Capítulo 63
Abros os olhos de repente, onde vejo os estores fechados, no quarto da minha filha e estávamos num ambiente meio escuro. Levanto a cara devagar e vejo que o Axel dormia encostado ao sofá. É tudo tão estranho, a maneira em como nós estamos agora, aqui sentados, no sofá no quarto da nossa filha, como se fossemos um casal normal! Para ser sincera, eu nunca pensei na hipótese, de voltar a dar-lhe uma nova oportunidade O que aconteceu comigo e com ele, é algo que eu não vou conseguir esquecer tão facilmente, mesmo que eu o perdoe. Eu sofri muito naquela casa, passei dias e dias de choro, de solidão, de sofrimento e o Axel, nunca fez nada para aliviar o meu sofrimento. Ele sempre continuou a fazer o papel dele, de mandão e obrigar-me a casar com ele á força toda!
Quando eu soube da verdade, foi como se o meu coração morresse ali naquele momento! O meu pai, se ele não fizesse aquela divida toda por causa do jogo, eu acho que a esta hora, nós não estaríamos aqui nesta situação! Mesmo que o meu pai tenha pedido dinheiro, para pagar os meus dois meses de atraso da minha faculdade, o Axel acabou por acumular dinheiro á divida, ao juntar a divida do jogo mais o dinheiro que o meu pai pedio. Os dois meses que estavam em atraso, não iriam dar 100 mil dólares, isso nunca! Eu pago quase, 500 dólares por mês, era impossível os dois meses darem esse valor todo, claro que o Axel acabou por juntar o dinheiro que ele pedio, mais o dinheiro que ele já devia! Eu conheço o meu pai desde que eu nasci, quando eu comecei a ter a noção da realidade, eu não me lembro de ver o pai sempre envolvido em jogo e isso assim, aliás eu nem sei como é que ele consegui-o fazer uma divida assim enorme, porque ele passava sempre bastante tempo connosco em casa, ficava connosco em família a não ser que em vez dele ir trabalhar, ele fosse para o casino jogar! Nós que somos da família dele, nunca nos deu a entender, que era viciado no jogo e que muito menos, estávamos numa crise de dinheiro! Eu não sei se essa divida, foi uma coisa boa ou má na minha vida a única coisa boa, que eu vejo nesta situação toda, foi a filha que o Axel me deu! A minha filha, é a única coisa que me trouxe de bom nesta confusão toda!
No início, quando o Axel me disse que eu tinha que dar-lhe um filho, eu fiquei com medo, aliás muito medo, porque eu não queria nada que me prendesse ao Axel, nem um casamento e muito menos uma filha! Uma criança, não pode ser planeada assim de um dia para o outro, eu o Axel não tínhamos uma relação estável - aquilo nem era considerado uma relação - eu não podia trazer uma criança ao mundo, sem pensar no que poderia vir por trás. Felizmente, a minha filha, foi a maior alegria que o Axel me podia dar eu não estou arrependida, de ter continuado com esta gravidez, isso é a única coisa que eu nunca iria arrepender-me! Os meus pais, infelizmente não sei se ficaram a saber, que eu estou gravida e sinceramente isso não me interessa para nada! Eu sei que eles são meus pais e que apesar das circunstâncias, o meu pai pedi-o dinheiro para pagar a minha faculdade, mas eu não os consigo perdoar! Os meus pais, podiam muito bem, terem contado a verdade, de terem explicado o que estava a acontecer... mas mesmo assim eles continuaram calados, a viverem como se nada fosse com eles, eles não pensaram em mim uma única vez que fosse! Eu pedi ajuda a minha ajuda, nas vezes que ela foi lá a casa do Axel, ela teve a oportunidade de contar o que se estava a passar, eu pedi-lhe tantas vezes e ela simplesmente ignorou-me! Isso, eu não posso e nem consigo perdoa-los!
