Capítulo 8
Desde já, eu quero pedir mil desculpas por ter demorado a escrever, eu ando com problemas na vida como todos e estava difícil de publicar. Eu peço desculpa e por favor não deixem de ler por favor, só vos peço um pouco de paciência... Por favor...
Fecho a porta do quarto com força. Que irritante, eu tenho que arranjar uma maneira, de fugir daqui e rápido. Não posso ficar aqui e ver as coisas a acontecer, á frente dos meus olhos e sem poder fazer nada, para mudar isso. Não posso mostrar fraqueza, se não ele vai pensar que pode fazer tudo aquilo que ele quer, como se fosse o dono do mundo! Quem é que ele pensa que é, para falar assim comigo?! Ele deve pensar, que sou algum bicho para ele poder falar como quer. Ando de um lado para o outro no quarto, irritada, até que uma ideia passou-me pela cabeça e dou um pequeno sorriso. A janela claro! Vou até a janela e olho para o jardim. A casa é coberta por seguranças á volta, vai ser impossível sair daqui, sem ser vista por nenhum deles, porque é que ele quer tantos seguranças?! Parece que ele é o présidente da república... Assim, nunca vou conseguir fugir.
Viro as costas e deixo o meu corpo, escorregar pela parede, até ao chão. Meto a cabeça nas minhas pernas e começo a sentir as lágrimas, a saírem de dentro de mim, com ardor. Não vou conseguir sair daqui, vai ser muito, mas mesmo muito complicado... Por mais que eu queira ter aquela confiança e autoestima para sair daqui, eu sei que lá no fundo, eu não vou conseguir sair... Esta casa é coberta por seguranças, vai ser complicado tentar sair, sem ser descoberta... Nada disto estaria a acontecer, se ele tenta-se colocar-se na minha pele e ver que isto, é uma estupidez e ainda por mais, desumano. Porque é que ele tem que obrigar-me, a casar com ele?! Eu não o conheço de lado nenhum, não tenho amor por ele e nunca vou ter, existe alguém nesta cidade ou neste mundo, que queira trocar de lugar comigo?! Eu não me importo, de dar o meu lugar a alguém!
A minha vida toda, vai ser deixada para trás por causa de um homem, vou deixar o meu sonho para trás, a universidade, tudo aquilo que eu mais gosto, ao trocar a vida por estar aqui presa nesta casa. Quem é o ser humano, que obrigada outro ser humano, a casar só po que quer?! Eu sinto-me quase no fundo do poço, sem conseguir encontrar alguma saída. Eu não tenho ajuda, não tenho ninguém para me ajudar, neste momento... Ouço a porta a abrir, mas não levanto a cabeça. Aposto que aquele monstro, deve de ter esquecido de dizer mais alguma coisa, contra mim!
-Ashley, minha querida o que é que estás a fazer no chão? –Ouço a voz dela num tom preocupante.
Levanto a cabeça devagar, ao ouvir a voz dela, a Isabel olha para mim assustada e corre na minha direção. Tudo o que eu estava a precisar agora, era de alguém ao meu lado, que me percebe-se. A Isabel senta-se ao meu lado e passa a mão dela nos meus cabelos.
-Estás a chorar por quê, Ashley? –Ela passa os braços dela, pelo meu corpo e abraça-me com força. Sem conseguir aguentar mais as forças, começo a chorar ainda mais e aos soluços. Eu não conseguia parar... –Prontos não chores vai ficar tudo bem calma.
-Eu... eu quero voltar... para casa. –Tentava falar, entre os meus soluços dados.
-Eu sei Ashley, mas agora seria melhor ficares aqui, tentares ter calma e não irritares o menino Axel. Ele pode ser um bom menino, mas quando se irrita, não há ninguém que o consiga parar. –Explica.
-Mas por quê comigo? Que mal é que eu fiz, para merecer este castigo assim? –Questiono e sinto as mãos dela, a passar pela raiz do meu cabelo, na tentativa de confortar-me.
-Não se trata, do que tu fizeste ou não. Tem de haver alguma coisa por trás, mas por favor acalma-te.
-Mas isto é de loucos. –Começo a chorar ainda mais nos braços dela, como se as minhas lágrimas, fossem um rio sem fim. –Eu não quero casar-me com ele, por favor ajuda-me Isabel.
-Prontos fica calma. Se os seguranças te ouvem a chorar, vão pensar que alguma coisa se passa e o menino Axel vem aqui ao quarto. –Murmura preocupada.
-Eu não quero saber dele. Sabes que mais? –Afasto-me dos braços dela e limpo as lágrimas, com as mãos. Se é guerra que ele quer, é guerra que ele vai ter! Levanto-me do chão muito depressa e vou até ao closet, sem olhar para trás. –A vida dele, vai ser um inferno a partir de agora!
Vou em direção ao armário onde estavam as roupas dele, empurro a porta para o lado e começo a mandar tudo para o chão. Casacos, camisolas, calças, tudo! Se é assim que ele quer, é assim que ele vai ter. Pego numa camisola dele branca e começo a rir-me, enquanto olhava para ela nas minhas mãos, já sei o futuro que está linda camisola, vai ter. Olho para a Isabel, que estava á minha frente, com uma cara assustada por estar a ver, o que eu estou a fazer. Rasgo a camisola ao meio e a mando para o chão, com as outras.
-Ashley, não faças isso! –Exclama, num tom um pouco alto. –O menino Axel, vai entrar por aquela porta e vai zangar-se por estares a fazer isso. Sabe-se lá, o que ele poderá fazer, quando descobrir isto aqui. –Murmura preocupada.
-Ai vai?! –Pergunto ironicamente. Abro uma das gavetas dele e tiro uma camisa rosa, da qual acabo por a rasgar também. –Ele ainda não vi-o nada. Ele vai-se arrepender, de ter feito isto comigo!
