Capítulo 36

Eu e o Axel descíamos até á sala de jantar de mãos dadas, nenhum de nós pronunciava uma única palavra. Eu estava nas mãos deste ser humano sem coração, ele não podia deixar-me sair sem ter que lhe dar nada em troca?! Seria tudo mais fácil para mim, mas agora... acho que chegou a hora de meter na cabeça, que neste casamento eu não tenho por onde fugir, estou totalmente presa a ele.

Quase a chegar á sala de jantar, começo a ouvir os risos da Maryann, esta menina tem que andar sempre a rir-se pela casa, é incrível como ela é a alegria desta casa, já tinha saudades que brincar com ela

-Bom dia. –Comprimenta o Axel.

-Ashley! –Ouço o pequeno grito de alegria da Maryann, ao olhar para mim a entrar na sala de jantar, acompanhada pelo Axel. –Estava com saudades tuas! –Exclama a dar pequenos pulos de alegria, na cadeira dela.

-Bom dia pequena. –Sento-me no meu lugar normalmente.

-Bom dia Ashley. –Comprimenta o James e a Liane ao mesmo tempo.

-Bom dia. –Murmuro sem vontade.

Pego no pão que estava dentro da sesta e pego na manteiga também. Abro o pão com a faca e passo a manteiga. Não tenho vontade nenhuma para falar, estou contente por ter saído daquelas quatro paredes, já estava a ficar maluca de estar lá, mas saí de lá com um acordo feito sem segunda chance, não tinha outra opção se não aquela... Era melhor do que nada!

A manhã acabou por passar depressa, com diferentes conversas aleatórias á mesa. Eu falava pouco ou nada, sinceramente não tinha vontade nenhuma de falar, só estava aqui porque fui obrigada a estar, porque se não eu não estava!

-Ashley, estou a falar contigo?! –Ouço a voz um pouco mais alta do Axel. Viro a cara devagar até ele, para ver o que ele queria. –Estás a ouvir-me?!

-Não. –Volto a olhar para o meu prato vazio, enquanto fazia círculos com o faca.

-Ashley, eu acho que seria bom ouvires! –Exclama.

-Eu estou a ouvir-te Axel. –Respondo sem vontade nenhuma.

-Será?! –Questiona num tom agressivo. Levanto o olhar até ele, outra vez.

-Desculpa. –Murmuro. O Axel abana a cabeça em confirmação discretamente. –Estavam a falar sobre o quê? –Questiono.

-Estávamos a falar, por causa dos convidados. Queres convidar alguém em especial? –Questiona o Axel.

-Não. –Respondo.

Como eu gostava, de convidar a minha melhor amiga para o meu casamento, mas não a quero meter nesta confusão, nem eu própria sei porque razão é que eu estou a casar-me com ele e ela vir aqui a casa, seria um perigo para mim e para ela também. Eu iria amar ser arranjada por ela, ela tem ótima escolha de maquiagem e moda também. Eu gostaria de ter escolhido o meu vestido de noiva com ela e poder partilhar esta felicidade com ela... mas agora, não vou poder partilhar com ela esse momento.

-Posso levantar-me? –Questiono ao olhar para o Axel.

-Fazer o quê? –Questiona num tom sério.

-Falar com a Isabel. –Murmuro.

-Sobre o quê? –Com tantas perguntas, já percebi que ele não vai deixar-me ir até á cozinha.

-Nada, esquece! –Exclamo, ao virar a cara até ao prato outra vez. Vai ser sempre assim, a partir de agora?

-Vai! –Viro a cara até ele de novo, ao ouvir o que ele tinha dito. –Vai e quero-te na sala, em cinco minutos!

Sem pensar duas vezes, levanto-me do meu lugar e saio da sala de jantar. Parece que a minha opinião estava errada, afinal ele deixou e ainda bem para mim. Acho exagero, ter que fazer tudo aquilo que ele quer e só fazer com a autorização dele. Ele desceu muito baixo, ao fazer isso comigo e ainda por mais, aproveita-se da situação! Entro na cozinha ao ver a Isabel de costas para mim, ela lavava a loiça sossegada e estava muito concentrada, naquilo que estava a fazer. Aproximo-me devagar até onde ela estava, paro a poucos centímetros atrás da Isabel e aproximo-me do ombro dela.

