cólera
— Você só fica do meu lado, não precisa falar nada. Só apoio moral, entendeu? — disse Grace para Brenda enquanto ruía as unhas para ter aquela conversa com Lydia, que estava espalhando boatos por toda a escola sobre Grace e Thomas.
— Ah, eu não garanto nada que eu não voe nos cabelos dessa garota — Brenda disse, agitada.
— Só fica do meu lado.
•••
Ao encontrar Lydia após a última aula, Grace e Brenda convidaram-na para uma conversa em particular.
— Oi, Lydia. Podemos conversar um momento? — Grace perguntou.
— Eu prefiro não ter essa conversa — Lydia disse, encaminhando-se para a saída.
— A gente tem que resolver umas coisas. Não podemos? — Grace insistiu.
— Sabe quem tem que resolver coisas, Grace? Você, somente você. Você tem que resolver as coisas com o Matt. Nossa, você destruiu o garoto. Ele está um caco. Você devia se envergonhar.
A cólera subiu da garganta para sua cabeça, deixando Grace com o sangue quente demais para segurar as palavras ou pensar sensatamente.
— Dos meus problemas cuido eu — esbravejou Grace.
— Ei, Grace... não é assi— Brenda colocou uma mão no ombro da amiga.
— Ótimo. Da minha vida cuido eu, também. Me deixa em paz, garota — Lydia respondeu.
— Eu insisto que vocês duas se falem como pessoas civilizadas — Brenda interrompeu, pensando "logo eu, falando isso?".
— Certo. Me desculpe, Lydia. Eu não devia ter falado assim. — Grace recuperou-se do acesso de raiva.
— Certo. O que você tem para me falar? — Lydia perguntou, impaciente.
— Quero saber de você. Você tem espalhado algum boato sobre mim e o Thomas?
— E é alguma mentira? — Lydia disse, na defensiva.
— É absolutamente mentiroso — Brenda interrompeu.
— Você não sabe da missa a metade, garota. — Lydia virou-se para ela.
— Meninas... me deixem falar — Grace disse. — Nunca aconteceu nada entre mim e o Thomas. Nós somos amigos.
— Até quando, não é?! — Lydia revirou os olhos.
— Justamente. Até quando eu não sei, sinceramente. Só sei que, até então, somos amigos. Mas negarei infinitamente que tentei separar vocês dois, que fiquei com ele, qualquer outra coisa. Eu tentei fazer vocês ficarem juntos, de verdade. Mas aconteceu de eu me identificar com ele, e ele comigo. Então nos tornamos grandes amigos.
— Nada mais que isso? — Lydia repetiu.
— Nada.
— Até quando?
— Argh, que cíclica! — Brenda movimentou seu corpo em desdém.
— Não importa. Ele não tem nada com você. Nunca teve nada com você, Lydia. Eu não tenho nada com ninguém. Nada nos impede de nada.
— Ah, hahahaha — Lydia gargalhou. — Isso, mostra as suas asinhas agora.
— Isso é sério? — Brenda perguntou para Lydia.
— Absolutamente sério, querida — Lydia respondeu-lhe em alta voz. — Ela acabou de confessar que está livre para ficar com o Thomas. É óbvio que me traíram.
— Entenda como quiser, querida — Brenda respondeu. — Mas, se tem uma coisa que meus amigos não são, essa coisa é: "traidores". Você deveria saber, afinal é amiga da Grace há tempo o suficiente para saber que ela sempre te respeitou.
— As pessoas mudam. Você ainda vai se decepcionar muito com essa tal de Grace.
— Decepcionar? Eu teria te decepcionado porque, ao menos uma vez na vida, eu não estou te colocando na minha frente? — interrompeu Grace.
— Deve ter sido isso mesmo, Grace. — Brenda concordou.
— Pensem o que quiser. Para mim, vocês serão para sempre traidores. — Lydia revirou os olhos.
— Pense o que quiser sobre eles, Lydia. Para mim, você será para sempre uma fofoqueira mentirosa — Brenda completou.
— Olha. — Grace tentou acalmar os ânimos das garotas. — Eu te asseguro que eu não fiz isso, que eu fiz de tudo para evitar te magoar. Mas a minha palavra não basta, certo? E se eu passar a ter um relacionamento com o Thomas você vai ter plena certeza de que estava certa, não?
