s e t e
Mexeu os pés, esfregando conforme a areia se entranha na cavidade dos dedos. Chegavam a grudar, mas não era desconfortável, pelo contrário.
Pareciam ter esticado uma manta sob sua cabeça, descendo gradualmente até envolvê-la por completo, deixando um calor reconfortante em seu interior.
Aquele contato apenas enfatizava o agora. Sentir a terra, o vento e até o sondar insistente do pirata tornava tudo mais real.
– Bananas – sibilou, a voz quase não saindo. Fixou-se nos cachos fartos e grossos, descendo numa meia lua de uma tonalidade próxima a das folhas – Sempre foram verdes como melancias? Honestamente, não me recordo.
Após longas voltas e uma corrida revigorante por toda extensão da orla, a elfa decidiu parar e se concentrar na rara visão. Um tesouro em forma de bem natural.
O tom insatisfeito da tripulante chegou até seus ouvidos, oscilando entre um rosnar e um resmungar.
– Estou disposta a passar minha preciosa madrugada no timão – propôs em meio a um suspiro. Mal chamou a atenção da elfa, sendo ignorada com louvor – Seja uma boa menina e embarque comigo.
Quase vinte anos.
Era o tempo que não via uma banana.
Lançou uma espiadela por cima do ombro, pondo as mãos na cintura. A carranca era grande, a ponto de queimar a nuca. Porém, não era nada que não fosse suportável.
Fosse o que fosse, esperar mais alguns minutos não impactaria seus momentos finais. Era capaz de aguardá-la.
Focou a bananeira, invadida por sensações nostálgicas de uma época que não aproveitou. Uma paz tão rápida que aparentava ter existido somente em seus sonhos mais doces.
A última vez se despontou em sua mente como fotografias borradas de uma câmera antiga. Uma pintura desgastada, repleta de acordes leves e sorrisos.
Sua bisa descascou a fruta, aproveitando a distração da neta e dando pequenas rodelas na boquinha da elfa recém nascida.
Foi antes da guerra. Todo o conflito deixou uma escassez de alimentos terrível, resultando na fome e na disputa pelos poucos grãos que restaram.
A minoria que atravessava as zonas marítimas e alcançavam a aldeia, eram monopolizados pelo senhor local. Filas extensas eram feitas, saindo das casas até o centro principal.
Distribuem menos que três colheres inteiras, dispensando o resto com a desculpa de que os comerciantes externos haviam cortado nossos carregamentos mensais. Ninguém queria se relacionar com os demônios de orelhas pontudas.
Precisavam poupar, ainda mais no inverno. Queriam chegar lá com vida e com estoque suficiente para passarem por ele sem que ninguém morresse.
Para evitar que o tempo fizesse mais vítimas.
É claro que não ocorreu como esperavam.
Encolheu os olhos sobre a longa e esguia árvore. Uma imensa prova de vida, raízes que perfuram o solo e lhe oferecem o melhor dos nutrientes.
A sensação de vazio oscilou por suas entranhas, tremulando pelas paredes do estômago. Recordou-se que não comia nada desde o incêndio, o maldito incidente ainda ardia em suas memórias.
– Não me vejo em condições de subir isso –, parou, linhas pensativas se espalhando pela testa antes de ter um estalo, – Mas meu companheiro Percy consegue!
Levou os dedos ao canto da boca, assobiando.
Desnutrição era só uma das consequências do conflito. Não é só soldados que morrem, consigo inocentes foram levados embora, como meros objetos parte de um esquema de moeda de trocas.
Quando não os degolavam impiedosamente ali mesmo.
Guardiões cederam sua porção insignificante de comida para os próprios filhos crescerem saudáveis. Em pensar que, no meio de todo cinza, em questão de semanas, uma luz embalada num cesto trançado florido escorreu pelo rio.
A figura boiou até a pedra onde estava. Sendo a criança curiosa que era, levantou a cabeça dos joelhos, os olhinhos ainda marejados, focando no objeto desconhecido.
Chegou em um dia difícil.
