olhei para ele e Ron, depois para a bruxa.

Eles pareceram entender o recado, porque agarraram ela, segurando o máximo possível, destampei o frasco com a poção, e a obriguei a engolir.

Uma fumaça verde saiu sua boca, e a rodeou toda, nós afastamos, apenas vendo toda aquela coisa.

Neville chegou com o sal, e quando a fumaça se dissipou tinha mais um corpo além de Hermione, Rony a tirou de perto do corpo da bruxa, a mesma tinha cabelos muito pretos lisos, ela usava um vestido longo também preto, sua pele pálida se destacava com tudo isso.

Fizemos um círculo de sal em volta dela, e depois esperamos alguma das duas acordar.

Hermione gemeu baixinho, e abriu os olhos lentamente, assim que pereceu ter recuperado a consciência, parecia desnorteada, sem saber onde estava, então ela começou a chorar.

- Foi... Foi horrível, eu via tudo... Vi quando a Pansy... – ela soluçava com as mãos no rosto – ela estava no controle de tudo, não podia me mover, foi horrível...

Depois disso tentamos fazer o máximo para acalma-la, ela ficou sentada com Rony, eu estava sentado ao lado de Draco, e Neville e Blaize estavam um em cada lado da parede.

Todos estávamos cansados e desolados, discutimos todas as opções do que fazer com ela, não achamos nenhuma solução plausível.

Quando Mérope acordou ficamos em um silêncio tenso, todos nos olhamos.

-Um círculo de sal, é sério? – a bruxa falou debochada.

Neville se levantou parecendo destemido.

- Eu quero fazer o pacto.

- Neville, não faz isso! – Hermione gritou percebendo o que ele iria fazer.

- É impossível para nós, nós livrarmos dela, ela é uma bruxa poderosa e nós somos só adolescentes. Não tem o que fazer então vamos tirar proveito disso. Podemos pedir qualquer coisa! Eu posso pedir qualquer coisa .... Meus pais.... As últimas palavras foram ditas em um sussurro quase inaudível.

- Diga o seu desejo, e eu te cobro o meu favor... – a bruxa disse calmamente com aquele sorriso assustador estampado em sua face.

- Você jura que vai cumprir o meu desejo?

- Promessa é promessa. – ela tira o frasco da mesma poção que deu a Pansy do bolso, e deu para Neville.

- Minha alma vai ser levada, mas você vai junto, o que eu quero é que você volte para o inferno que é o lugar que você pertence. – ele bebeu todo o líquido.

- NÃO!

- Digam a minha avó que eu a amo – Neville diz e logo após um buraco se abriu no chão e os dois foram engolidos por ele.

...

Nos sentamos na parte de fora da casa, o sol estava nascendo, estávamos todos desgastados, e cansados.

- Hermione, você se sente confortável em falar sobre o que aconteceu na cabeça da bruxa? – perguntei baixinho.

Ela apenas concordou com a cabeça e começou a falar.

- Ela tinha uma família muito ruim, seu pai a tratava como uma aberração por fazer poções medicinas por exemplo. Ela fugiu de casa com dezessete anos, e veio para Hogsmead, aqui ela começou a se envolver com magia da trevas, Mérope já estava cansada de ser boa com todos, sendo que quando ela fazia isso era atacada por ser quem é, então ela começou a conceder desejos a quem pedisse, mas com um favor em troca, as suas almas, a cada alma coletada ela ficava mais forte... Bom é mais ou menos isso que aconteceu.

Ficamos todos em silêncio, até que Ron falou que Hermione havia passado por muita coisa e era melhor levá-la pra casa e assim o fez.

Blaise ficou por mais um tempo até ir embora também.

Já deviam ser umas seis da manhã quando eu e Draco trocamos uma palavra.

- O que aconteceu? – suspirei cansado – Isso foi terrível...

- Foi. – ele respondeu baixinho olhando para o nascer do sol – Sabe... Nós nunca sabemos quando outra bruxa vai tentar nos matar... – seu olhar agora estava direcionado a mim - podemos ter aquela conversa agora?