-Eu já estava com saudades, de acordar assim, contigo nos meus braços. -Assusto-me ao ouvir a voz do Axel.
-Eu pensava que estavas a dormir. -Respondo ao sentar-me. Olho para ele e ele esfregava os olhos. O Axel baixa as mãos, ao colocar uma nas minhas costas e outra nas minhas pernas. O Axel encosta a cabeça para trás, ao olhar para mim a sorrir. Ele tinha um ar cansado e esgotado.
-Tu pareces bastante cansado. -Murmuro, ao passar a minha mão, pela cara dele.
-Digamos que, desde á quatro meses, que eu não sei o que é, uma boa noite de sono. Eu durmo no máximo, cinco horas por noite. -Explica.
-Axel... -Sussurro baixinho. -Isso nem sequer é sono, para ninguém sabias?! O teu corpo também precisa de descanso, de sossego, como todos nós!
-Eu sei princesa, mas eu não conseguia dormir, enquanto eu não te encontra-se a todo custo. -Explica ao passar a mão dele, pelos meus cabelos soltos.
-Eu espero que agora, já consigas dormir melhor Axel, tu já me encontras-te por isso, já podes dormir pelo menos oito horas por noite! -Exclamo seriamente.
O Axel parece aquelas pessoas obcecadas, que mal dormem enquanto não encontrarem o que procuram! Durante estes quatro meses, eu faço ideia quantas noites é que ele andou assim, para o Axel deve ter sido complicado estar longe de mim, para todos os efeitos, eu era mulher dele, era uma "prisioneira" na casa dele e sem saber onde é que eu estaria, faço ideia o louco que ele andou lá em casa dele. Pelo pouco tempo que eu convivi com ele, eu sei que o Axel não tem um feitio fácil e muito menos um caracter fácil, ele só consegue descansar quando tiver aquilo que ele quer! Mas olha, por um lado, foi bem feito! Pode ser que assim, ele comece a dar valor ás pessoas e não só a ele próprio.
-Agora que já te encontrei, vou poder dormir muito melhor! -O Axel aproxima-se de mim e dá-me um beijo rápido no pescoço. Eu conseguia ver naqueles olhos azuis, o quanto ele estava contente, por estar aqui comigo e com a minha filha. Eu não justifico as ações dele, mas eu consigo ver que ele estava contente, pela novidade que ia ser pai de uma princesa e por ele ter conseguido o meu perdão, depois de tanta insistência!
-Claro que sim. -É a única coisa que eu respondo.
O Axel tem aquele gene de possessivo, teimoso, obcecado e ele só não dormi-o porque não quis! Porque se ele desistisse de andar á minha procura, ele podia muito bem ter dormido umas boas noites de sono! Mas como ele é teimoso e quer sempre tudo á maneira dele, olha acabou por passar umas noites em claro, pode ser que assim ele abra os olhos! Olha, foi uma lição de vida para ele... infelizmente, eu nunca pensei que ele poderia encontrar-me, depois de quatro meses longe dele. Eu cheguei a pensar, que ele só iria encontrar-me se ele pensasse em subornar a minha advogada, isso eu tenho a certeza que ele seria capaz de fazer.
Nunca me passou pela cabeça, que ele pudesse "investigar" sobre a minha família... se ele não fosse muito curioso e obcecado, se calhar a esta hora eu não estaria aqui sentada no colo dele, no quarto da nossa princesa.
-Eu estava a pensar, que podíamos comprar algumas coisas para a nossa menina... -Murmura, ao passar a mão dele, pela minha barriga.
-Comprar o que Axel?? Eu já comprei muitas coisas. -Respondo.
-Podemos ir comprar um ovo para ela, um carrinho, algumas coisas! -Responde insistindo.
-Eu acho que ainda é cedo, para comprarmos mais coisas. -Murmuro.
-Cedo por quê? -Questiona indignado.