-Posso saber, o que é que tu pensas que estás a fazer? –Viro a cara de repente, ao ouvir a voz dele. O Axel estava parado, na entrada do closet, com os braços cruzados contra o peito dele, onde vejo no olhar dele, um olhar de raiva! Se ele pudesse matar com aquele olhar, eu já estava morta. O corpo dele, dá um passo para a frente e sinto o meu coração, a começar a bater muito depressa. O Axel caminha na minha direção e a minha primeira reação, é dar um passo para trás, mas acabo por bater com as pernas no sofá. Sem saída! O Axel fica a poucks centímetros á minha frente e o primeira reflexo dele, é agarrar no meu braço com força, da qual eu dou um gemido de dor. –Eu fiz-te uma pergunta Ashley! O que é que tu pensas, que estás a fazer?!
-Nada! E larga-me, estás a magoar. –Tentava tirar o meu braço da mão dele, mas foi sem sucesso. O Axel agarra no meu braço, com uma força extrema.
-Isabel sai! –Ordena de forma agressiva, sem desviar os olhos dos meus.
-Por favor senhor, não faça nada que depois se venha a arrepender. –Suplicava, com um tom de medo.
-Sai! –Grita.
Coitada da Isabel, nem por ela ele tem amor. Ele fala assim com toda agente, deve pensar que todos aqui são escravos dele! Se ele não me tivesse prendido aqui, para casar com ele nada disto tinha acontecido. Mas agora ele quer obrigar-me a casar, ele estava á espera do quê? Que eu ficasse sossegada no meu canto, enquanto ele destrói a minha vida?! Nem nos sonhos dele!
A Isabel baixa o olhar triste dela e sai do closet, com um olhar de medo, mas eu não tenho medo dele. Ele puxa-me pelo braço e arrasta-me até ao quarto.
-Larga-me! –Suplico e ele manda-me para cima da cama com força.
-Tu estás a brincar com o fogo Ashley! E hoje, não estou com minima paciência nenhuma, para as tuas brincadeiras! –Exclama irritado.
-Ai não? –Levanto-me do cama repente, ao ficar de frente a ele, com os braços cruzados. –Pois, eu também não estou com minima paciência, para seguir as tuas regras. Eu vou sair daqui, com ou sem a tua autorização Axel, não vale a pena tentares fazer de tudo para que isso não aconteça, porque é isso mesmo o que vai acontecer! Eu vou-me embora daqui! –Respondo de maneira agressiva. O Axel vira-me as costas e caminha até ao sofá branco, em frente á cama, ao sentar-se a olhar para mim, de braços cruzados. Como se fosse uma figura masculina, mas de masculino não tem nada. Eu aqui só vejo, é uma criança mimada, que quer obrigar outra pessoa a casar, porque simplesmente "quer".
-Estás a ser uma criança! –Exclama quase num sussurro, de maneira calma.
-Criança? Criança és tu! És um fútil, mimado, que tem a mania que tem tudo aquilo que quer. Mas comigo, não vai ser assim porq...
-Ashley! –Grita, ao interromper-me. –Se eu fosse a ti, media as tuas palavras.
-Por quê? Custa-te a ouvir as verdade, não é? –Pergunto ironicamente.
-Eu já te contei, quais são as consequências, no caso de tu saíres? –Reviro os olhos e viro a cara para o lado. Ele vai começar, a usar essa chantagem agora, todos os dias? -Os primeiros a morrer, serão os teus pais e depois serás tu!
-Começas a ser muito repetitivo sabias? Pareces um disco riscado.
-Não penses, que eu estou a brincar Ashley, porque tu não vais gostar de ver, o que posso fazer e depois não venhas dizer, que eu não te avisei. –Engulo a seco, ao ouvir a ameaça dele contra mim. Para ele é tão fácil ameaçar-me...
-Isso é golpe muito baixo. –Digo ironicamente.
-São as minhas regras.
-Mas, por quê eu? –Pergunto ao me aproximar cautelosamente, até ele. –Eu não gosto de ti.
-As coisas são assim e mais nada!
-Mas podiam não ser... –Sussurro baixinho.
-Eu mando nesta cidade, todos aqui dependem de mim. Nem a polícia, nem ninguém, irá interferir no que eu faço ou deixe de fazer, aqui dentro! –Exclama de forma agressiva. Eu tenho que ir com calma, só assim vou conseguir chegar a algum lado.
-Conta-me pelo menos, a razão de eu ter que casar contigo. –Sento-me na ponta da cama, a olhar para ele e ele sempre com aquele sorriso na cara, não acho piada nenhuma, até me dá nojo.
-Não importa Ashley, vais casar comigo e mais nada! –Abro a boca chocada, com o que ele disse... Eu não vou conseguir fazer, com que ele tenha pena de mim e que me deixe ir embora tão cedo... Eu sei que não! O Axel dá-me respostas simples, a perguntas que não são as minhas perguntas. Não são as respostas, que eu quero ouvir...
-Tu não percebes o meu lado Axel... –Sussurro baixinho e baixo a cabeça, ao olhar para as minhas pernas. –Tu estás a destruir-me aos poucos Axel...
-As coisas são assim Ashley, não dificultes as coisas para o teu lado, porque eu não quero ter que ser mau para ti, mas se tu não me respeitares, eu vou ser obrigado a ser mau! E as consequências serão tuas e dos teus pais também! –Exclama com autoridade e afirmação na voz dele.
As palavras dele, fazem me querer chorar, eu pensava que se fala-se com calma, que ele iria conseguir perceber o meu lado e que se calhar, ele iria deixar-me voltar para casa. Mas acho que isso vai ser impossível.
-Mas porque é que a vida deles, depende de mim? –Questiono, num sussurro.
-Porque sim e acabou a conversa! –Exclama calmamente. –Agora vais levantar-te dessa cama e vai arrumar a minha roupa, que tu desarrumas-te! –Ordena.
