North Adams, Massachusetts

Morar numa cidade pacata e extremamente pequena como North Adams nunca foi motivo de grande felicidade, mas, com toda a certeza, cidades como esta sempre foram cenários para grandes histórias.

Na sétima série, quando estava sendo introduzida aos conhecimentos da química básica, Grace dissertou em sua redação que a cidade era homogênea. E, sabe-se lá por que ela decidiu que esse era o sinônimo perfeito de uma cidade pacata, mas isso lhe rendeu um A+, um elogio público e a leitura de sua redação para toda a escola — Grace odiou especialmente essa última parte.

Ela era tímida o suficiente para ter apenas uma amiga: Lydia que, por sua vez, era linda e popular. Internamente, Grace sabia que Lydia era a razão do seu suicídio social ainda não ter se concretizado.

Voltando à questão da cidade, talvez você não saiba como é morar em North Adams, mas por aqui todos se conhecem. Até mesmo aquela pessoa que é antissocial demais para sair de casa nas festas à noite, até mesmo aquele bebê que nasceu ontem: todos são conhecidos por todos. E não tem um que escape.

Só que, dentro da cidade onde todo o mundo sabe por onde você anda, ainda existem aquelas pessoas que são consideravelmente muito mais conhecidas — Lydia — do que aquelas que são mediocremente conhecidas — Grace.

Apesar de não ter muitos amigos, Grace era, como seu nome sugere, uma moça graciosa. Ela nutria bons sentimentos dentro de si, era simpática e alegre, o que aformoseava o seu rosto e a tornava radiante. Grace amava conversar com Deus e dedicar a sua vida a falar sobre Ele, ainda que não tivesse muito conhecimento sobre as coisas de Deus, pois fazia pouco tempo que havia decidido se dedicar mais a Ele. Mas havia uma coisa que Grace nutria profundamente dentro de si. Algo pernicioso, que deixava claro que ela não era assim tão boa de coração.

Grace odiava alguém. E esse alguém se chamava Thomas Vincent Fraser.

Apesar de achar que ninguém consegue explicar em palavras um ódio que permeou toda a sua vida, você precisa entender o porquê. Ora, precisamos fazer jus à nossa querida Grace.

Foi na terceira série, quando eles estudavam juntos. Thomas simplesmente derrotou Grace na final de soletração e, como se não bastasse ganhar com a palavra "exceção", uma tremenda de uma humilhação, ele decidiu dizer para seus amigos que era "uma pena que as meninas não tivessem tanta capacidade intelectual quanto os meninos" — pelo menos era isso que as meninas não paravam de comentar que ele havia falado.

E também teve aquela vez, na quarta série, que ele demonstrou metidamente ter conhecimento precoce sobre frações, para toda a classe ver.

E na quinta série, quando ele simplesmente ganhou a olimpíada de astronomia, o que lhe rendeu vivas, aplausos e um monte de menininhas bobas ao redor. Grace se lembrava das palavras do professor de geografia: "Esse garoto vai longe!"

E o lugar mais distante que ele chegou foi o posto de garoto prodígio da escola.

E, voltando ao início deste livro, teve aquela vez, na sétima série, em que a Grace se destacou na escola por descrever muito bem a cidade, e por colocar a palavra "homogênea" no meio. Ela nem ao menos levou a sério aquela redação! Thomas olhou para ela pela primeira vez, e isso com um sorriso zombeteiro no rosto. Ele era mesmo insuportável, não acham?

Eles estavam agora no último ano do ensino médio. Todos apreensivos sobre qual faculdade iriam fazem, em qual cidade grande iriam morar.

Grace era uma garota extremamente caseira. Gostava de ficar com os pais, de abraçar o seu namorado, Matthew, e conversar com sua única amiga. Era uma vida boa. Grace se perguntava: "Uma carreira promissora, é isso que eu quero?" Seus pais diziam: "Sim. É disso que você precisa." Mas ela estava convencida de que estava contente com o pouco que tinha. Ainda bem que tinha o ano inteiro para pensar.

A esperança de Grace — e, sinceramente, esta era quase a única coisa que ela pensava — era que, passado este ano, Thomas iria sumir da face da terra; iria para a sua faculdade de qualquer coisa para ser um astronauta na NASA e evaporaria para sempre do seu caminho, morando no espaço, onde a presença dele não seria um incômodo — a menos que os alienígenas fossem tão sensatos quanto ela e o despachassem para um buraco negro no universo.

Só que ainda tinha que encarar mais um ano de Thomas Vincent Fraser... com todo aquele seu ar de superioridade que, segundo ela, fedia.

______

Vocês também têm dificuldades com aquelas pessoas que fazem perguntas óbvias na sala, ou que sempre estão prontas para dar uma resposta ao professor? Sou só eu? kkkkk

Não esquece a estrelinha ⭐

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top