dois
Dois - On The Top Of The World
- Boa noite, Tracy. E não se esqueça, amanhã eu vou viajar, então se cuida. - fala minha mãe e fecha a porta do meu quarto.
Espero mais alguns minutos e me levanto para colocar a bota que estava de baixo da cama.
- Quero que volte pelo menos antes do sol nascer.
Levo um susto com a voz de Eric no quarto, nem ouvi a porta abrindo.
Ele está sorrindo quando me viro pra ele.
- Você não deveria me dedurar pra mamãe em vez de me ajudar a sair escondida? - ele finge estar pensando, então volta a sorrir pra mim. Um sorriso com ternura.
- Você está no último ano e eu nunca vi você saindo sem permissão, tem que deixar de ser perfeita o tempo todo, Tracy. - ele vem até mim e me abraça - me prometa que se acontecer alguma coisa você vai me ligar.
Eu concordo com a cabeça e me solto dele. Pego minha mochila e vou até a janela, Eric continua me olhando quando saio do quarto e subo na árvore. Aceno pra ele, e o mesmo sai do quarto.
Quando pulo na grama do quintal, fico alguns segundos pensando no que acabei de fazer.
Volte pra sua cama, Tracy.
Seja o orgulho de seus pais, Tracy.
Seja quem eles querem que você seja, Tracy.
Por um momento, penso seriamente em voltar para o meu quarto, deitar na minha cama e dormir como se nada tivesse acontecido. Mas o pensamento logo se afasta, eu vou fazer isso.
Continuo andando pela rua até chegar na esquina, uma van está estacionada ali. As risadas que ouço são familiares e sorrio quando vejo Hillary, Connor e Keegan conversando. Hillary e Keegan me veem primeiro, eles acenam pra mim e sorriem me chamando pra me juntar a eles. Então o olhar de Connor vem a mim também, ele está sorrindo assim como eu, acho que todos estamos muito alegres essa noite.
- Hey, Sweety - Keegan diz quando me abraça. Rio pelo apelido e me solto dele.
- O que vamos fazer hoje? - abraço Hillary.
- Só vai ver quando chegarmos lá, aposto que nunca fez algo do tipo. - ela me responde.
Então vou abraçar Connor, ele está sereno agora, e seus olhos me encaram intensamente. Fico com vergonha quando me inclino pra abraçar ele.
- Você esta linda - ele sussurra pra mim.
Sorrio quando me solto dele em forma de agradecimento. Nossos olhares ficam fixos um no outro. Então Keegan bate palma e nós olhamos pra ele.
- Temos que ir. Cada minuto aqui, é um a menos lá.
Então entramos na van. Dentro dela tem várias latas de spray com cores variadas. Também tem telas e pincéis.
- De quem é tudo isso? - pergunto pra qualquer um. Então vejo uma foto em que estão os três juntos com roupa de formatura.
- Meu! - Keegan responde ligando a van.
- Você pinta? - me sento no banco ao lado de Hillary.
- Aham, mas prefiro o grafite.
- Tem que ver o que ele faz se derem um lugar pra grafitar e uma lata de spray pra ele - diz Connor entretido com minha cara de surpresa.
- Quantos anos vocês tem? - faço outra pergunta.
- Connor e Keegan tem dezoito, eu tenho dezenove - Hillary que responde dessa vez. - eu repeti de ano. - ela diz, depois de ver que eu analisava a foto de novo.
O resto do caminho foi Keegan e Connor fazendo piadinhas e Hillary e eu conversando.
A van para, e quando saímos dela, vamos andando em direção ao parque. Então percebo que estamos naqueles parques onde colocam um filme e os casais vem pra se pegar. Mas ao contrário do que eu achei, muitos senhores e senhoras estão aqui hoje, junto com crianças de pelo menos oito ou nove anos.
- O que viemos fazer aqui? - pergunto meio incerta.
Connor solta uma risada nasalada mas continua andando. Olho pra Hillary mas ela também me ignora. Keegan sorri pra mim.
- Assistir o filme.
Vou seguindo os três até pararmos na frente da casa de projeção. Connor bate na porta e um homem abre a porta, ele tem uma cara emburrada.
- Oi - Connor sorri - eu não queria atrapalhar mas tá tendo uma briga lá na entrada do parque e, parece que a coisa tá muito feia, acho melhor você ver o que tá acontecendo.
O cara resmunga e sai andando nervoso, deixando a porta levemente encostada. Keegan abre a porta e entra na sala assim que o cara sai de vista. Connor diz que ja volta e sai andando.
- Vamos ver - diz Hillary, analisando os filmes disponíveis na área de maiores de dezesseis. Ela para por um momento e me olha parada no meio da sala - vem me ajudar.
Não ficamos muito tempo procurando, porque logo Hillary encontra um filme que gosta e Keegan logo o coloca pra rodar. Saímos correndo da sala e pegamos nossos lugares. Connor aparece de novo com um balde de pipoca e refrigerante nas mãos. Sorrio pra ele quando o mesmo senta ao meu lado e me entrega meu refri.
