𝟢𝟤 | 𝓛𝓲𝓼𝓪

Escuto o fraco e contínuo barulho da chuva fraca lá fora, batendo contra o vidro da janela enquanto eu me emaranho entre os cobertores quentes da cama, que parece mais macia que o normal está noite e enterro o rosto contra o lençol limpo e com o fraco cheiro de amaciante.

Suspiro profundamente me espreguiçando. Decidi apenas largar minhas coisas na sala e tomar um banho para lá de merecido, depois de um dia cansativo, intenso e estressante em níveis não previstos e calculados por mim pela manhã.

Me sinto fisicamente e mentalmente cansada, muito mais que o normal hoje. Um longo bocejo escapa por entre meus lábios. Sinto meus olhos pesados e uma fraca dor de cabeça se instalar atrás dos mesmos, lentamente eles se fecham e acabo cochilando. Algum tempo depois não se dizer se foram por alguns minutos ou segundos, ouço alguns barulhos vindos do lado de fora, mas estou cansada de mais para ir verificar o que quer que seja. Provavelmente deve ser o papai voltando de mais um dia de treino pesado com os garotos, ele praticamente os esfola vivos naquele ringue todos os dias sem piedade, testando e testando seu desenvolvimento e empenho no gelo com novos passes e novos arranjos de posições no ringue.

Mas não posso julga-lo, a temporada me parece bem acirrada este ano. E os times que antigamente eram facilmente deixados para trás à cada jogo, me parecem mais fortes e preparados. Papai anda preocupado de mais, o que me fez ficar curiosa sobre os times adversários e agora começo a entender sua frustração. Os times estão muito bem equilibrados, com jogadores de calibres excessivamente altos e um bom tempo de experiência no gelo.

Arrasto tais pensamentos para o fundo da minha mente, já é tarde e meu corpo está pesado, exatamente como um espelho do céu chuvoso e nublado lá fora. Me viro na cama ficando de lado, fecho meus olhos novamente e me acomodo melhor sob o colchão macio. Ouço mais barulhos ao lado de fora da casa, para então passarem pelo jardim, desta vez ficando ainda mais altos. Depois disso não demora muito para que minha janela seja aberta lentamente e com descuido.

Depois de finalmente aberta, alguém com dificuldade e sem qualquer sutileza, entra cambaleando por ela enquanto xinga a maioria dos meus móveis dispostos pelo cômodo.

Não preciso nem abrir os olhos para saber quem é, o reconheço apenas pela voz. A verdade é que eu o reconheceria em qualquer lugar, mesmo que não quisesse fazê-lo. Ren.

Ele murmura algumas palavras, as quais não consigo decifrar ou identificar qualquer pronuncia e então volta a fechar a janela, desta vez com cuidado e menos barulho.

- O que está fazendo aqui Ren? - pergunto baixinho e sem abrir os olhos. Percebo que ele se mexe um pouco pelo quarto escuro e as roupas farfalham à medida que ele se movimenta, parecendo inquieto.

- Ah merda, eu acordei você Lisie? - ele pergunta rapidamente, sua voz transparece perfeitamente seu sentimento. Ele parece preocupado e culpado ao mesmo tempo, enquanto tropeça nas poucas palavras simples me fazendo perceber que meu amigo parece mais alterado do que seu estado natural. - Desculpe, para ser sincero não pensei nisso. Digo que você realmente poderia estar dormindo, quando decidi vir até aqui e pulei a janela.

- Ren, você bebeu? - pergunto já sabendo a verdade, enquanto abro os olhos rapidamente e me deparo com toda a sua glória e altura parada ao pé da minha cama. Em outras situações eu até faria uma piada, mas no momento o único sentimento que ganha força é a indignação.- E dirigiu até aqui, debaixo da droga da chuva!

- Hã - ele começa a dizer mas para, provavelmente sem argumentos o suficiente. Já que seu cérebro nem ao menos consegue articular uma boa desculpa, que eu possa acreditar. Ren então coça os cabelos molhados pela chuva e suspira lentamente parecendo extremamente esgotado. - Não vi você o dia todo Lis, e eu queria te ver pelo menos por alguns minutos antes de poder ir para casa e encerrar a noite.

Essas palavras fazem com que meu estúpido coração fique ainda mais agitado em meu peito do que já estava antes, quando apenas o percebi pular a janela do meu quarto tão tarde da noite.

