aniversário II

O coração de Grace quase saltava pela boca enquanto, dentro daquele carro, se aproximava de sua casa.

— Então, Grace. Vamos dar uma passadinha na sua casa para chamar seus pais para ir com a gente — disse a mãe de Matthew.

Grace sabia que alguma coisa a aguardava dentro de casa. Não conseguia parar de pensar no que falaria a Matthew agora que tinha certeza que ele estava lá. Até que seu celular tocou.

Era Matthew.

— Amor, feliz aniversário. Eu não pude falar com você porque tive que viajar... mas agora posso falar.

— Tudo bem. Precisamos conversar.

— Aconteceu algo!?

— Sim.

— Não importa o que aconteceu. É seu aniversário, amor. Vamos só falar das coisas boas.

— Estou chegando em casa, já te ligo.

— Tudo bem. Sinto muito por não estar aí com você...

— U-hum, tenho que ir. — E desligou.

•••

SURPRESAAAA! — Gritaram quando Grace abriu a porta de sua casa.

Para sua surpresa, literalmente, até que tinham muitas pessoas por ali. Até mesmo Lydia. E, o que? Brenda? O que ela estaria fazendo na festa de aniversário de Grace? Quem a havia convidado?

— Parabéns, Grace! — disse sua mãe depois da cantoria, alto demais para que todos a ouvissem. — Olha, o Matt não pôde vir, mas te mandou isso — disse entregando um CD.

— É uma música? — alguém perguntou.

— Vamos! Queremos ouvir! — disseram algumas pessoas.

Grace não queria ouvir. Simplesmente travou ao segurar o CD nas mãos.

— Não precisa, ele mesmo canta — disse Sabrine, dando saltinhos.

E eis que surge Matthew com um violão nas mãos, um sorriso no rosto e um cabelo bagunçado.

Grace! Você é a minha musa inspiradora; você é a beleza do meu mundo; não sei viver... sem voceeeeê...

Eu nem preciso terminar de transcrever essa canção para que você entenda o quão constrangedor foi aquele momento. Grace não sabia o que fazer. Parecia não estar prestando atenção na canção, mas sua cabeça estava imaginando o que falaria a Matthew depois disso tudo.

Parecia mal, muito mal, terminar com alguém que acabara de fazer uma música — muito melosa, por sinal — para você. 

  •••

— Oi, Grace — disse Lydia. — O Matthew é mesmo incrível, você é muito sortuda por ter um namorado tão romântico...

— Hum... obrigada — disse Grace, perguntando-se se aquilo era, ou não, um "Feliz aniversário". — Você sumiu...

— Ah, sim... li num blog que era bom se distanciar um pouco para que eu pudesse repensar algumas coisas na minha vida... Então, eu fiz.

— Entendi — respondeu Grace, tentada a perguntar no que sua amiga andava pensando.

— O que a Brenda Hunter está fazendo aqui? Vocês são amigas agora? — perguntou Lydia, olhando para Brenda sem disfarçar.

— Não... eu não sei...

— Hum. Que estranho! — disse Lydia com um olhar ainda mais estranho para Grace.

Grace, venha cortar o bolo! — gritou alguém dos fundos da casa.

•••

— Oi, Grace... Lembra de mim? — disse Brenda, aproximando-se com uma caixa um pouco grande nas mãos.

— Ah, sim... Claro — falou Grace enquanto cortava o bolo.

— Eu vim te entregar isto. É um presente de você sabe quem.

— Sei?

— Sabe, sim. Vou deixar aqui embaixo da mesa, não abra enquanto a festa estiver rolando.

— Tudo bem. Muito obrigada.

— Não foi nada. Espero que esteja tudo bem entre vocês.

— U-hum — disse Grace, meio sem graça em falar sobre aquilo com alguém que mal conhecia. Será que Thomas havia contado tudo para Brenda?

— Amor. Oi. Nem conversamos ainda. Você parece triste. Eu vim mesmo, meu amor. Te enganei — disse Matthew, intrometendo-se na conversa. — E quem é essa?

— Essa é a Brenda. Brenda, esse é o Matthew...—

— Namorado dela — interrompeu Matthew. — Prazer.

— É um prazer conhecer você. — Brenda virou-se para Grace e falou mais uma vez. — Grace, sinto muito. Tenho que ir embora.

— Tudo bem. Obrigada por vir — disse Grace indicando com o olhar a caixa debaixo da mesa.

Brenda sorriu e se foi.

— Você está triste?

— Na verdade, estou um pouco tensa. Eu disse que precisamos conversar. — Agora Grace sentia que suas mãos tremiam um pouco.

— Claro. Pode falar — disse Matthew com a boca cheia de bolo de chocolate.

— Vamos lá fora.

  •••

Enquanto andavam pelas ruas de seu bairro, Grace sentia-se cada vez mais incapaz de falar o que queria. Era como se suas cordas vocais tivessem dado um nó cego que ela não estava conseguindo desatar, enquanto ouvia Matthew discorrer sobre o quanto ele a amava e estava com saudade. Ele até disse que estava planejando essa surpresa de aniversário há muito tempo, e não poderia faltar por nada.

— Você gostou na minha atuação dizendo que não poderia vir?

Grace reuniu todas as suas forças para dizer num tom sufocado:

— Matthew, eu quero terminar.

— O quê? — Matthew falou baixo.

— É. — Grace limpou a garganta, sentindo seu coração bater mais intensamente. — Eu quero terminar.

— Você não pode fazer isso. — Agora ele estava simplesmente gritando com Grace.

— Eu posso fazer isso.

