últimas palavras
— Tudo bem, Matthew. Eu sei que você não vai vir. Não precisa ficar me ligando toda a hora.
— Meu amor, um campeonato de video-game. Bem no dia do seu aniversário. Eu sinto muito. Eu tentei fazer de tudo para adiar, mas não consegui.
— Matthew, a gente precisa conversar.
— Eu sei que precisamos. Mas vamos ter que adiar.
O dia parecia passar lentamente, e ele prometia que viria com muitas surpresas. Matthew insistia que precisava conversar com Grace, mas não estava medindo muitos esforços para que essa conversa acontecesse. Era como se ele sentisse que ela ainda não estava preparada para voltar com ele. A cada minuto, a ansiedade aumentava e subia para a cabeça numa dor excruciante. Essa dor na cabeça a estava sufocando. Talvez estivesse se afogando nas lágrimas que ainda não havia deixado cair. Grace estava convicta de que precisava de cuidados, e não podia contar com ninguém para consolá-la. Orou sobre isso. Estava prestes a terminar uma amizade que nunca achou que poderia cultivar para que não perdesse uma amizade de anos, com Lydia.
Sobre seu relacionamento, Grace queria ter consciência de que Thomas não tinha sequer uma mínima influência em sua decisão pelo término. Se tinha que terminar o seu namoro, deveria ser pelos motivos corretos, porque não queria um cara legal, nem mesmo o homem perfeito, queria ficar sozinha e se encontrar em Deus.
Senhor, me dê paz para fazer aquilo que sei que é certo.
Esta havia sido a oração constante de Grace durante todo aquele dia. Tinha certeza de que as coisas ficariam bem, se tivesse paz de que tudo o que fazia era realmente correto. Ainda não tinha certeza de nada, mas no fundo sabia tudo o que tinha que fazer.
•••
Enquanto isso, Thomas, que não estava prestando atenção em qualquer aula naquele dia, havia decidido passar o intervalo entre aulas ali mesmo, na sala de Antropologia. Não queria encontrar com Grace enquanto maquinava todas as coisas que desejava falar para ela na fatídica última conversa, muito menos encontrar-se com Lydia, que de fato só estragaria tudo.
Estava quase que ensaiando seu discurso num devaneio quando seu celular tocou. A música que tocava era um rock progressivo que o seu irmão gostava, isso indicava que era Jake quem ligava.
— Fala, Dom Jake! — Thomas tentou soar contente.
— Você sabe que eu nunca ligo a não ser que seja algo urgente, não é? — Jake disse, com a animação característica a ele.
— Sei...
— Então, você sabe que eu tenho uma novidade daquelas, certo?
— É disso que estou precisando. Me diga, por favor.
— Você conseguiu — sua voz soava orgulhosa.
— O quê, exatamente?
— Não acredito que você se esqueceu, Thomas.
— O que é que eu consegui?
— Bolsa de Estudos. Escócia. Te lembra alguma coisa?
— O QUÊ? — Thomas quase gritou.
— Sim. Você foi aceito na St. Andrew's University of Theology.
— Não acredito. Tá de brincadeira, não é?
— Você acha que eu brincaria com uma coisa dessa? — Jake se sentiu ofendido.
— Acho.
— Que idiota! Estou louco para morar na Escócia.
— Morar?
— Sim. Você acha que vai morar lá sozinho? É claro que eu vou com você.
— Eu vou morar na Escócia? — Thomas questionou novamente.
— Por que isso te surpreende? Não era isso que você queria? — Jake perguntou, sem entender o desânimo na voz do irmão.
— Eu não estava contando com isso... — Thomas se lembrou de todas as coisas que teria de deixar para trás; na verdade, de quem teria de deixar para trás.
— Espero que comece a aprender a contar agora. Afinal, no sábado vamos à Escócia reservar sua vaga.
— Sábado? Agora?
— É claro. Hoje à noite saímos para comemorar?
— Tudo bem...
— Thomas, você vai estudar na faculdade do nosso tataravô, na faculdade do Rutherford, e fica nessa tristeza? O que aconteceu com o meu irmão?
— Nada. Só estou... em choque.
— Tudo bem, vou te dar um tempo pra respirar.
— Valeu.
— Parabéns, Tommyzinho!
— Tá, sem apelidos, chega.
Estudar na Escócia sempre esteve nos planos de Thomas, morar por lá também. Mas, agora, tudo parecia sem sentido. Uma vez que havia encontrado, pela primeira vez nos Estados Unidos, um lugar/alguém ao qual acreditava que pertencia.
Senhor, eu não sei o que fazer.
•••
O tempo passou e a hora da verdade havia chegado. Ambos não conseguiam conter o frio na barriga de saber que aquela seria a última conversa.