- Ren, você poderia ter ligado como uma pessoa normal faria ou me mandado mensagem - murmuro tentando acalmar as batidas rápidas do meu coração e sufocar o sentimento crescente em meu peito devido a suas palavras, enquanto observo nervosamente a sombra da silhueta do seu corpo inquieto diante do quarto escuro. Enquanto meu amigo também permanece ali, me encarando da mesma forma, totalmente molhado dos pés à cabeça e provavelmente escondendo um largo sorriso bonito no rosto. Maldito Ren Pierce.

O que estou pensando? Definitivamente nada com meu melhor amigo de infância é normal, acabo sorrindo com meu próprio pensamento.

Tento desviar minha atenção para um lugar seguro e distante dos pensamentos sobre ele. Ren enlouqueceria se apenas suspeitasse que tenho algum interesse romântico nele, limpo a garganta algumas vezes e então desvio meus olhos para a janela observando a chuva cair lá fora enquanto uma fina camada de nevoa se forma ao mesmo tempo.

- Quer, que eu ligue para a Kat vir te buscar? Ou prefere que eu te leve? - pergunto depois de algum tempo em silêncio, o que é estranho já que Ren sempre foi falador.

Esse jeito calado e observador não combina com ele e definitivamente me deixa desconfortável. Meu amigo sempre foi muito bom em mascarar sentimentos quando preciso, exatamente como está fazendo agora. Não consigo ver seu rosto diante da escuridão do quarto, mas sinto seus olhos arderem como brasa sob mim.

- Hmm - ele arrasta a pequena sílaba por um longo período de tempo, parecendo realmente pensar seriamente como se a questão precisasse de uma resposta certa. Mas então logo depois balança a cabeça em negativa como uma criança e se aproxima mais da cama, chutando o que parecem ser seus tênis para longe. Agora consigo vê-lo melhor, em sua testa algumas rugas se formam enquanto ele olha seriamente para o chão. Enquanto eu o assisto nervosamente em seguida, tirar a jaqueta jeans escura que também está encharcada, juntamente com a camisa. Ficando apenas de calça jeans. Ren faz menção de retirar as calças me fazendo engolir em seco, então balança a cabeça em negativa mais uma vez parecendo querer clarear os pensamentos enquanto uma de suas mãos segura o botão e a outra o zíper. Meu amigo rapidamente leva as mãos para longe da peça e então me observa dos pés da cama com um belo sorriso zombeteiro. - E que tal, se eu apenas ficar aqui com você por hoje Lisie?

- O quê? - gaguejo nervosamente, quando ele se afunda na cama ao meu lado chegando cada vez mais perto. Tento novamente sufocar as batidas desesperadas do meu coração, tentando arduamente retomar o controle da situação outra vez. Faço o meu melhor para não parecer nenhum pouco se quer afetada.

Preciso de um escudo contra Ren, qualquer coisa ajudaria. Meu humor bipolar e completamente ensandecido, ou meu sarcasmo quem sabe. Talvez algumas piadinhas idiotas, tudo para que eu evite cair aos seus pés como uma massa gelatinosa derretida por ele, assim como todas as outras.

Me forço a engolir em seco e a falar novamente. Não pode ser tão difícil, pode?

- Ren, você está molhado e fedendo a álcool.

- Isso é um problema para você Lisie? - ele dispara a pergunta com um sorriso cretino emoldurando seu rosto bonito, o mesmo sorriso que ele costuma usar com suas conquistas diárias. Babaca!

Engulo em seco outra vez, enquanto minha pulsação continua acelerando ainda mais pelo garoto semi nu deitado ao meu lado.

- Não, mas eu não disse que você poderia ficar aqui e muito menos na minha cama! - esbravejo um pouco mais irritada do que gostaria, mas afinal é Ren Pierce ao meu lado. Esse garoto tem o poder de deixar qualquer um maluco.

Ren ignora, ou não parece se importar com meu incômodo. Na verdade, eu diria que ele até parece estar gostando de mais disso.

- Estou cansado Colleman e senti sua falta - ele murmura com a voz rouca, então estica a grande mão sob a cama tateando o colchão para me encontrar. Assim que o faz, me puxa para perto do seu peito quente enquanto meu maldito coração idiota continua a martelar como louco, querendo sair pela boca a qualquer custo. Ren provavelmente pode ouvi-lo se prestar atenção ou se apenas ficar em silêncio. - E se considere sortuda, a única garota que já dividiu uma cama comigo durante a noite toda foi a segunda Pierce.