-Será que posso ter um pouco da sua atenção? –Sussurro ao brincar com ela. A Isabel vira-se de frente para mim, admirada por eu estar ali.

-Minha filha. –Ela abraça-se á volta do meu pescoço com força. –Estava a ver, que nunca mais irias sair daquele quarto! –A Isabel afasta-se de mim e pega nas minhas mãos.

-Também estava com saudades tuas Isabel, já estava a ficar maluca dentro daquelas quatro paredes. –Murmuro. Caminho até ao balcão e sento-me no banco branco.

-Viste o que foste fazer, Ashley?! –Reclama. –De andares a tentar atrasar os preparativos para o casamento, acabas-te por ficar presa no quarto. Por que é que tu és tão teimosa Ashley?!

-Eu tinha que tentar Isabel, eu estava a andar em maluca, ao ver que tinha que preparar o meu próprio casamento contrariada, mas nunca pensei que o Axel fosse capaz, de me prender no quarto...

-Já era de se esperar Ashley, mais tarde ou mais cedo o Axel ia perceber, o que estavas a fazer! –A Isabel senta-se no banco á minha frente. –Sabes que o Axel, de parvo não tem nada minha querida, mais tarde ou mais cedo, ele ia fazer alguma coisa.

-Eu pensava que ao atrasar as coisas, que iria conseguir arranjar tempo para conseguir fugir daqui –Baixo o meu olhar até ás minhas mãos, em cima da bancada. –Não estava á espera, que ele fosse capaz de me trancar no quarto!

-Aí minha querida, tens que esquecer essa ideia, de tentares fugir daqui... –Murmura triste.

-O pior é que eu estou a começar a achar isso também sabes...

-Como é que tu sais-te do quarto? Como é que o Axel, te deixou do quarto? Eu tentei falar com ele três vezes e na terceira vez que eu falei com ele, ele gritou comigo e disse que eu volta-se a tocar no assunto, que me transferia para outro sítio. Eu vi aquele menino a crescer e ao ouvir ele a dizer-me isso, eu fiquei triste...

-Desculpa, foi minha causa que ele disse isso... –Sussurro.

-Mas ele não fez nada. –Murmura.

-Eu tive que suplicar, para sair daquele quarto. –Reviro os olhos. –Não foi fácil eu garanto-te que não, tive que deixar o meu orgulho todo de lado e suplicar-lhe para não me deixar no quarto, mais um dia. Todos os dias, eu suplicava para ele deixar-me sair daquelas quatro paredes, mas todos os dias ele dizia que não! Até que hoje, eu supliquei com muita força e ele acabou por deixar-me sair com uma condição...

-Que condição foi, minha querida?! –Questiona num sussurro inquietante.

-Eu terei que fazer tudo aquilo que ele quer, só posso ir a qualquer lugar com a autorização dele e se ele quiser!

-Há minha querida, se tu...

-Senhora Ashley?! –Somos interrompidas, pela voz de um segurança qualquer da casa. que se encontrava na entrada da cozinha.

-Sim?!

-O senhor Clark ordenou, que a senhora volta-se para a sala. –Reviro os olhos, ao ouvir o que ele tinha dito.

-Está bem, obrigada. –Levanto-me do banco e o arrumo como ele estava. –Até logo Isabel. –Aproximo-me dela e dou-lhe um beijo na testa.

-Até logo minha querida, atenção ao que vais fazer.

Caminho até ao tal segurança e o sigo até á sala. Pelo menos, soube bem falar com ela nem que tenha sido só 5 minutes, mas pelo menos deu para falar alguma coisa, já estava com saudades de ter conversas com ela... Ela e a Liane, tem sido uma grande ajuda aqui em casa, mesmo que não pareça elas tem ajudado muito. Ao entrar na sala vejo o Axel sozinho ao telefone, ele levanta o olhar dele até mim e acompanha-me com o olhar, até eu sentar-me no sofá ao lado dele.