Sendo a última conversa, as últimas palavras, tudo o que haviam guardado em segredo dentro de si devia ser revelado. Tudo seria verbalizado, correndo o risco de ser guardado com muito arrependimento pelo resto de suas vidas.
Grace se atrasou um pouco, apenas para não ser a primeira a chegar. Ainda tinha esperanças de fugir daquela conversa. Olhou Thomas de longe, já no lugar designado, sentado no banco com os cotovelos sobre os joelhos, os dedos das mãos entrelaçados com força, a cabeça escondida olhando para baixo, tudo isso enquanto suas pernas tremiam revelando sua ansiedade.
Levantou a cabeça como se tivesse sido a trigésima vez que conferia se Grace já estava chegando. Quando olhou para ela, mudou seu semblante preocupado para uma leve expressão de dor. Aquilo aqueceu e despedaçou o coração de Grace, a fazendo entender, de uma vez por todas, que todas as cartas, em poucos minutos, estariam sobre a mesa.
Enquanto ficavam cada metro mais perto um do outro, os corações batiam cada vez mais forte. Seria esse o fim?
— Oi, eu... — Grace engoliu a seco e perdeu as palavras. Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e tentou desviar o olhar.
— Oi, você. — Thomas tentou descontrair, soltando um riso que durou um segundo, logo voltando ao seu triste semblante.
— Podemos começar? — disse Grace, por fim.
— Não aqui.
— Como não?
— Você não acha que a nossa última conversa merece um lugar mais reservado? — Thomas se levantou e desprendeu uma mão da outra.
— U-hum, mas... Que lugar é mais reservado do que esse?
— Hummm... Sei um lugar.
Grace seguiu Thomas até chegarem no último andar da escola. Poucas pessoas visitavam o último andar, parcialmente pelo fato de que estava interditado para reconstrução e parcialmente porque existiam lendas de que o andar era mau-assombrado.
— Eu nunca vim aqui — disse Grace, quase com medo.
— Eu venho sempre aqui — falou Thomas, andando à frente de Grace como se conhecesse todos os cantos do lugar.
— Pra fazer o quê?
— Pensar...
— E funciona?
— Sim, é um bom lugar para orar também. Silencioso e isolado.
— Entendi... mas esse lugar me dá medo — disse Grace ao tirar um pouco de pó de uma carteira antiga. — Por que logo aqui?
— Porque dizem que tudo o que acontece no último andar fica no último andar.
— Isso não me soa bem...
— O meu ideal é que, saindo daqui, a gente esqueça que tudo isso aconteceu. Tudo bem? — Thomas sorriu.
— Certo — respondeu Grace retribuindo um sorriso, quase se esquecendo do que queriam dizer com aquilo.
Entraram numa sala clara por causa das janelas de vidro iluminadas pelo sol do meio-dia. No final das contas, tudo era só muito sujo, nada de assustador.
— Hã — Thomas limpou a garganta. — Como começamos?
— Hum... — Grace olhou para a hora no celular. — Seguinte: Vamos cronometrar uma hora de conversa.
— Depois disso a gente sai correndo daqui e nunca mais se fala?
— Mais ou menos assim. — Sorriram.
— Bom. — Thomas passou a mão pela cabeça, fazendo com que a mente de Grace só conseguisse pensar no quanto ele estava bonito e com uma aparência mais madura, assim, contra a luz brilhante da janela. — Alguém tem que começar.
— U-hum. — Grace acordou do seu devaneio e colocou o cronômetro do celular para rodar.
— Vamos esclarecer o motivo de nossa separação. — Thomas estava querendo passar uma segurança que não tinha naquele momento, mas isso parecia necessário.
— Nossa separação...— Grace tentou segurar o riso irônico.
— Eu sinto muito por isso parecer uma separação sem ao menos termos uma aliança. Isso deixa tudo mais complicado. — Thomas deu um sorriso dolorido.
— Tudo bem. — Grace retribuiu o sorriso.
— Se, ao menos, eu tivesse feito alguma coisa certa, seria tudo menos difícil — Thomas se lamentou.
Grace tentou aliviar o amigo, não deixando que ele tivesse esses pensamentos lamuriantes. Ela limpou a garganta e começou a elencar os motivos de estarem ali.
— Não podermos ser amigos pelo fato de: 1) minha melhor amiga gosta de você e 2) eu estou numa situação mal resolvida com o Matthew, que é muito ciumento, e...—
— Estou impressionado, Grace — Thomas colocou a mão no peito.
— Com o quê? — Grace sorriu.
— Com o quanto você é mentirosa. — Thomas sorriu ao ver o semblante de Grace cair.
— Mentirosa, eu?
— Sim, eu achei que estávamos nos separando porque você estava apaixonada por mim, essas coisas — Thomas não conseguia conter sua risada.
— Apaixonada? Thomas, cala a boca.
— Tá, vamos falar sério.
