Expulsão De Harvard
Brayan's Point Of View
Cambridge, Massachusetts — EUA
Eu estava usando um boné e o capuz do meu casaco. Estava encostado no táxi com os braços cruzados. Como alguém demora tanto, ser pontual de vez em quando faz bem. Logo vejo finalmente ela vindo. Vou andando até ela e a ajudo com as malas.
— Demorou hein. — digo guardando as malas com a ajuda do taxista.
— Estava me despedindo de uns amigos. —disse ela entrando no carro e eu faço o mesmo.
Digo o endereço em um inglês perfeito para o motorista, graças as aulas de inglês e espanhol que meus pais me obrigaram a fazer na infância.
Ficamos em silêncio enquanto. De vez em quando olho de relance pra ela, mas não falamos nada por minutos. Então eu resolvo quebrar o silêncio.
— Vai me contar por que foi expulsa de Harvard?—pergunto.
Fico em silêncio de novo enquanto eu espero ela falar. Quando eu já estava desistindo ela suspira e olha pra mim.
— Só não conta para os meus pais, não por enquanto.
— Milena. —olho pra ela. —O que você irá dizer quando chegarmos ao Brasil?
Ela vira e fica olhando a paisagem pela janela.
— Você recebeu uma carta?—pergunta ela ainda olhando pra janela.
— Sim, eles vão casar.
O caminho até o hotel foi silencioso, não falamos mais nada depois disso.
— Qualquer coisa eu estou aqui do lado. —digo colocando as malas dela no chão.
Ela me abraça e eu fico sem reação por não saber que ela iria fazer isso. Então passo meus braços envolta dela e a abraço também.
— Obrigada por ter vindo. —ela volta ao seu tamanho normal quando me solta.
— Sempre que precisar.
Saio do quarto dela e abro a porta do meu quarto temporário. Tiro meu tênis e o casaco. Um envelope cai do bolso do casaco e eu me abaixo para pegá-lo. Leio a carta pela quarta vez.
Meu irmãozinho.
Cara eu já estou cansado de escrever, mas é por uma boa causa. Eu tenho uma playlist só com músicas sua, elas são as minhas preferidas. Posso dizer que sou seu fã número 1. Claro que eu iria procurar ficar por dentro do que falam sobre você, cada entrevista que você dá, sempre que suas músicas tocam nas rádios. Sempre soube do seu potencial, você merece todo o sucesso do mundo. Vamos ao que interessa antes que eu comece a chorar, você sabe que eu sou emotivo. Peço que aceite o convite para que possamos nos encontrar em breve, e eu possa cumprir o papel de irmão mais velho.
Um grande abraço, Bruno.
Pego meu celular e ligo pro meu agente pedindo pra ele comprar duas passagens para o Brasil no primeiro voo que tiver pela manhã.
— Brayan você tem um avião particular ao seu dispor e quer comprar passagens?
— Droga, ás vezes eu esqueço.
— Não se preocupe, o jato particular vai estar no aeroporto pela manhã.
— Obrigado, Rafael.
Encerro a ligação e bato na porta do quarto que a Milena está.
— Oi. —disse ela esfregando os olhos.
— Iremos viajar amanhã bem cedo.
Ela me olha confusa e franze a testa.
— Nós vamos, entendi.
— Sim.
Ela fecha a porta e eu volto pro quarto. Tinha que dormir, pois amanhã o dia seria cansativo.
Finalmente entramos no avião e eu sento na poltrona superconfortável e Milena senta de frente pra mim. Depois de uns minutos nós decolamos. Pego meu celular e coloco meus fones no ouvido, tentando ficar o mais confortável possível. Iríamos ficar horas aqui. Olho pra Milena e há vejo um pouco desconfortável.
— Você tem medo de avião?—pergunto tirando os fones do ouvido.
Ela me olha com uma expressão de medo e balança a cabeça concordando. Eu a conhecia, mas não sabia disso, eu não sabia mais de nada ao seu respeito. Ela era só um ano mais nova que eu, mas me pareceu aquela garotinha de 12 anos que adorava me bater. No lugar dessa garotinha estava uma menina de 19 anos na minha frente. E ela não se parecia nada com a antiga Milena.