-E se eu não quiser? –Pergunto curiosamente, ao olhar para ele e levanto-me da cama, ao cruzar os meus braços contra o meu peito.
-Ashley! –Exclama o meu nome calmamente, mas autoritário ao mesmo tempo. Ele levanta-se e caminha até mim, ao ficar a poucos centímetros. Perto de mais por sinal, viro a cara para a janela para não ter que olhar para ele, ele que não pense que eu vou arrumar aquilo! Se ele quer a roupa dele arrumada, ele que arrume, ele tem mãos pode muito bem arrumar, não vai lhe cair nem uma mão ou um dedo, por arrumar. –Eu mandei-te arrumar! Não te esqueças, de cada atitude tua tem sequências, por isso arruma a roupa. Se não tiveres lá em baixo, dentro de vinte minutos, não voltarás a sair do quarto, até ao dia do casamento! –Ordena. Reviro os olhos e continuava a olhar para a janela do quarto.
Ele só sabe dar ordens ou fazer chantagens comigo ou até mesmo ameaças. A Isabel ainda diz que ele é querido, pois, pois... eu ainda não vi nada, de querido! Hora está zangado, hora está de bom humor, não entendo este homem.
Sinto os dedos dele, a tocar na minha pele e um arrepio passa, desde da ponta do meu cabelo até ao meu dedo do pé. A mão dele passa na minha cara e vira-me de frente para ele. A primeira coisa que eu olho, são aqueles olhos lindos que ele tem... que olhos lindos, azuis muito claros. Mas quando ele fica irritado, ficam azuis escuros, sem brilho. Uma coisa que pelo menos já consegui repara nele.
-Estamos entendidos? –Pergunta calmamente. Tento virar a minha cara para o lado, para fugir ao olhar dele, mas ele volta a virar a minha cara de frente, aqueles olhos azuis. –Ashley!
-Sim. –Reviro os olhos.
Não tenho outra opção se não fazer aquilo que ele está a pedir, pelo menos não está a pedir de maneira agressiva, até está calmo. O Axel leva a outra mão dele até á minha cara e continuava a olhar para mim, assim parado. Naquele momento só existia eu e ele, mais ninguém á nossa volta. Ele olhava para mim, com um olhar calmo, com uma forma diferente, eu nunca o vi a olhar para mim assim... Eu tenho vontade de afastar-me dele, mas é como se o meu corpo não obedecesse ás minhas vontades, eu estava totalmente hipnotizada pela maneira, que ele olhava para mim...
-Ainda bem. Despacha-te. –Murmura e dá-me um beijo na testa.
O Axel afasta-se de mim e vira-se para sair do quarto. Eu fico no mesmo lugar, parada a olhar para a parede á minha frente, chocada com o que tinha acabado de acontecer. Ouço a porta do quarto a abrir-se e a fechar-se no mesmo segundo. Saío... O que é que acabou de acontecer aqui? Mas que homem é este? Será o mesmo que falei esta manhã? Quem é este homem, que estava mesmo á minha frente?
Á poucos minutos atrás parecia que quase que me matava com o olhar dele e agora todo simpático e até dá-me um beijo na testa. A maneira como ele olhava para mim, era estranho... Foi um sentimento estranho, ter o olhar dele assim á minha frente, de sentir aquele arrepio a passar pelo meu corpo... Respiro fundo e caminho até ao closet, para arrumar a roupa dele. Ao entrar no closet, vejo aquela roupa no chão... Acho que exagerei um pouco, ao rasgar a roupa dele.
Caminho até á roupa que estava no chão, pego na camisola branca dele, ao levar até á cara e fecho os olhos, ao sentir o cheiro dele... Cheira tão bem, o perfume dele. Coloco a camisola em cima do sofá e pego no casaco dele e no resto da roupa. Por sorte, que não tinha assim muita roupa no chão rasgada. Ouço o barulho da madeira a bater, saio do closet e vou até quarto, onde vejo o Aphonso á porta.
-O que é que se passa? –Questiono, ao aproximar-me dele.
-O senhor Clark, mandou avisar a senhora que já passou os vinte minutos e que a senhora devia de descer.
-Podes dizer que já desço, por favor?
-Com licença. –Murmura, ao curvar um pouco a cabeça, em sinal de respeito e saí do quarto.
Caminho outra vez até ao closet e fecho as portas do armário. Não sei o que deu em mim, para arrumar a roupa dele, sabendo que fui eu própria, quem mandou para o chão e as rasgou, mas prontos. Caminho até á porta do quarto, abro e o Aphonso desvia-se para o lado, ao ceder-me a passagem.
-Aphonso, podes fazer-me um favor?
-Claro senhora, no que eu posso ajudar?
-No closet do meu quarto, tem lá umas camisolas rasgadas, em cima do sofá. Podes por favor, deitar aquilo no lixo ou então se vocês aproveitam as roupas assim rasgadas.
-Eu vou perguntar á Isabel, se ela precisa. Ela pode precisar, para limpar a casa.
-Obrigada –Dou um sorriso e vou em direção ás escadas.
Por que razão, é que ele quer eu desça? Começo a descer as escadas e começo a ouvir um riso de uma menina, será que são os convidados que a Isa falou?! No final das escadas, ao ir em direção á sala, vejo uma menina de cabelos loiros e olhos azuis, a correr na minha direção. Não sabia o que havia de fazer e vejo o corpo dela, a abrir os braços e abraça-se á volta da minha cintura. Não sei o que fazer, é como se tivesse parada no tempo. É... estranho, ver uma menina pequena, a abraçar-se a mim. Ponho a minha mão devagar no cabelo dela e ela afasta-se de mim.
-Eu sou a Maryann e tu és a Ashley. O meu irmão disse, que tu eras muito bonita. –Diz toda contente. Há... então ela é que é a Maryann, muito parecida com o Axel. Baixo-me para ficar da altura dela.