-Sim... Fica marcado para essa hora... Claro que não, eu quero tudo inteiro como veio e assim como chegou, sem mais falhas! –O Axel desliga o telemóvel irritado e o coloca em cima da mesa.

-Está tudo bem? –Questiono.

-Sim! –Exclama.

-Mandas-te chamar?!

-Eu disse-te, que ficavas com ela 5 minutes e não mais Ashley! –Exclama com arrogância. Baixo o olhar até ás minhas pernas, ao sentir o tom de agressividade que ele falava comigo. –Vamos para o escritório, eu tenho que trabalhar! –Ordena.

-Eu não posso ir para a biblioteca, Axel? –Questiono, ao tentar a minha sorte de não ir com ele para o escritório.

-Não! –Reviro os olhos. O Axel levanta-se do sofá e entende a mão á minha frente, para que eu a pega-se. Pego na mão do Axel e levanto-me com a ajuda dele.

O Axel entrelaça os dedos dele com os meus e seguíamos até ao escritório. Não sei o que vou fazer para o escritório dele sinceramente, eu não tenho nada para fazer lá, a não ser ficar a olhar para a cara dele, enquanto ele trabalha. O que é que eu vou fazer, enquanto ele trabalha?! Nada!

O Axel abre a porta do escritório e puxa-me para dentro devagar. Largo a mão dele e caminho até ao sofá, que estava em frente á mesa. Sento-me, tiro as pantufas e coloco-me de lado, com as pernas contra o meu peito. Cruzo os braços contra o meu peito e olho para o jardim. O jardim estava a ser coberto com chuva fraca, mais um dia de chuva...

Agora vou ter que ficar aqui sentada, sem fazer nada, sinceramente não sei a fazer o quê... Preferia estar na cozinha a falar com a Isabel, do que estar aqui com ele. Eu sei que ele está a fazer de prepósito, ao prender-me aqui com ele!

-Axel... –O chamo num sussurro, sem olhar para ele.

-Diz!

-Eu não quero, que tu despesas ninguém por minha causa. –Murmuro e viro a cara para ele. –Não quero ver ninguém sem emprego, por minha causa.

-A Isabel tem trabalho para fazer e não tem que se meter na nossa vida! –Afirma. O Axel coloca os cotovelos dele em cima da mesa e olhava par mim, com um olhar sério. Será que ele está chateado comigo ou com o telefonema, que ele recebeu? Pelo menos, eu ainda não lhe fiz nada!

-Eu sei, mas eu fiz amizades com ela e com a Liane e não quero que nada lhes aconteça por minha causa. Por favor... –Peço.

-Por que razão, é que eu iria aceitar o que pedes?! Quem manda nesta casa sou eu, tu só fazes aquilo que eu mando!

-Eu não estou a dizer o contrário Axel, eu estou a pedir-te para não lhes fazeres nada, por minha causa... –Murmuro.

-Anda cá. –Pede. Fico a olhar para ele durante alguns segundos e acabo por levantar-me do sofá devagar. Por que é que ele quer, que eu vá até ele? Faço a volta á mesa devagar, ao sentir o olhar dele sobre mim, o Axel vira a cadeira dele de frente para mim, á espera que eu chega-se até ele. Paro em frente a ele e o Axel pega na minha mão, ao puxar-me para sentar no colo dele. Sento-me envergonhada e baixo o meu olhar. A última vez que estive no colo dele, foi neste mesmo sítio e acabamos por nos beijar... –Ficas muito mais linda, quando fazes aquilo que eu quero. –Murmura.

-Eu estou a falar a sério Axel... –Sussurro. –Eu não quero que ninguém, perca o trabalho por minha causa. –Argumento sem olhar para ele, os meus olhos continuavam baixados, ao ver a minha perna em cima da perna dele.