Rio enquanto reviro os olhos e Ren me observa com aqueles lindos olhos quentes, me fazendo engolir em seco pela décima vez desde o pequeno curto espaço de tempo em que ele esteve aqui. Droga. Ele sempre me faz agir como uma idiota quando está por perto, e tê-lo assim absolutamente perto, quente e molhado pela chuva lá fora faz coisas estranhas com o meu coração.

- Que foi Colleman? Para de me olhar assim. Relaxa, você está muito tensa - ele provoca, me trazendo para ainda mais perto de si como se soubesse que é exatamente isto que me desconcerta. A sua proximidade. Agora estamos apenas há um mero palmo de distância do rosto um do outro. - O que foi, estou te deixando desconfortável?

- Vai sonhando Ren - rebato sabendo a verdade, enquanto torço para que minha voz saia firme. - Você nem é tudo isso.

Mentira. Ele é o meu sonho mais distante, o mais sensual e proibido, sem sombra de dúvidas. Mas deixá-lo saber disso, pode me trazer muitos problemas aos quais não estou disposta o suficiente para enfrentar tão cedo.

- É mesmo? - ele pergunta parecendo visivelmente chateado com o comentário. E é então que percebo que acabei de ferir seu ego. - Achei que era.

Escondo um sorriso presunçoso antes de continuar a tortura-lo um pouco mais. Gosto disso, Ren é facilmente manipulável quando se comparado a outros caras. Isso o deixa possesso.

- Olha, Richard sim. Ele é um ótimo espécime masculino - o provoco, sabendo que isso vai afeta-lo de forma drástica e rápida. Ren me dá um pequeno apertão na cintura, espalhando uma deliciosa corrente elétrica por todo meu corpo e me fazendo rir. Continuo falando, mesmo com um pouco de dificuldade. - Aqueles olhos bonitos, os braços fortes...

- Sabe Lisie, é feio desejar o namorado da melhor amiga assim - ele diz com um sorriso idiota no rosto. Enquanto seu hálito quente acaricia em meus lábios, causando uma doce sensação de formigamento e me fazendo desejar beija-lo como nunca desejei outra coisa antes. - Nunca imaginei isso de você.

- Não é desejar, são apenas fatos concretos e comprovados - digo dando de ombros.

- Não, você não! - ele diz entre dentes, se sentando na cama e me balançando com força o que me faz rir e querer provoca-lo um pouco mais, apenas porque eu posso.

- Richard é bonito realmente, mas eu acho que sempre preferi o Ashworth. Nate faz muito mais o meu tipo sabe? Sorridente, engraçado...

Não consigo falar mais, porque ele coloca uma das grandes mãos na minha boca, me impedindo de dizer qualquer outra coisa e sufocando uma risada que tento conter com todas as forças.

- Shh, vamos dormir Colleman. Você está tão cansada que seu cérebro está desligado e sua boca está falando besteiras de mais e outras merdas desconexas - Ren diz, voltando a se jogar ao meu lado com os olhos fechados. Então meu amigo lentamente abaixa a mão que estava sob minha boca e passa por debaixo do meu corpo, rodeando minha cintura com os dois braços agora e me mantendo perto de si, interceptando qualquer tentativa de fuga ou protesto. Como se eu fosse louca ou melhor, sã o suficiente e quisesse sair dali por vontade própria.

- Ren, eu não disse que poderia dormir aqui - murmuro um tempo depois enquanto ele parece sereno de mais, sem ligar para mim.

Não disse que ele poderia ficar, mas também não o expulsei.

Suspiro o encarando por alguns instantes, os lábios cheios, as sobrancelhas escuras e grossas, os cabelos castanhos compridos e completamente desgrenhados, o rosto bem esculpido. É como se a própria natureza o tivesse moldado com as próprias mãos, dando vida ao que chamamos de perfeição.

Me dou finalmente por vencida, não tem como dizer não a Ren. Acho que nem o próprio diabo teria coragem de enfrenta-lo ou apenas contraria-lo por qualquer coisa.

- Certo, tudo bem. Só vá embora antes do amanhecer.

O que significa, antes que meu pai. O seu treinador acorde.