— Tudo Bem, respire fundo e olhe pra mim. —digo e ela faz o que eu mandei.
Vejo o rosto dela suavizando e ela relaxar as mãos que estavam apertando o banco.
— Está se sentindo melhor? — pergunto.
— É um medo bobo que eu tenho, já passou.
— Qualquer coisa tem um banheiro logo ali.
Ela balança a cabeça e olha pela janela. Faço o mesmo e olho a maravilhosa paisagem que tem daqui de cima. Nós estamos nos tratando como estranhos que acabaram de se conhecer, isto não está certo.
— Temos tempo suficiente para você me contar o que fez na faculdade esse tempo todo. —digo.
Ela olha pra mim e abre um sorriso.
— Muitas coisas que não me acrescentaram em nada.
— Odeia tanto assim a faculdade?
— Eu odeio o meu pai, Harvard não tem nada a ver com isso.
Fico pensando naquelas palavras. E resolvo perguntar.
— O que o Vitor fez?— pergunto ficando um pouco irritado.
Vitor não era mais o mesmo há anos e isso fez a Dani se divorciar dele. Quem mais sofreu com tudo isso foi a Milena. Ela ficou no meio de tudo.
3 anos atrás...
— A Milena sumiu. — disse Sophia aparecendo na sala da minha casa.
Eu levanto e olho pra ela.
— Como assim?
— Ela sumiu, meu pai ficou com a guarda dela.
Meus tios estavam se divorciando e a guarda da Milena foi uma das brigas que eu estava ciente, não aguentava mais ela chorando dizendo que não queria ficar com o Vitor. Mas eu não podia fazer nada. Ela tinha apenas 16 anos, ainda não era adulta perante a lei. Somente o Nathan e a Sophia. Eles não precisavam mais disso. Nathan já tinha 19 anos, estava fazendo faculdade na Europa e a Sophia tinha acabado de completar 18 anos.
— Vamos procurar por ela. —digo saindo de casa correndo.
Procurei por ela em vários lugares até chegar à praia. Era o último ponto perto de casa, ela não poderia ter ido longe, não poderia. Saio correndo pela areia olhando em várias direções. Paro assim que vejo-a sentada olhando pro mar. Ela estava chorando e limpava o rosto toda vez que uma lágrima caia.
— Milena. —digo me aproximando dela.
Sento do lado dela e a abraço. Ficamos em silêncio, eu não gostava de ver ela assim, isso me doía.
— Por que o Nathan nos deixou? Ele saberia resolver tudo isso de alguma forma. — ela me olha com os olhos cheios de lágrimas.
— Ele não nos deixou.
Já fazia meses que eu não via o Nathan, Bianca, Felipe, Anne e Bruno. No começo quando eles foram pra longe sempre apareciam pra nos visitar em alguma data importante, nem todos eles, o Nathan nunca aparecia, mas agora o único que aparecia por aqui quando dava era o Bruno.
— Um dia você também irá fazer o mesmo. — ela me solta e limpa outra lágrima que tinha caído.
— Eu nunca irei fazer isso, eu prometo.
Não podemos quebrar uma promessa.
Atualmente...
— Brayan?
Balanço a cabeça e a Milena me olhava.
— Desculpa, acabei me distraindo.
— Tudo bem, não era nada demais.
— Fale, agora eu estou ouvindo.
Ela pega seu celular e começa a mexer nele. Eu ia colocar meus fones de ouvido de novo, mas ela segura o celular na minha frente mandando eu pegar. Eu pego ele e olho o que ela queria que eu visse. Franzo a testa enquanto ela me observa e olho pra ela surpreso.
— Foi você que escreveu isso?
— Bom, sim. —disse ela envergonhada.
Olho pro celular de novo e tenho uma ideia.
****
eu me identifico um pouco com cada um deles e vocês?
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