— Tô vendo que vai ser meio difícil. — Grace revirou os olhos, sorrindo.
— Não vai. Deixa eu te contar uma história. — Thomas limpou uma cadeira com uma folha de papel para que Grace se sentasse. — Senta — disse apontando a cadeira mal-limpada.
— Conta — disse Grace se sentando e vendo Thomas se ajeitar numa mesa ao lado.
— Bom. Existia um cara...—
— Chamado Thomas — Grace interrompeu.
— Não vem atrapalhar, Grace. É o meu momento. — Thomas fez uma falsa cara de bravo. — Continuando, esse cara, eu, desde a primeira vez que te notou — fez uma pausa —, consciente de quem você era, e isso se deu depois que você tropeçou nele no começo do ano letivo, ele notou que você era diferente. Você se mostrou uma garota incrível e... dentre outras coisas— Limpou a garganta.
— Dentre outras coisas? Essa é a nossa última conversa, seja mais claro.
— Essas coisas, assim — Thomas apontou para Grace com a mão, mostrando-se nervoso. — Inteligente e... delicada e... meio agradável... — Thomas revirou os olhos. — Me deixe continuar, Grace.
— Tudo bem — disse Grace, meio sem graça por conta dos elogios.
— E aí aconteceu que eu pensei: uau, que garota mais tosca. Isso no primeiro momento, lá na biblioteca. Mas eu fiquei muito intrigado com você naquele dia em que fomos à hamburgueria com a Lydia. Muito. Porém, as coisas com a Lydia foram longe demais e—
— Você chegou a gostar da Lydia?
— Não. — Thomas confessou, sem perceber o ciúme na pergunta de Grace. — Eu só quis dizer que eu nunca tive intenção alguma de ficar com a Lydia.
— E por que você não simplesmente parou de falar com ela?
— Primeiro porque eu não conseguia. Ela me chamava todos os dias, puxava papo, e eu não sabia que, não recusando, eu estava fazendo mal a ela. Eu estava, pelo que vi. Segundo porque o Luke me disse que estava a fim dela, por isso eu sempre o levei nos encontros. Mas ele estava enrolado com a Mary, e com toda aquela situação, então ele simplesmente abriu mão da Lydia. Terceiro porque eu gostava de estar próximo a você. De ter um assunto para falar com você, nem que fosse sobre a Lydia. Eu fiz tudo errado, eu sei.
— Isso é sério?
— É. Você se tornou minha amiga. Eu te disse. Mas eu não sei se você entendeu a dimensão disso. Sou um cara de poucos amigos. E de ainda menos amigas. Você se tornou importante para mim. Sendo seu amigo, não sentia falta de mais nada.
— Nem eu — disse Grace, cada vez mais sem graça.
— Você quer falar alguma coisa?
...
— U-hum — Grace disse, depois de três longos segundos de silêncio, sabendo que choraria ao começar a falar. — Apesar de você ser o meu melhor amigo, contradizendo todo o ódio que eu tinha por você desde sempre, eu sei que é muito errado continuarmos amigos. Primeiro porque a minha amizade com você ultrapassou todos os limites. Segundo porque a Lydia gosta muito de você, e ela é — Grace explodiu aqui todo choro que estava prendendo — muito especial para mim...
— Ei! Eu não duvido disso... — disse Thomas se aproximando e tocando uma lágrima na bochecha esquerda de Grace.
— Eu sou... uma amiga... horrível... mesmo... — disse Grace soluçando.
— Não. Primeiro porque o sujeito "Grace" não combina com o adjetivo "horrível" numa sentença.
— Hum? — Grace olhou para Thomas, confusa.
— Eu posso dizer que você é linda na nossa última conversa, não posso? Tenho que ser sincero.
Thomas continuou.
— E segundo porque uma amiga horrível não faria o que você está fazendo agora... Abandonar um novo amigo pra ficar com uma amiga que você tem há mais tempo e que claramente é infinitamente mais especial...
— Você sabe que não é isso! — Grace ainda chorava...
— Eu sei que não... Posso ser claro? — Grace fez que sim com a cabeça. — Você está me deixando porque gosta de mim. Está me deixando porque sabe que quer ser mais que minha amig—
— THOMAS! — Grace não sabia se ria ou se chorava. — Eu não... não estou apaixonada por você!
— Okay, okay... não precisa terminar essa facada no meu coração. — Thomas levantou as mãos em rendição. — Eu tive que confirmar essa dúvida. Acho que é algo totalmente unilateral.
— Eu... vou sentir muito a sua falta — ela constatou, chorosa.
— Você não sabe o quanto.
— Convencido. — Grace revirou os olhos marejados, sorrindo. — Ei! Você se propôs a mudar minha vida, lembra?
— Lembro.
— O que era?
