Capítulo 12
Um dia, quando era pequena, eu brincava com as minhas bonecas e fazia aquelas casas com objetos, que eu tinha no meu quarto. Com canetas, lápis, chinelos, tudo e mais alguma coisa. Queria sempre fazer, uma das maiores casas. Com o passar dos anos, eu fui crescendo, comecei a aprender a desenhar e comecei a desenhar as minhas próprias casas, nos desenhos. Comecei a ter um sonho. Ser arquiteta! Anos após anos,a minha criatividade foi crescendo até que entrei na faculdade de arquitetura. Mas não consegui chegar ao fim do meu sonho... Isto tudo, está no passado porque hoje o meu presente, é isto.
Estar deitada, numa cama a chorar, porque já tenho o meu futuro destinado, contra a minha vontade. Tenho 19 anos, devia de estar na faculdade e aproveitar a minha juventude. Mas em vez disso, estou aqui neste quarto fechada, porque irei casar com alguém que não gosto. E quando mais penso nisso, mais eu choro, mesmo que seja discreta, mesmo que seja silencioso. Muitas iriam gostar de estar no meu lugar, por serem obrigadas a casar com um homem bonito e rico. Mas a mim, não é o dinheiro e a beleza que me interessa, é a honestidade e o amor. Porque o dinheiro, não traz felicidade.
Ouço a porta a bater, mas não mexo nem um único musculo, continuo na mesma posição a chorar, como se fosse um rio sem fim. Ouço a porta a abrir e sentia a a pessoa, a aproximar-se de mim.
-Ashley... –Ouço a voz da Isabel, a sussurrar o meu nome no fundo da cama, mas não tirava os olhos daquelas gotas d'água, que escorriam pela janela. –Eu vim ver se estavas bem.
Ela aproxima-se de mim e coloca-se á minha frente. A Isabel abaixa-se, ao ficar da minha altura e começa a passar a mão, pelo meu cabelo. Quanto mais ela faz isto, mais vontade tenho de chorar, era carinho e compreensão que me faltava.
-Não chores Ashley, tens que ter calma... –Quanto mais ela diz alguma coisa, mais eu tenho vontade de chorar.
-D... Deixa-me... Ficar sozinha. –Peço, ente os meus soluços.
-Não precisas de nada? –Abano a cabeça em negação.
Neste preciso momento, só quero é desaparecer daqui, fugir para longe, para um sítio onde ninguém me encontra-se. Ela levanta-se, dá-me um beijo na testa e saí da minha visão. Ouço a porta a fechar e no mesmo segundo, permito-me chorar ainda mais. Como doí, saber se tu estás numa situação complicada e não podes fazer nada, para poderes mudar. Eu não posso deixar, que ele chegue aqui e queira mandar em mim. Num segundo, estou solteira e feliz e noutro, já estou infeliz e destinada a casar. Sinto os olhos a pesarem pelo cansaço, fecho-os e deixo-me levar....
(...)
Acordo, ao ouvir a porta do quarto a abrir-se, não sei quem era, apenas continuava com os olhos fechados.
-Menina Liane, por favor não diga ao senhor Axel e ao senhor James, que a trouxe aqui ao quarto. Se o senhor Axel sabe, eu posso ser despedida.
-Não te preocupes Isabel.
Ouço os passos delas, a se aproximarem de mim e sinto a presença delas, á minha frente.
-Menina Liane, veja como ela está. Ela está com a cara vermelha, de tanto chorar. –Sinto a mão dela, a tocar na almofada. –Até a almofada está molhada, ela só chora. Se ela continuar assim, ela vai ficar doente de estar deprimida, ela mal come, chora e chora. Á poucas horas atrás, quando eu vim ao quarto para ver se ela estava bem, ela estava a chorar com a cara muito, mas mesmo muito vermelha, quanto mais eu falava mais ela chorava, parecia um rio sem fim... –Explica. Se vocês soubessem...