Um ano difícil.
É quase devastador voltar ao passado e tentar lembrar o que aquela criancinha passou. Por anos evitou imaginar, até porque, nenhuma imaginação chegaria aos pés da realidade cruel que assolou suas preciosas terras.
Tim foi seu Sol.
O dulçor da fruta fora substituído pelo amargo das balas e odor metálico de sangue. O gosto doce ameaçou retornar à sua boca, à medida que seus pequenos pés batiam em direção à casa para mostrar aos pais a sua nova boneca.
Um arfar surpreso soou logo atrás de si.
A tripulante mantinha a mão no peito, murmurando palavras desconexas. Entre elas, algumas praguejadas e gírias com as quais Uyara ainda não estava familiarizada.
Sua atenção recaiu para o companheiro, agora ao seu lado.
Seguiu o movimento fluido das patas e do vai e vem sutil do rabo. Não dava mais voltas, espetando os ares com sua ponta fofinha.
– Vejo que se diverte assustando nossa capitã – fala, aumentando o sorriso no rosto. Era estranho referir a Kai como líder.
Sendo que o navio foi roubado e seu perfil displicente não combinava nem um pouco com uma autoridade em alto mar.
Algo no olhar brilhante de Percy dava a entender que compartilhavam da mesma opinião. Atracar em uma ilha no meio do nada seria motivo de alarde, mas não para ela.
Não demonstrou nenhuma preocupação, além de, inicialmente, agir hesitante com a figura élfica dividindo a mesma embarcação. Uyara ficou tentada a imaginar o que se passava pela mente conturbada.
Talvez um vislumbre com lanças e cabeças penduradas em estacas, enquanto o povo sacudia os braços e urrava para os céus.
Era absurdo, mas coisas absurdas se passavam em forma de pensamentos daqueles que não compreendiam ou desconheciam algo.
Elfos não são animais, por mais que vivessem na floresta.
– Tenho uma missão para você – inclinou-se até ficar na altura de Percy, o corpo encurvado enquanto as mãos se apoiaram nos joelhos. Sem desviar dele, apontou silenciosamente para a bananeira – Queria guardar essa fruta para uma pessoa querida. Pode alcançá-la?
Os olhinhos curiosos traçaram a mesma direção. Uma nuvem escura cobriu o brilho comum, retendo o semblante assombrado.
Uyara apertou os nós dos dedos.
– O que houve, amiguinho? – seguiu o olhar trêmulo, parando bem no topo da bananeira. A brisa ondula nas folhas, o movimento sendo a única coisa que o diferenciava de apenas mais uma sombra na escuridão – Não simpatizou com o tamanho?
A pequena boca entreabriu, mostrando parte dos dentes. Tão brancos como pérolas finas, mas carregando uma espécie de temor.
Aquela expressão era conhecida. O medo de tentar algo novo.
O mesmo medo que preenchia a pulsação de um bêbe dando seus primeiros passos. O responsável por fazê-la vacilar incontáveis momentos na hora de abater um animal inocente, para suprir as necessidades de sobrevivência.
– Alguma vez já fez isso? Escalar um monte? – reduziu a voz a um sussurrar ameno, leve como uma pincelada do mais fino pincel.
Os dedinhos se enroscaram. A pelugem foi levada pelo vento forte, que deu um ar tenebroso para as folhas balançantes da árvore.
Deve ter deixado seu bando com poucos meses de vida. Poucos sobreviveriam sem a família, ainda mais no meio do vasto mar.
Nenhum humano resistiria a dor de tamanha perda. Essa é a prova de que Percy era mais forte do que sua figura pequena transparece.
– Ei, tudo bem não saber fazer uma coisa. Ninguém é obrigado a saber nada – sorriu reconfortante. Aproximou seus dedos aos dele, envolvendo em um aperto acolhedor – E não irei te obrigar a aprender agora
O companheiro peludo de viagem vacilou, invadido por calafrios. Ali, naquela posição, frente a frente com o que mais teme, pareceu frágil.