— Ah. — Thomas coçou a cabeça. — Eu me propus a estudar a Bíblia com você, algo que realmente mudasse nossas vidas, nossa forma de ver o mundo. De algum modo, eu vejo em você alguém com quem eu queria dividir minhas ideias, meus pontos de vista... Na verdade, foi um equívoco. Eu praticamente te pedi em casamento. E você, doida, aceitou.
— Você não entende que minha vida mudou muito desde quando você me mostrou a sua forma de ver o mundo?
— Como assim? — Ele olhava nos seus olhos, sem desviar.
— Você dividiu seus pontos de vista comigo e eu aprendi muito com você. E eu sei que eu tenho muito a aprender ainda, e que você podia me ajudar ainda mais se não fosse essa nossa fatídica separação. E eu acho que vou sentir muita falta disso.
— Eu também vou sentir falta disso. A gente faria uma bela dupla...
— Sim, uma bela dupla...
— A gente daria um casalsão, não? — Thomas pegou na mão de Grace.
— Ah, cala a boca, Tommy! — Grace sorriu, afastando sua mão da dele.
— É sério, você não acha? — Thomas riu.
— Pior que acho, às vezes...
— Opa, ela começou a confessar as coisas... — Thomas esfregou uma mão na outra.
— Então vai casar com o Matthew e ter seus filhos com ele?
— Não sei.
— Terei meus tão sonhados filhos também. Vou superar — disse Thomas.
— Que bom. Pelo nível de coisas que você anda insinuando, achei que quisesse mesmo ficar comigo — Grace se arrependeu rapidamente do que havia dito...
— Ah, verdade. Eu vou ficar esperando seu marido morrer, algo assim, até que você se case comigo?
— Num futuro distante, você será um grande teólogo e escritor famoso. Meu filho será o seu maior admirador. O levarei até uma fila de autógrafos do seu mais novo livro, "O problema do mal e a existência de Deus", ficarei numa prateleira vendo, às escondidas, como você se tornou um solteirão bem sucedido.
— Aí, quando chega a vez do seu filho, pergunto com quem ele veio, e ele te chama... E vejo o quanto você ficou miserável depois de um casamento que não foi comigo... Coitada.
— Você nunca vai falar algo que não me faça morrer de rir? — Grace riu.
— Apesar de achar que não tem como você ficar feia... Hum... Talvez... Talvez sem esse dente da frente? — Thomas esquadrinhou o rosto de Grace.
— Para com isso! — Grace sentiu seu rosto esquentar.
— Parar o quê? — Thomas se afastou.
— De me olhar assim.
— U-hum. Sabe de uma coisa?
— Não.
— Eu não vou te deixar casar — Thomas disse, decidido.
— Não?
— É. Você já viu aqueles filmes que o cara chega pra impedir o casamento?
— Sei. — Grace riu.
— Vou subir numa mula e correr até seja qual for o lugar onde você vá se casar. E não vou te deixar casar.
— O quê?
— É sério. Ai de você se me ignorar.
— Você não existe. — Grace queria bagunçar, pela última vez, o cabelo de Thomas.
Eles se olharam por um momento. Nada disseram.
— Chegou a hora de falar sério. — Thomas começou ao lembrar-se que iria para a Escócia em dois dias. — Eu sei que isso é muito louco. Mas eu tenho plena convicção do que estou fazendo. Sei que não vou mais falar com você, mas o tempo está acabando. E eu não quero que minhas últimas palavras para você sejam medíocres ou inúteis. Eu quero que você se lembre do seu amigo aqui para sempre. Me prometa que vai continuar a ser essa garota especial. Que vai continuar a ver o mundo de uma maneira diferente. Que vai ter a glória de Deus como o seu objetivo na vida. Diz que promete para que eu possa continuar meu monólogo de consciência tranquila, sabendo que você continuará nesse mesmo caminho.
— Eu... prometo — Grace disse, espantada.
— Correndo contra o tempo, eu quero te dizer uma coisa que valerá para sempre, enquanto eu e você ainda existirmos. Por todos os lugares que você passar na sua vida, não se esqueça que você já tem uma proposta. Que você não tem que fazer uma coisa que não tenha paz de consciência para fazer...
— Fala! — Grace disse, olhando para o cronômetro correndo para o final de uma hora completa.
Qualquer coisa poderia ter sido dita. Mas somente uma frase pôde colocar todas as promessas em poucas palavras e firmar o futuro incerto que Grace tanto temia.
Inusitadamente, o que ela mais temia foi como um bálsamo ao seu quebrado coração. E mesmo que não tenham falado o quanto se amavam, tinham certeza do que aquela pequena frase representava. Ela representava, naquele momento, muito mais do que isso. Representava não só o sentimento, mas a perpetuidade do mesmo.
— Grace Daves, quer casar comigo?
________
Não esquece a estrelinha. ⭐
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