Ele apenas sorri largamente sabendo que venceu o jogo. Ren me puxa para ainda mais perto e elimina qualquer espaço que possa haver entre nós. Então enterra seu rosto em meu pescoço, enquanto me aperta entre seus braços fortes e quentes.

Maldito Ren Pierce.

Eu realmente preciso de um escudo para lutar contra ele, ou apenas para que eu realmente consiga lidar com a sua presença marcante tão próxima todos os dias.

Dormimos os dois assim, abraçados um ao outro durante praticamente toda a noite ou pelo menos eu acho que sim. Até a manhã cair e eu começar a duvidar da sua presença e questionar minha própria sanidade.

Quando acordei não havia um vestígio se quer de que Ren esteve aqui ontem à noite, a não ser por seu fraco perfume impregnado em meu travesseiro. É a única coisa que comprova que meu amigo realmente invadiu meu quarto ontem à noite, porque sentiu minha falta de maneira desesperada e louca como só ele é capaz. Tal pensamento me faz sorrir largamente feito uma completa idiota.

Somente Ren é capaz de cometer essas loucuras mesmo. Não conheço outra pessoa que teria a mesma coragem ou intensidade de fazer o que ele faz, e ainda ter toda aquela empolgação infinita armazenada dentro de si.

Me mexo de forma preguiçosa na cama enquanto solto um longo bocejo, pego meu telefone abaixo do travesseiro e percebo que tenho cerca de apenas aproximadamente trinta minutos para ficar pronta se eu ainda quiser uma carona para a escola. Levanto rapidamente e corro para o banheiro, decido que mais tarde lerei as mensagens que preenchem a tela do meu telefone, já que não terei tempo o suficiente agora.

Prendo meus cabelos no alto da cabeça em um coque desajeitado antes de entrar embaixo da água quente, e então alguns minutos depois estou diante do espelho penteando meus cabelos e prendendo-os em um rabo apertado no alto da cabeça. Só tenho tempo de pegar minha bolsa, jogar meu telefone dentro dela e roubar uma torrada antes de ouvir uma buzina alta soar do lado de fora.

Dou uma grande mordida na torrada, antes de prende-la entre os dentes para trancar a porta e então correr até o luxuoso sedã prata, parado ao lado do meio fio na rua. Percebo que é Nate quem está atrás do volante ao me aproximar, enquanto Ren está jogado no banco de trás em um estado beirando ao miserável.

- Bom dia moranguinho - Nate me provoca com o apelido ridículo de infância quando entro no carro ao seu lado. - Me lembre de agradecer mais vezes ao bom deus pelo tempo quente, assim vou poder ver suas pernas bonitas com mais frequência.

Rio enquanto passo o cinto pelo peito e ele acelera o carro, nos colocando em movimento em direção a Green High.

- Você vai ter muitas pernas à sua espera quando chegarmos a Green High, meu bem - rebato enquanto o vejo alargar ainda mais o sorriso maroto.

- Promete? - ele pergunta parecendo uma criança feliz prestes a ganhar o brinquedo que sempre quis, enquanto paramos em um semáforo vermelho.

- Prometo - digo erguendo três dedos ao lado do meu rosto.

- As suas também estão inclusas? - ele brinca, me dando uma piscadela atrevida e é então, que escuto Ren soltar uma bufada no banco de trás me fazendo observa-lo pelo retrovisor, mas apesar disso ele permanece em silêncio. - Pense que você estará me dando um presente de aniversário adiantado moranguinho. Eu preciso de alguém para cuidar do meu coração maltratado Lis, tenha pena de mim.

- Você está bem mais animado que o normal hoje, algum motivo especial? - o provoco, e agora é a vez dele rir e me cutucar entre as costelas. Mas apesar da brincadeira, meu amigo parece bem mais humorado que o normal o que me faz suspeitar do seu comportamento controverso.

- Muitos pares de pernas bonitas, isso é o que está me mantendo animado moranguinho - Nate fala, mas sei que existe algo mais acontecendo mas não forço mais o assunto para que ele me conte.

Nate é assim, quando mais você o encurrala sobre algo mais calado ele ficará. Sei que no tempo certo, ele vai acabar contando o que tanto o incomoda. Então resolvo desviar o assunto novamente para um campo mais seguro.

