Capítulo 4
-Pai... Por favor diz-me que é uma brincadeira. DIZ-ME!
Levanto-me do sofá irritada, ao olhar para os dois que choram e a minha mãe no chão, de joelhos a chorar. Como é que eles tem a coragem, de me dizerem que eu vou casar com uma pessoa, que não conheço? Estamos num país livre, eu tenho direito a casar com quem eu quiser. Que brincadeira de mau gosto, é esta?! Digam por favor, que eu ainda estou a sonhar e que estou prestes acordar.
-Ashley. –Meu pai levanta-se da cadeira, vem até mim e tenta segurar nos meus braços, mas eu desvio-me do toque dele. –Por favor, deixa-me explicar!
-Explicar? EXPLICAR PAI! COMO É QUE VOCÊS TEM CORAGEM, DE DIZER QUE EU VOU-ME CASAR COM ESSE AÍ. –Argumento irritada, ao apontar o dedo para o tal "Axel" , que se encontra em pé em frente á porta com os braços cruzados e que por sinal, não estava com uma cara lá muito boa
-Ashley... –A minha mãe levanta-se do chão e tenta por a mão dela na minha cara, mas afasto a mão dela, ao bater com a minha mão.
-Saiam! Eu quero ficar sozinho com ela. –Diz o tal "homem" que está na porta, lágrimas sem fim escorriam pela minha cara. Ele caminha pelo escritório, ao ir em direção á cadeira onde estava o meu pai e senta-se a olhar para nós, como se nada fosse com ele.
Os meus pais olham um para o outro e depois para mim. Viro a cara para a janela, mas ao olhar de lado vejo eles a abraçarem-se e viram-se para sair do escritório. Como é que eles tiveram coragem de me fazer isto? Como? Com a própria filha deles, eu tinha um sonho pela frente dos meus olhos e agora, não posso realizar o meu sonho, porque dizem que tenho que casar com este homem, que está mesmo á minha frente. Nunca os irei perdoar, nunca! Não há razão nenhuma, para eles fazerem isto comigo. Olho de frente para aquele homem, que continuava a olhar para mim. Vontade de chegar ao pé dele e... que nojo!
-Senta-te! Nós vamos falar. –Propõe!
-Não tenho nada, para falar contigo! –Exclamo e viro-me para ir até á porta do escritório, mas sinto a mão dele a agarrar no meu braço, ao dar-me a única oportunidade, de poder dar apenas passos até á porta.
-Eu já te mandei sentar! –Ele empurra o meu corpo, até ao sofá de forma agressiva, de maneira a que o meu corpo quase caisse, por causa do vestido. Sento-me contrariada e fico com a cara virada, ao olhar para televisão enorme desligada, que se encontrava em frente á secretária. Mas pelo reflexo da televisão, consigo ver o olhar dele sobre mim. –Nós vamos conversar, quer tu queiras, quer não!
Viro a cara para ele e ao sentir aquele olhar frio sobre mim, não consigo segurar as minhas lágrimas e saem sozinhas. Como é que isto me foi aconteceu? Como? Como é que é possível, eu estar a ser obrigada, a casar com este homem? Como! Por quê? Por que razão é que isto está a acontecer? Não há explicação nenhuma, para isto estar a acontecer... Alguém consegue explicar-me! Estamos em pleno século 21, onde é que já se viu, pais obrigarem a filha a casar com um homem, que nem conhece? Isto é o meu fim. Tudo o que eu consigo pensar neste exato momento, é... tenho que fugir daqui!
-Eu só quero ir embora, por... por favor. –Peço calmamente entre os soluços.
-A tua casa a partir de agora, será aqui! Comigo! –Exclama.
-Como é que eu podes dizer, que eu tenho que casar contigo, se não te conheço de lado nenhum?! Explica-me! –Sinto a minha voz, a sair num grito sozinho e vejo os lábios dele, a se formarem numa linha reta. Ele olha fixamente nos meus olhos, de maneira estranha, de maneira fria... Desvio o meu olhar do dele, ao olhar para a parede branca ao meu lado.
-Tu aqui dentro, não gritas Ashley! Vamos falar como duas pessoas adultas, que somos. -Responde de maneira agressiva.
-Eu... eu não quero... Por favor... –Sussurro baixinho, ao passar a minha mão pela cara, para limpar as minhas lágrimas, de tristeza. Eu vou estragar a maquilhagem, de tanto chorar... Quanto mais ele falava alguma coisa, mais eu chorava. Isto só pode ser um pesadelo!
-Eu vou pedir um calmante! –Murmura, ao pegar no telemóvel dele e começava a marcar o nome de alguém.
