química III

'Obrigada? Sério mesmo?', Grace nem acreditava que havia dito aquilo; tanto que nem esperou que um sorriso brotasse do rosto de Thomas assim que percebeu em quem havia colidido.

Grace entrou na sala com uma nova onda de rancor dentro dela. Não havia jeito: iria ser a segunda melhor aluna da classe. Thomas sempre chamava a atenção dos professores com comentários que, segundo ela, eram inúteis.

A aula fluiu muito bem para os dois. Thomas resolveu, por um milagre, não fazer comentário algum. Até um certo momento em que o Sr. Ferdinand fez uma pergunta que Thomas não podia deixar de responder, claro.

— Vamos ver se vocês ainda lembram da química básica, que será fundamental para o nosso entendimento da química orgânica. Como podem ser classificadas as misturas químicas?

— Homogêneas e heterogêneas. — Thomas lançou um olhar para Grace de quem iria aprontar algo.

— Me dê um exemplo de mistura homogênea, Thomas.

— Eu poderia muito bem falar, mas acho que a minha colega Grace entende muito mais do que eu sobre isso.

— Pois não, Grace?

Ela revirou os olhos para Thomas. É sério que ele se lembrava da redação idiota que ela fez na sétima série? Sentiu suas bochechas começarem a ficar rosadas enquanto toda a sala aguardava ela exemplificar uma mistura homogênea.

Tentou lembrar alguma coisa com uma só fase química. 'Mar. Claro!'

— Água salgada.

— Ótimo, Grace. Mas por que o Thomas disse que você entende mais do assunto? Algum conhecimento específico na área?

Grace quase bufou.

— É que certas pessoas não entendem uma propriedade da linguagem chamada "metáfora". Homogeneidade é a propriedade de ser igual, de, assim como a água salgada, não ter nenhuma característica visual que defina algo como diferente.

— Mas North Adams não é assim tão ruim — Thomas replicou.

— Mas sobre o que esses dois estão falando? — O professor perguntou à turma.

De repente, a sala se transformou num espaço vazio. Somente os dois estavam ali.

— Em nenhum momento eu depreciei a cidade. Só estava dizendo que tudo parece normal por aqui.

— Talvez nao seja tão normal assim. Talvez seja só uma aparência. Quando você vê a água salgada, você pode até achar que ela é potável, mas quando a experimenta, não é — Thomas caçoou.

— Me dê algum exemplo de algo anormal na cidade de North Adams. — Grace estava quase gritando aqui. 'Como você é insuportável, Thomas Fraser', pensava ela.

— Você, por exemplo.

"Uou!"

Toda a sala ficou extremamente tensa.

Grace poderia fazer qualquer coisa, mas só pensava em sair correndo.

Thomas sentiu que, mais uma vez, havia pegado pesado com ela. Dessa vez até se arrependeu.

Grace respirou fundo e soltou, talvez, a frase mais corajosa que já construiu.

— É isso mesmo que eu previa. North Adams está recheada de idiotas, todos iguais.

A aula continuou.

Grace deu risinhos, convencida, pela primeira vez, de que ganhara alguma coisa sobre Thomas. Mas, para o seu desprazer, Thomas estava olhando para ela, nada derrotado, fingindo a aplaudir.

'Some daqui, arrogante!'. Dessa vez ela chegou a sibilar as palavras. E teve plena convicção de que ele as entendeu. E ele riu para ela. Sim, de um modo simpático.

E ela, sem entender o porquê, também riu.

Essa foi a primeira vez que os dois riram um para o outro. Grace, ainda rindo, revirou os olhos e voltou a atenção para a aula.

Thomas concluiu algo intrigante. Por mais que Grace fosse amiga de Lydia, ela não parecia ser igual a todas as meninas que conhecera. Começou a torcer, bem no fundo, que ela fosse à hamburgueria com eles na sexta-feira à noite.

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Certo. Qual é a desse Thomas? Insultar ou conquistar a garota?

Não esquece a estrelinha. ⭐

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