Era espirituoso, demonstrando ao longo do curto percurso que traçaram até ali. Seu posicionamento fora até mais decisivo que o de Kai.
No entanto, até mesmo um homem perde a razão diante de seu temor. Não há armadura que aguente.
– Posso te contar um segredo? Será algo só nosso – ergueu o mindinho, esperando os olhinhos voltarem para si. Observou o gesto meio relutante – Pois bem, esse é o acordo mais sagrado de promessa entre todas as criaturas vivas
Mexeu o mindinho, arqueando uma sobrancelha travessa.
– É um símbolo de confiança. Caso um de nós rompermos, um dedo será arrancado – explicou, acompanhando com certa graça a maneira que engoliu seco – Confio em você para isso. E você confia em mim?
Aguardou pacientemente, ignorando a fisgada nas costas pelo tempo significativo que mantinha a posição encurvada. Se levantaria só quando ganhasse certeza de que o companheiro estivesse se sentindo melhor.
Ponderou alguns segundos, levando o dedo miúdo de encontro ao dela. Se uniram num único gesto, selando uma das demonstrações mais puras de jura.
Uyara firmou com um sorriso, deixando com que soltasse primeiro para revelar o segredo. O que não ocorreu, pois Percy parecia a vontade da maneira como estavam.
– Meu irmão queria aprender a nadar, ele tentou muito. Acordava antes do canto dos pássaros, chegando a passar tardes de chuva e Sol dentro da água fria do rio – esmagou os lábios numa linha incerta, afugentando a sensação de perda se acumulando em forma de lágrimas em seus olhos – Não costumava acompanhá-lo, pois sempre dizia que não tinha tempo, ajudando com as tarefas locais. Certo dia ele foi, houve uma correnteza repentina. Outro conseguiria nadar contra e sair, mas não alguém aprendendo.
Parou.
As cordas vocais foram tomadas pela ardência. Ainda não conseguia processar a cena, os cabelos loiros escorridos pela testa, a boca roxa aberta e o peito imóvel, unida com a sensação sufocante de ter feito algo errado.
Mesmo sem ter feito nada.
Ele era sua responsabilidade.
Bastaria alguns minutos, míseros ponteiros no relógio que o tirassem dela. Um risco enorme que jamais sonhou vivenciar.
Um risco que sequer envolvia sua própria vida e, sim, a de Tim. É estranho que somente a ideia de perder alguém tenha o poder de nos desestabilizar.
– Então não force, combinado? – fungou, piscando a fim de afugentar a visão embaçada.
A elfa reconhecia que obrigá-lo a enfrentar os monstros que o assombra não era a solução certa no momento. Porque estaria buscando tirar vantagem para que alcançasse as bananas.
Seria para benefício próprio, não para o bem de Percy.
Respirou fundo, buscando manter o embargo longe da voz. Chorar inútilmente não a traria de volta para o instante em que recusou pela terceira vez o seu pedido de segui-lo.
Afastou algumas lágrimas com os dedos, dando um meio sorriso entristecido para o companheiro não se preocupar.
– Faça quando estiver pronto. Pode não ser agora, nem amanhã, mas algum dia vai levantar em cima de um ponto alto e gritar.
Entre uma piscada e outra ele mexeu o braço, demonstrando compreender parte do que queria dizer. Não sorriu, nem mostrou os dentes.
Mas a maneira que corrigiu a postura e manteve os olhinhos fixos nos seus, disse tudo que palavras não teriam o poder de revelar.
A elfa soube que havia feito a diferença, mesmo com dizeres simples, ficou feliz.
Feliz pela experiência traumatizante possuir um fim positivo. Nem tudo de ruim era negativo, sempre restava o som da maresia, não importava se as conchas pareciam vazias.
– Tenho medo de piratas – deu uma piscadela, enfim erguendo-se e esticando as costas dando um gemido – Estou lidando com uma do pior tipo agorinha.
Percy abriu um amplo sorriso. Existia certa cumplicidade no meio de toda pelugem.