-Ninguém vai perder o trabalho aqui Ashley! –Exclama o Axel. O Axel passa a o braço dele pela minha cintura e coloca a outra mão dele, sobre a minha perna. Eu sentia-me emvergonha, ao estar assim tão vulnerável perante o Axel. O meu orgulho tinha todo desaparecido, eu já não o tinha era incrível, em como eu tinha que ser totalmente submissa, ás palavras e ordens dele.

-Espero bem que não. –Contesto.

-Eu sei, que tu tens boas notas na universidade... –Murmura. Viro a cara para ele admirada, ao sentir a cara dele a poucos centímetros da minha. Onde é que ele quer chegar com isso? –Eu tenho um trabalho para ti. –Comenta, ao sorrir para mim de lado.

-Como assim, um trabalho?! –Questiono, ao sorrir de lado também. Aí eu não acredito, que finalmente vou poder voltar á universidade, eu não acredito!

-Eu tenho um projeto, para tu trabalhares. Vais trabalhar aqui no escritório hoje comigo, um projeto que eu tenho em mãos. –O meu sorriso desaparece totalmente, ao ouvir tais palavras. Eu estava toda contente, por finalmente voltar á universidade e afinal é só um projeto, que ele tinha para mim! Eu já tinha as minhas esperanças, de poder voltar á faculdade outra vez e ter aquela pequena janela, que eu chamo de "esperança", para conseguir fugir desta casa, com a ajuda da universidade, mas afinal não

-Que projeto tens? –Questiono, sem animo nenhum.

-É uma planta de um hotel. Eu quero que tu vejas a planta e quero que me digas, o que está bem e o que está mal. –Explica-se. Pelo menos, é alguma coisa para eu me distrair. –Eu quero que tu me dês opiniões, sobre a planta.

-Está bem. –Murmuro.

O Axel passa a mão dele pela minha cara, com suavidade e com delicadeza. Olho para o Axel e conseguia ver o fundo dos olhos dele. Eu conseguia ver-me no reflexo nos olhos azuis dele, era incrível o que eu estava a ver, era como se eu não conseguisse ver mais nada! Eu via a minha própria imagem no fundo dos olhos dele, eu estava completamente estática a olhar para aquilo, eu nunca tinha visto nada assim parecido. Sinto a cara do Axel a aproximar-se da minha, fecho os olhos e num segundo, sinto os lábios dele nos meus. O acompanho no beijo, ao colocar a minha mão na cara dele e deixo-me levar, pelo momento a dois. A verdade, é que nem eu sei por que é que o estou a beijar... O meu orgulho desapareceu por completo, era como se não existisse mais! O Axel conseguiu desfazer todo o meu orgulho e fez com que eu me rende-se por completo a ele.

Assusto-me, ao sentir a mão do Axel a entrar dentro da minha camisola do pijama, paro o beijo de repente e tento levantar-me do colo dele, mas ele não deixa! Viro a cara para o sofá, sem olhar para o Axel envergonhada. Eu não acredito, que ele estava com esse tipo de intenção para comigo!

-Não te preocupes, que eu não vou fazer nada que tu não queiras! –Exclama.

-Ainda bem! –Com muito custo, consigo sair do colo do Axel e caminho até ao sofá nervosa. Como é que ele consegue se aproveitar assim?! Fico de pé, virada de costas para ele...

-Está aqui o projeto. –Viro-me de novo, de frente para a mesa. O Axel estende o grande projeto, em cima da mesa do escritório.

Olho atentivamente para cada detalhe daquele projeto, só de olhar assim de cima, vejo que há algumas coisas que não batem certo. São coisas que aprendi a fazer, assim em olho nu. Aproximo-me mais da extremidade da mesa e olho com mais atenção, para cada quadrado que era desenhado.

-O que queres que eu veja no projeto? –Questiono, sem desviar o olhar do projeto.

-Eu quero que vejas, se está tudo bem assim e o que poderia melhorar. –Murmura.

Sento-me na cadeira e começo a olhar com mais detalhe ainda,  cada pormenor daquele projeto. Aquele projeto sem duvida estava bom, ele está muito bom... Não sei quem fez mas estava ótimo, iria ser um grande hotel sem duvida, tinha aqui á minha frente um ótimo trabalho! Mesmo que eu não tenha acabado a faculdade, ainda conseguia colocar as minhas ações em prática, aprendi muita coisa quando estava em estágios em empresas e mesmo na escola!