-Tu também és muito bonita, sabias? –Pergunto, ao dar-lhe um sorriso.
-Sim. –Diz toda contente. Como é que é possível, que apenas uma criança, consiga fazer sorrir-me quando eu mais quero estar zangada. –Anda!
Ela começa a correr, em direção ao sofá e senta-se ao lado do Axel. Olho para eles e acho que aquele deve ser o James e a namorada dele. Caminho até eles devagar e paro no meio da sala.
-Eu sou o James. –Cumprimenta, ao levantar-se e cumprimenta-me com dois beijos na cara.
-Ashley.
-Eu sou a Liane. –Levanta-se e dá-me um abraço rápido.
-Prazer, em conhecer-vos.
-Senta-te aqui ao meu lado, Ashley! –Exclama a pequena Maryann ansiosa, ao apontar para o pequeno espaço ao lado dela. O Axel olha para mim, sem dizer nada.
-Eu vou ficar aqui, deste lado. –Sento-me ao lado da Liane, mas ao olhar para a pequena Maryann, vejo que ficou triste por eu não ter ficado, ao lado dela.
-Ashley! –O Axel faz um sinal com a cabeça, para que eu me senta-se ao lado dela, mas viro a cara ao fingir de conta que não tinha ouvido. –Ashley!
Levanto-me irritada e sento-me no meio deles os dois. Que irritante, agora fica a tratar-me como uma criança. Mas sei que é por causa da pequena Maryann, ela ficou triste por eu ter dito que ficaria ao lado da Liane e não ao lado dela, com o Axel.
-Vais ficar aqui para sempre, Ashley? –Ouço a voz dela ao meu lado, olho para ela e fico a pensar no que havia de responder.
-Não pequena. Sabes eu...
-Sim vai, Maryann. –Interrompe-me o Axel. Baixo o meu olhar, até ás minhas pernas. –Maryann vai brincar com a Isabel, eu já vou ter contigo. –Ordena.
-Está bem. –Ela levanta-se toda contente e começa a correr pela casa.
-E tu Ashley! –Sinto a mão dele, a segurar no queixo e vira-me com força de frente para ele. O Axel apertava moderadamente, o meu queixo. –Se eu fosse a ti, parava com as tuas crises de criança, á minha frente da minha irmã. –Ele larga o meu queixo.
-Eu só disse a verdade! –Exclamo irritada. –Nunca ouviste dizer, que é feito mentir para uma criança?! –Pergunto, ao provoca-lo. –E eu detesto mentiras!
-Ashley! –Vejo a mão dele a levantar-se e a parar, a poucos centímetro da minha cara. Ele... ele ia bater-me?! Olho para a mão dele e depois para ele. Ele fecha a mão e a baixa devagar, sem desviar o olhar dele do meu.
-Axel tem calma. –Murmura o James.
-Ashley, anda vamos até ao jardim. Pode ser Axel? –Desvio o olhar, na direção na Liane, que dá-me um sorriso e depois olho para ele de lado, á espera que ele diga que sim. Ele fica a olhar para mim, durante alguns segundos, sem dizer nada.
-Vão até á hora do almoço! –Exclama, com agressividade.
A Liane levanta-se, mas quando ia levantar-me do sofá, sinto a mão do Axel agarrar no meu pulso e olho para ele.
-Não te atrevas, a tentar fugir. Tens todos os seguranças, a ver-te!
Afasto o meu braço com força e levanto do sofá irritada. Atravesso a sala, indo em direção á janela onde estava a Liane á minha espera. Não acredito, que ele levantou a mão para mim, se ele me tivesse batido eu iria fugir no mesmo segundo, não queria nem saber dos seguranças e muito menos dele, eu iria fugir na mesma. Tenho que ter calma e pensar bem nas coisas, em vez de fazer asneiras...
-Obrigada, por me teres salvo. –Sussurro, ao dar-lhe um pequeno sorriso.
-Não precisas de agradecer. Eu conheço o Axel, sei que ele pode ser bruto. –Ela abre a janela e um vento passa por nós, ao fazer-me arrepios. Frio logo pela manhã.
-Não seria melhor, ir-mos buscar um cobertor para as duas? Vamos ficar doentes. –Sugiro,ao passar as mãos pelos meus braços.
-Eu vou buscar á sala. Por favor Ashley, fica aqui, não faças nada. Se não a culpa vai ser minha. –Vejo uma certa inquietude, no olhar dela.
-Não te preocupes. –Dou um sorriso e ela vai até á sala.
Caminho pelo jardim a fora e vou até ao banco, que estava perto de umas flores. É um jardim muito bonito, deve ter alguém que cuida dele. Um jardim assim, tem que ser cuidado todos os dias... Tem muitos efeitos pelos jardim e isso é o que dá mais vida, á casa e ao jardim. Mas o que estraga, é os seguranças todos aqui á nossa volta, a ver tudo o que nós fazemos! Só aqui no jardim, vejo logo uns 12. Que exagero! Olho para casa e vejo a Liane a vir na minha direção, com um cobertor roxo grande, enrolado á volta dela.
-O Axel disse para trazer este cobertor. –Comenta, ao sentar-se ao meu lado. Ambas pomos as duas as pernas no banco, de maneira a ficar de frente uma á outra e puxo o cobertor, para nos tapar. –Sabes... –Olho para ela. –Eu também era assim como tu, quando cheguei aqui.
-Como assim? –Questiono.
-Eu também foi obrigada a casar com o James, mesmo sabendo que não gostava dele. Não foi fácil, os primeiros meses ao lado dele...
-Não tens saudades, da tua família?
-Claro que tenho. Mas tenho que ficar aqui.
-Eu não quero casar-me com o Axel... –Sussurro baixinho e baixo o meu olhar, até ao cobertor que nos cobria.