Volto a atenção ao telão em minha frente e logo o filme começa. As primeiras cenas de Not another teen movie roda e as senhoras começam a gritar e tapar a visão de seus netos e filhos. Nós quatro começamos a rir enquanto vemos varias famílias saírem e irem embora.
- O que fazemos agora? - eu pergunto, pra ninguém específico. Mas acho que só Connor me escutou.
Ele sorri e come uma pipoca.
- Aproveitamos o filme.
Eu chego na escola cedo com uma dor de cabeça infinita e cara amassada da noite mal dormida. Animada ainda com a adrenalina de ontem, que logo se vai quando lembro que os dois primeiros tempos são de álgebra avançada. Uhul! Lá se vão cinco horas da minha vida dedicados em escutar professores, que esperam que os alunos entendam tudo.
É quando percebo as pessoas me encarando, depois de três longos anos essa era uma das primeiras vezes que ia para a escola sem maquiagem. Mamãe sempre dizia que era importante eu me arrumar para ir aos lugares e causar sempre boa impressão. Então eram poucas as vezes que eu saia sem maquiagem.
Recebi muitos olhares me julgando durante o dia, mas Meg fica me olhando com curiosidade durante todo o período, e tenho certeza que ela sabe que estou mentindo. Somos amigas há muito tempo e mesmo ela sendo bem, perfeita e educada, o que faz alguns acharem minha melhor amiga falsa até. Megan é a melhor pessoa para se confiar e a delicadeza dela me impressiona.
Sorrio para ela no estacionamento do colégio e sigo para meu carro. Graças a Deus ela não viria comigo, ela me encheria de perguntas, que não estava afim de responder. Me sinto mal com o pensamento que me fez por um momento querer me livrado dela, porém realmente não estou a fim de conversar. É quando escuto o toque familiar do meu celular passado para o viva-voz do carro, era a mesma.
- Oi, Tracy - a voz dela ressoou pelo carro - Você está bem? O que está acontecendo com você? Você pelo menos chegou a dormir? - respiro fundo me segurando para não desligar. Se acalme, Tracy. Ela só quer o seu bem.
- Meg, está tudo bem, estou cansada porquê ontem fiquei fazendo umas coisas para o grêmio estudantil e perdi o horário - minto de uma forma que odeio, mas não quero que ela saiba sobre meus novos amigos, ainda.
- Bem, a sra. Foster não está em casa? Ela nem querendo te deixaria ir para a escola com a cara desse jeito - Minha mãe, outro alvo das minhas mentiras.
- Não, Meg, minha mãe foi para uma reunião em Cleveland para a empresa - olho o horário no painel no carro e suspiro aliviada - Não está no horário do treino das líderes de torcida? - Megan é a capitã do time, ela até tentou que eu fizesse parte do time, mas recusei até o fim com a desculpa que minhas outras atividades ocupariam esse horário. Mas a verdade é que eu acho meio ridículo usar uma saia curta e balançar pompons como se fosse a grande entrada para a porcaria da popularidade e pegar meninos bonitos.
- Realmente, tenho que ir. Tchau Tracy, eu só fiquei preocupada, beijos. - ela desliga e eu respiro fundo.
Estou em um campo minado, com medo de descobrirem que estou mentindo, não apenas sobre Connor, Hillary e Keegan. Mas também sobre quem realmente sou. Meu medo de ser a grande decepção da minha família que realmente me priva de fazer coisas que eu realmente gostaria de fazer. Então é isso que eu faço, eu minto. Minto tão bem que quase se tornou um hábito.
As pessoas têm medo de descobrir a verdade, talvez porquê doí mais descobrir a verdade, do que a mentira. A ilusão doí bem menos do que um soco na cara da vida, o principal problema da mentira é que as pessoas costumam a acreditar em você. E depois de apoio para a mentira, ela vira um monstrinho dentro de nós, te comandando até que uma brecha se abre e a verdade vêm aos poucos, e você pode até gostar dela, como eu.
Os outros têm uma opinião mais difícil de se mudar, é como tentar convencer uma criança que pirulito é ruim e brócolis é bom. O meu monstrinho da mentira é tão grande com tantos apoiadores, que tenho medo do que esses que me apoiam podem fazer se descobrirem que esse monstrinho é tão mentiroso.
Quando chego em casa, a única coisa que quero fazer é me jogar no quarto e fazer meus trabalhos pendentes, afinal, ainda quero entrar na faculdade. Mas fico realmente surpresa quando encontro uma van colorida na frente da minha casa, com Hillary, Keegan, Connor e Eric sorrindo cinicamente para mim. Eu devo ter ficado branca feito papel, porquê eles começaram a rir.
- Bela casa, "Sweety"- Solta Hillary com humor na frase, sorrio sarcástica para ela.
- O que vocês estão fazendo aqui? - sorrio de verdade agora, realmente interessada - Quer saber? Entrem, vamos conversar lá dentro.
Os meus trabalhos podem esperar mais um pouco.
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