-Eu gostaria de comprar mais tarde Axel, eu tenho medo de comprar muitas coisa e depois vir a acontecer alguma coisa com a nossa filha... -Explico. Sinto a mão do Axel, na cara e levanta-me o olhar até ele.
-Mas porque é que estás a dizer isso? Achas que vai acontecer alguma coisa com a nossa filha?
-Não é isso Axel. Eu tenho medo de comprar muitas coisas, ficar demasiado entusiasmada e que possa haver alguma coisa, que faça com que eu perca a nossa menina. -Sussurro tristemente.
Na fase da gravidez, á muitas mães que acabam mesmo por sofrerem abortos, aos 5, 6 e até mesmo aos 7 meses, é normal que eu tenha um certo medo, de comprar muitas coisas demasiado cedo e que acabe por acontecer alguma coisa á minha filha, que faça com que eu a perca... Eu não quero perder a minha filha e ficar aqui com todas as recordações! O quarto dela, eu só comecei a montar, porque os meus tios insistiram muito, se não eu nunca teria montado o quarto dela.
-Nós podemos ir ao médico e fazer uns exames, para ver se está tudo bem. -Murmura.
-Quando eu fui fazer a ecografia. -Coloco a minha mão, por cima da mão do Axel, que estava em cima da minha barriga. -A médica disse que estava tudo bem com ela e comigo também. Ela está a crescer bem e que aparentava estar saudável, mas mesmo assim eu tenho medo! Eu prefiro comprar mais coisas, quando chegar aos 8 meses de gravidez. -Argumento, ao olhar para a minha barriga.
-Depois quando chegares aos 8 meses, vai custar-te mais ao mexer e depois vais quereres andar de um lado para o outro e vai custar-te! Mas se preferes assim, então eu respeito a tua decisão claro! -O Axel dá-me um beijo na cara, coloca a mão dele na minha nuca e puxa-me com cuidado, para deitar no peito dele
-Obrigada por respeitares a minha decisão. -Agradeço.
-Sabes princesa, eu respeito a tua decisão a cima de tudo, eu é que estou demasiado empolgado, por saber que sou pai e quero comprar tudo de uma vez só. -Argumenta num tom alegre. -Os meus pais irão gostar de saber, que vão ser avós. -Consigo sentir um pequeno riso, nas palavras dele.
-Tu não contas-te ainda? -Questiono, ao passar o meu braço pelo peito dele e o abraço com força.
-Não, só o James é que sabe. Eu estava a espera de encontrar-te primeiro e contar lhe quando voltássemos para Boston. -Explica. O Axel ainda tem, aquela esperança que eu irei voltar com ele para Boston, mas eu não vou voltar.
-Axel... -Afasto-me do peito dele e acabo por levantar-me, ao caminhar até á cama da minha filha. Caminho até ao lado cama dela, onde pego no peluche que havia no cantinho e o olho com carinhos nas minhas mãos. -Eu não vou voltar para Boston! -Exclamo confiante, sem olhar para ele, sem ver qualquer reação que ele pudesse vir a ter.
-Como assim? Tu queres ficar aqui na casa dos teus padrinhos a viver?! -Questiona como se ele tivesse chocada com a minha resposta.
-Não é viver para sempre, mas sim, viver aqui na cidade. -Respondo e volto a colocar o peluche onde estava. -Eu não vou fazer nada para Boston Axel. -Viro-me de frente para ele, outra vez. O Axel continuava sentado, mas olhava para mim espantado e ao mesmo tempo como se ele estivesse chocado.
-Ashley, a tua família está em Boston e a minha família também! -Exclama.
-A minha família está aqui Axel... -Sussurro.
-Ashley... -O Axel suspira profundamente, levanta-se do sofá e caminha na minha direção. -Sabes que apesar de tudo o que aconteceu, os teus pais continuam a ser os teus pais e a tua família também.
-Pais, que são pais, não fazem aquilo que eles fizeram e eu não vou conseguir perdoa-los! -Exclamo.