- Aposto que todas elas vão adorar a oportunidade de ter um tempo com você - digo o fazendo rir outra vez.

- Moranguinho, você e Katy sabem bem como massagear o ego de um cara - Nate diz sorridente, enquanto passamos pelo amontoado de carros e alunos ao finalmente adentrarmos no estacionamento de Green High, procurando uma vaga para estacionar. - Eu poderia até me apaixonar por você Colleman.

Nate diz ao sairmos do carro, percebo ao observa-lo que ele tem um belo sorriso lhe esticando os lábios finos e rosados. Fecho a porta e então coloco minha bolsa sob o capô lustroso, enquanto o encaro seriamente com os olhos cerrados antes de dar de ombros e rir.

- Não, você só brincaria com o meu pobre coração - murmuro enquanto ele ri e contorna o carro, ficando ao meu lado e esperando o restante dos nossos amigos se juntarem a nós. Ren ainda permanece dentro do carro, mas agora está deitado no banco de trás. Abro a porta, então me abaixo ao seu lado passando os dedos por entre seus fios de cabelos escuros sedosos. - Você está mesmo bem?

Ren geme de uma forma sofredora, o que me faz rir um pouco.

- Não tanto quanto eu gostaria - ele consegue murmurar depois de um tempo apenas me respondendo com gemidos e resmungos em tons diferentes, então meu melhor amigo abre os olhos me dá uma linda visão daquela incrível mistura de cor. Um magnífico misto de verde e amarelo, me deixando ainda mais encantada por ele do que é humanamente possível.

A verdade é que Ren sempre foi minha paixonite desde o jardim de infância, mas eu nunca deixei que ninguém soubesse disso. Até mesmo Kat.

Mas quando entramos na adolescência, esses sentimentos pareceram ficar ainda maiores e mais assustadores, além de cada vez mais difíceis de esconder. Apenas um sorriso de Ren, era capaz de fazer coisas estranhas com o meu coração e estômago que nem eu sabia que eram possíveis.

Mas ele nunca me viu como nada além de sua melhor amiga de infância, e por consequência filha do seu treinador. Devo ser considerada como uma irmãzinha grudenta para ele, da qual é difícil se livrar.

Suspiro, empurrando meus pensamentos para o mais fundo que consigo em minha mente e me foco no garoto a minha frente.

- Você pelo menos comeu algo? - pergunto preocupada, observando seu rosto esgotado e agora pálido. Ele murmura algo muito parecido com um não, antes de passar a mão pelo rosto e continuar ali me observando de cabeça para baixo. - Tem certeza que não prefere ir para casa?

- Ren Pierce, onde você estava? - Kat aparece ao meu lado furiosa me fazendo saltar com o susto, enquanto o irmão lhe presenteia com um sorriso fraco. Ela ainda está brava, mas empurra a bronca para mais tarde quando percebe o estado do seu gêmeo. - Você está bem?

Minha amiga pergunta com preocupação, então se abaixa ao meu lado tocando a testa de Ren enquanto verifica sua temperatura.

- Você bebeu demais ontem à noite, não foi? - ela pergunta com serenidade, deixando a raiva de lado e dando sua total atenção a Ren.

- Talvez um pouco - ele responde baixinho, parecendo com uma criança prestes a levar uma bronca.

Nunca vi ninguém exercer tanto poder sobre alguém, como Kat tem sobre Ren. É fascinante e assustador ao mesmo tempo.

- Você comeu alguma coisa antes de vir para cá? - ela pergunta mantendo o tom de voz sereno enquanto o observa, meu amigo solta um moxoxo em resposta enquanto Kat suspira alto ao meu lado. - Tomou algum remédio para ajudar com a ressaca?

Desta vez Ren levanta dois dedos acima da cabeça, indicando a quantidade que ele tomou. Tento com todas as forças segurar uma risada e permanecer séria diante da situação mas não consigo e acabo rindo com vontade.

- Argh, juro que não sei mais o que fazer com você - ela murmura antes de se levantar. - Vou ver se encontro algo que seja bom para você comer.

- Obrigado - ele diz abrindo um sorriso, enquanto ainda está deitado.

- Você não dirigiu naquele estado ontem, não é? - pergunto depois de perceber que Kat já está longe e não pode nos ouvir.

Ren me observa de maneira estranha, passando aqueles lindos olhos divertidos por todo meu rosto, parecendo procurar por algo que não sei dizer exatamente o que é.