-EU NÃO QUERO ACALMANTE NENHUM! –Grito. –EU QUERO IR EMBORA! –Levanto-me do sofá ainda mais irritada e começo a caminhar rapidamente, até á porta na possibilidade de conseguir fugir. Mas tudo o que eu consigo, é só colocar a minha mão na maçaneta, na possibilidade de conseguir abri-la, mas quando ia abrir, sinto a mão dele no meu braço e puxa-me para trás, ao bater com as minhas costas na parede. Era a única oportunidade que eu tinha!
-Não vais sair daqui! –Axel olhava para mim, de maneira enfurecida e via-se pelos olhos arregalados, que ele não gostou muito da minha atitude.
-LARGA-ME! LARGA-ME! –Grito. Axel agarra nos meus braços e prende para cima da cabeça, enquanto eu tentava mexer-me para sair dalí. Fico a mexer-me por todo lado, com a maior dificuldade, ele é mais forte do que eu! Axel agarra nos meus pulsos, só com a mão esquerda e com a direita, ele tira um telemóvel do bolso das calças e começa a ligar para alguém. Tudo o que eu mais quero neste momento, é sair daqui e mais nada! Voltar para minha casa e esquecer que este maldito dia, começou! –LARGA-ME DEIXA-ME SAIR! LARGA-ME! SAI! –Grito ainda com mais força e firmeza.
-James, vem aqui ao escritório e traz-me dois calmantes... Sim pode ser esses os dois... É estou a tentar... Rápido! –Ele guarda o telemóvel no bolso com dificuldade e volta o olhar para mim.
Nos olhos dele, consigo ver que ele está zangado, eu tenho que tentar fugir, antes do tal James chegar aqui ao escritório. Eu só quero voltar á minha vida, para a minha casa, de onde eu nunca devia de ter saído, maldita hora que entrei nesta casa. Desvio o meu olhar do dele e volto a mexer-me, na tentativa de conseguir afastar-me das mãos dele, mas estava quase impossível. Ele usava uma força extremamente forte, para que impede-se que eu saísse dalí, quanto mais eu me mexia mais força ele usava, para impedir-me de sair.
-Tu tens duas opções! Primeiro, ou tomas um comprimido e acalmas-te para falar-mos. Ou segundo, serei obrigado a dar-te um injeção para adormeceres e ficarás fechada num quarto, sem saberes de nada sobre o que se passa á tua volta e sobretudo, ficarás sem ver os teus pais! A escolha é tua. –Paro de mexer-me aos poucos e volto o meu olhar para ele irritada. Ele não pode estar a falar a sério, que tipo de homem é ele? Por quê comigo? Que mal é que eu fiz, para merecer isto?
Começo a chorar de novo, eu não quero falar, eu não quero comprimidos, eu não quero injeções, eu não quero estar aqui... Tudo o que eu mais quero, é ir embora. Baixo o olhar e sinto o meu corpo a ficar mole. Axel aos poucos vai largando os meus braços, segura no meu braço sem apertar e acompanha-me até ao sofá outra vez. Sento-me e baixo a cabeça, ao deixar as lágrimas inundarem os meus olhos, como se não houvesse amanhã. Eu espero que isto tudo seja um pesadelo e que isto não esteja a acontecer... Que tipo de pessoa faz isto? Que homem cruel que ele é, como é que ele pode obrigar-me a casar com ele, sabendo que ele não me conhece, que eu não o conheço e que não temos amor, um pelo outro? Ouço a porta a bater e depois a abri no mesmo segundo, mas não viro a cara para ver quem é, eu continuava simplesmente com a cabeça baixada a chorar, mas conseguia ouvir os passos pelo escritório.
-Vai com calma! –Murmura a tal pessoa com uma voz suave, mais suave que a voz do Axel. E que me lembro, deve ser o James, ele disse o nome dele ao telefone.
Vejo o corpo do Axel, abaixar-se á minha frente, para ficar mais pequeno que eu e estende-me o copo com o comprimido na mão. Sem olhar para ele, pego no comprimido e o bebo com a água toda. Respiro fundo para tentar acalmar o meu choro.
-Obrigada. –Agradeço e coloco o copo em cima da mesa de centro.
Vejo o corpo do Axel a levantar-se, levanto a cabeça e o sigo com o olhar, enquanto ele sentava-se outra vez na cadeira, a olhar para mim. Com a perna em cima do joelho e com os braços cruzados em cima do peito, dava-lhe um ar mau, um ar arrepiante, como se ele soubesse que aquilo punha medo. Limpo a minha cara, com as costas da minha mão e tento respirar com calma. O comprimido já estava a fazer efeito, consigo sentir o meu corpo a acalmar-se aos poucos e poucos. Acho que não estou preparada, para toda esta situação e sinceramente acho que nunca vou estar! Eu não estou pronta, para passar por este tipo de coisas...
-Vamos falar agora! –Exclama, com uma certa agressividade na voz dele. Não tenho outra escolha, se não ouvir o que ele tem para dizer.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top