Daquela maneira não deixava de ser fofo, mas exibia mais ainda seu lado sapeca. Cada vez mais a elfa tirava a conclusão de que não era seu capitão o temido e, sim, o que ele mandava Percy fazer com seus pobres inimigos.
Arquejou as costas, sentindo a ausência da pressão na nuca.
– Ouviu? – indagou, fechando a mão em concha na orelha. O sopro do vento tornou-se uma constante, sem bufares malcriados – Exatamente.
Silêncio.
Num giro, deu as costas para a bananeira. Esperou encontrar a tripulante caída na areia ou tentando se entreter com um castelinho.
Esperou tudo, menos ser recebida pelo nada absoluto.
– Droga!
A palavra bruta escapou. Mexeu os olhos ao redor, vasculhando centímetro por centímetro da área aberta, sem nenhum sinal da silhueta e seu busto marcante.
Caminhou de um lado para o outro, quase fazendo um buraco no chão. Ela tinha sumido, simplesmente evaporado.
Deixou Uyara sozinha numa ilha com um macaco e o sonho de alcançar as malditas bananas. O quão insuportavelmente insensível poderia ser?
– Nunca deve dar as costas para um cabeça de alga qualquer! Tola e ingênua Uyara – trouxe as mãos afoitas para o cabelo, esfregando sem piedade – Na primeira vez que saiu da aldeia, acabou apodrecendo na ilha. É isso que você merece.
Repreendeu a si mesma, repetindo o processo até que a mente fosse nublada pelo remorso e os passos comandados pela culpa.
Se arrependeria amargamente. Até o raiar do dia e o passar das noites com seu corpo soterrado na areia e depois seus restos seriam levados pelo vento.
Era seguida pelos olhinhos do companheiro, buscando assimilar a razão de tanto estardalhaço. Naquele ritmo faria um buraco na areia e seria devorada por ele.
Talvez assim conseguiria sair dali sem ter que enfrentar um mar revolto e um timão amaldiçoado que balança sozinho.
E aprenda a não entregar sua confiança preciosa para qualquer espécie de não pirata atrevida e sem escrúpulos.
– Eu não sei dirigir esse troço! – sobressaltou, usando gestos imprecisos para indicar a embarcação intimidadora na fraca luz da lua.
Choramingou.
Impossível ter partido sem o navio.
Mesmo que pensasse racionalmente e repetisse incontáveis vezes, nada diminuía o sentimento transtornado dentro de si.
Um sonido de algo partindo ecoou pela mata. Alguns pássaros desconhecidos planam, atravessando velozmente até sair do amontoado de plantas.
Romperam a escuridão, chegando perto dos corpos parados na beira da praia. Percy agarrou automaticamente o tornozelo da companheira.
– Aqui não é mesmo o caribe – concluiu, incapaz de desviar do breu dentro da enorme floresta que a ilha abrigava.
Enorme a ponto de não saberem quem ou o que levava uma vida noturna e escondia-se pelas sombras. O desconhecido estava lá e, simplesmente, tinha se esquecido que tudo além de Wild Blows era incerto.
Prestes a se virar, Uyara interrompeu abruptamente o movimento e manteve os pés fixos na areia assim que um raio escuro irrompeu os ares e passou rente à sua bochecha.
Um formigar estranho dominou a região, dando a impressão de um corte recém feito. Ar lhe escapou dos pulmões, meio ofegante.
Inicialmente não olhou para trás, mexida demais com a ação. Um baque seco, seguido do farto cacho de banana caindo na areia fofa.
Reconheceu a pena da pequena sairá-amarela que salvou o ninho no início do mês passado. A flecha cravada responsável por derrubar as bananas.
Quase foi atingida por sua flecha.
– Grande erro deixar sua única arma para trás. Um cabeça de alga qualquer poderia ameaçá-la com ela – balançou a mão desleixadamente, acompanhando o movimento da cabeça – Não se importe, não levei para o lado pessoal, por isso não me ofendi.
