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Não foi muito difícil encontrar uma igreja perto de casa,na verdade tinha duas e escolhi uma,depois do treino busquei Hanna na escola e vi que a diretora estava conversando com os pais da amiga de Hanna, que bom. Ponho o capacete nela e vamos pra casa. Espero dar a hora do culto e começo a me arrumar junto com minha mãe e minha irmã,ajudo Hanna a encontrar um vestido,ela usa um azul com flores brancas e põe uma sapatilha,eu vou de calça jeans e camiseta,minha mãe escolhe calça jeans também e uma blusa de alças,enquanto minha mãe penteava o cabelo dela, eu penteava os cachinhos loiros de Hanna.

- Porque estamos indo pra igreja? - pergunta ela.

- Nós vamos ir visitar,você pode gostar de lá. - respondo sorrindo.

- É lá que Deus mora?

- Bem,eu não sei,se ele existe provavelmente vive no céu mas vai visitar a igreja.

- Ah. Que legal seria viver no céu, como deve ser lá em cima?

- Eu não sei. - respondo sinceramente. - quando estamos todos prontos,saímos de casa. No caminho para lá eu estava nervoso, não sei o que vai acontecer, ou se não vai acontecer mas eu preciso tentar. Preciso saber se Ele existe. Chegando lá, tinha uma pessoa na porta que passava um olhinho na nossa mão, pra que será? Vejo que as outras pessoas põe a mão na testa com o olho,então faço o mesmo. Nós sentamos na penúltima fileira de cadeiras e prestei atenção na musica que estava sendo tocada. Era muito bonita,era um menino que estava cantando, devia ter entre a minha idade,tinha um baterista e um guitarrista. A música era realmente linda e gostei muio dela.

Abro cada porta que o mundo fechou
Eu não valia nada, ele me deu valor
Mudou minha história e me fez alguém
E me disse que meus sonhos vão além
Que eu possa imaginar...

Aquilo tocou muito em mim e eu estava gostando dessa atmosfera boa que aquele lugar possuía. Depois que a música acabou,o homem que eu acreditava ser o Pastor disse que as crianças poderiam ir pra salinha e Hanna olha pra mim e pra minha mãe em uma pergunta silenciosa.

- Pode ir mas quero que se comporte. - Ela sorri e vai para onde as outras crianças estão indo. Vejo uma menina falando com ela no caminho, Hanna sempre teve muita facilidade em fazer amigos. Admirava isso nela. Acho que quando crescemos ficamos muito fechados, é difícil um adolescente chegar em um lugar e se enturmar com todos da sua idade mas uma criança apenas te chama pra brincar e nasce uma amizade. Deveríamos ser mais como elas. Agora que a música acabou, o pastor abre a bíblia e pede pra que todos abram em Apocalipse 3:20. Como nem eu e nem minha mãe possuímos bíblias apenas escutamos o que ele diz.

- "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo." - Eu não entendo muito bem o que aquilo queria dizer então fiquei curioso para ouvir o que mais ele diria. - Antes de eu continuar essa palavra,quero dar as boas vindas aos nossos visitantes de hoje. - demoro pra perceber que ele está se referindo a nós. - Qual o seu nome, rapaz?

- Arthur.  - digo com vergonha de todos os pares de olhos que estão sobre mim. Minha mãe também diz o dela e o da minha irmã.

- É um prazer recebe-los aqui, sintam-se a vontade, a casa é de vocês. E sejam bem vindos?

- EM NOME DE JESUS! - toda a igreja exclama e quase sorrio com isso. Legal o Pastor receber as pessoas assim. Me sinto automaticamente mais confortável em estar ali e escuto a pregação com curiosidade e atenção.

- Está palavra nos mostra claramente o quanto o senhor quer conhecer e cuidar de nós,quando ele diz "Eis que estou a porta e bato" ele quer dizer que ele está constantemente nas portas dos nossos corações esperando para ser recebido,entrar em nossa vida e nos ensinar sobre ele, cuidar de nós mesmo que não mereçamos isso. Deus é muito poderoso,se ele quisesse nos abrigar a fazer qualquer coisa ele poderia facilmente mas não,ele nos dá a escolha, o livre arbítrio de escolher segui-lo, conhece-lo e ama-lo para que nós escolhemos. Ele não quer um amor forçado, ele não quer tem um relacionamento falso com a gente,ele realmente quer nos conhecer e quer que nós o conheçamos! Jesus está à bater no coração de cada um de nós, ele só está esperando que abramos para ele poder entrar e como o mesmo disse,cear conosco e nós com ele. Está vendo o quão Deus é bom? Ele é maravilhoso e quer que nós, humanos, que não temos nenhum tipo de poder seja-mos seu amigo! Porque Deus quer ser seu amigo, seu Pai. Deus gosta que nós oremos a ele,ele sabe de tudo o que acontece na nossa vida, nada lhe escapa mas mesmo assim ele quer ouvir a nossa voz! Saber dos nossos problemas e ter um relacionamento íntimo conosco. Ele se importa conosco, com o que temos passado,ele vê tudo isso! Sempre está lá por nós, ainda que algumas vezes nos viremos as costas pra ele, ele nunca virá as suas para nós. - Escutei atentamente tudo o que era dito, e achei aquilo tudo muito bonito. Então Deus quer ser nosso amigo? Ele quer escutar sobre nosso problemas? Ele não se irrita porque o pertuba-mos com isso? Então ele é realmente é uma boa pessoa. Tiveram mais pregações que escutei maravilhado e mais canções lindas. O culto acaba e saio de lá me sentindo muito bem. A igreja parece se um bom lugar e decido que irei voltar de novo. Assim que chego em casa vou para o meu quarto e falo com Deus ajoelhado aos pés da cama.