-Eu também pensava assim, eu chorava todos os dias, ficava sem comer e evitava ao máximo que conseguia, ter que olhar para o James. Eu sei que o James acabava por explodir comigo e pensava que isso iria cansar-lhe, de me manter aqui presa. Eu tinha esperança, que ele fosse cansar-se das minhas atitudes e que me deixa-se voltar para casa. Mas até um dia, ele irritou-se por eu continuar assim a ignora-lo e bateu-me, a partir desse dia mudei com ele, aliás fui obrigada a mudar. –Olho para ela chocada. Ele bateu nela? Se ele é assim, então o irmão deve ser igual ou pior.
-Bateu-te? –Pergunto chocada.
-Sim. E a partir desse dia tive que mudar com ele. O James obrigava-me a comer sempre com ele á mesa, obrigava-me a comer ao lado dele, só para ter a certeza que eu comia. O James queria sempre que eu estivesse com a Isabel, que eu a ajuda-se aqui em casa, para não ter que ficar no quarto ou que arranja-se maneira, de conseguir fugir daqui.
-Mas tu moras aqui?
-Claro. Vamos ter muito tempo, para passarmos juntas. –Responde ao sorrir para mim.
-Não acredito, que ele fazia isso... –Comento um pouco triste, por ela. Vejo que ela também, não teve lá muito bem com o James, quando chegou aqui a esta casa. Tenho curiosidade, em saber porque razão é que ela está aqui obrigada por ele, mas sei que isso não faz parte da minha vida, é a vida dela, se calhar ela não se sente confortável, a falar sobre isso.
-Fazia. Mas ao passar dos dias e das semana, acabamos por nos apaixonar.
-Ele alguma vez, obrigou-te a fazer algo que tu não querias? –Olho para ela, com uma certa inquietude com a resposta. Se o James faz algo assim com ela, nem quero imaginar o que o Axel é capaz de fazer.
-Eu fazia de tudo, para que isso não acontece-se sabes... Eu evitava os toques dele, eu adormecia sempre antes do James se deitar, eu sabia mais ou menos as horas que ele chegava da empresa, nos jantávamos e fazia de prepósito, para dormir antes dele deitar-se. O James tocava-me na cintura e isso assim quando eu dormia, eu sentia mas não acordava. Ás vezes quando ele discutia comigo, ele dizia que eu tinha que lhe dar herdeiros e ameaçava-me com isso. Mas depois ele nunca fez nada. –Explica-se num tom triste. Não deve ter sido fácil para ela também... Ter que aturar isto tudo, ter que estar aqui por obrigação...
-Como é que alguém, pode ser mau a esse ponto?!
-Não penses dessa maneira, o Axel tem um feitio complicado, pior que o James. Com o passar dos dias, dos meses, acabei por fazer parte da família e comecei a dar-me bem com todos aqui em casa, até com o Axel. Ele tem um feitio muito complicado, por isso Ashley evita arranjar assim muitos problemas com ele.
-Ele que experimente, fazer-me alguma coisa, que nem sabe o que lhe irá acontecer. –Respondo, com agressividade. Ele que nem tente, fazer alguma coisa comigo, que eu corto-lhe os dedos! Já estou aqui por obrigação e será por pouco tempo.
-Ele não irá fazer-te nada, se tu não lhe fizeres mal.
-Tu já tentas-te fugir? –Pergunto com cautela, ao mudar de assunto.
-Sim. Tentei fugir a primeira vez durante a noite, eu não sabia que ele estava na sala ás escuras, pensava que não havia ninguém, que estavam todos a dormir, mas depois ele apanhou-me quando tentei por a mão na porta. Discutio muito comigo sim, ameaçava-me a mim e aos meus pais, ficou uma hora a discutir. E a segunda vez ele bateu-me também, só não bateu mais, porque o Axel meteu-se no meio, se não tinha ido parar ao hospital. E a partir desse dia, nunca mais tentei fugir. –Olha para ela chocada. Se o James foi capaz de bater-lhe, por ela ter tentado fugir, o que faria o Axel se eu tenta-se fugir...?
-Que horror... Eu tenho que fugir daqui Liane e eu preciso da tua ajuda. –Suplicava em pânico, eu tenho que tentar a minha sorte.
-Eu não posso. Porque se o James sabe que eu vou ajudar-te, a culpa também será minha e claro, que os teus pais também irão sofrer com as consequências. Nós as duas, iremos estar em graves problemas. se eu ajudar-te a fugir daqui. –Explica.
Olho para o céu sem dizer nada, ao sentir as minhas lágrimas a começar a formarem-se. Vejo que ela sofreu também nas mãos do James, mas agora são apaixonados um pelo outro, é uma história romântica, menos a parte que ele lhe bateu. Mas vê-se, que gostam um do outro. Eu nem morta, iria gostar de um homem como o Axel, ele pode ter ajudado a Liane quando o irmão lhe bater, mas para mim ele continua sempre a ser a mesmo pessoa repugnante. Ele é mau, é frio e é um monstro. Não á ninguém neste mundo, que se apaixone por um homem como ele, ninguém o quer com o feitio dele. Se alguém o quiser, então que troque de lugar comigo, porque eu não o quero!
-Ashley! –Ouço a voz do Axel, a chamar por mim. Eu e a Liane, olhamos as duas para a janela da casa e vemos o Axel encostado á janela, de braços cruzados, a olhar para nós . O que é que ele quer agora?!
-Deve ser para irmos almoçar, vamos. –Murmura a Liane, ao levantar-se do banco.
-Eu não estou com fome, vou ficar aqui um pouco e depois vou para o quarto. –Respondo ao desviar o olhar do da casa e olho para as flores á minha volta.
I
-Estás a ver?! Já estás a provocá-lo. Ele gosta de ter a família toda á mesa, para comer.
-Pois, mas eu não sou da família. –Debato com agressividade.