Reconheceu o tom presunçoso, nem se dando ao trabalho de olhá-la devidamente. Só depois de rogar uma praga nos dedos sujos que tocaram seu arco, virou-se com um sorrisinho.
Tão doce que dava enjoos.
A figura mantinha o objeto próximo, quase não sendo vista devido a mistura de tons escuros que continha em suas roupas. Era discreta, mas a atitude não condizia com tal discrição.
A elfa riu sem graça.
– Foi pessoal – cruzou os braços sob o peito, batendo de frente contra o olhar amêndoa tempestuoso.
A expressão durou poucos segundos. Kai se recobrou e tomou a postura confiante de sempre, caminhando predatoriamente até a elfa.
Com o arco em mãos, estendeu o braço. Uyara apenas roçou os dedos nas pontas entalhadas, quando a tripulante puxou de volta.
– Tirei um cochilo – respondeu como quis simplesmente, naturalidade no leve erguer de ombros.
A elfa piscou, sem entender.
– Sabe? Para dirigir a madrugada inteira – cantarolou, seguido do estalar da língua. Os olhos verdes se comprimiam na feição falsamente afetada, talvez agora nem tão falsos assim – Enquanto ficava saltando tive o mínimo de consideração em dormir.
– Qual é o seu problema? – indagou, enrugando o nariz.
Um sorrisinho deu forma para os lábios afiados. Era um tiro no escuro buscar decifrá-la antes mesmo que falasse o que pensasse.
Kai inclinou-se para frente, roubando passos de distância para si. O movimento repentino de aproximação permitiu que a elfa notasse uma fagulha ressentida nas íris castanhas.
Relutava com o luar, manchando a graça que normalmente preenchia as orbes. Naquele instante não havia nenhum ar bem humorado.
A tripulante não estava sendo receptiva, havia simplesmente fechado sua cara e as portas que possibilitaram qualquer contato anterior.
– Você. Eles e ele – gesticulou fracamente para Percy no fim. Observou a elfa com ar imponente, percorrendo o corpo de cima a baixo – Sua raça é um problema, não percebe?
Os músculos faciais enrijecem.
Diante da declaração de ódio, Uyara ficou sem reação. O tom de seriedade da tripulante marcava seus contornos faciais, os deixando mais robustos e até ameaçadores.
Ameaçadora era uma coisa que jurou não definir a tripulante, mas ali, paradas no meio do nada, completamente isoladas do mundo exterior...
Sentiu estar lidando com uma pirata.
– Deve imaginar a razão pela qual busquei distância de você desde o primeiro momento, não é?
O ressentimento torna-se nítido, quase palpável no ar.
Uyara apertou os dedos ao lado do corpo em um punho fragilizado. Sua postura pareceu congelada, ereta como uma vara.
Se sentia diferente. Uma sensação embrulhava seu estômago, enquanto um alarme tocou dentro da sua mente.
Estava sendo atacada, soube disso no instante em que se deparou com o olhar discriminatório e o tom sem pudor.
No entanto, não soube reagir. Apenas permaneceu parada.
Engoliu.
Trouxe o arco para frente, pressionando contra o peito da elfa. O aperto intensificou-se conforme o sondar queimava o rosto atônito.
Uyara sentiu a garganta ameaçar fechar e um nó amarrado que a impedia de respirar com facilidade. Pouco a pouco sufocava.
– Nunca abaixe sua guarda, ratinha – sussurrou provocadora, sorrindo escarnecido. O ar quente da tripulante contra seu pescoço fez os pelinhos eriçarem – Não costumo errar o alvo duas vezes.
Foi o que disse, antes de descer o olhar tortuosamente pelo seu corpo mais uma vez e dar as costas.
A figura sumiu nas sombras, consumida pela noite. Muito provavelmente retornou para o navio, dessa vez sem chance de retornar.
Uyara fechou os braços ao redor do arco, contendo os breves tremores. Repetiu a si mesma que a brisa fria a deixou daquele jeito.
A não pirata não tinha nada a ver com isso.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top