- Não, pedi um uber. Ele foi bem eficiente na verdade - ele diz divagando com seus pensamentos, enquanto os olhos castanhos ainda estão presos nos meus.

- Qual deles te ajudou? - pergunto mudando meu tom para o acusatório, enquanto arqueio uma sobrancelha o pegando na própria mentira. Ren morde o lábio e então solta um suspiro.

- Não sei do que está falando - ele murmura rapidamente, desviando os olhos dos meus e os fixando em um ponto do meu pescoço. Minhas pernas começam a tremer de ficar na mesma posição por tanto tempo abaixada ao seu lado, então me forço a levantar. Agora deixando os olhos de Ren no mesmo nível que minhas coxas cobertas pela maldita saia apertada e curta do uniforme.

Ren fica com os olhos fixos no grande pedaço de pele exposta, então logo em seguida engole em seco de uma forma engraçada e se acomoda parecendo sem jeito no banco, desviando o olhar de mim para qualquer outro lugar. É a primeira vez que o vejo desconcertado e desconfortável com algo.

- Vejo vocês depois - digo escondendo um sorriso que insiste em se algar em meus lábios, então ergo meus olhos de Ren, para Nate que está prestando mais atenção no pequeno grupo animado de líderes de torcida ao longe. Rio ele definitivamente não gosta de perder tempo. - Nate, tem baba escorrendo pelo seu queixo homem.

Meu amigo apenas me despensa com um mero aceno, antes de voltar a prestar atenção nas belas garotas sorridentes de saia curta a sua frente.


Depois do término do último período das aulas, finalmente me dirigi para fora do prédio principal de Green High até o estacionamento. Onde ainda me encontro no momento, encostada na caminhonete de Luc para não ir ao chão enquanto converso com os meus amigos.

Enquanto espero minha melhor amiga para podermos ir para casa, observo os alunos se dispersarem. Em contrapartida outros conversam animadamente no estacionamento e caminham em direção aos seus carros exuberantes, ou até o ponto de ônibus mais próximo.

O alto som de uma buzina e um ronco de motor despertam minha atenção, desvio meus olhos para o lado oposto em que estava observando e me deparo com um carro que me parece bem conhecido. Ele lentamente para ao nosso lado e eu vejo Kat acenar animadamente lá de dentro.

- Pronta para um dia de garotas? - ela dispara com um sorriso bonito enquanto se inclina para me observar.

- Está brincando! O'Brien deixou você dirigir? - pergunto sem conseguir conter a animação repentina que parece querer me dominar. Desencosto do carro de Luc e caminho até minha amiga, me debruçando sob a janela aberta do carro a encarando com um largo sorriso de expectativa.

- Ele me pediu para cuidar do carro, já que vai sair com os garotos - ela diz com um grande sorriso estampado no rosto.

- Fala sério, seu namorado ama esse carro Kat! - brinco me afastando, para abrir a porta e me jogar lá dentro junto ao banco de couro. - É quase como um filho para ele, ou um tesouro. Tem certeza de que não é um pedido de casamento antecipado, ou algo do tipo?

Kat ri, balançando levemente a cabeça como se isso não fosse nada de mais. Então não demora muito e Richard aparece, ele parece sentir uma conexão instantânea com a namorada, já que vem até nós e se debruça sob a janela do motorista ao lado dela. Exatamente como eu fiz há alguns instantes atrás.

Minha amiga se vira no banco de couro marrom claro quase caramelo, ficando de frente para Richard que esbanja um sorriso completamente apaixonado no rosto bonito.

Esses dois são tão melosos, mas confesso que adoro vê-los juntos. Eles me fazem acreditar que o verdadeiro amor existe, apesar de tantos obstáculos e escolhas que ambos tiveram que enfrentar para ficarem juntos.

Richard dá um rápido e casto beijo em Kat, então se afasta olhando para mim e me envia um sorriso que conheço bem. Ele se tornou um bom amigo para mim com o passar do tempo também, não tão próximo quanto os outros garotos. Mas confesso que ele ganhou um espaço especial na minha vida também.

- Colleman, eai? - ele me cumprimenta com uma piscadela atrevida, uma que faz as garotas desmaiarem por ele. Não que Richard não seja bonito, porque o bom deus e a natureza foram muito generosos com a sua genética e quando o garoto foi feito também. Eu não menti quando disse que esse garoto era um perfeito espécime masculino, os olhos turquesa que ele possuí não me deixam mentir.