-Por que é que alguns quartos simples, são maiores que os outros, nota-se de longe, mas mesmo assim está escrito o mesmo perímetro?! –Questiono sem olhar para ele.

-Como assim?

-Estás a ver aqui estes quartos, no quarto andar? –Aponto para o quarto. –Consigo ver mesmo sem o medir, que ele não é do mesmo tamanho que o quarto ao lado, mas no entanto foi escrito o mesmo perímetro. -Contesto.

-Isso pode ter sido um erro, podes corrigir?

-Claro. –Pego na borracha, que estava ao lado do computador e apago o que estava escrito.

Era estranho estar a trabalhar assim com o Axel, eu achava tudo estranho o que se estava a passar, eu achava que ele ia deixar-me ali sentada no sofá, enquanto ele trabalhava mas afinal não! O Axel deixou-me fazer aquilo, que eu mais amo fazer... Eu sei que é trabalhar num projeto em casa e que não é a mesma coisa que eu sonhava, mas desde do momento onde eu não esteja presa naquele quarto, qualquer coisa já fico alegre.

Eu e o Axel, ficamos a tarde toda a trabalhar naquele projeto, gostei bastante de ter dado sugestões sobre o hotel, claro que com as ideias que já estavam postas e com as ideias dele, ficou um bom projeto. Nunca experimentei fazer um projeto de um hotel, nunca me foi posto á prova esse tipo de trabalhos, em estágios eu sempre dava ideias sobre projetos de casas e empresas, nunca foi de um hotel. Mas pela primeira vez como experiencia, gostei bastante de ter ajudado naquele projeto.

-Está bom? –Questiona ao limpar a boca com o pano.

-Sim. –Murmuro. O Axel acabou por pedir o jantar aqui, para nós os dois no escritório, foi uma surpresa para mim, ele gosta sempre de comer com a família, mas hoje... Parece que mudou de ideias.

-Gostas-te, das ideias do hotel? –Questiona, ao puxar conversa.

-Claro. –Levo o copo do sumo á boca. –É um projeto bastante atrativo e chamativo. Acho que vais ter bastante clientes.

-Estava a pensar, em meter um parede de vidro na parte das escadas, o que achas?

-Acho que não. –Protesto, ao encostar-me para trás na cadeira. –Acho que as pessoas vão gostar mais, de poder ver a vista á volta, sem ter paredes para impedir. Acho que depois fica muito fechado.

-Então, eu não ponho. –Murmura e pega no copo de vinho ao leva-lo á boca, sem desviar o olhar dele do meu.

-Axel... Eu queria agradecer-te, por deixares ajudar-te no projeto do hotel. Eu sei que não vais deixar-me voltar á universidade, mas trabalhar neste projeto, foi muito bom para mim.

-Não tens que agradecer. Eu tenho uma ótima arquiteta em casa, não preciso de dar o meu projeto a outra pessoa. –Murmura. O Axel coloca o copo na mesa e sorri para mim.

-Estás a pensar em construir o hotel, onde?

-Não sei ainda, ando a ver uns terrenos com o James. –Responde.

-Ainda bem que pude ajudar. –Coloco o meu prato em cima do tabuleiro, mais o meu copo.

-O que é que estás a fazer?

-Estou a arrumar a loiça, para levar á Isabel. –Pego no prato do Axel e o colo no tabuleiro, em cima do meu.

-Esse é o trabalho da Isabel, Ashley! –Afirma.

-Mas não custa nada ajudar.

-Mas não quero que ajudes, Ashley. Deixa isso aí, que a Isabel depois vem buscar! –Ordena. Reviro os olhos e sento-me na cadeira outra vez.

-Não me custa nada ajudar Axel! –Reclamo.

-Mas és a senhora da casa e eu não quero ver-te a ajuda-los Ashley! –Exclama chateado.

-Axel, não vai-me cair nenhum braço por ajudar aqui em casa e para além disso, eu não gosto de vê-los a fazer as coisas por mim.

