laranja mecânica
Thomas: Ei, não vai falar comigo, não?
Grace: Ah, me desculpa, tava indo dormir...
Eram apenas duas horas da tarde quando Thomas chamou Grace para conversar. Ela estava muito cansada da noite anterior e decidira dormir até a noite e, depois, dormir mais um pouco.
Thomas: Não, senhorita. Você vai me ajudar, daqui a pouco a gente dorme.
Grace: Me promete que não vamos ficar até tarde conversando...
Thomas: Eu preciso prometer? É só você desligar o celular e ir embora. Não estou realmente te segurando.
Grace: Eu sou educada demais para fazer essas coisas...
Thomas: Não parece.
Thomas: Mas, ei, Grace.
Thomas: Depois do nosso primeiro encontro, saí com a Lydia, fomos ao shopping...
Grace não soube explicar o que sentiu quando leu aquela sentença. "Nosso primeiro encontro" soou realmente bem aos ouvidos de Grace, mas "saí com a Lydia" cortou todo o ar de importância. E aquilo de "primeiro encontro" seria uma piada entre eles, entendeu.
Grace: Ah, é? Foram fazer o que?
Thomas: Ela queria comprar um livro, pediu minha opinião sobre alguns.
Grace: Mas ela nunca compra um livro sem mim.
Thomas: Pois é! Acho que ela mudou de consultor.
Grace: O que ela comprou?
Thomas: Ela comprou Laranja Mecânica.
Grace: O que? Esse livro é violento.
Thomas: Sim. E eu disse que ela tinha que ler até amanhã. Deve estar lendo até agora.
Grace: Mas ninguém consegue ler Laranja Mecânica em um dia... Thomas!
Thomas: Eu sei, todo aquele lance de palavras estranhas do dialeto... A desafiei a não ler o glossário também, senão ia ficar muito fácil.
Grace: Isso é muito besta. Só eu posso pregar uma peça nela assim!
Thomas: Acho que ela encontrou um amigo mais legal do que você.
Grace: Vamos dividi-la, então? Os fins de semana são seus.
O celular de Grace começou a tocar, era Matthew. Ela logo atendeu sem dar satisfações a Thomas do que estava fazendo. Isso lhe rendeu algumas mensagens e algumas tremidas de celular na orelha.
— Alô? — Trim, trim, trim... — Ai!
— Oi, amor? Que isso? — Ele também estava ouvindo o celular dela tremer.
— Mensagens chegando — estava sendo evasiva, mas não era uma mentira.
— Tudo bem. Deixa eu te falar. Eu levei bomba na prova de novo.
— Como assim?
— É, amor. Por causa de meio pontinho! Eu me esforcei tanto, amor!
— Meio ponto? — A prova de Matthew valia 12 pontos. Ele havia tirado 4,5. Meio ponto não era assim tão pouca coisa.
— É... muito injusto! Mas eu tenho uma novidade, amor — De repente, a voz de Matthew se animou —. Estou indo para aí na sexta-feira!
— Ah, que ótimo, amor! — Grace tentou mostrar que estava muito animada.
Eles conversaram bem mais do que isso, mas acho que não vale a pena compartilhar essa conversa com você. No final, foi uma longa ligação. Grace voltou à conversa com Thomas. Havia três mensagens.
Thomas: Ei, Daves.
Thomas: Me responde.
Thomas: Argh, não vou falar mais contigo.
Grace: Ei, você não sabe esperar? Meu namorado me ligou.
Thomas: Você não sabe avisar, menina inútil?
Grace: Para de ser besta, Thomas.
Thomas: E aí? Seu namorado ligou e...?
Grace: Ele vem depois de amanhã.
Não que estivesse morrendo de ciúme, mas Thomas sentiu, sim, algumas pontadas de algo parecido enquanto lia aquilo.
Thomas: Então isso significa que eu posso descansar.
Grace: Como assim? Descansar?
Thomas: É, dá trabalho cuidar de você.
Grace: Eu não preciso disso.
Thomas: Tá. Mas o que importa é que o seu namorado vem e eu vou saber que você está segura. Ou ele não é seguro?
Grace: Ele é sim.
Thomas: Ele é uma ameaça? Grace, você está sendo torturada?
Grace: Mas é claro que não.
Thomas: Uma pessoa que está sendo torturada nunca admitiria. Fale 'Donut' se você está sendo forçada a namorar com esse cara!
A verdade era que Thomas achava o namorado de Grace um cara meio estranho. Não era muito agradável e simpático pelo que via nas fotos. Ele não entendia como uma garota tão legal poderia namorar um cara tão... sem graça. Não que se considerasse um cara lindo, mas tinha certeza que um pouco mais agradável que o namorado de Grace, ele era sim.
Grace: 'Donut'? Não podia ser alguma palavra normal?
Thomas: Grace! Eu não sei se você realmente falou 'donut' porque está sendo torturada ou se você está reclamando da palavra que escolhi.
Grace: Cala a boca, Thomas.
Os dias na escola foram agradáveis. Na sexta, Thomas e Grace fizeram mais uma aula juntos, o que fazia das terças, quartas e sextas os dias preferidos dos dois. Mas Lydia também estava naquela aula. Os três sentaram juntos, bem nas primeiras carteiras da sala de História. Ter História na última aula da sexta-feira não era para qualquer um.
— É tão bom estar com vocês dois! — Lydia disse olhando para trás, onde estavam as carteiras dos amigos. — O que vamos fazer no fim de semana?
— Ah, eu não sei. O Matthew chega hoje de Boston...
— Uhul! O Matthew chega hoje? — Lydia se animou.
— É!
— Ai, Thomas, você tem que conhecer o Matthew. Ele é tão engraçado! — Lydia se virou para Grace. — Combinado! Hoje, às 19h30, eu e Thomas passamos na sua casa para sairmos para lanchar.
— Eu acho que eu não gostei muito daquele lanche... — Falou Thomas. A verdade é que ele até que queria ir. Conhecer o namorado de Grace não era uma má ideia, queria saber se ele, apesar de não ser tão agradável, era bom para ela. Mas viu o olhar desesperado de Grace o implorando para que não aceitasse aquilo.
— Não faz mal, vamos em outro lugar.
— Eu acho melhor não, Lydia. — Grace se intrometeu. — Ele vai estar cansado e...
— Você sabe que ele nunca fica cansado das viagens, Grace.
Foi assim que, pela insistência de Lydia, acabaram arrumando um encontro de casais. No final, Grace se viu ansiosa por isso: queria mostrar para Thomas que o seu namorado era um cara legal e que eles dois poderiam muito bem ser amigos. Sem contar que aquele encontro era a concretização de que cada um devia se por em seu lugar. Nada de ruim poderia acontecer, não é?
Ou pode dar tudo errado, também.
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Não esquece a estrelinha. ⭐
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