Mas não é Richard que rouba cada maldita batida do meu coração do meu coração, ele não me faz me comportar como uma idiota quando está por perto, ou se quer me deixa nervosa. Ele é só mais um amigo espetacularmente e ridicularmente bonito que entrou na minha vida.

- Oi - me viro para observa-lo com os olhos semicerrados, ainda suspeitando que ele vai nos deixar dirigir. - Vai mesmo nos emprestar o carro?

- Claro, ele não poderia estar em melhores mãos - ele diz, lançando novamente aquele olhar apaixonado para Kat. - E não é como se você nunca tivesse pegando nele antes Pierce.

Kat ri, e dá de ombros. Enquanto o garoto pega uma de suas mãos e cruza os dedos da minha amiga com os dele, enquanto sapeca um beijo rápido entre os dedos de Kat.

Suspiro os observando, parados ali totalmente perdidos um ao outro e completamente apaixonados. Me pergunto se algum dia vou achar alguém que também me olhe da mesma forma e com a mesma devoção que eles colocam em seu relacionamento.

- Vou leva-la para conhecer a Emma e a lanchonete, você nos encontra lá mais tarde? - Kat pergunta, observando o namorado a olhar com devoção.

- Sim, vamos só fazer algumas coisas juntos - ele diz lançando um olhar sob os ombros largos, para os amigos que conversam mais afastados e depois volta a nos observar. - Já faz alguns dias que estou ouvindo a mesma baboseira de sempre, então é melhor sair um pouco com eles, pelo menos por algumas horas e então sair de fininho. E antes que Ren me enlouqueça.

- Tudo bem, divirtam-se - ela diz em um tom animado.

- Vocês também. E me mande mensagem, ou ligue se precisar de alguma coisa - Richard diz, os olhos turquesa observando Kat atentamente. Sempre achei tão maravilhoso a forma como ele a trata.

- Pode deixar, não se preocupe conosco vamos ficar bem - ela diz tentando tranquiliza-lo, então se levanta do banco e tira metade do corpo para fora do carro pela janela, enquanto troca alguns beijos apaixonados com Richard do lado de fora. Me sinto em uma cena 3D de uma comédia romântica adolescente, enquanto os observo.

- Vamos O'Brien! - escuto alguns dos nossos amigos o chamarem. Então Nate se aproxima do carro a passos largos e com o sorriso idiota de sempre preso em seus lábios finos.

- Então Lis, você também quer um beijo de despedida? - ele pergunta todo sedutor e me faz rir.

- Ah Nate, eu te conheço desde sempre e esse truque não funciona comigo - digo me apoiando na janela aberta do carro, para vê-lo melhor.

- Tem certeza? - ele me provoca, se abaixando e deixando seu rosto na altura do meu enquanto aqueles terríveis olhos azuis claros me provocam. - Quem sabe...

- Vai Ashworth, chega pra lá e deixa um profissional tentar - David diz o empurrando para o lado sem qualquer delicadeza, enquanto dobra as mangas da impecável camisa branca deixando a mostra os belos morenos e musculosos braços. - Oi Lis.

- Oi Davie - abro um grande sorriso para o moreno bonito para a minha frente, Kat ri baixinho ao meu lado e murmura algo para o namorado que logo sai arrastando os dois amigos para longe do carro. - Eles vão me enlouquecer agora que Richard decidiu reivindicar você, não vão?

- Eles estão só aquecendo, vai ficar bem pior acredite - ela fala achando graça e ligando o carro. Já faz algumas boas semanas que Kat e Richard assumiram o namoro publicamente, mais boa parte dos alunos da Green ainda se surpreende ao vê-los juntos. Como agora, com minha amiga dirigindo o carro do namorado pelo estacionamento.

Confesso que eu também estou surpresa, mais por outros motivos já que Richard venera o próprio carro em um nível ridiculamente estranho, mas os outros alunos parecem surpresos apenas porque minha amiga está usando algo que pertence à um dos garotos mais populares da escola e uma das estrelas do time de Hóquei.

- Então, pronta? - minha amiga pergunta me despertando dos meus pensamentos, então pega o Ray-Ban de Richard que estava escondido em algum compartimento secreto e já conhecido por ela e os coloca sob o rosto.