- Realmente – suspirei criando coragem para falar, olhei para ele – Sabe, eu acho que na verdade eu sempre gostei de você, desde o meu primeiro dia aqui. Eu sei que você não me passou a melhor primeira impressão do mundo. Mas, eu estava sempre interessado em saber mais sobre o garoto loiro mimado, no fundo, eu sabia que não era só isso. Depois que você começou encher meu saco, por incrível que pareça, isso não me incomodava de fato. Acho que na minha cabeça, isso era forma de estar sempre próximo de você. Depois que concordamos com a trégua, eu posso admitir que eu me senti mais leve por saber que podíamos ser amigos. Eu só não tinha entendido ainda que na verdade, eu queria mais do que isso.

Não estava acreditando, acabei de confessar muitas coisas pro Draco. Era pra ser só uma conversa sobre o beijo.

- Eu também. Quando demos uma trégua naquela detenção, eu me senti tão bem, e sempre me pegava olhando para você, e também já te vi me olhando... – Não conseguíamos tirar os olhos um do outro, azul com verde se chocando, me causando uma onda de calor. Sua mão acariciou o meu rosto e, em seguida, pousou em minha nuca – depois de tudo isso, nunca mais vou fingir que não sinto algo.

Nossos lábios se uniram em um beijo desajeitado e desesperado, nossos corpos pareciam precisar do outro o mais próximo possível, como se estar ali naquele momento apagasse tudo que aconteceu naquela noite. Esse beijo foi ainda melhor que o primeiro, nos separamos com vários selinhos e encostamos nossas testas com os olhos fechados, pensei em tudo que aconteceu essa noite, foi surreal.

Ficamos juntos por mais alguns minutos em silêncio, não era fácil processar todos os acontecimentos recentes, até que enfim decidimos que era hora de ir embora, nos despedimos e fomos cada um para um lado.

Cheguei em casa ainda abalado, deixei meus sapatos na entrada e minha jaqueta em cima da mesa. Fui em direção ao quarto de Maya, a mesma acordou com o barulho da porta abrindo.

-Você tá chegando agora? – perguntou sentando na cama e esfregando os olhos.

Eu não respondi, apenas caminhei até a cama dela e nos deitamos abraçados. Após alguns minutos em silêncio só tinha uma coisa que eu queria falar – É muito bom estar em casa. Maya apenas esticou a mão até meus cabelos fazendo carinho e assim eu adormeci.

...

Um mês se passou desde o halloween.

Pansy foi encontrada no dia seguinte dentro da casa depois de uma ligação anônima, sua autopsia dizia que ela havia sofrido um ataque cardíaco, demos depoimentos também, falamos que saímos do baile e fomos para lá, era para ser uma simples brincadeira, mas Pansy desmaiou do nada, entramos em desespero sem saber o que fazer, então ligamos para a polícia.

Já Neville foi dado como desaparecido desde a noite de halloween, as investigações ainda estão acontecendo, mas sabemos que ele nunca será encontrado.

Nós decidimos queimar o diário da bruxa, assim podemos impedir que mais algum lunático tente trazê-la de volta.

As únicas pessoas que sabem o que realmente aconteceu aquele dia são nós cinco: Ron, Hermione, Blaise, Draco e eu.

Hermione está melhorando aos poucos. Ela ainda tem alguns pesadelos com aquela noite. Porém, a frequência já diminui e ela garante que está bem melhor. Ron tem ajudado bastante nesse quesito, ele cuida dela tão bem.

Eu nunca mais tive sinal de Blaise desde uma semana atrás quando ele se despediu dizendo que iria mudar de cidade. Draco ficou arrasado, perdeu os dois melhores amigos.

Sobre Draco... Bom, estamos juntos desde então, decidimos que depois de quase morrer nas mãos de uma bruxa e perder dois amigos, assumir um relacionamento não podia ser a coisa mais complicado do mundo.

E eu sabia que essa tinha sido uma experiência que eu nunca iria esquecer.

FIM

Fala pessoinhas, feliz halloween atrasado.

Aí gente era pra ter saido ontem no dia do Halloween, mas muita coisa tava acontecendo então infelizmente não deu.

Enfim, antes tarde do que nunca.
Se gostaram dessa fic por favor dêem uma olhada nas minhas outras histórias, me ajudaria MT.
Bom é isso.

Beijos assombrados.
Paz ✌🏻

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