-O Axel não está a fazer as coisas corretas, eu vou ver se falo com ele. Ele tem que ir com calma, a Ashley não sabe as regras, ela está aqui por estar. Ele não pode ser assim. Mas também não posso interferir no meio deles os dois. –Sinto as lágrimas, a começar a escorrer sozinhas. –Olha Isabel, até no sono ela chora. –Remarca.
-O que é que vamos fazer? –Sinto a mão da Isabel, a passar na minha testa. –Menina Liane, olhe ela está quente.
-Mostra. –Sinto a mão da Liane, a passar igual pela minha testa. –Ela deve estar com febre, ela vai acabar doente. Eu vou falar com o James, discretamente.
-Obrigada menina Liane. Mas vamos ter que sair, antes que deem pela nossa falta.
Cada uma delas dá-me um beijo na testa e afastam-se de mim. Ouço a porta do quarto a bater, ao dar o inicio que elas já não estavam mais aqui comigo, abro os olhos e começo a chorar. Parece que a minha única solução, vai ser esta! Estar doente.
Continuava deitada, a ouvir a chuva a cair, mas vejo que já era de noite. Dormi, umas boas horas... O que será que a Maryann está a fazer, a está hora? Eu disse que iria brincar com ela e agora por causa do irmão, eu estou aqui presa outra vez.
Ouço a porta a abrir outra vez com uma certa força e alguém a caminhar até mim. Um cheiro de perfume, passa pelo meu nariz e que por acaso eu conheço este cheiro, é o cheiro do Axel. Fecho os olhos e finjo que estava a dormir. Sinto ele a aproximar-se devagar, ao tentar não fazer barulho, ouço os movimentos dele para se abaixar, até ficar da minha altura. O Axel passa a mão nele na minha cabeça e sinto um arrepio, a passar pelo meu corpo...
-O que é que eu hei de fazer contigo? –Pergunta, num tom baixo.
-Senhor Axel, ela vai ficar doente. –Ouço a voz da Isabel, atrás de mim.
-Eu não posso fazer nada. Isto é teimosia dela! –Exclama.
-Senhor, ouça-me por favor. Eu conheço o menino desde que nasceu, eu sei que o menino tem um bom coração, deixe a menina ir embora, ela vai ficar doente se ficar aqui. Ela passou a tarde toda aqui deitada a chorar, ela chorava muito, estava com a cara muito vermelha. Eu vim aqui, enquanto ela estava a dormir e ela chorava enquanto dormia.
-Quem te deu autorização, para vires aqui? Eu não dei autorização a ninguém, para entrar no meu quarto. –Até com a Isabel, ele é agressivo... Só porque ela se preocupou comigo!
-Eu sei senhor, eu peço desculpa. Mas eu não aguentei, tive que vir ver como a senhora estava. Peço desculpa. –Sinto preocupação e o medo, no tom da voz dela.
-Espero que seja a última vez, que isto aconteça Isabel. Tu és como uma mãe para mim, mas quem manda nesta casa sou eu! E as regras são para ser compridas, estamos entendidos? –Como é que ele consegue falar assim com ela, só porque ela veio ver como eu estava?! Ainda diz, que ele tem um bom coração.
-Sim senhor, peço desculpa.–Sussurra.
-Prepara alguma coisa para ela comer. –Pede e passava os dedos dele pela minha cara, ao desviar os meus cabelos. Os dedos dele estavam quentes e isso dava-me arrepios, a passa pela minha pele.
-Não seria melhor, chamar-mos um médico senhor?
-Não. Se ela não melhorar aí sim, chama-mos um médico. –Ele passa a mão pela minha cara, ao limpar-me as lágrimas.
-Eu vou preparar o jantar senhor. –Diz num tom alegre.
-Claro.
Ouço os passos dela, a afastarem-se de nós os dois e ouço a porta do quarto a fechar. Vou ficar sozinha aqui com ele, ele trata-me mal, depois bem, depois mal outra vez, eu não vou aguentar ficar aqui e ter que morar com uma pessoa, assim como ele.