Olho para ele, que continuava parado com os braços cruzados, a olhar para mim. A Liane vira-me as costas e caminha na direção dele. Ela para em frente dele e começam a falar os dois. Desvio a cara para o lado, para não ter que olhar para ele. A história que a Liane contou, é um pouco triste e chocante também. Como é que á pessoas neste mundo, podem obrigar outras a casar, como se fosse a coisa mais simples e normal na vida?
Sinto o cobertor a levantar-se na outra ponta e o meu coração, começa a bater muito depressa. Eu sei que é ele, que está a sentar-se ao meu lado, eu consigo sentir o cheiro dele. Sento-me corretamente, com as pernas para frente, de maneira a tentar ficar longe dele, o máximo que conseguia.
-Posso saber, porque é que não queres comer? –Questiona, com uma certa força, no tom de voz. Decido não dizer nada e continuava com a cara virada. –Sabes, eu não sou como tu estás a pensar que eu sou. Só sou mau, se tu me desafiares.
-Eu não te fiz nada e tu começas a discutir comigo. –Murmuro sem virar a cara. Olho para os seguranças, onde alguns estavam a olhar para nós.
-Tens a certeza, que não fizeste nada? –Reviro os olhos. –Anda vamos comer.
-Eu já disse, que não quero! –Exclamo seriamente.
-Sabes, eu pedi á Isabel para fazer lasanha. –Olho para ele devagar e vejo um pequeno sorriso, a aparecer no canto do lábio esquerdo. Como é que ele sabe, que a minha comida preferida é lasanha? –Eu sei tudo sobre ti, agora anda vamos almoçar.
Ele levanta-se e estende a mão dele á minha frente. Primeiro, ele é mau comigo e agora, já é todo simpático? O Axel deve ser bipolar. Séria melhor aproveitar, já que ele está de bom humor e pedir-lhe para falar com a minha mãe. Eu não devia falar com ela, mas também estou preocupada, o Axel faz muitas ameaças e nunca se sabe, o que pode vir a fazer nas minhas costas.
-Será que posso pedir-te um favor? –Ele faz uma cara séria e volta a sentar-se, ao olhar para mim durante alguns segundos, sem dizer nada. Por favor aceita... Por favor aceita.
-Sim.
-Será que posso ligar á minha mãe? Estou preocupada com eles... –Peço calmamente.
-Eu deixo-te ligar, mas vens comer! –Ordena.
-Está bem.
O Axel põe a mão dentro do bolso das calças e vejo o meu telemóvel a sair de lá de dentro. Fico espantada a olhar para o meu telemóvel, estendido á frente dos meus olhos. Mas... Porque razão, é que ele anda com o meu telemóvel, no bolso dele?!
-Mas... Este é o meu telemóvel. -Comento admirada.
-Liga, antes que mude de ideias.
Pego no meu telemóvel, sem pensar duas vezes e o procuro o numéro da minha mãe. Porque razão, é ele que tem o meu telemóvel?! Desde de quanto, é que ele anda com as minhas coisas? Tenho sorte, que o meu telemóvel tem código de entrada, se não ele já tinha entrado. Ouço o telemóvel do outro lado a tocar uma vez, tocar duas... Três... Quatro... Por favor mãe, tens que atender.
-Ashley minha filha, eu não acredito que estás a ligar, meu amor como é que tu estás?
-Mãe... –Começo a sentir as lágrimas na minha cara. O Axel olha para mim, mas eu viro a cara. –Eu estou bem. Estou com saudades...
-Perdoa-me por tudo filha. Eu vou ver-te amanhã.
-Mãe, tira-me daqui! –Exclamo num sussurro baixinho, sem que o Axel ouvi-se.
-Ashley... Por favor não digas isso assim. Se o senhor Clark te ouve a falar isso...
-Ele está aqui ao meu lado. –Ambos olhamos um para o outro.
-Ainda pior Ashley! Por favor não o desafies.
-Não te preocupes mãe... –Axel levanta a mão, em sinal para desligar. -Mãe... Eu vou ter que desligar, eu vou almoçar. –Vejo um sorriso no Axel, quando disse que iria almoçar.
-Está bem Ashley. Porta-te bem e por favor, não faças nada para o irritar. Respeita-o a cima de tudo Ashley!
-Eu não prometo nada! –Exclamo com agressividade.
-Desculpa filha eu...
Desligo a chamada, na cara da minha mãe e limpo as pequenas lágrimas que saíam. Só se passou um dia e já está a ser difícil para mim, estar longe de casa, longe das minhas coisas. Eu nunca vou perdoar os meus pais, por aquilo que eles estão a fazer comigo, levarem-me até esta maldita casa por causa de uma festa, onde eu fico a saber que tenho que casar com um desconhecido, sem saber as razões... Vejo a mão do Axel, estendida á minha frente. Olho para a mão dele, com uma cara estranha, como se não soubesse o que ele queria, mas sei bem que ele quer o MEU telemóvel de volta. Mas ele é meu e ele não tem o direito, de ficar com ele.
-O telemóvel! –Ordena como se percebesse, o que eu tinha pensado.
-Deixa-me ficar, com ele por favor. Ele é meu. –Suplicava, ao tentar convence-lo. Mas pelo olhar dele sério, acho que não vou conseguir ficar com ele.
-Não. Dá-me! –Assopro irritada e dou-lhe o telemóvel de volta.
-O telemóvel é meu, porque não posso ficar com ele? –Pergunto alterada.
-Porque não e acabou aconversa. Agora vamos comer.
Ele levanta-se e puxa o cobertor, ao dar-me um enorme arrepio de frio. Levanto-me do banco amuada sem dizer nada, detesto quando me tratem como uma criança! Quem é que ele pensa que é para ficar com o meu telemóvel?! Isso é privacidade, mas parece que isso não existe, no dicionário dele. Caminho chateada em direção a casa, quando sinto a mão dele no meu braço e puxa-me para trás. Ele segura no meu braço e vira-me de frente para ele.