- Eu gostei muito de ter ido para a igreja hoje, fico muito feliz em saber que você quer ser meu amigo,eu ainda não sei como tudo isso funciona mas eu quero muito saber. Me desculpe não ter ido a igreja antes é que eu não sabia que você estava batendo na minha porta,até hoje. Eu quero deixar você entrar se você quiser. É isso. Tchau, eu volto para conversamos mais. - depois disso vou até a cozinha aonde minha mãe está fazendo o jantar.

- O que você achou de hoje? - pergunto.

- Foi muito bom, talvez Deus exista,eu fiquei muito emocionada hoje e senti uma paz que nunca tinha sentido antes. - diz ela sorrindo.

- Eu também. - admito e mando uma mensagem pra Jade perguntando sobre o filme, ela responde que está me esperando.

- Mãe, eu vou sair,volto daqui a pouco.

- Tudo bem,tenha cuidado! - faço que sim e saio de lá. Quando chego na casa de Jade, ela abre a porta e me conduz pro sofá onde o filme já está lá pausado e tem pipoca e refrigerante. Ela é demais.

- Você já está avisada que sou emotivo. - digo brincando.

- Estou. Já chorei tanto com esse filme que não me importaria. - Abraço ela e nos sentamos no sofá perto um do outro. O filme começa. Depois de meia hora de filme não entendo porque todo mundo chora até ver o maldito final.

- Ooh! Espera aí,isso tá errado! Tinha espaço o suficiente para os dois ficarem! Que roubo é esse? - eu estava completamente indignado com esse final, o cara morre? Desse jeito? Sem mais nem menos depois de tudo o que os dois passaram para ficarem juntos? Que injusto!

- Não gostei desse filme não. - ela ri de mim.

- Nós temos que aceitar que as vezes nem sempre o casal vai ficar juntos. Isso é só nos contos de fadas. Na vida real, pessoas casam e se separam,pessoas morrem. - diz  a última frase em um sussurro.

- Inaceitável. - digo convicto. Não podia ser, me recuso a acreditar que acabou assim. Está falando isso por causa do filme ou porque não aceita que isso possa acontecer? Tiro esses pensamento ridículos da cabeça.

- Amanhã vou escolher outro filme para vermos. Um que ninguém morra,de preferência.

- Você está chorando! Eu sabia que não aguentaria. - Eu não estava chorando por causa daquele filme idiota.

- Eu te disse que sou emotivo, caramba, não me zoe. - ela ri e passa os braços pelos meus ombros me deixando quentinho sob o tecido de seu casado.

- É triste mesmo mas as vezes temos que aceitar que nem sempre é para sempre.

Depois do filme com Arthur, ele foi embora pra não chegar tarde em casa mas disse que voltaria pra vermos outro filme mais aceitável. Juan realmente ficou no quarto o tempo todo mas foi porque estava ocupado com um trabalho do qual não entendi nada.

- Vamos ver um filme? - diz assim que sai do quarto.

- Desculpa mas estou com muito sono, eu vou dormir um pouco. Boa noite.

- Boa. - Fui dormir e minha mente vaga para longe,para o balé,para minha apresentação do ano passado. Tudo estava tão lindo.  Penso em Arthur, é legal ter alguém por perto que te faz rir e te faz companhia. Apesar do Juan,eu nunca tinha tido um amigo homem antes, não sei porque. Sempre tive mais amizades com meninas, e ter um menino comentando comigo sobre series ou filmes é... estranho e bom. A minha consulta no médico só ia ser daqui a uma semana então por enquanto estava tranquila e tomando os remédios certinhos.

Fico pensando na possibilidade de se a lista para pulmões novos chegasse até mim. Eu poderia fazer um transplante e talvez ficasse bem. Mas não queria ficar pensando em uma coisa que é quase impossível. Tem mais de um milhão de pessoas na lista para pulmões novos e algumas estão lá a anos. Mesmo se chegasse até mim não seria justo com essa pessoas que esperam a tanto tempo por uma oportunidade. Durmo e acabo sonhando com o dia que eu e Juan fomos juntos pra casa de Praia dos nossos avós. Foi tão bom,ficamos tranquilos, de boa lá, conversando e se divertindo. Eu deveria voltar lá um dia. Seria ótimo. Alguém bate na porta do meu quarto e eu digo que entre. É minha mãe.

- Jade... eu preciso te contar uma coisa. - O meu coração acelera em alerta porque sei que nada de bom vem daí. Me preparo para o que ela irá dizer.

- A Molly, ela faleceu ontem a noite. - levo a mão a boca e fecho os olhos. As lagrimas e o sentimento de tristeza pesam em meu coração. Eu nem pude me despedir dela. Nós ainda precisamos conversar mais. Nós ainda não fizemos juntas tudo o que queríamos. Ela não podia...

- Jade?

- Eu quero ir ao enterro. - É tudo o que eu consigo dizer.

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