O Axel coloca-se a poucos centímetros do meu corpo, coloca uma mão na minha cintura e a outra na minha cara. Eu sei, que a qualquer momento eu vou ter que voltar a encarar os meus pais, mas esse momento não pode e não vai ser tão cedo! Eu não posso esquecer-me, que quando eu mais precisei de ajuda, foi os meus padrinhos que estiveram lá para mim e não os meus pais! Eu aposto, que quando eu estava presa naquela casa, se eu tivesse pedido ajuda aos meus padrinhos, eles ajudaram-me sem pensarem duas vezes... mas como eu nunca mais me lembrei deles, acabei por aguentar até descobrir aquela verdade.
-Princesa... -O Axel coloca as duas mãos dele na minha cara e mexia com os dedos, pela minha bochecha. -Tu não me perdoas-te? -Questiona. -Então, também podes perdoar os teus pais. -Murmura.
-As coisas não funcionam assim Axel! -Exclamo. Desvio-me do toque dele, caminho outra vez até ao sofá e sento-me de cabeça baixa. O Axel vira-se para mim, caminha na minha direção e agacha-se á minha frente.
-Ashley. -Ele coloca as duas mãos dele na minha barriga e levanta o olhar dele até mim. -Tu também me perdoas-te, sabes que a culpa também foi minha e eu nunca devia de ter feito aquela proposta ao teu pai. O erro também foi meu, mas eles também são teus pais. -Reviro os olhos. -Ashley, apesar de tudo o que se passou, eles continuam a ser teus pais e têm o direito, de saberem que pelo menos tu estás bem. -Murmura.
-Eu aposto, que eles sabem que eu estou bem, de qualquer maneira, eles não se importam comigo, porque se eles se importassem verdadeiramente comigo, eles não teriam feito o que fizeram! -Exclamo irritada. Desta vez, eu não concordo com o Axel! Se os meus pais se preocupassem comigo, como filhas deles, a esta hora eles não estariam onde estão nesta situação! Nem eles e nem eu!
-Amor... -Abro a boca de espanto e um sorriso forma-se nos meus lábios sozinhos. Ele chamou-me de "amor"... -Eu também tive culpa no que aconteceu, se eu não tivesse proposto aquela troca, a esta hora nós também não estaríamos aqui. Mas tu já me perdoas-te, será que não podes fazer o mesmo com os teus pais? Eu também não acho justo, perdoares-me a mim e não aos teus pais.
-Queres que eu volte com a minha decisão a trás? -Questiono chateada. Que mania, de tentarem mudar as minhas decisões! Eu é que eu sei o que eu faço, o que eu decido, o que eu quero para mim!
-Ashley, não foi...
-Axel. -O interrompo. -Eu só te perdoei, porque és o pai da minha filha e os meus padrinhos insistiram muito para te perdoar. -Explico. Claro que os meus padrinhos influenciaram bastante, mas o amor que eu já sentia por ele também deu assim, um pequeno empurrão. Mas agora com os meus pais é diferente, os meus pais também não se importaram comigo tal como o Axel, mas por mais que a minha cabeça diga que não, o meu coração já pertence ao Axel, tal como a minha filha também é uma parte dele!
-Ashley, se eu sou o pai, eles também são os avôs! Pensa na nossa filha então, estás magoada e eu percebo isso, mas perdoa-lhes pela nossa filha, pensa que ela também tem o direito de conhecer os avôs. -Argument.