— Sim. É assim que vou pensar. É por isso que quero cortar qualquer vínculo com vocês. — Lydia finalizou.
— Se é assim que você quer, assim será. Eu só posso pedir perdão pelas coisas que fiz, então não vou confessar que te trai, mas te pedir perdão por não conseguir resolver isso da maneira perfeita. Espero que um dia você me perdoe, sinceramente.
•••
—
Thomas, foi péssimo — confessou Grace mais tarde em vídeo-chamada.
Brenda estava com ela em seu quarto, consolando a amiga quanto ao episódio nefasto que viveram.
— Você devia ver, Thomas... Só faltou aquela puxada de cabelo — Brenda completou.
— Vocês estão falando sério? — Thomas ajeitou-se na cadeira de seu escritório. — Eu não consigo imaginar a cena. Está tudo bem com você, Grace?
— Ah, está tudo péssimo. — Grace largou o celular nas mãos de Brenda e deitou-se na cama.
— A questão é que a garota não queria nem ouvir a gente. Veio com sete pedras na mão. Eu daria um soco na cara dela para acordá-la daquele estado medíocre, mas a Grace me pediu para ficar na minha...
— Mas você também falou bastante, não é, Lydia? — Thomas retrucou.
— Alguém tinha que intervir, Thomas. — Grace levantou-se em defesa da amiga, voltando para a câmera frontal do celular. — Eu fiquei fora de mim quando ela falou que eu tinha que me resolver com o Matthew, que eu destruí a vida dele... Eu odeio pensar que eu posso ter feito algo ruim a ele, eu amo o Matt— Grace fungou.
— É, eu a acalmei — Brenda a cortou.
— Temos que conversar sobre isso, Grace... — Thomas disse, visivelmente incomodado com o que ela disse.
— Acho que é minha deixa — Brenda disse, por fim.
•••
M
ais tarde, Thomas ligou para Grace.
— Pode conversar? — ele perguntou.
— Claro — Grace fungou. Havia chorado a tarde inteira.
— Esteve chorando? — disse, audivelmente preocupado.
— Um pouquinho — ela confessou.
— O que você está sentindo?
— Só estou triste...
— O que você está sentindo, de verdade? — Thomas insistiu.
— Como assim? Só tristeza. — Grace franziu o cenho, mesmo que ele não a estivesse vendo.
— Você está triste com o quê? — ele disse, enfatizando a última palavra.
— Com a situação que estou passando... não achei que isso fosse tão difícil. — Ela não estava entendendo aonde ele queria chegar.
— Você está arrependida do que fez? — Thomas insistiu mais uma vez.
— Como assim? — Grace mexeu-se na cama, incomodada com o interrogatório.
— Você simplesmente me disse, na frente da Brenda, que ama o seu ex-namorado. Isso não é bem muito agradável de se ouvir...
— Eu... eu não tenho certeza se disse isso. — Grace engoliu a seco.
— Então... você está me dizendo que não tem certeza se gosta de mim?! — Thomas perguntou, num tom sério.
— Eu não quis dizer isso...
— Você está indecisa quanto a isso?
— Eu não sei de nada. Se ele está triste, acho que deveria falar com ele, não? Eu só não quero deixá-lo triste, porque ele fez parte da minha vida, uma parte muito grande da minha vida. E não tenho certeza se eu não voltaria com ele se ele mudasse um pouco.
— Você, — Thomas levantou-se da sua cadeira e passou a mão pelo rosto, — você não pode estar falando sério. Você ouviu o que me disse? Existe a possibilidade de você voltar com ele, Grace? É isso?
— Eu não sei.
— Eu vou me retirar dessa conversa, tudo bem? Você não está pensando direito. Não depois de tudo o que aconteceu, depois de eu me preparar para ser o melhor para você. Você não pode simplesmente me dizer que vai voltar com aquele cara. Sabe o que você acabou de fazer? De jogar todas as minhas esperanças no lixo.
— Thomas... não é isso...
— Então o que é? Por que, para mim, está claro que você não tem o mínimo de consideração por mim.
— Não fala assim comigo. Eu só estou triste.