-Ashley, as pessoas desta casa trabalham para mim, são meus empregados e é esse o trabalho deles. Espero que seja claro na tua cabeça, que se eu te ver a ajudar algum dos empregados desta casa, voltarás a ficar fechada e essa pessoa, irá ser posta na rua! Espero que tenhas consciência disso! –Ameaça ferozmente.

Abano a cabeça de lado para o outro em negação, ao ouvir as palavras ditas dele. Levanto-me da cadeira, viro-lhe as costas e saio do escritório, sem esperar que ele diga alguma coisa. Eu não gosto de ver a maneira, de como as pessoas trabalham aqui dentro, parece que são todas escravas do Axel e do resto da família dele, eu sei que é o trabalho delas, mas eu não gosto disso! Eu nunca vou habituar-me, a ter sempre alguém para fazer tudo aquilo que eu peço, eu sempre fiz as minhas próprias coisas, eu tenho mãos ainda, posso fazer as coisas... Eu não vou e não me sinto bem, ao ver as pessoas a fazerem aquilo que eu peço, eu não quero isso! Eu posso perfeitamente levantar a mesa, pôr a mesa, pôr a minha roupa para lavar, lavar a loiça, fazer o almoço ou o jantar, fazer a cama, arrumar o quarto... Não me caí nenhum braço, por ajudar! Subo as escadas irritada até ao meu quarto, não me arrependo nada de ter o deixado lá no escritório sozinho, pode ser que assim pense nas coisas!

Abro a porta do quarto e a fecho ao empurrar com a mão. Caminho diretamente ao closet, estou com uma vontade enorme de tomar um banho... Um banho depois de jantar e depois ir para a cama, vai saber muito bem! Pelo menos vou esquecer o Axel, enquanto tomo banho. Aproveitar que o Axel está lá em baixo e tomo um banho para relaxar! Empurro a porta do armário para o lado, escolho o meu pijama preferido da Minnie e o coloco em cima do sofá. Abro a gaveta do armário e escolho uma roupa interior, da cor preta. Pego na minha roupa toda e caminho em direção á casa-de-banho. Sabe tão bem ficar um momento sozinha, sem ter a pressão do Axel para fazer aquilo que ele quer, claro que eu estou satisfeita por não estar presa neste quarto 24 sobre 24 horas, mas também estou contente por ficar sozinha sem as ordens dele!

Fecho a porta da casa-de-banho atrás de mim e coloco a minha roupa em cima da bancada. Ligo a água, ao deixa-la aquecer enquanto eu me despia. Coloco o meu pijama dentro do cesto da roupa suja e entro dentro do duche, ao apreciar aquela qualidade da água quente, que caía sobre o meu corpo. Coloco-me por completo, de baixo do duche e deixo-me ficar assim, durante alguns segundos. É maravilhoso, sentir este alivio no meu corpo, de me sentir livre em vez de presa... Parece que este duche não sabe a mesma coisa, de quando eu tomava quando estava presa no quarto. Parece que este sabia ainda melhor, do que as outras vezes, eu já estava a começar a sentir-me sufocada e desesperada, por ficar aqui presa! Custa-me admitir isto, mas... o Axel ganhou esta guerra, eu não tenho mais chance de conseguir fugir daqui, ele consegui-o o que queria!

Assusto-me, ao sentir uma mão na minha cintura, viro-me de repente para trás ao tapar as minhas partes intimidas com os braços e vejo o corpo do Axel, completamente nu a sorrir para mim.

-O que é que tu pensas, que estás aqui a fazer?! Quem é que tu pensas que és, para entrar aqui assim Axel?! –Questiono completamente exaltada. Eu tentava cobrir o meu corpo, o máximo que eu conseguia, contra os olhares indesejados do Axel. Ele olhava para mim de alto a baixo, com um sorriso nos lábios, ele olhava para mim com um desejo enorme á frente. O Axel admirava o meu corpo, como se eu fosse uma pedra preciosa e isso estava a deixar-me bastante constrangerida. –E para de olhar para mim! –Ordeno irritada.