Mesmo que ele tenha cinquenta porcento da razão, eu não consigo pensar a cem porcento como ele! Os meus pais não se dignaram a explicar o que se estava a passar, eles não quiseram saber da minha felicidade naquele dia no casamento, eles não se preocupam comigo uma única vez que seja...porque se eles se preocupassem, eles não tinham feito isto. A culpa disto tudo, tanto é do Axel como do meu pai, se o meu pai não tivesse ficado viciado num jogo que eu desconhecia, se calhar a esta hora eu estaria em casa e claro, que acabaríamos por pagar o empréstimo em meses. Mil dólares não é muito, eram só dois meses de atraso e sempre conseguimos pagar mensalmente a faculdade, por isso não havia razões para agora não pagar. O que piorou, foi o meu pai ter começado a jogar, se ele não tivesse começado a jogar, a faculdade não estava atrasada dois meses.
Depois de ter chegado a Portland, eu liguei para a faculdade e pedi para fechar a minha matricula de vez. Eu vou estar muito tempo longe da escola, não faz qualquer sentido mete-la em pausa, sabendo que não sei quando poderei voltar e se, eu voltar outra vez. Pelo menos, consegui começar o 1º ano de arquitetura, eu ainda não sei bem para que parte dirigir-me, de arquitetura normal ou designer de interiores! Eu quero dedicar-me a cem porcento á minha filha, depois dela nascer, posso voltar a pensar em voltar para a escola ou até mesmo, posso fazer as aulas á noite aqui em Portland.
Voltar para Boston outra vez, estava e está, fora de questão, não havia quais queres razões para voltar! Eu só tenho as minhas amigas, que tenho muitas saudades delas e de resto?! Não tenho mais nada! O Axel tem os irmãos, a casa, a empresa, os pais - apesar de não morarem na mesma cidade - se ele quiser voltar, o Axel está á vontade, mas volta sozinho, porque eu não volto!
-Eu vou pensar no teu assunto e depois logo vejo, o que decido! -Respondo. Vou pensar, nesta conversa insignificante e depois logo vejo, o que eu decido fazer!
-Mas pensa bem princesa, está bem? -Questiona ao olhar para mim, com um olhar suplicante.
-Sim Axel, sim. -Murmuro ao revirar os olhos. Não á muito para pensar, este assunto vai continuar, com a mesma opinião até ao fim!
-Eu esp... -O Axel é interrompido, por um barulho de um telemóvel, que não era o meu, por isso só pode ser o dele. O Axel tira o telemóvel, do bolso das calcas, senta-se no chão, aos meus pés e atende a chamada. -Sim James... sim está tudo bem... sim eu estou aqui com ela... -O Axel coloca a mão dele, no lado esquerdo, da minha barriga. -Eu ainda não vi o que envias-te, eu estou na casa dos padrinhos da Ashley, mas quando chegar ao hotel, eu depois vejo... Achas?... -Questiona surpreendido e sério ao mesmo tempo. Será que se passa alguma coisa? -Está bem, eu vou agora para o hotel e já falamos melhor sobre isso... Está bem. -O Axel desliga a chamada e olha para o telemóvel, com um ar serio.
-Passa-se alguma coisa? -Pergunto preocupada.
-Não princesa, são coisas do trabalho, nada de mais. -Responde brevemente.
-Então eu vou ver, se a tua roupa já está seca. -Murmuro, ao levantar-me do sofa com cuidado, para não o magoar.
-Basta só me dares as calças, a camisola eu deixo contigo para tu dormires.
O Axel levanta-se do chão, aproxima-se de mim, passas as mãos dele pelo meu pescoço e dá-me um beijo rápido. Passo os meus braços, pelo pescoço dele e aprofundo aquele beijo, ao fazer com que o nosso momento, se prolongasse ainda mais e mais! Apesar de ter sido muito poucas, as vezes que eu e o Axel nos beijamos, eu gosto de sentir o amor que ele tem por mim, através do beijo dele. Paro o nosso beijo, esfrego o meu nariz no dele e fico assim por poucos segundos. Passamos aqui um bom momento juntos, apesar de não estar á espera disto, mas foi bom estarmos assim, só nós os dois e a nossa filha. E acho que... aliás eu espero, não vir a arrepender-me de o ter perdoado!
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