-Ashley... –Sussurra, ao passar os dedos dele pela cara, ao tentar acordar-me. -Ashley, acorda. Ashley...
Abro os olhos devagar e doía-me os olhos. Parecia que tinha levado um soco em cada olho, eles estavam pesados... Olho para ele e o Axel tinha a cara dele, muito próxima da minha.
-Estás bem? –Abano a cabeça.–Anda senta-te. Vamos falar e vais jantar... Já dormis-te demais.
-Não quero. –Sussurro. –Só quero ficar aqui sozinha. –Murmuro, ao começar a sentir as lágrimas mais uma vez, a escorrem pela minha cara.
-Deixa de ser teimosa, uma vez na vida. –O Axel aproxima a mão dele na minha cara, para limpar as lágrimas, mas desvio-me do toque dele.
-Eu já disse, que não quero. Eu quero ficar sozinha! –Exclamo.
-Este quarto também é meu, por isso não vou sair daqui. –Exclama autoritário.
-Se é por isso, eu vou dormir para outro quarto. –Ia levantar-me, mas ele segura nos meus ombros e empurra-me para trás, ao voltar a deitar-me.
-Tu não vais a lado nenhum. Vais ficar aqui deitada, és minha mulher e tens que dormir comigo.–"Minha mulher"... Ao ouvir aquela sduas palavras, comecei a chorar ainda mais, por me lembrar que eu tinha que me casar com ele. –Vais comer e vamos falar, sem discutir!
Ouço a porta a abrir, viro a cara e vejo a Isabel, a entrar com um tabuleiro na mão. Ela entra e o coloca em cima da mesinha, ao lado da cama. O Axel levanta-se e vai até ao outro lado da cama. Viro a cara, ao continuar a olhar para a janela, onde ouvia a chuva a cair e vejo o escuro da noite... Nem uma coisa estrela, é vista neste céu tão escuro que estava.
-Obrigada Isabel. –Agradece o Axel.
-Se precisar de alguma coisa, é só chamar senhor. –Ouço a porta a bater outra vez.
-Anda Ashley, senta-te precisas de comer.
-Não quero. –Sussurro. Sinto o outro lado da cama a baixar, sei que ele se sentou ao meu lado, começo a sentir as mãos dele, a mexer-me no cabelo.
-Vamos, por favor. –Dou por fim por vencida.
Sento-me devagar na cama, doí-me o corpo, parece que um camião passou por cima de mim. O Axel põe o tabuleiro em cima das minhas pernas, olho para baixo e vejo uma tigela com uma sopa, que tinha um aroma muito bom. Pelo cheiro, já sei que é sopa de abóbora, a minha preferida e claro, acompanhada com o meu sumo preferido. É o único sumo, que nunca irei enjoar! Pego na colher e começo a fazer círculos á volta da sopa, não tenho vontade nenhuma de comer, sem fome, sem vontade para nada. O Axel senta-se corretamente no fundo da cama, de braços cruzados á espera que eu coma, mas passa-se segundos e segundos e eu continuava a mexer na sopa.
-Ashley! –Ouço o meu nome, a sair da boca dele de forma rígida, levanto a cabeça e olho para ele. –Come!
-Eu já te tinha dito, que não queria comer. –Reclamo, baixo o olhar outra vez até sopa.
-Sabes que não é com birras de adolescente, que vai fazer com que eu mude de ideias, já te tinha dito isso. Só vais piorar a situação e torna-la impossível, de suportar.
-E sabes bem, que também não é me manteres fechada, que vá fazer com que eu mude de ideias em relação a ti. Tu és um monstro.
-Sou um monstro, porque tu tens que casar comigo?
-Claro. –Replico, sem pensar duas vezes. –O que é que tu fazias, se estivesses no meu lugar?
-Nada. –Reviro os olhos.
-Hm duvido. –Cruzo os braços e viro o meu olhar, até á janela.
-Tu gostas muito de revirar os olhos, mas eu detesto que tu faças isso. –Repreende-me.