— A gente se ama. Você não pode. — Matthew começou a chorar descompassadamente. — Você não pode me deixar, amor.

— Matthew, calma.

— Você... eu te... amo — esgoelou Matthew.

Grace nunca havia visto o namorado chorar daquela maneira... Ele estava dificultando as coisas, não era aquilo que ela esperava.

— Matt... — Grace estava sem reação.

— Você vai ficar comigo para sempre — Matthew dizia entre soluços — Eu vou te levar para Boston e você vai ficar comigo. Eu prometo, não me deixa. Eu não vivo sem você. Vamos nos casar.

— Eu não quero mais.

— POR QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE? — falou Matthew aos berros.

— Porque eu... eu não quero mais. — Grace se sentiu fraca por não conseguir falar nada diante daquilo tudo.

— Você não, — Matthew agarrou o braço de Grace, — não pode me deixar

— Matthew, não torne as coisas mais difíceis do que já são. Eu já deveria ter deixado claro isso antes — disse Grace, soltando-se da mão de Matthew. Sua reação foi simplesmente sair correndo para casa.

•••

Felizmente, poucas pessoas ainda estavam na festa. Grace se trancou no quarto e prometeu a si mesma que não sairia dali por dias. Estava sentindo um misto de alívio e dor. Sabia que tinha feito o que era certo, mas não do modo certo. No final das contas, eles não tiveram a conversa saudável que Grace havia planejado. Matthew dificultou as coisas, agindo de uma maneira totalmente descontrolada. Ela não havia imaginado que ele reagiria assim.

Ela sabia que ele não era quem ela amava, mas tinha um carinho enorme por ele. Não queria que ele sofresse tanto assim.

Se havia alguma certeza no coração de Grace, era a que ela não poderia ter entrado num relacionamento, assim, tão precipitadamente. Lembrou-se dos poucos dias de amizade com Matthew antes de começarem a namorar. Talvez se tivesse pensado melhor, se tivesse notado que era cedo demais para começar um relacionamento com quem mal conhecia, não estaria passando por isso. Lembrou-se de um versículo que aprendera quando criança: "Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida". Quanto sofrimento ela teria evitado se simplesmente tivesse se guardado!

Abafou o rosto no travesseiro e chorou mais do havia chorado em toda a sua vida.

— Grace? — perguntou sua mãe, da porta.

— Não, mãe. Depois eu saio — disse Grace sem tirar o rosto do travesseiro.

— Ultimamente eu tenho te notado tão triste! Aconteceu alguma coisa?

— Não quero falar agora, mãe...

— Ah, já sei! Vou chamar a Lydia para conversar com você.

— Não! — virou-se subitamente para a porta. — Não chama.

Mas era tarde demais, sua mãe já havia saído ao encontro de Lydia.

 •••

— Grace, o que aconteceu? Sua mãe me disse que você estava chorando — questionou Lydia, já entrando no quarto.

— Eu e o Matt, nós terminamos...

— O quê? — Lydia disse, espantada.

— É...

— Por quê?

— Você não entenderia. Foi porque não estava mais me sentindo bem naquele relacionamento — Grace tentou começar a explicar.

— Eu não acredito que você terminou com ele depois da música que ele fez para você. Ele cantou para você na frente de todo o mundo. Uma das músicas mais bonitas que já ouvi. E você termina com ele por causa de um incômodozinho?

— O quê? Você acha que uma música vale mais do que ter paz? Você acha que tudo é justificável pelo que ele faz em público?

— Não, Grace. Tá, me desculpa. Mas pelas coisas que ele cantou, ele parecia ser um namorado perfeito, romântico e atencioso.

— Então você acredita em mim? Apesar de todo o mundo que esteve presente nessa festa, quando souber que terminamos, possivelmente achar que eu sou louca?

— Acredito...

— É bom ter você como amiga, Lydia. Senti sua falta — disse Grace, abraçando a amiga e chorando no seu ombro.

— Mas, Grace... posso te perguntar uma coisa?

— Sim?!

Você tem certeza que esse término não tem nada a ver com o Thomas?

Grace não acreditou no que havia escutado. É sério que, depois disso tudo, Lydia ainda não era capaz de acreditar em sua amiga?

— Como assim? — Grace ainda tentou entender o que a amiga queria dizer com aquilo.

— Não sei... Você não acha que ele te influenciou a fazer isso?

— De onde você tirou isso, Lydia? Por que você está me perguntando isso?

— É que... você reclama de atenção sempre. Sabe o que eu estava pensando? Você nunca se contentou que eu fosse mais popular do que você, sempre sentiu que eu tinha tudo e você nada. Aí você quis tudo o que eu tenho. Você acha que pode ter o Thomas para você e joga fora o Matt. É amiga da Brenda e não precisa mais de mim!

— Lydia, — disse Grace, espantada, — como você chegou a essa conclusão tão baixa? Eu não quero nada do que é seu. Você não sabe do que eu seria capaz somente para preservar a sua amizade. Mas, falando assim, você não parece ser minha amiga. E, não. A Brenda não é minha amiga. E, não. O Thomas não tem nada a ver com isso. Na verdade, eu não converso mais com ele. 

— Se você quiser continuar sendo a minha amiga, nunca mais cite o nome desse garoto para mim.

— É sério isso? Você quem o está citando, primeiramente. Você vai colocar em cheque a nossa amizade por isso?

— Sim, vou... 

— Então acho que não devo ser digna de sua amizade. Eu sinto muito. Eu amo você. Mas não vou assinar seus termos.

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Não esquece a estrelinha. ⭐

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