-Olha para mim Ashley. –Reviro os olhos e viro-me de frente para ele, mas sem olhar para naqueles olhos. –Eu disse para olhares para mim e não para o lado.
Olho para ele, para aqueles olhos azuis mais lindos. Aquele azul claro de cor do oceano, identificava que ele estava calmo e se calhar, calmo de mais para o meu gosto. Era como, eu não consegui-se parar de olhar para ele, eu estava totalmente fixada naquele olhar dilato á minha frente.
-Não te esqueças, da festa logo á noite. –Reviro os olhos. Aquela maldita festa.
-Eu já disse, que não queria ir Axel. Não quero mesmo. Não é o meu genero, ir a esse tipo de festas. Eu posso ficar, por favor... –Suplico, ao fazer uma cara triste, espero conseguir convence-lo... Ele olhava para mim, sem dizer nada. Por favor, espero que ele diga que sim, que posso ficar. Por favor. Por favor.
-Ashley, eu já te disse que tinhas que ir. És minha mulher e é importante ires a festas sociais.Tu vais comigo e não se fala mais nisso! –Exclama com agressividade. Que irónico, eu ser mulher dele... Só se for nos teus sonhos! Por de trás disto tudo, todos devem saber que eu não sou mulher dele, por isso não vale a pena eu ir e fazer figura de parva há frente das pessoas, ainda por cima eu não sei mentir.
-Sabes, que eu não sou dessas pessoas, que vai a esse tipo de festas. –Murmuro. –Deixa-me ficar em casa Axel... –Coloco as minhas mãos, no peito dele numa tentativa de o convencer a ficar em casa, a minha mão cai sobre o coração dele e começo a sentir os seus batimentos cardíacos. O meu olhar cai sobre a minha mão, que estava no coração dele e fico parada meio chocada. Os batimentos dele, estão muito fortes, será que é por eu estar com a minha mão, sobre o peito?! Levanto o olhar devagar, até os olhos dele e ao ver que ele já olhava para mim, eu baixo as minhas mãos e dou um pequeno passo para trás envergonhada. –Por favor, eu não quero ir. Quero ficar aqui.
Sinto a mão dele, a passar na minha cara com delicadeza, a mão dele quente contra a minha pele, é como uma bomba que fez o meu coração acordar, eu tenho o coração quase a mil á hora... A mão dele, mexia na minha cara como se estivesse á procura de alguma coisa, que eu não sei o que era... Este não é o Axel, que eu conheci ontem quando ele prendeu-me no quarto, por tentar fugir, este não é o mesmo Axel que quer obrigar-me a ficar aqui com ele e que passa os minutos todos, a discutir comigo. Este é o outro lado dele... Um lado que eu não conheço. E é um lado completamente diferente!
-Está bem. –Um sorriso enorme, forma-se nos meus lábios, ao ouvir as palavras dele. –Mas só desta vez Ashley, a próxima vez vais!
-Obrigada. –Abraço-me ao peito dele, como forma de agradecimento. Aquele cheiro... Um cheiro maravilhoso que saía daquele corpo, um cheiro que é como se eu estivesse nas nuvens. É confortável, estar abraçada contra o peito dele, ele é quente só com este casaco social. Ele põe a mão na minha cintura e puxa-me mais contra ele.
-Mas com regras Ashley.–Ouço a voz dele, a sussurrar na minha cabeça. O largo de repente e olho para ele. –Tu não vens comigo, mas vai haver regras.
-Quais regras? –Olho para ele admirada. A sério, que agora vai impor regras, só porque eu não quero ir com ele para a maldita festa?! Eu logo vi, que o senhor bonzinho ia durar pouco tempo!
-Tu não vais sair de casa Ashley. Não vais tentar fugir, não vais desobedecer aos seguranças, nem á Isabel. Se ligarem para mim, a dizer que tu tentas-te fugir, basta apenas dar um telefonema e podes dizer adeus aos teus pais! Não me obrigues, a fazer aquilo que eu não quero. –Engulo a seco, ao ouvir a ameaça dele. Eu tinha uma boa oportunidade, há frente dos meus olhos, de conseguir fugir enquanto ele estivesse naquela maldita festa, mas parece que vou ter que cancelar os meus planos...
-Não uses os meus pais, para teres aquilo que queres Axel! –Argumento irritada.
-Faz aquilo que eu mando e não terei que ameaçar os teus pais, tudo depende de ti e unicamente de ti. –Murmura.
-Deves pensar, que sou uma criança para seguir as tuas regras. –Reviro os olhos e cruzo os braços. Era só o que me faltava, ter que andar a seguir regras, como se eu fosse uma criança qualquer!
-Ashley! –Resmunga gravemente. –Detesto, quando fazes essas tuas figuras de criança. Sabes isso irrita-me! –Exclama, com um tom grave e autoritário.
-Também irrita-me estar aqui e tenho que estar.
-Ashley! –Grita modernamente. Descruzo os meus braços devagar e olho para os meus pés. Há momentos, que ele grita comigo e faz-me sentir incapaz, de fazer seja o que for... Eu detesto que gritem comigo e parece que ele sente prazer, em fazer isso comigo! –Vais seguir as minhas regras, se não vens comigo e mais nada.
-Está bem. -Sussurro.
Viro as costas e caminho de volta para casa. Ele que não pense, que vai ser sempre assim, dar ordens e eu as sigo. Não... Claro que não! Trata-me como uma criança, não espera pela demora. Assim que ele por os pés fora desta casa, eu vou tentar arranjar maneira de fugir daqui. Mesmo que seja dificil, eu estou a ver que vai ser muito dificil, eu vou tentar arranjar uma maneira de fugir, eu tenho que tentar... Fugir para muito longe, arranjar dinheiro e tirar os meus pais deste país, assim não poderão matar nenhum de nós. Quase a chegar a casa, sinto a mão dele no meu ombro e puxa-me para trás devagar.
-Espera por mim! –Ele põe o cobertor nas minhas costas e põe o braço dele, sobre os meus ombros.