Em pouco tempo estamos pegando uma rodovia pouco movimentada e seguindo por uma parte da cidade em que eu nunca estive antes, mas que Kat parece conhecer muito bem.


Kat e eu estamos sentadas em uma das grandes mesas da lanchonete vintage da avó de Richard, Emma. E ela é incrível assim como Kat descreveu nas vezes em que divagava sobre a doce senhora que está atrás do balcão.

Vi o tempo voar conforme comemos, rimos e conversamos. Minha amiga me mostrou boa parte da cidade, que é incrível. Não posso acreditar que eu nunca tenha conhecido este lugar antes.

Agora estamos sentadas no balcão nas grandes banquetas de ferro com estofados vermelhos, já que o movimento da lanchonete começou a aumentar e decidimos liberar a mesa para potenciais clientes. Quando os garotos chegam Emma automaticamente abre um largo sorriso brilhante.

- Oi vovó - Richard diz, depositando um beijo estalado no rosto da avó do outro lado do balcão, secando alguns copos e então abraça Kat pela cintura e deposita um beijo em seu pescoço a fazendo rir. - Oi amor, senti sua falta hoje.

- Oi - ela responde toda sorridente e de forma tímida, é tão contagiante vê-los assim tão felizes juntos.

- Oi Emma - escuto a voz de Ren soar pela lanchonete, enquanto ele lentamente caminha até a pequena senhora e lhe deposita beijinhos pelas bochechas a fazendo rir sonoramente.

- Olá querido - ela diz se afastando, enquanto acalma seus risos e lhe presenteia com um sorriso brilhante nos lábios, isso é exatamente o que Ren faz com as mulheres. Ele é capaz de nos reduzir a pequenas massas gelatinosas aos seus pés sem muito ou qualquer esforço, apenas com um mero sorriso. - Senti sua falta por aqui, vocês não estão vindo muito. A única que me dedica algumas horas é nossa menina Katy.

- Desculpe. O treino está pesado, e eu preciso recuperar algumas notas se ainda quiser ficar no time - ele se explica parecendo um pouco tímido e envergonhado. Emma lhe abre um sorriso e pede para que ele se junte a nós.

Depois de um pouco de conversa, admito que ela me conquistou no primeiro minuto em que pisei no Roy's. Emma é uma mulher incrível, engraçada e completamente cativante.

Vê-la brincar com Kat, fazendo comentários sobre Richard foi divertido.

Ren finalmente se aproxima de nós, a passos lentos e preguiçosos então sem se dar conta passa um dos braços por meu pescoço, depois o outro e me abraça o que faz meu coração idiota instantaneamente querer saltar para fora do meu peito e cair no colo do garoto vibrante ao meu lado.

Meu amigo sempre foi dado a toques e ligado a sentimentos, mas ultimamente ele tem se aproximado mais que o normal e isso me assusta. Não quero e não posso criar expectativa por algo que não é concreto ou real.

Suspiro observando-o por algum tempo, Ren parece perceber mesmo não olhando para mim já que me dá um leve aperto na cintura me fazendo desviar os olhos do mesmo e então voltar a participar da conversa animada acontecendo ao meu redor.


Oii xuxus, quanto tempo!

Eu demorei mas voltei com eles, a partir de hoje se iniciam as postagens
Lembrando que NM terá um capítulo postado por semana
Os lembretes serão adicionados aqui mesmo no watt, e também pelo meu instagram
Como sempre eu ainda não tenho um horário fixo para postagem,Então está pode ocorrer até o fim do dia(POR TANTO, ME PERDOEM)

Espero que gostem e que principalmente se apaixonem pelos personagens
E curtam muito a história, que desta vez vem de duas perspectivas bem diferentes
Vocês já conhecem a Lis e o Ren, do primeiro livro da Série (FAKE LOVED)
E principalmente a interação dos dois, desta vez vamos nos aprofundar um pouquinho
E conhecer mais sobre o dia a dia do gêmeo Pierce diabólico e sobre a sua melhor amiga

Vejo vocês na semana que vem
Deixem muitos comentários e estrelinhas
Também não se esqueçam de compartilhar com os amigos
Para que nosso mundo possa se expandir ainda mais
E não menos importante, adicionem o livro a sua biblioteca


Amo ocês de mais
Xoxo, Pandora

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top