Coloco a mão na porta do duche, para tentar sair dalí e ao tentar empurrar, sinto a mão do Axel a prender a porta.

-Tu não vais sair daqui, princesa! –Viro a cara para ele irritada, sem conseguir acreditar no que ele tinha dito.

-Eu não vou tomar banho contigo Axel, isso está fora de questão! –Tento abrir a porta mais uma vez, mas sinto a mão do Axel a segurar no pulso, com uma força moderada e a puxa-lo para baixo.

-Eu já te disse, que daqui não saís princesa! –Exclama, ao largar o meu pulso.

-Axel, eu não vou tomar banho contigo! –Exclamo irritada.

-A partir de hoje vais sim princesa, a não ser que queiras ficar presa no quarto, mais uma vez. –O Axel lança um sorriso de lado, ao ver o que ele estava a fazer, ele sabia perfeitamente que estava a fazer-me chantagem, ele sabia!

-Tu estás a ir longe de mais, Axel!

-Vamos aproveitar para tomar banho, ainda sou eu que pago a água e ela está a escorrer! –Exclama, ao olhar seriamente para mim, em apenas um segundo.

-Eu não vou tomar banho contigo, Axel!

-Então, eu não tenho outra opção, se não voltar a trancar-te no quarto!

Engulo a seco, ao sentir que ele não estava a brincar com a ameaça dele. Eu não posso aceitar tomar banho com ele, isto está a ir longe de mais, mas também não quero ficar trancada no quarto. Mesmo contrariada, volto a colocar-me de baixo do duche mas de costas para ele, tento passar o meu cabelo por água ao encostar-me quase á parede, quero ficar longe do corpo do Axel. O duche não é pequeno, mas eu já o conheço e sei que ele não vai facilitar nada! Com cuidado, pego no shampoo e o coloco na minha mão. Levo a mão ao cabelo e começo a esfregar com os dedos. Mesmo sem olhar para o Axel, eu já sentia o olhar dele sobre mim, eu sei que ele está a olhar para mim, eu sinto o olhar dele e era incrível, em como isso deixava-me extremamente desconfortável e com vergonha!

Assusto-me, ao sentir uma coisa gelada no meu braço direito, olho para o lado e vejo a mão do Axel, a passar com uma esponja pelo meu corpo.

-Eu não preciso de ti, para fazer isso. –Resmungo ao tentar pegar na esponja, mas ele desvia a esponja ao subir pelo meu braço, até chegar ás minhas costas. Eu sentia a espuma a descer pelo meu corpo e isso deixava-me completamente envergonhada. Eu preciso sair daqui e rápido! –Axel, por favor... –Suplico-lhe.

O Axel continuava a passar a esponja pelas minhas costas e pelos meus braços, sem se importar com o que eu estava a dizer. Vejo os dois braços do Axel, a passar á frente dos meus olhos e a serem colocados na parede. Sinto o corpo do Axel a tocar no meu e arregalo os olhos, ao sentir o membro dele a roçar nas minhas costas.

-Axel não faças isso! –Exclamo num sussurro, ao chegar-me mais para frente, para poder fugir do toque dele.

-Sabes que não podes fugir de mim, princesa. –Ouço o sussurro da voz dele, no meu ouvido. Viro a cara para o lado e aos poucos, viro o meu corpo de frente para ele. O Axel sem tirar as mãos das paredes, continuava a olhar para mim a sorrir, ele tinha um sorriso estranho nos lábios, mas era bonito ver nele.

O Axel tira a mão dele da parede e passa na minha cara. Eu estava hipnotizada por aquele olhar, pela maneira que ele estava a olhar para mim, neste certo momento não me importei de ter o olhar dele sobre o meu corpo. O Axel aproxima-se do meu corpo, choco o meu corpo contra a parede gelada e sem conseguir refletir de nada, só tenho tempo de sentir os lábios do Axel sobre os meus. Completamente estática, fico parada a olhar para ele, sem saber o que havia de fazer. Será que o empurro ou será que o sigo?

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