— Hum. — Thomas suspirou. — Desculpa. Eu estou cheio de problemas aqui no trabalho, e, de certa forma, não consigo relevar quando a garota que eu gosto pensa em voltar com o ex-namorado. Mas, quer saber? Você devia fechar essa boca, Grace. Porque, uau, você só fala besteira. É óbvio que você não quer dizer as coisas que diz. Eu não lutei sozinho por você. Você visivelmente lutou por mim, também. E eu acredito tanto nisso que a gente tem, que não vai ser o que você, uma mera mortal, disser que vai me fazer desistir de você.
— Ah. — Grace sorriu. — É que eu tenho muita pena dele.
— Me sinto muito mal por ele também. Ele não perdeu mulher qualquer. Mas você é muito bobinha em achar que eu te perderia pra ele, de novo, pela quadragésima vez...
— Thomas... Eu não terminei com ele por sua causa, sabia? — Grace questionou.
— Sim, na verdade você terminou com ele porque ele não era eu. Eu entendi. — Thomas disse, convencido.
Isso fez Grace rir.
— Gosto de você assim, — sorriu Thomas, — bem risonha. E eu sei dos seus motivos. São legítimos.
— Você me tirou da melancolia, obrigada.
— Você me tira do sério, garota. "Nhé nhé, eu amo o Matthew". Argh, você me deixa maluco.
— Por que você fica maluco? — Grace se fez de desentendida.
— Ora, me faz pensar que eu sou um bobão, sei lá. Se eu te dissesse que meu coração ainda dispara quando vejo minha primeira paixonite, você ia amar pelo jeito, não é?!
— Você não teve nenhuma paixonite. — Grace virou-se na cama, incomodada.
— É aí que a senhorita se engana — Thomas soltou uma risadinha.
— Quem?
— Alguém aí...
— Brenda?
— Por que você insiste nessa garota? Credo! Nunca.
— Ela é a sua melhor amiga!
— Quem tem melhor amiga são as garotas do quinto ano, Grace. Ela é só uma amiga. Pronto.
— Uau, que adulto! — Grace revirou os olhos, como se ele a visse.
— Mais que você, que não sabe o que quer.
— E você? Você sabe o que quer?Ei, você está fugindo da minha pergunta sobre quem foi sua paixonite... — Grace voltou a se questionar quem poderia ser.
— Um homem adulto só responde aquilo que acha útil responder, Grace Daves. E eu sei exatamente o que eu quero.
— O quê? — Grace suspirou no celular, ouvindo Thomas sorrir sarcasticamente.
— Eu não vou te contar.
— O que custa me contar o que você quer?
— Custa muito.
— Eu pago o preço...
— Vai ter que parar de falar que quer voltar com seu ex.
— Thomas...
— Então, é isso. Eu não vou falar absolutamente nada.
— Está bem, eu não vou voltar para o Matthew. E eu nem ligo em falar isso. Eu não quero voltar com ele. Nem sei por que disse aquilo antes.
— Porque é insegura e pensa mais no que os outros vão pensar de você do que naquilo que você realmente quer. E, quer saber? Ninguém está nem aí para o que você faz. Se cobre menos. Ele cai superar. Agora pare de ser tão insegura sobre si mesma e pense um pouco sobre as pessoas que realmente gostam de você. Como eu, por exemplo. Você me chateia demais, Grace, você não tem noção, com toda essa sua falta de fé em nós. Quando eu te convidei para mudar sua vida comigo era porque eu tinha um plano para nós. E eu ainda tenho. Eu não faço nada impensado. Se eu um dia te pedi para casar comigo, era porque eu já tinha tudo planejado com você. Então, confia em mim. Eu quero você. E eu já planejei todo o nosso futuro juntos. Eu acredito em nós. Só falta você acreditar.
— Eu entendo... é tudo tão novo para mim... essa segurança toda que você me passa, eu nunca senti antes.
— Eu estou aqui para isso. Dar apoio. Mas se a parte mais importante, que é o edifício, não quiser usar esse apoio, se ela achar que é melhor usar uma base diferente, eu não posso fazer muita coisa...
— Eu quero você, Tommy.
— Eu sei que sim, coisa graciosa.
— Eu odeio todos os trocadilhos que você já fez com meu nome. — Grace riu.
— Eu amo seu nome. Você é a graça da minha vida, muito imerecida.
— Sou muito agraciada por ter você em minha vida também. O pior é que você reverteu a situação e ainda não respondeu sobre as garotas pelas quais você já teve uma queda.
— Isso se chama sagacidade. E pra mim só importa o agora.
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Não esquece a estrelinha.. ⭐
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