com licença!
A conversa da noite anterior com Matthew a fez esquecer por um bom tempo que a sua melhor amiga havia saído com o seu pior inimigo. Na escola, como de praxe, Lydia contou tudo o que aconteceu com ela. Tão animada quanto uma pipoca no microondas.
— Preciso te contar tudo, desde o começo: eu cheguei nele ontem e, claro, ele estava acompanhado. Era aquele garoto que sempre anda com ele, e uma garota estranha, de cabelo roxo. Eu devia ter chamado o Thomas para sair de perto dos amigos, mas eu estava nervosa, então tinha que ser naquela hora, senão eu desistiria. Eu falei: "Thomas, você gostaria de sair comigo um dia desses?", na cara e na coragem! E ele me olhou com um olhar espantado, como se nunca tivesse passado por uma situação daquela antes... quase como se nunca tivesse falado com uma garota, foi hilário — ela riu só de lembrar. — E então ficou um silêncio bem constragedor.
— E, aí? O que ele falou? — Grace perguntou, comendo uma rosquinha antes de começar a aula.
— Nada — ela riu ainda mais. — Quem falou foi o amigo dele. Ele disse: "Mas é claro que ele quer sair com você!", e deu uma cutucada no ombro do Thomas para ele se ligar. Talvez ele ficou encantado comigo, sabe? Às vezes acontece...
— Ah, claro — Grace revirou os olhos pela constatação nada modesta da sua amiga.
— O mais engraçado foi que, na hora do encontro, ele levou aquele casal de amigos dele também. Quase um encontro duplo! Fomos na Pizzaria Saporita e depois tomamos sorvete. Ao contrário do que se pode julgar pelo nervosismo quando eu o convidei para sair, ele é realmente muito bom de papo, Grace. Gosta de umas coisas estranhas, para falar a verdade. Mas é tãaaaao inteligente e maduro que eu fico, assim, de queixo caído — Lydia suspirava a cada frase, esqueci de mencionar. — E ele pareceu estar tãaaao a fim de mim! Ele não me beijou, nem nada, sabe? É que eu fui muito durona.
— Ah, sei — Grace fingiu-se de interessada.
— Nem tão durona assim — ela riu. — Mas eu entendo que ele queira que as coisas sejam um pouco mais devagar. Eu não tenho pressa, sabe? Ficou claro para mim que ele gostou da minha atitude de chamá-lo para sair, pois até me fez conhecer os amigos. Mas você acha mesmo que ele está a fim de mim?
— Foi você que disse anteriormente que ele está, sim.
— Isso. Me ajuda a ter pensamentos positivos — ela suspirou mais uma vez, cruzando os dedos para dar sorte. — Ele me levou em casa, ele tem um carro, sabe? E foi muito atencioso comigo. Até pediu meu número!
— E ele ligou? Mandou mensagem?
— Não. Mas eu entendo. É que, tecnicamente, só tem sete horas que ele me deixou em casa. Ele ainda nem deve ter acordado, essas coisas.
— Ele já acordou, sim — Grace apontou a rosquinha para frente, disfarçadamente.
E lá estava Thomas, vindo com dois dos seus capangas atrás. Vestia uma camisa polo branca e, por cima, um suéter azul. Uma calça jeans e um sapato cinza. Roupa que, no mundo normal, seria completamente tachada de 'geek', coisa assim. Mas era totalmente normal em North Adams.
Odiava ter que admitir para si mesma que ele era bonito. De verdade, ele era um dos garotos mais bonitos que ela já viu em North Adams.
Lembrou a si mesma de quando eles estavam no ensino fundamental e o cabelo dele era loiro, liso e grande. Talvez inveja-do-cabelo-dele tenha sido o primeiro dos sentimentos ruins que ela já teve por ele, desde quando se conheceram. O cabelo liso e loiro dele permaneceu assim até seus doze anos, quando ele decidiu cortar. A partir da sétima série, havia um Thomas diferente: o cabelo agora era castanho claro e curto.
Mas agora, no último ano do ensino médio, com o cabelo todo bagunçado e liso, Thomas estava muito mais alto do que qualquer um da escola. Ouviu-se dizer que ele tinha exatos um metro e noventa. Mas Grace descobriu, mais tarde, numa aula de educação física, que não era isso tudo. Era um metro e oitenta e oito.
Pela primeira vez, Grace viu Thomas olhar, desde longe, diretamente para ela. O que aconteceu neste momento Grace não soube explicar. Seu coração estava acelerado de tanta raiva e nervosismo de ter de vê-lo novamente. Por que tinha que ser logo ele, Lydia? Grace tentou respirar calmamente para se controlar.
E por que ele não parava de olhar para ela? Ele estava vindo em direção a ela mesmo? Como assim?
Numa fração de segundo, seu cérebro voltou a funcionar: não tinha nenhum sentido ele olhar para ela. É claro que Lydia era para quem ele estava olhando. Grace voltou à realidade, nada de slow-motions aqui.
Ele parou em frente às duas. Grace achou que ele poderia muito bem ter ficado mais para a esquerda, para ficar exatamente de frente a Lydia. Mas não. Thomas estava exatamente de frente ao espaço que havia entre as duas. Mas se direcionou verbalmente só a uma.
— Ei, Lydia! — Thomas não parecia muito contente.
— O...oi! Thomas. — Lydia estava tremendo.
— Queria saber se você gostaria de sair na sexta comigo, de novo. Tem um lugar que eu gostaria de te mostrar — ele sorriu docemente, o que contrastava com sua carranca anterior. Grace observou o melhor amigo de Thomas dando-lhe soquinhos implícitos por trás das costas, que poderiam muito bem significar: "esse é o meu garoto!"
— Mas é claro. Eu adoraria.
Antes que Lydia terminasse de perguntar para qual lugar ele a levaria, o sinal da primeira aula soou e os dois foram juntos para dentro da escola, Grace somente acompanhando atrás. Pareciam realmente não ligar para o fato de que a aula iria começar em poucos segundos.
— Com licença, não posso me atrasar. — Grace quase revirou os olho ao solicitar aquilo, não gostava mesmo de ficar perto dele.
— Sabe, Lydia, eu não tenho problema nenhum com pessoas que são educadas — disse e abriu o caminho para Grace passar, sorrindo para Lydia.
— Thomas, eu também não — Lydia respondeu, deixando risinhos ecoarem pelo corredor, mas é claro que ela não tinha entendido absolutamente nada.
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Então ele vai ficar implicando com ela? Interessante...
Não esquece a estrelinha. ⭐
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