-Também eu, detesto estar aqui e tenho que estar.
-Não vais facilitar as coisas para ti, se fores por esse lado.
-Eu não tenho nada para facilitar... Eu só quero ir embora.
-Força! Diz-me o que pensas. –Olho para ele, com cara de desconfiada. Como se isso fosse ajudar em alguma coisa. Estou com receio de dizer algo, que ele não vá gostar de ouvir e aí depois ele vai descontar a raiva dele em cima de mim ou até mesmo, em cima dos meus pais.
-Eu não sou daqui, eu estava muito bem em Houston, com os meus avôs. Mas a faculdade está em primeiro lugar, mas a faculdade ficava muito longe da casa dos meus avôs, mas fica perto da casa dos meus pais. Mas adivinha?! Os meus pais moram aqui em Boston. Eu tinha uma longa vida á frente dos meus olhos, mas de um segundo para o outro, a minha vida mudou. Já não posso ser arquiteta, como sonhava desde pequena, agora tenho que ser dona de um casarão, que nem sei tomar conta. Deixei os meus amigos para trás, família, tudo... E agora aqui estás tu, a quereres obrigar-me a casar contigo, sabendo que eu não te amo, não gosto de ti e que eu nem te conheço...-Sinto as lágrimas, a escorrem-me pela cara, enquanto eu deitada tudo para fora.
-As coisas aqui são assim Ashley. Não vão mudar! –Exclama. O Axel tinha um olhar calmo, até demais, eu não sei o que esperar dele, um momento ele está calmo e basta só uma palavra, ele já está todo irritado.
-Então se não vais mudar, podes sair por onde tu entras-te. -Não vale a pena, estar a perder o meu tempo com ele...
-Eu não quero, ter que ficar num mau ambiente contigo. Não queiras ver o meu pior lado, por que eu já te disse o que fazia. –Reviro os olhos, ao ouvir as palavras dele. Ele não se cansa, de dizer sempre a mesma coisa.
-Já dizes-te o que querias dizer, agora podes sair. –Peço.
-O teu problema é a faculdade? –Abano acabeça em confirmação, sem olhar para ele. –Podemos chegar a um acordo simples.
Levanto a cabeça e olho paraele. Será que ele vai deixar-me ir embora? Será que ele está a falar a sério, quando diz que podemos chegar a um acordo simples?!
-Eu deixo-te ir á faculdade. –Um sorriso enorme, forma-se nos meus lábios. –Eu deixo-te ir até ao casamento, eu mudo a data para daqui a duas semanas. Mas... –Ele faz uma pausa, ao deixar-me ainda mais ansiosa! –Não tentas fugir, porque se tentares fugir, eu mando-te sozinha com um segurança para outra cidade fora do país e não voltas a ver os teus pais, nem no dia do casamento. Vais ter seguranças na escola, para garantir que não vais fugir de mim! –Será que devo aceitar? É a faculdade era tudo o que eu queria, mas também não quero casar com ele. Eu tinha a faculdade, como uma pequena ajuda para fugir, eu tenho duvidas a cerca deste "acordo".
-E... E depois do casamento, posso voltar á faculdade?
Ele olha para mim, sem mostrar qualquer expressão, por favor diz que sim! Não quero passar a minha vida, fechada nesta casa. Ir á faculdade já é um principio, para poder organizar tudo bem detalhado, para poder fugir mais tarde sozinha, arranjar dinheiro ás escondidas e depois fugir, com os meus pais, para fora da cidade. Assim não vai haver casamento e tudo voltará a ser como era de antes! Mas apenas que será longe daqui.
Ir á faculdade, já é um bom principio para ele deixar-me um pouco mais em liberdade –podemos dizer assim – mas também... ele vai por seguranças á minha volta, eu tenho a certeza que não vou conseguir arranjar nenhuma maneira de fugir, só vou ficar prisioneira dele. Quando penso, que consigo pelo menos uma única chance de fugir dele, há sempre outro pensamento que me impede de fugir...
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