Entramos em casa "quase" abraçados e vamos em direção á sala de jantar, em silêncio.
Chegamos á sala de jantar e todos olham para nós. A Maryann estava sentada no meio do James e da Liane, toda contente e o Axel vai até á ponta da mesa sentar-se. Caminho devagar até á mesa e sento-me em frente á Liane. Coloco o cobertor na cadeira ao lado da minha e viro-me outra vez para eles. A Liane e o James olhavam para mim, com um olhar sério enquanto a Maryann era a única que sorria para mim. Esta menina, vai ser a alegria desta casa, nota-se que ela é muito feliz aqui nomeio dos irmãos, ela gosta de estar aqui com eles, incrível como uma menina tão pequena pode fazer sorrir, qualquer pessoas. Ouço uns passos a virem na nossa direção, olho para o lado e a Isabel trazia um tabuleiro nas mãos e sei que era a lasanha. Ela coloca o tabuleiro em cima da mesa e começa a cortar-la, ao servir-nos um por um.
-Obrigada Isabel. –Agradeço.
-De nada senhora. –Murmura. Sei que ela só me chama de senhora, por causa do Axel.
A lasanha estava com muito bom aspeto, tinha um cheiro muito bom, mas eu é que não estava com fome nenhuma. Era como se eu tivesse um nó no estômago, que me impedisse de comer, não tinha fome nenhuma, a fome desapareceu e formou-se um nó, no meu estômago. Pego no garfo e começo a comer pequenos bocados da lasanha, para tentar disfarçar. Ao continuar a olhar, para aquele prato preenchido de comida, sinto o olhar do Axel sobre mim. Prontos, ele já captou o problema e agora vai comecar a discutir!
-Posso saber, porque não estás a comer?! –Pergunta. Levanto o meu olhar e tenho o olhar dele sobre mim, de maneira fria e séria. Eu detesto este olhar dele, quando ele olha assim para mim, com aquele olhar de mau.
-Eu já te tinha dito, que não estava com fome, estou com um nó no estômago. –Murmuro, ao desviar o meu olhar outra vez, para o meu prato.
-Ashley! Na minha casa não sedesperdiça comida! –Exclama.
-Eu sei. –Sussurro baixinho.–Eu é que estou sem fome. Posso guardar para o jantar? –Olho para ele outra vez, com receio das palavras dele. O Axel olhava para mim, com uma cara de irritado, isso via-se nos olhos dele, que ele não gostou lá muito de saber que eu não estava com fome, o Axel só não discute comigo, porque está aqui a Maryann senão ele já tinha começado aos gritos, visto que é a única coisa que ele sabe fazer, desde que eu cheguei aqui a esta casa.
-Está bem. –Dou um sorriso pequeno e bebo um pouco de água. Levanto-me com o prato nas mãos, mas sou impedida pela mão do Axel, que segurava o meu braço. –Alguém disse que podias sair da mesa!? –Desculpa?!
-Há e eu ainda tenho que pedir, como as crianças? –Olho para ele chocada, a sério que ele disse isto? Não acredito.
-Senta-te Ashley! –O Axel puxa o meu braço para baixo, ao fazer-me voltar a sentar. Respiro fundo três vezes, antes de pensar em dizer seja o que for.
-Deixa-a sair da mesa Axel, ela está mal disposta. –Ouço a voz da minha salvação. Obrigada James, alguém que concorda comigo. Axel olha para ele, olhar entre irmãos. Um clima intenso que passava por esta sala, eu não quero que eles se zanguem por minha causa, o Axel olhava para elec omo se estivessem a falar entre olhares. Olham durante alguns segundo, mas depois o James vira a cara outra vez, até mim. –Ashley, pede para saíres da mesa. –Murmura ao olhar para mim, com aquele olhar carinhoso.
-Posso sair da mesa? -Pergunto ironicamente, com um sorriso forçado.
-Podes, vai para o teu quarto!–Ordena.
-Não posso ir para a sala, ver televisão? –Questiono.
-Sim. Se vires que não estás bem, pede um chá á Isabel.
-Sim.
Levanto-me da mesa e vou em direção á sala. Com certeza, nunca vou conseguir entender este homem, ele tem muitas personalidades. Ou ele é mau comigo e trata-me mal, ou então ele é bom comigo e trata-me bem, apesar desse "bom comigo" não durar muito tempo. O Axel passa mais tempo, a discutir comigo do que a ser bom, só estou aqui á quase um dia e já estou farta de o aturar, já estou farta de discutir com ele, discutir a toda a hora cansa, então não quero nem imaginar como vai ser daqui para a frente. Enquanto não arranjar uma solução, eu vou ter que levar com as personalidade dele.
Caminho pelo corredor que vai dar á sala, eu não entendo porque é que ele quer uma casa tão grande, ele pode ter uma casa mais pequena, não é só porque acha que é "rico" que tem que ter uma mansão destas, cheia de seguranças á volta por minha causa. A casa até que é bonita, tem uma boa decoração, bons efeitos de esculturas e quadros... Chego á sala, vou até á mesa do meio para pegar no comando e deito-me no sofá, encostada á almofada.
Ligo a televisão e ponho no canal Hollywood, para ver um filme. Arranjo-me confortavelmente no sofá e fecho os olhos devagar, ao encostar a cabeça na almofada. Esta manhã estava bem, até mesmo quando estava lá fora com a Liane, mas agora estou com o estômago estranho, parece que tem um nó...
-Estás bem Ashley? –Abro os olhos e vejo a Liane de joelhos, ao lado da minha cabeça. Eu nem sequer a ouvi chegar até mim, estava tão concentrada nos meus pensamentos e na minha dor, que nem a ouvi. Sinto a mão dela, a passar pela minha cabeça.
-Sim. –Sussurro baixinho.
******* Espero que estas 7788 palavras vos compense :) *****
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